Domingo, Dezembro 06, 2009

Irmãs japas = gêmeas?

Imagens não autorizadas.


Eu e minha irmã somos muito diferentes, especialmente no que concerne à personalidade. Mas, como Brasil rola aquela ignorância de que descendentes de orientais “são todos iguais”, muitas vezes os desconhecidos confundem a gente.

Eu me sentiria ofendida, se não tirasse proveito disso.

Não acho que somos parecidas nem fisicamente, nem em termos de personalidade (quase opostas) , mas vou confessar por este espaço que já nos aproveitamos da ignorância do cara pálida para tomar certas atitudes de gêmeas. (Ei, se você também é descendente de japonês e tem uma irmã, tenho certeza de que já fez alguma das situações abaixo)

Jogo rápido. Qual das situações abaixo é mentira?

Situação 1: Comprei uma roupa, não gostei, mas estou com preguiça de ir trocar na loja.
- Ju, vai na loja e finge que sou eu para trocar a roupa? Se ela perguntar alguma coisa, fala que eu tava de óculos no outro dia.
- Beleza, a loja é perto da facul?
- É, to com preguiça de ir, faz esse favor pra mim?


Situação 2: O chato não para de ligar e você não quer atender...
- Ju, atende aí e finge que sou eu? Fala bem grossa com ele, que eu não agüento mais!
- Ta, mas qual o nome dele? Ah, XXX? Ta, vou atender.
- Brigada!

Situação 3: Não sei nada de Física, mas minha irmã sabe (estudamos em colégios diferentes):
- Ju, faz a prova pra mim? Te dou um doce!
- Ta, mas você faz a prova de inglês pra mim, belê?
- Faço, é só passar a matéria antes...

Situação 4: O telefone toca. Eu atendo.
- Alô.
- Alô, a Ju ta aí?
- Não, ela não está.
- Ué, mas a voz é dela! OO Jú, pára de mentir!
- Não é ela. É a Tati, irmã dela.
- Ahh Jú, para de zuar. Deixa eu contar a novidade...e bla bla
- (interrompendo) Não é a Ju, é a Tati. É sério, ela ta dormindo.
- Jú, se não quer falar, beleza!
- Não É A JU, DEPOIS ELA TE LIGA. (desliga na cara).


E aí, descobriu?
Tcha tcha tcha...A situação 3 nunca foi de fato tentada – mas já pensada, quando éramos mais novas.

Se eu fosse gêmea, acho que não faria nada além do que já fiz nas situações anteriores. Embora, confesso: gêmeas e descendente de japonês...o céu é o limite para uma fingir ser a outra.

Conclusão dessa revelação bombástica:
Essa é a grande vantagem de ser descendente de japonês: eu e minhas amigas orientais já assumimos uma a identidade da outra, em variadas situações, quando éramos adolescentes.

Depois os “não-descendentes” falam:
Abre o olho, japonês!
Acho que quem tem que abrir o olho são vocês...

Domingo, Novembro 29, 2009

Felicidade e burrice andam de mãos dadas

Estou em crise existencial. Quando alguém diz algo que você considera babaca, que vai contra tudo o que você sempre pensou e almejou em todas as circunstâncias...Você fala o que pensa ou engole o sapo?

Ultimamente, ando engolindo bastante sapos. Só que, o fato de engoli-los com frequência faz com que, de certa maneira, eu aceite as babaquices alheias e me omita. Omita minha opinião, algo que eu definitivamente não fazia.

Se, por um lado, sou uma pessoa mais simpática e feliz aos olhos dos outros, por outro me sinto uma tonta por dentro. Que aceita e concorda com alguém cuja visão é conservadora e patética, e a maior preocupação desse alguém (ou alguéns) é com a data da próxima liquidação de roupas e sapatos na Oscar Freite.

Eu ainda acho que a felicidade é proporcionalmente inversa à inteligência. Quanto mais feliz a pessoa, mais burra ela é.

Você se considera feliz?

Dizem que o ser humano busca a felicidade. Neste momento, acho que felicidade é sinônimo de burrice e alienação.

Pra mim, o ser humano deveria buscar sua plenitude.

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

E 2012...vai acabar o mundo?

Essa figura, de astrologia, tem um quê de apocalipse...


2012, o filme que tá dando o que falar (e que eu não assisti), sobre o fato de o fim do mundo estar próximo... Ah, dá para fazer bastante coisa antes de o mundo acabar. Vamos lá.

Vou aproveitar para:
- tirar férias de dois anos
- ler apenas romances, nada de “não-ficção” ou autoajuda
- andar de Crocs e nunca mais usar saltos altos ou apertados
- dormiria na hora que quisesse e acordaria na hora que quisesse.

