segunda-feira, junho 25, 2007

A praga da mexerica


Prestem atenção: de junho a agosto, as ruas são invadidas por cascas laranjas – são as mexericas (mais especificamente a mexerica poncã, cultivadas inicialmente pelos japoneses), que pipocam em todos os lugares nesses três meses.

A mexerica fica a menos de 1 real o quilo e, por isso, ela é distribuída como sobremesa nos restaurantes populares da cidade; crianças são obrigadas a come-las na hora do lanche; os guardadores de carro, operários, donas de casa, consomem a mexerica na rua mesmo, enquanto descansam.

Até aí tudo bem, eu também adoro mexerica. Mas o problema está no cheiro: fica nas mãos, não tem sabonete que tire aquele cheiro de mexerica. E os fiozinhos brancos que recobrem a fruta, grudam na mão e não saem mais? Ninguém merece...

Fica o pedido para os químicos deste país elaborarem um sabonete eficaz na retirada do cheiro de mexerica nas mãos.

Adeus à ocupação

Interessante a perspectiva da mídia e das pessoas contrárias a ocupações, greves, e qualquer outro tipo de manifestação contra o status quo. Afirmam que os manifestantes da USP, ao saírem após 50 dias, o fizeram porque querem férias em julho – e não porque estão desgastados física e psicologicamente, bem como abalados porque a polícia invadiu impunemente o campus da Unesp de Araraquara.

Essa afirmação de que a ocupação foi “férias” nada mais é do que um achismo: é divertido limpar um ambiente imenso, comer salsicha diariamente e conviver com a ameaça policial por 50 dias? Para os favoráveis à manutenção da ordem, férias é algo tão patético e tão mecânico quanto ir trabalhar, estudar: não quero pensar sobre um outro tipo de realidade. Tenho que ter minhas férias em julho – vou para Campos do Jordão gastar horrores em uma pracinha linda, contrastada com uma periferia – sim, Campos do Jordão tem periferia e (!) favelas.

Que tristeza saber que tem gente passando fome e comendo salsicha enquanto eu tomo meu chocolate quente nesse país tropical.

Como sugeriu um professor (não seria um tecnicista?) de Engenharia: vamos fazer um muro separando nós (os mantenedores da ordem) e eles (os arruaceiros). Façam, por favor! Uma mudança calcada por tijolos e cimentos.

segunda-feira, junho 18, 2007

Valor


Fizemos um bate e volta para Sampa, a fim de ir ao encontro nacional de estudantes. O encontro foi relativamente morno, uma vez que a coisa mais legal do dia situou-se entre o encontro entre estudantes da Unesp e a subida ao relógio, que me deixou com uma tremenda dor nas pernas.

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Mas acidentes acontecem quando a gente menos espera. Parece que isso foi um baque, daqueles que me dizem: Viu, você não é onipotente. As coisas não acontecem pelo simples racionalismo, nem tudo é somente matéria.

A sensação de impotência perante certas coisas, as coincidências acerca de certos fatos fazem qualquer um refletir a respeito da inevitabilidade da vida ou da morte.

Eu sempre quis abraçar o mundo, penso que ficar sem fazer nada é vagabundice. Mas quando a gente vai sentar, parar, e refletir sobre a própria existência?

sábado, junho 16, 2007

Daquiapouco

Bom, vou fazer um micro diário.
Daqui a três horas terei de acordar para ir a São Paulo na ocupação da USP. Um bate e volta com cerca de 10 horas de viagem, mas que vale a pena.

E daqui a seis meses me formo. É sé-ri-o.
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Agora estou sem celular - meus problemas com celulares ainda não acabaram. Foi o terceiro com problema este ano. Vou comprar um pager por aí.
hahaah..
há alguns anos eu usava walkman, windows 98, máquina fotográfica manual, video cassete...
e hoje nem lembro da existência desses aparatos tecnológicos.
Alguém aí se sente mais feliz por essa suposta evolução? Parece que me sinto pior.

segunda-feira, junho 11, 2007

Deixa eu brincar de ser feliz

Foi um show emocionante, simples, direto, sem rodeios, sem lágrimas perdidas dos integrantes da banda - mas muito chororô dos fãs.

