domingo, julho 26, 2009

Algumas pessoas são o lugar

Me preparando para virar um cachorro molhado....

Eu sei que, quando chegar no Brasil, a pergunta que mais vou ouvir será...

“E aí, como foi?!?”

“Mas então, você prefere o Brasil ou o Japão?”

Acho que o título explica as duas perguntar acima, porque, em minha opinião, o que faz um lugar ser interessante, emocionante e legal são as pessoas que vivem esse momento com você, além da personagem principal, você mesmo.

O que me faz pensar em como duas, apenas duas pessoas, fizeram minha vida tornar-se absolutamente mais legal, divertida e feliz nesse período de Japão.

Se não fossem essas duas pessoas chaves, com certeza tudo teria sido diferente: as coisas seriam mais planas, eu teria me divertido menos, aprendido menos e vivido menos.

E você, já pensou no fato de que apenas algumas pessoas, em uma quantidade que cabe em apenas uma mão, são as que fazem diferença em sua vida?

segunda-feira, julho 20, 2009

O Fantástico Mundo de Tati

oi Costelinha!


Seguindo a linha do meu post anterior, do fato de minha vida ser um perfeito seriado ou roteiro televisivo, vou confessar a personagem que com certeza é quase uma descrição perfeita de mim:

- Doug Funny. Eu sempre amei o Doug Funny, e nunca soube por quê. Mas hoje sei o motivo: minha vida é praticamente igual à dele, no sentido de que, tudo, absolutamente, tudo, vira algo absolutamente fantástico em minha mente. Assim como o Doug, eu escrevo diário, tenho uma banda favorita, na qual sou alucinada (não, não é os Beets, mas também é uma banda de rock), vivo imaginando situações hilárias que normalmente não seriam.

Comparada às pessoas ditas “normais”, talvez minha imaginação seja fértil demais, e às vezes passa do limite. Não leve pelo duplo sentido porque, juro, imagino coisas totalmente bizarras, assim como o Doug. Apelidos absurdos em pessoas que mal conheço, heróis fantásticos, aventuras em coisas absolutamente cotidianas e tudo o mais. O exemplo a seguir, que descreve o Doug, mostra algo que eu também faria (veio da Wikipédia)

A imaginação de Doug reage a várias situações de sua vida, o ajudando a superar seus medos. Em um episódio, temendo uma visita ao dentista, ele imagina ser um agente secreto ao estilo James Bond, fazendo menção à cena do laser em Goldfinger.

Outro fato comédia é a relação dele com sua irmã, Judy. A minha irmã, Juliana, também possui diversas semelhanças com a irmã do Doug! Não só o nome, mas o comportamento (putz, expus minha irmã também).

Hey, Judy!

Achei que isso fosse coisa de criança (como diria minha mãe, "um dia passa"), mas desde que me conheço por gente eu faço isso.

Já quando era mais nova, eu era idêntica ao Fantástico Mundo de Bob – outro desenho que era viciada.

Minha vida poderia ser chamada de “Fantástica Vida de Tati”.


Eu adoro o Tio Teddy!

Cronologicamente falando, posso me descrever da seguinte forma:

Fantástico Mundo de Bob – Doug Funny – Woody Allen

Acho que me expus demais nesse post. Dei uma de Woody Allen, Doug e Bob ao mesmo tempo.


Olha a cara de indignação do tio Woody!!

segunda-feira, julho 13, 2009

Mudando de casa...Mudança fase 10

Planta de um apartamento japonês...


Só quem muda muito de casa sabe que o quanto é um inferno se mudar. Largamos um monte de coisas (importantíssimas) no caminho, deixando nossos rastros por todos os lugares que passa.

Só que, se fazer mudanças no Brasil é um saco, no Japão é praticamente dar um abraço no capeta.

Porque, não bastasse ter que embalar as coisas, encaixotar e ver a burocracia de saída de residência, ainda tem uma questão que é a pior de todas: o lixo.

Não se pode jogar lixo de qualquer jeito, como se faz no Brasil, e isso é um ponto bom em termos de reciclagem. Porém, quando se tem que jogar coisas como cadeiras, mesas ou algum objeto de porte grande, se prepare: você tem que pagar para jogar fora.

Além disso, as casas japonesas são, em sua grande maioria, minúsculas. E para arrumar as coisas? Sua casa vira de cabeça pra baixo por pelo menos um mês, sendo quase impossível andar sem tropeçar em uma caixa ou coisa que o valha.

P: Por quê a Fase 10 do Título?
R: Coloquei fase10 porque eu já me mudei de casa dez vezes – sendo nove delas nos últimos cinco anos. É claro que, no lado bom da coisa, a gente dá uma selecionada no que presta ou não em nossas vidas – jogando fora coisas que não deveriam fazer mais parte de nossa identidade.

Fiquei pensando no significado da palavra “lar”, cuja simbologia é diferente da de “casa”.

Não sinto que tenho um lar, contudo sei que o meu lar será sempre o meu canto – o local em que fica meu computador, minha agenda, livros, minha garrafinha de água, meus óculos e meu aparelho. Tendo essa zona perto de mim, estou em casa.
....

