domingo, maio 31, 2009

Beleza atrasa a vida


Ontem eu resolvi tirar aqueles dias para me embelezar: fiz a unha, me depilei, tirei a sobrancelha de uma maneira apropriada, me maquiei, enfim. Fez a maior diferença, me senti bela e tal, só que demorei exatas 7 horas para terminar tudo.

Não pude deixar de pensar no tempo que gastei fazendo isso, enquanto eu poderia estar lendo um livro, vendo um filme ou qualquer outra coisa mais útil.

Isso não é justo, é um atentando aos direitos iguais entre homens e mulheres! Por que os homens não são obrigados a fazer nada disso, a não ser se barbear de vez em quando – quanto têm tempo?

Os homens também gastam seu tempo inutilmente - seja jogando videogame ou assistindo futebol duas vezes por semana -, porém eles fazem isso porque gostam, e não por pressão da sociedade. Nisso eles estão em larga vantagem em relação às mulheres.

Vamos fazer uma campanha para que, na próxima moda, o legal seja ser natural: sem maquiagem, depilação, unhas feitas ou hidratação capilar? Parece discurso feminista, mas a verdade é que eu realmente não entendo porque ainda temos que fazer determinados sacrifícios e eles não...

Se bem que, no Japão, está começando a rolar uma igualdade - os homens daqui são bem metrossexuais. Não sei o que é pior - homens que mais parecem vindo das cavernas ou aqueles que demoram mais para se arrumar do que mulher se preparando para a balada.

domingo, maio 24, 2009

Em fase de testes e de micos

Estou testando umas coisas novas por aí, por isso ando meio preguiçosa com o meu blog queridinho.

Vou dar uma twittada neste blog, por preguiça de desenvolver um raciocínio lógico.

(Pra mim, o Twitter é isso mesmo: ferramenta para quem não consegue concatenar as ideias, então escreve-as em até 140 caracteres)

- Fui de bicicleta comprar uma impressora, e achei que poderia levar o trambolho na garupa da mesma. Ledo engano: além do mico de ver a caixa cair da bicicleta e vê-la rolando pela rua, tive que voltar e devolver na loja, porque não consegui carrega-la. (Claro que eles não sabem que a impressora rolou ladeira abaixo antes de eu devolve-la)

- Estava na balada, depois de quase um mês sem ir a lugares decentes, quando uma japonesa bêbada dá um pisão no meu pé, depois de tentar me beijar e eu gritar Urusaiii (Que mina chata, em japonês). Foi sem querer que ela pisou no meu pé, eu vi, mas agora estou com um rombo roxo bem na planta do meu pé sofrido.

- Dormi de verdade no metrô e, quando acordei, eu não sabia onde estava. Acho que foi um dos dias que mais fiquei p#### comigo mesma, porque eu levei quase duas horas para chegar em casa, em um trajeto que, se eu não tivesse dormido, levaria 20 minutos.

- Vou sofrer quando voltar ao Brasil, porque lá não existe doce de arroz com feijão, chamado An-moti. O que eu mais gosto é um que tem a massa de arroz com grãos de feijão. Isso mesmo, viu?


Calma, mudanças virão em breve, e espero que todos gostem.
Por isso que eu estou sem inspiração para escrever algo decente aqui.

quarta-feira, maio 20, 2009

A marca da comida


É triste confessar que, dentre as coisas de que mais tenho saudades do Brasil, uma das principais é a comida. Triste porque eu deveria dizer que uma das coisas de que tenho mais saudade são as pessoas, o clima, o trânsito e etc. Porém, acho que quem mora/morou fora sabe o quanto a comida dá saudades.

Uma das primeiras coisas que quero fazer ao chegar no Brasil é comer pizza. Ou melhor, comer queijo, qualquer um.

Eu amo queijo (ao contrário da minha irmã, que odeia), e o queijo japonês (se é que ele existe, creio que 90% seja importado) é caro e artificial. Se você quiser comer um queijo de verdade – tipo minas (que não tem por aqui de jeito nenhum) ou parmesão, prepare-se para pagar uma fortuna. Algo em torno de 15 reais por um pedacinho.

Há sabores que marcam experiências, lembram pessoas e lugares, por isso que dá tanta saudade. Às vezes a gente nem quer sentir o gosto da comida, literalmente, apenas sentir a mesma sensação vivida no momento em que mastigou/bebeu.