Agora, falando sério...
Se eu fosse viver apenas mais dois anos, viajaria para experimentar todos os estilos de vida existentes: de uma freira em um convento, passando por uma índia da Amazônia, uma mulher vivendo em Jerusalém com burca e tudo, uma gueixa, uma roqueira em turnê com o Sonic Youth, uma ermitã hare krishna. O que a imaginação e a grana permitir, eu iria conhecer. Ver como vivem essas pessoas de realidades tão diferentes da minha.

Depois escreveria um livro contando minhas experiências e o enterraria nas camadas mais profundas do oceano. Quem sabe alguma civilização nova encontrasse os escritos e tentasse decifra-los.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

2009, só no balanço.

É, o ano de 2009 está acabando. Só me dou conta quando vejo as luzes de Natal nas ruas e as pessoas pensando no presente e nos amigos secretos.

Como foi o meu ano?
Para quem acompanhou este blog, 2009 foi intenso. Vivi em dois países, ou seja, parece que meu ano terminou no fim de julho, quando fui embora do Japão, e começou em agosto, ao voltar para o Brasil. Mas, em linhas gerais, meu ano foi redondo e bem espiritual. Descobri-me cercada de explicações acerca da vida que antes não acreditava ou não pensava. E descobri que, não, as coisas não são por acaso ou por razões meramente materiais.

O que fica de bom:

- morar em dois países completamente diferentes
- namorar um chinês, me comunicar em japonês e, mesmo assim, entender completamente seus sentimentos
- ter mais certeza do futuro
- estar de bem comigo mesma
- desenvolver meu lado espiritual
- aprender japonês e ser tolerante com as mais diversas culturas
- valorizar as pequenas coisas
- viajar muito

O que fica de ruim:
- mudar também gera as suas crises
- não ter tempo para nada e não conseguir me organizar
- sentir que, se não desenvolvidos, os talentos se perdem
- ficar meses sem ouvir música, andar de bicicleta, ir a shows ou a cinemas
- minha vida cultural foi praticamente nula

O que aprendi:
- a amar intensamente
- a ser a pisciana perdida em algum lugar - menos terra e mais água para minha vida
- a partida de alguns parentes deu uma nova guinada em meus pensamentos
- a não estressar por coisas pequenas – a vida é curta

O que quero esquecer:

- não acho bom esquecer nada, pois aprendemos com nossos erros.

E no mundo...
O ano de 2009 vai ficar para a História, por ser um ano de crises mundiais, perigos de guerras, Brasil e China no centro do mundo, EUA para escanteio. Mudanças de paradigmas sobre o que devemos levar a sério ou não. 2009 foi o ano do Brasil e da China. Último a entrar na crise e o primeiro a sair, pré sal, o presidente com 80% de aprovação, "He is the man", não é pra qualquer um.

Metaforicamente, passei pela crise em um dos países que mais sofreu com ela, brasileira namora chinês no Japão, guerra em meu interior me levou a entender o que realmente é prioritário e o que deve ser formatado do HD da minha vida. Não simplesmente deletado: formatado.

Que venha 2010!

Promessinhas básicas:
- fazer uma pós-graduação ou pelo menos passar em uma
- fazer curso de japonês
- entrar no Sampa Bikers
- não planejar tanto as coisas
- profissionalizar este blog e meu outro blog (sem falta!)

Musiquinha: o ano de 2009 foi ao som de Groove Armada, Soundboy Rock. Ouçam essa maravilha viciante abaixo.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

matisse-Henri

Vou postar minhas últimas descobertas destes tempos de marasmo criativo:

Música – NENHUMA
Cinema – NENHUMA
Teatro – NUNCA TEM NENHUMA DESCOBERTA
Livros – SEMPRE. Mas isso não conta porque ler, pra mim, é quase que involuntário. Tem letras, estou lendo.

Um campo eu posso preencher: EXPOSIÇÃO.

Pela primeira vez eu fui a uma exposição de um artista que admiro há um bom tempo. Matisse.
Quando teve a inauguração do francês na Pinacoteca, fiquei morrendo de vontade de ir, mas esperei a “badalação”. Agora, quase acabando a exposição, todo mundo, como eu, “se lembrou” de ir. E eu fui, em um sábado ensolarado, de bicicleta.

Nunca senti uma emoção tão grande diante de um quadro. É bem estranho você ver, ao vivo, uma obra que você leu sobre. Eu já vi outras exposições famosas, como Picasso. Mas Matisse sempre esteve em meu imaginário adolescente, pois me lembro de ter lido varios artigos em inglês sobre ele – quando eu estava empolgadíssima para aprender inglês, há mais ou menos 10 anos.

E, sábado passado, fico cara a cara com a obra. Foi bem emocionante.

Eis meu quadro favorito de Matisse.



Não me cobrem nada mais elaborado, nenhuma resenha crítica, porque acho que nunca senti inércia criativa maior em minha vida.


Esse eu também gosto!

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Fim do segundo ato do roteiro de minha vida.

Sumi por muito tempo. Acho que, pela primeira vez na vida, fiquei com o cérebro totalmente vazio, sem inspiração e sem assunto, por quase um mês. Isso que continuo lendo livros, jornais e as ditas fontes de informação e inspiração.