Parece religião, tamanha a adoração que o Los Hermanos exerce no público. O pessoal imita tudo, tem orgulho em afirmar que só ouve essa banda e que chora toda vez que ouve a tal música. E é essa adulação absurda que me enoja - e, garanto, os próprios integrantes da banda devem odiar também.
Mas devo admitir uma coisa: os caras são bons. Um toque meio Weezer, meio Caetano, meio samba, meio ska, meio Radiohead. É evidente, meio pós moderno. Mas as letras, ah as letras.
Como não pensar que "O Vencedor", aparentemente despretensiosa, esconde uma ideologia ainda mais surpreendente? Que mobiliza multidões?
O forte da banda são, sim, as letras. E olha que eu nem levo tão em conta esse aspecto da música, pois acho que música e poesia são elementos conjuntos, mas não indissociáveis. Uma composição pode ser horrível e ter letra relativamente boa (caso da famigerada Legião Urbana), como pode ser ótima e simplesmente não ter nenhum verso relevante (vide a música eletrônica).
Mas Los Hermanos, fugindo do mercado, com um álbum anti-anti do anti - "Bloco do Eu Sozinho" - que foge totalmente do estereótipo da Ana Júlia do cd anterior, conquista os fãs fiéis, não os descartáveis que procuravam "Anas Júlias" para cantarolar no carro.
Não tinha banda assim no Brasil - em 2001, só dava Charlie Brown, Jota Quest e afiliados.

E, sim, Los Hermanos é minha banda nacional favorita. Acho triste admitir isso, porque não gostaria de ser mais uma chorona no último show dos caras.
Mas não deu, me emocionei nas duas primeiras músicas que tocaram, do "4".
Vai fazer falta a ausência...mas por outro lado, força os fãs mais fiéis a ouvirem pelo menos as influências mais diretas dos barbudos cariocas.

sexta-feira, junho 08, 2007

Her Name is Rio

Essa música é do Duran Duran e não tem nada a ver com o Rio de Janeiro. Mas enfim, estou antiga capital federal do país e por aqui está uma temperatura boa e amena...
Entretanto, o que eu tenho mesmo é um desabafo. Tô cansada, preciso de férias das pessoas - depois de certo tempo, elas só me desgastam. Meu maior desejo não é ver o "último" show do Los Hermanos, muito menos rever o Cristo, as preparações para o Pan e o Pão de Açúcar. Minha vontade é:
- ficar lendo um monte de coisas
- ser obrigada a ver filmes embaixo da coberta
- andar de bike na orla de uma praia
- ficar olhando o céu estrelado
- conversar com a minha irmã
- dormir, dormir, dormir
- comer bolachas de padaria sem me sentir culpada depois
- ficar sem lentes de contato

Quero ficar sozinha. Até me cansar e sair correndo atrás das pessoas que amo.

sábado, junho 02, 2007

Fotos passeata USP


Movimento

Não sei como definimos nossa posição política, mas considero que, pra alguém fazer jornalismo...sinto muito, você tem que ter pensamento crítico. Não só em relação ao senso comum, como também à própria mídia e a seu futuro local de trabalho.
Escolhi fazer jornalismo por quê? Meus objetivos foram mudando ao longo do curso, mas o que ficou em mim foi sempre esse pensamento de que as coisas nem sempre são assim por que são. Algo está por trás disso.

Para tanto, fico me questionando o que está acontencendo nesses últimos tempos. Greves, ocupações, reivindicações em massa, distorções, manipulações. Em quatro anos de universidade pública, nunca vi tanta mobilização da galera que se sente, sim, injustiçada e não quer ficar de braços cruzados.
Tenho certeza de que estamos vivendo um momento histórico na educação paulista (pelo menos) e nem estamos nos dando conta disso. Só agora percebo que um tema que pauta toda a mídia só pode ser importante.
Ficou a fim de participar? Olhem o blog Greve não é férias e vejam que nem só de revolucionários clichês o movimento estudantil é feito. Vide festa junina de ontem, organizado pela Comissão do Movimento Estudantil, que foi melhor do que muita festa tradicional da Unesp.
Pra que ficar em casa, acompanhando assiduamente o que está acontecendo só pela mídia? Vai ver de perto, todo mundo pode.

Parece um texto demagogo, mas quero só ver minha mãe lendo isso. Ela acha um absurdo eu ficar aqui por causa de uma greve em vez de me dedicar integralmente ao relatório final da Fapesp.
Calma mãe, vai dar tudo certo.