Felicidade pela cerveja com batata frita no Happy Hour, pelo pão de queijo com catupiry da padaria, pastel de feira com gosto de trânsito e barulho, banana a preço de banana comprada na pechincha do mercado favorito.

Outra coisa que quero muito fazer é comer Torcida tomando cerveja em uma mesinha de plástico, com marca de cerveja estampada em todos os lugares possíveis.

Eu sinto o cheiro do meu pão – em São Paulo, eu mesma fazia e assava o pão que eu comia –, que eu mastigava lendo jornal, todos os dias.
Ainda faço isso aqui, porém leio um jornal em inglês que parece o site da Reuters versão impressa – Japan Times. Fraco, mas não tenho opções. Como não tenho opções de queijo.

Se nos alimentássemos somente de pílulas, será que teríamos saudades delas? Provavelmente teríamos noção de que temos saudades somente dos fatos gostosos que acompanham as pílulas.

segunda-feira, maio 11, 2009

A garra oriental.

Foto de minha grande amiga Maiko - japonesa que aprende português em uma velocidade surpreendente.

Sabe aquela frase de banheiro – enquanto você está aí cagando, tem um japa estudando?

Pois é, agora que consigo realmente me virar em japonês e tenho uma quantidade razoável de amigos nipônicos, percebo o quanto os malditos são esforçados e correm atrás do que querem.
Explico: um amigo meu, mestiço de japonês e chinês (misture a garra e seriedade japonesa com a destreza chinesa – é a personalidade dele), quer aprender inglês. E o inglês dele é pior do que o meu japonês. Ou seja, ele não consegue entender quase nada.

Enfim, em uma semana, ele resolveu comprar um livro para melhorar e conseguir falar comigo. Ele estuda, duas horas, todos os dias, depois do trabalho. Em casa, sozinho.

Eu, cuja mãe sempre fala o quanto sou esforçada, se estudo três vezes por semana, é muito. Lógico que sempre encontro formas alternativas de estudo, porém fiquei impressionada com a disciplina oriental.

Depois dessa, faço uma pergunta a mim mesma: qual o limite do esforço? Os brasileiros são preguiçosos ou os orientais são esforçados demais?

Será que a frase de banheiro é real?

sexta-feira, maio 01, 2009

Toque de recolher aborrecente

Ilha Solteira - já fui e adoro a cidade

As prefeituras de algumas cidades do interior de São Paulo, mais especificamente Ilha Solteira e Fernandópolis, implantaram o famoso ¨toque de recolher¨ para os adolescentes não ficarem vadiando à noite. Os toques são entre 22h e 23h, dependendo da idade, e quem desrespeitar será punido .

É claro que proibir é sempre mais fácil e paliativo do que educar e explicar as coisas. Simplesmente dizer ¨não¨ e punir é mais simples para os adultos do que educar e explicar as razões de não se fazer besteiras. Porque não é simples convencer a gurizada de que não vale a pena pichar os muros e beber cachaça barata para ficar bêbado.

Afinal, ninguém fica mais comportado ou educado, deixando o vandalismo de lado, simplesmente trancafiado em casa.

Que tal investir em programas culturais, mesmo que à noite? Cinema, teatro, festas culturais, que divirtam e tragam conhecimento? Para isso, a prefeitura não tem verba. Para encher o saco da garotada, ah, isso, eles têm verba e de sobra.


As cidades em questão são geograficamente bem distantes de São Paulo e possuem contextos totalmente diversos dos da capital. Não é perigoso andar na rua à noite e as cidades são BEM quentes, o que dá ainda mais vontade de ficar nas ruas.

...
Para complementar...

Quanto à tal da opressão, muito me lembra o livro que estou lendo, 1984 (George Orwell), que também se assemelha à sociedade japonesa.

Não há crimes, as pessoas vivem em uma sociedade bem controlada e correta, porém fica a questão: os indivíduos não destoam da massa porque não querem e sentem-se confortáveis ou porque têm medo? Medo de serem pegos, de serem presos?

Acho que esse não é o propósito de se educar, certo? Melhor seria se as pessoas não jogassem papel no chão não porque têm medo de levar multa, e sim porque suja a rua. Na verdade é bem simples de se entender que beber cerveja para sentir-se adulto só mostra o quanto você é infantil, porém as pessoas têm a tal da preguiça de refletir sobre seus próprios atos.