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Fui embora e não avisei. De fato, não avisei mesmo, e acho que fui a primeira de jornalismo a deixar Bauru.
Meus últimos momentos foram os seguintes:
Terça à noite: termino de empacotar minhas coisas. Eu e meu namorado íamos comemorar nosso 1 ano e 4 meses de namoro, mas a chuva não permitiu sequer que saíssemos de casa.
Quarta de manhã: acordamos, tomamos café da manhã, e termino de arrumar minhas coisas. Despeço-me do Jaime, do Bruno e da Jú. Espero o circular junto ao Alberto. O ônibus chega, e com a garganta presa, nos despedimos.
Não cheguei a chorar, literalmente, mas fiquei bem triste no caminho para sampa. Fiquei mais triste ainda quando vi que teria de pegar um trânsito infernal na entrada para São Paulo, ou seja, fiquei mais de seis horas dentro do ônibus. Detesto me locomover nessa cidade, não sei como a gente agüenta isso.
Continuo confusa com tudo: a minha mudança ainda não chegou, ou seja, está tudo relativamente tranqüilo. Quando chegar, vou ter que caçar espaço para colocar minhas coisas (que não são poucas). Fora arrumar meu quarto, organizar minha vida, parar para pensar um pouco, tirar uma micro férias – de uma semana, ok.
De lembrança de Bauru, são muitas, mas ainda não tive tempo de ter saudades, porque na real eu estava é com saudades de São Paulo mesmo.
Mas sei lá, todos dizem que passa rápido, que não acredita que acabou...mas sinceramente, não sinto isso. Acho que, se eu ficasse mais um ano na faculdade, iria odiar essa idéia. Só continuo uma pós, e olhe lá, porque teria que ser em outra universidade. Fiz tantas coisas nestes quatro anos, aproveitei muito, sofri muito, e aprendi muito. Então, acho que teria poucas coisas a fazer na Unesp.
Um dia, o pessoal do quarto ano estava conversando sobre o quê tinha de arrependimento da faculdade. Sinceramente, não tenho grandes arrependimentos. Talvez eu me arrependa de não ter conhecido melhor meus professores, os quais, aposto, teriam muita coisa a me ensinar. Fora isso, me sinto satisfeita.
Quando a Milena e a Jú, do meu prédio em São Paulo, ficaram sabendo que eu voltei, elas me disseram:
- Mas você vai voltar com freqüência para Bauru, com certeza.
Nem eu parei para pensar nisso.
Fim da cracolândia?
Há 9 anos

4 comentários:
vc viveu bauru como eu, tati.
aproveitou tudo e mais um pouco... e isso faz com que não se arrependa nem um pouco de ter escolhido pegar a estrada para bauru...
bem vinda novamente a SP! a cidade já esperava por ti... e para bebemorar, quinta é noiz revisitando os clássicos dos anos 80...
beijos
se cuida!
Eu posso te ver e tal, mas vou sentir saudade da Tati em Bauru, da Tati do Uni, da Tati da primeira noite de trote, das caronas todas, de brigas, conversas, distâncias enriquecedoras, comidas e um monte de coisas dividias, da atenção, do "e ai? como vc está?" que era ao vivo, não pelo msn, das muitas histórias que vivemos ou apenas ouvimos um do outro nesta terra que fica para trás. As histórias em Bauru não seriam histórias se não houvesse quem as compartilhassem conosco. Ao seu lado compartilhei um bocado delas.
A vida segue. Acho que não me arrependo de nada, talvez. E essa história de falar que foram os melhores anos da vida me parece desculpa fácil para não assumir a falta de coreagem em fazer dos próximos tão dignos quanto.
Sentir saudade faz parte e vc vai fazer parte de mais isso também. Da saudade que dá.
Boa sorte, Tati.
Espero que a Mielan e a Jú estejam certas =)
Meu, que loucura.
Acho que é tudo meio rapido e violento, por isso o "nem parei pra pensar nisso". Caralho.
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