Foi muito triste olhar as visitas deste blog caindo, e eu sem coragem inclusive de acessá-lo – justo eu, a dona do blog, o larguei às moscas, não por falta (somente) de inspiração ou preguiça, mas por falta de coragem mesmo de ver o quanto abandonei meu espaço e talvez tenha me abandonado por esse tempo.

Eu parei de escrever e de baixar músicas
O exercício da escrita aparece do nada, normalmente à noite ou quando estou em estado de inércia – no metrô, viajando, antes de dormir, correndo...Mas, quando se está cansada, alienada e preocupada com os pilares trabalho-família-relacionamento (nessa ordem), parece que a gente não se permite parar uns minutos, talvez horas, para se dedicar ao próprio pensamento e ao exercício de pensar. Seja descobrindo músicas novas, escrevendo neste espaço ou no diário pessoal. Não fiz nada disso neste último mês.

Críticas ao paradigma: faça o que eu digo X não faça o que eu faço
Em um mundo capitalista e de interesses, até os mais esclarecidos e críticos se vendem. Segunda feira ia passar um programa imperdível para mim: o Roda Viva ia entrevistar o criador do Linux,. No mesmo horário, me limitei a assistir um programa relacionado a algo que não acredito.

Penso que não devemos parar de pensar um mundo melhor, ainda mais quando estamos jovens. Afinal, ainda veremos as conseqüências de nossos atos egoístas e interesseiros lá na frente, quando estivermos velhos, debilitados, e tentarmos sentar no assento preferencial do ônibus e um jovem de iPod, mascando chiclete e assistindo ao resumo da Malhação na televisão do ônibus pular na sua frente e sentar no assento preferencial em seu lugar. Você pode xingar e espernear – ele não vai te ouvir.

Parece um desabafo idiota, mas fiz exatamente o mesmo hoje de manhã: estava atrasada e vi o ônibus descendo a Augusta – se eu o perdesse, ficaria esperando séculos o próximo passar. Uma velhinha estava no meio da calçada, interrompendo minha corrida rumo ao ponto. Eu, meio que sem querer e sem paciência, esbarrei na velhinha e saí correndo. Estava ouvindo The Gossip no talo e não ouvi a senhora me xingando depois do que fiz a ela, mesmo que sem querer. Foi um alívio não ouvir seus xingamentos, mas ao mesmo tempo me senti uma jovem-estúpida-ouvindo iPod com músicas indies retardadas-de óculos escuros-individualista.

A gente se vende e se corrompe o tempo todo, à medida que ficamos adultos e largamos a faculdade, ou quem sabe, os tempos em que tínhamos tempo para pensar. Eu era pobre, andava de Havaianas, mas pensava e tinha orgulho de minhas atitudes, porque eu agia de acordo com o meu pensamento ético. Ultimamente, nem tanto.

Minha vontade é de correr pelo campo, exorcizar minha vida, sentar em uma máquina de escrever sem MSNs, Gtalks e emails pulando em minha frente. Em uma fazenda nublada ou um porão escuro.

Por que esses devaneios?
Meu tio morreu neste sábado, na semana mais tensa da minha vida.

Explicação do título:
o primeiro ato de minha vida acabou quando minha avó morreu, há 14 anos atrás. Meu tio morreu no mesmo dia, marcando o fim do segundo ato.

Domingo, Setembro 27, 2009

Saudades que corrói

Não sei porque eu ainda insisto em conversar com meu namorado chinês. Toda vez que converso com ele via Skype fico deprimida, choro em seguida, e não consigo pensar em mais nada.

O pior é as pessoas falando pra eu “desencanar”, viver a vida, e tal. Concordo com esses conselhos, porque não consigo imaginar uma situação mais difícil do que:

- namorar um chinês que mora no Japão e não fala inglês, nem português.
- E que, para piorar, não tem a menor intenção de vir para o Brasil

O mais razoável é eu viver minha vida aqui, e ele lá.

Há tantas coisas difíceis na vida – trabalhar, dinheiro, família, saúde, relacionamentos – mas a que mais dói, sem sombra de dúvidas, é a dor do amor. Dói, dói muito, faz chorar e perder a fome, faz esquecer do mundo. A dor da saudades também é cruel, parece que corrói por dentro e te aperta em você mesmo.

Quando estou deprimida ajo de duas maneiras: ora travo, fico estática, parada, sem vontade de fazer nada. Ou fico com vontade de sai correndo pelas ruas.

....

Depois de dois meses, estou começando a sentir saudades do Japão. Daquelas pequenas coisas, como:
- Andar de bike de salto alto.
- Dormir no metrô e largar a bolsa sem desconfiar dos outros
- A delicadeza dos japoneses
- Dançar em uma balada de 6 andares
- O silêncio

Saudades é um sentimento que dói muito, nos faz perder o norte das coisas.