Fazia tempo que eu não me deleitava em um livro, que o devorava, imaginando todas as cenas, sem precisar fazer fichamentos no computador. Fazia muito tempo mesmo – ate porque, sinceramente, romances ainda são meu estilo favorito.
Ontem fiquei lendo, lendo, o dia inteiro, e nem lembrei que tinha um monte de coisas a fazer. Mas foi legal, uma aventura individual, que me senti em Nova Iorque do início do século XX.
Comprei o livro meio sem querer, andando pela Paulista, numa daquelas barraquinhas em que se vendem livros bem baratos mesmo.
- Tem algum livro barato aí? – perguntei, um tanto desinteressada.
- Esse aqui é clássico – e me mostrou o livro Belos e Malditos, de Scott Fitzgerald.
Comprei pela barganha de 5 reais – sim, nem alugar um filme eu consigo com essa grana. Já tinha ouvido falar do autor, mas admito que tenho certo preconceito com autores norte-americanos (prático demais, populares demais, capitalistas demais).
Assim, indo para Suzano de trem, resolvi levar o livro. Li, devorei, em meio às paradas do trem. Li 81 páginas no caminho.
E descobri Gloria, uma personagem que me deu medo. Céus, como me identifiquei. Não fisicamente, até porque ela era loira, de olhos cinzas, ou seja, segundo o livro, a mulher mais linda da cidade. Mas o jeito dela, cada detalhe contado pelo autor, parecia que me desmascarava: desde suas profundas qualidades até seus incontidos defeitos.
Acho que outra personagem que eu me identifiquei de maneira realística-fantástica foi Remédios, do Cem anos de Solidão. Obviamente, o meu livro favorito. Mas Fitzgerald me surpreende em cada frase, e faz tempo que não notava como a construcao de um livro se faz nao somente pelo enredo, mas pela genialidade do autor.
Fim da cracolândia?
Há 9 anos

Um comentário:
SOU MTO MAIS RAÍZES DO BRASIL
Postar um comentário