Não sei porque eu ainda insisto em conversar com meu namorado chinês. Toda vez que converso com ele via Skype fico deprimida, choro em seguida, e não consigo pensar em mais nada.
O pior é as pessoas falando pra eu “desencanar”, viver a vida, e tal. Concordo com esses conselhos, porque não consigo imaginar uma situação mais difícil do que:
- namorar um chinês que mora no Japão e não fala inglês, nem português.
- E que, para piorar, não tem a menor intenção de vir para o Brasil
O mais razoável é eu viver minha vida aqui, e ele lá.
Há tantas coisas difíceis na vida – trabalhar, dinheiro, família, saúde, relacionamentos – mas a que mais dói, sem sombra de dúvidas, é a dor do amor. Dói, dói muito, faz chorar e perder a fome, faz esquecer do mundo. A dor da saudades também é cruel, parece que corrói por dentro e te aperta em você mesmo.
Quando estou deprimida ajo de duas maneiras: ora travo, fico estática, parada, sem vontade de fazer nada. Ou fico com vontade de sai correndo pelas ruas.
....
Depois de dois meses, estou começando a sentir saudades do Japão. Daquelas pequenas coisas, como:
- Andar de bike de salto alto.
- Dormir no metrô e largar a bolsa sem desconfiar dos outros
- A delicadeza dos japoneses
- Dançar em uma balada de 6 andares
- O silêncio
Saudades é um sentimento que dói muito, nos faz perder o norte das coisas.
domingo, setembro 27, 2009
Saudades que corrói
Leu mesmo?
Tatiana Aoki
às
21:03
4
comentários
sexta-feira, setembro 18, 2009
Castrando as mentes poluídas
Cena de Lolita, direção de Stanley Kubrick
O que foi aquela idéia do senador Gerson Camata (PMDB) de castrar os pedófilos?
Parece mentira e coisa da era medieval e, embora seja algo “voluntário”, ou seja, o cara tira a libido se quiser, é algo muito estranho, pois, querendo ou não, fere a integridade física do indivíduo. Sinceramente, é claro que esse lance de pedofilia realmente é nojento e repugnante, porque é uma ferida permanente para quem é molestado. E que às vezes a gente fica com vontade de cortar a mão de quem rouba – como quando aconteceu na Indonésia há um ano atrás,
reflexo de uma reação passional ao erro humano, ao roubo e ao distúrbio, ao bizarro do convívio social.
Mas, como sempre, o problema é mais embaixo. Em uma sociedade em que o culto à juventude eterna é cada vez maior, e que a Internet propicia qualquer tipo de fantasia a preço de banana, ou de graça, não é difícil entender o motivo do aumento de casos de pedofilia digital. Qualquer fantasia, desejo reprimido, é só Googlar e puf! o sonho aparece.
Xuxa - teu passado te condena...
E, outra, antigamente – nem tão antigamente assim, há mais ou menos 20 anos atrás – a relação de criança/pedofilia era bem mais flexível. Quem não se lembra do filme pornô feito pela Xuxa, em que ela seduz um garoto de 12 anos? O filme é de 1982, e se fosse hoje, a “rainha dos baixinhos” (sem trocadilhos) estaria presa.
O mesmo diria do livro e do filme Lolita, de Nabokov e Kubrick respectivamente. Uma garota de 12 anos que tem um caso com um tiozinho? Seria censurado hoje...
Não sou a favor dos pedófilos, longe disso, mas temos que entender que a Internet só piorou uma situação que estava velada e limitada a centros físicos de exploração infantil, e locais privados, como o ambiente familiar. Outra, a pedofilia pode ser controlada mais facilmente se os pais participassem mais ativamente da vida dos filhos e limitassem o acesso destes ao uso indiscriminado de redes sociais e comunicadores instantâneos - atualmente, principais alvos dos pedófilos.
Já perdi a conta da quantidade de vezes que vi adolescentes e crianças se expondo no Orkut de biquíni, decote. Chega a ser pior do que revista Playboy. E os pais, não supervisionam isso? E as escolas, não fazem um programa de educação do uso adequado da internet?
O mundo é mundo e está cada vez pior porque vive de sistemas paliativos – um reformismo permanente em todas as instâncias...
Leu mesmo?
Tatiana Aoki
às
12:27
3
comentários
sábado, setembro 05, 2009
Algumas metas riscadas

Peguei minha bicicleta, de chinelos de dedo, chapéu e camiseta com a estampa escrito “Curitiba”, adquirida em uma feirinha da capital do Paraná.
Subi a rua de minha casa (uma ladeira imensa) pedalando. Até que foi fácil. Em seguida, cheguei em casa meio resfolegando e vi minhas tarefas do feriado – que incluíam, entre outras coisas, me matricular em uma academia, estudar japonês, pegar a bicicleta da revisão na oficina, comprar um celular, baixar uns 30 cds, entre outras metas. Risquei apenas a da bicicleta, e jurei que começaria a fazer as outras coisas amanhã.
Mas alguma inércia está em mim, e eu tenho preguiça de quase tudo ultimamente. Sair de balada? Fico com vontade, até me lembrar que tenho que ficar acordada até às quatro da madrugada. Viajar no feriado? Talvez eu volte mais cansada do que se ficasse em casa. Encontrar os amigos? Uma boa, se eu não for obrigada a beber cerveja ou ir a lanchonetes terríveis, como o McDonalds. Dormir? Palavrinha pouco aplicada ultimamente.
Desde que voltei, parece que só posto aqui para descarregar minhas baterias da estafa mental. Só agora, depois de um mês, que talvez eu possa planejar um pouco as coisas. Voltarei a estudar japonês, a ver um filme, ler o jornal diariamente. Ainda falta ver algumas pessoas, mas acho que farei isso em breve.
Ps: não me arrependi de não ter ido à praia. Tem alguma coisa mais gostosa do que sampa no feriado?
Leu mesmo?
Tatiana Aoki
às
15:57
7
comentários