A música que resume meu estado atual é “Breath Reprise”, do Pink Floyd:

Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired
Its good to warm my bones beside the fire

domingo, julho 05, 2009

Minha vida é um roteiro de seriado? Descrição fiel de uma balada no Japão

A balada por dentro: suor e gente bêbada


Luiz Augusto (ou Goiaba, para os íntimos) já me falou algumas vezes que minha vida parece um seriado de comédia dramática.

Pouca gente sabe que, embora eu goste bastante de escrever roteiros, sou muito preguiçosa para formatá-los de forma que se torne realmente um roteiro no sentido palpável.

Alguém quer ser o diretor do filme da minha vida?

A entrada com um smile: veja como foi divertido!

Fotos da balada by Fabio Yamashitafuji

...

Eis a descrição de uma balada alternativa que fui no sábado:

Na balada, em Nagoya, estava toda a galera que conheço, dos mais variados países e culturas. Parecia uma festa do filme Albergue Espanhol, mas a real é que eu simplesmente odiei tudo aquilo.

Eu, que estava sóbria, fiquei olhando aquele povo bêbado, suado e com cerveja nas mãos. Em seguida, olhei meus pés (todos tinham que entrar descalços) e senti que estavam grudando no chão sujo de cerveja e tudo o mais que você imaginar; depois vi um monte de gente fingindo que estava a-man-do a música eletrônica de baixa qualidade, fechando os olhos e girando a cabeça como se estivessem abduzidos ou em transe.

Um amigo meu, todo suado e fedido, me abraçou, o que gerou uma cara de nojo em minha expressão facial. No entanto, por estar lá pela sétima garrafinha de cerveja, acho que ele não percebeu. Me desvencilhei dele, olhei para os lados e tinha um loiro de 2 metros que mais parecia uma minhocuçu, de tão magro e alto. Ele rebolava feito uma serpente no cio e não tinha a menor noção de seu tamanho colossal.

Eu, com meus 1,54 metro, ficava fugindo da minhoca loira com pés (passei a chamá-lo, mentalmente, de minhoca loira), só que a balada era um pouco menor do que uma sala de estar, e toda hora o maldito aparecia, rebolando e dançando como um boneco de Olinda.

Fiquei com vontade de dar uma bica na minhoca loira, mas me controlei e encostei na parede, só observando a galera. Uma brasileira, que tinha 1,80m e usava um decote que escondia somente o bico de seus seios imensos, estava totalmente bêbada, e dançava até o chão com todos os caras que ela trombava. Detalhe que ela dançava até o chão, como se fosse funk, músicas estilo trance (ou sei lá o que era aquilo).

A brasileira tinha um copo de vinho na mão e, no mesmo instante, pensei:
A bebum vai derrubar esse copo de vidro em alguém...

Ela sacudia, era vinho pra lá e pra cá, e pimba! Não é que ela derrubou tudo em mim e no meu amigo?

Meus pés, que já estavam grudentos, ficaram mais nojentos ainda. Meu amigo, em uma fala lenta e de bêbado, diz:
- Puuuutaaa que saco, a mina molhou meus pés!

Fiquei quieta, olhei para os lados e vejo uma japonesa liberando geral para um homem do Panamá, que passava a mão por todo seu corpo, enquanto um senhor de 60 anos e de camisa florida, estilo americano que viajou para o Havaí, observava, guloso, a cena.

Abri a porta da balada, para fugir da vertigem que estava vivendo, subi a escadaria e fui respirar um pouco. A polícia, que estava fazendo ronda e pedindo para que todos entrassem na balada, a fim de diminuir o barulho, pediu para eu entrar também. Sentei no meio-fio e não entrei.

Chega meu amigo (amigo?) mexicano, que havia resolvido dar uma volta para fugir do calor e comprar uma cerveja em uma loja de conveniência por perto. Ele pergunta o que eu estava “haciendo”.
- Nada, apenas respirando ar puro. – respondo.

Uma australiana loira e corpulenta, que aparentemente conhece a balada inteira, chega e cumprimenta a todos. Eu, que também a conheço, finjo que não a vi. Mas ela não finge que não me viu e diz:

- Eii (I don’t remember your name), how are you?
- Estou bem – (I don’t remember your name either).
- You look fine – diz ela, tentando ser simpática.

Dou um sorriso mais falso do que o da Nicole Kidman depois de trocentos botox, saio de fininho e pego minha bicicleta, pronta para dar o fora da barca furada. Uma conhecida abre a porta da balada, vê que estou tirando o cadeado da bicicleta e pergunta:
- Ih, já vai?
- Ah, não, só estava mudando minha bike de lugar (mentira 1).
- Ah, pensei que você estava indo. Não vai sem se despedir, hein?
- Claro, claro. (mentira 2)
- Nossa, estou pingando de suor.
- Eu já me refresquei, mas vou ao banheiro no combini (loja de conveniência, em japonês) e já volto. (mentira 3)

Pego minha bike e vou embora de vez.

(gente, esse é o post mais fiel de todos que eu escrevei – escrevi e fiz um ctrl c e ctrl v do meu diário)