terça-feira, outubro 23, 2007

Tropa de elite



Neste sábado, finalmente assisti (no cinema, não no piratão) ao filme “Tropa de Elite”. Assisti porque, além de estar com vontade (claro!), o Brasil hoje parece que se resume a quem viu X quem não viu ‘Tropa de Elite’. Confesso que saí do filme realmente impressionada com a qualidade da produção e da atuação dos atores. Além disso, a trilha sonora é um fator que fez o filme ficar melhor ainda.

Mas acho que a adulação ao "Tropa" está demais, porque, querendo ou não, o final é maniqueísta e babaca. Conto por quê:

- é comprovado cientificamente que a tortura não faz o torturado confessar a verdade, e sim qualquer coisa que o valha, no desespero da vítima. Li isso no livro “Brasil nunca mais”, que aborda as torturas da ditadura militar. Ou seja, essa idéia de que o Capitão Nascimento, com toda sua “valentia”, tenha torturado o jovem até que este confessasse tudo, nada mais é do que pura ficção à là Rambo.

- um erro incorrigível: os jovens “riquinhos” da universidade estão usando roupas da moda atual! Repare na garota Maria que fica com o aspira André. Ela usa roupas da moda 2007, e não 1997! Sem contar o corte modernoso de seu cabelo, com pontas desfiadas e irregulares. Reparem...um erro bizarro.

- A pior omissão do filme é a síndrome do pânico vivida pelo Capitão Nascimento. Não dá para entender que ele tem esse distúrbio psicológico durante o longa – provavelmente para enaltecer ainda mais a figura de nosso “herói”. Digo "herói" porque o suplemento da Folha, o Folhateen, praticamente pautou os jovens de que Nascimento é "o cara".

- o roteirista Rodrigo Pimentel disse em reportagem à Folha (eee assinante) que o filme é mero entretenimento. Então por que não usou elementos menos reais para retratar esse entretenimento? Será que o pessoal do BOPE achou que "Tropa" é entretenimento? Melhor seria se Pimentel dissesse que o filme é sensacionalismo puro.

- e a culpa é de quem? sim, de nós, universitários. Ora, não são somente os jovens que consomem droga! Pára com essa hipocrisia, a maioria das pessoas que conheço da Unesp só bebem uma cerveja e olhe lá (isso que estamos teoricamente "livres" de nossos pais). Além do mais, droga não é sintoma de "filhinho de papai", e sim de um sistema político e econômico que deixa qualquer um desacreditado e com vontade de "fugir" dos problemas. Assim como um pai de família que bebe, uma senhora que vai ao bingo, que também tentam sair da realidade entorpecente em que se encontram. São os vícios, meu caro.


Nossa, acabei com o filme. Mas o pior de tudo é que eu adorei "Tropa de Elite". Parabéns pela polêmica, José Padilha.

Ps: quanto à foto que coloquei, não foi aleatória. Pra mim, essa é a imagem que ficou na minha cabeça por longas horas.
Além de....
"tropa de elite
osso duro de roer
pega um, pega geral
também vai pegar você"
Quem diria que o Tihuana teria um status de banda cool.

3 comentários:

Fernando Barone disse...

O final realmente é a parte mais fraca do filme. E na verdade o Nascimento não é um herói, mas sim um anti-herói. E anti-heróis são sempre muito mais legais que os heróis quadradinhos, por isso a empolgação generalizada com o capitão.

E os universitários do filme não representam a "classe" toda... só os da PUC. E pode acreditar, é até pior do que aquilo.

E além do refrãozinho do Tihuana o que não sai da cabeça é aquele parrapapapapapapapapa do começo... coisa mais grudenta! Hahahahahaha...

Mas o filme é muito bom mesmo, gostei muito. Vai pra estande de DVDs daqui uns meses.

Anônimo disse...

Bom se na Unesp os universitários não usam drogas, então precisamos encomendar um prêmio para ela, afinal ela conseguiu um feito que nem as instituições ligadas a religiões como a PUC ou a Metodista saberiam como alcançar. Mas independente disso acho que em um país tão grande e com tantas estatísticas como o Brasil, uma análise baseada apenas no seu círculo de convivência fica sem fundamento. Caso vc não tenha percebido, o filme faz exatamente uma crítica a esse seu pensamento de jogar a culpa somente no sistema. É muito fácil jogar a culpa no governo, difícil é aceitar que se falta dinheiro para construir escolas e hospitais é pq os coitadinhos que querem fugir dos problemas gastam dinheiro com drogas e financiam as rebeliões nas cadeias que consomem grande parte da verba do governo. Se quiser outros exemplos consulte a coluna do Dimenstein no site da Folha!

Bruno Espinoza disse...

Não vi a bagaça ainda. Não sei se verei, depende do destino.


Mas, gostei das elucidações de Suzano.