segunda-feira, abril 25, 2005

A Ermitã

Havia meses que eu não ia para minha chácara. Não fiz nada de muito interessante, porém é aí que eu percebo o que ela tem de bom:

* posso dormir de cabelo molhado e acordar do jeito que ele ficou, ou seja, mais amassado que roupa em fundo de armário

* uso as roupas que estão em frangalhos: moletons, camisetas furadas, calças manchadas, desbotadas, chinelos nº 40 (eu calço 34) e outras regalias

* ouço todos os vinis dos Beatles, Janis Joplin, Ray Charles, Elton John, Johnny Rivers, Queen, A-ha, Duran Duran, e por aí vai

* brinco com os meus cachorros, e jogo o churrasco que o meu pai faz pra mim pra eles (opa!)

* fico lendo na varanda de manhã, usando óculos de lentes sujas porque eu dormi com eles na noite anterior

* assisto a todos os DVDs possíveis - o aluguel sai por 2 reais

* compro doces numa vendinha (a única) - todos parecem terem vencidos a validade, mas eu não me importo, porque nunca vi uma minhoca na paçoca

* como melancia, maçã, mexerica, uva, banana, laranja, e jogo todas as cascas no quintal (meu pai fica p***, e eu lhe explico que é um adubo eficiente)

*arranco as plantas que deixam o jardim feio, aparo os arbustos, arranco os matos, etc

Enfim, viro uma ermitã - sem qualquer contato com a civilização, sem me importar com a existência dos outros, sem pensar no dia de amanhã, apenas levando o tempo na calma e no relógio biológico.
As pessoas acham que eu cheguei em Bauru sem nunca ter pisado na terra, o que não é verdade, eu até gostaria de ser uma garota do campo.


Viver desse jeito é legal por um fim de semana, mas passando esse período...o tédio começa a bater: preciso ver meus e-mails, ouvir meus MP3, usar minhas roupas e lavar o cabelo. Essa é a minha vida, infelizmente.




E a música que não sai da minha cabeça:

" Her name is Rio and she dances on the sand
Just like that river twisting through a dusty land
And when she shines she really shows you all she can
Oh Rio, Rio dance across the Rio Grande"

Não ouçam essa música: ela vicia!

7 comentários:

Anônimo disse...

Eu gostaria de poder me distanciar da vida da cidade e aproveitar mais o campo. Mas quando chego lá, fico irritada, porque quero computador, quero TV, quero tudo o que não tem lá e aí acabo estragando o programa. :)

m. disse...

ah, tati, eu tb estou precisando de um retiro espiritual-rural desses... eu amo essa vidinha cosmopolita-urbana, mas, de vez em qdo, eu tenho vontade de desaparecer... tá difícil, viu...

beijos,
love ya so much!
=*

Da®th disse...

Cheguei até a sentir o cheirinho de mato, ouvir o silêncio de um entardecer, me transportei de volta pros anos 80 com o Rio do Duran Duran! Realmentem todos nós, urbanos de plantão, precisamos de
um "tempo" ermitão...
(*) Em tempo: Agora, Eremita vendo DVD foi novidade! rs ;P

Lidiane Faria disse...

sabe o que eu gosto de fazer?
ficar de pijama e andar de meia pela casa... o duro é lavar a meia depois hauhau

moça, é nóis no placebo kaka.

beijón

to com saudade da pentelha da tua irmã hehe. você tem o endereço dela?

Luisa C. disse...

Ahhh q gostoso!
Ás vezes é bom ficar longe da vida urbana -- mas nao por muito tempo!

Relaxa, vc faz coisas que nunca faria em sua casa, é um encontro com vc mesma... ahaha to viajando já...

Bjus
Lú

Anônimo disse...

Aeh brother!!!

Q lindo esta seu blog!!! cada vez mais escrevendo melhor...mto gostoso de ler ( e olha q eu nao sou mto chegada) Adoro...pena q nao tenho mto tempo...hunf!

Bom, tenho q ir...aqui time it`s money!

Beijinhus, linda!!!

Anônimo disse...

Mato...carrapatos...aquelas coisinhas verdes que grudam na calça....Prefiro o cinza da minha cidade....