Mera coincidência ou não, ultimamente estou me deparando com temas que me faz pensar em minha importância. Na verdade não queria fazer um texto poético ou algo do tipo, mas está difícil esquecer e pensar somente no meu futuro pós-graduada.
O Bruno me emprestou alguns exemplares da Piauí e, particularmente a edição de fevereiro, tem muito a ver com a minha pesquisa da Fapesp.
Tem diversas matérias que retratam a arquitetura e sua relação não só concreta como humanística com a cidade e seus moradores. Não notei se era um consenso editorial, até porque na Piauí não há um editorial no começo.
Mas algumas matérias, até o momento, me chamaram a atenção: desde o palácio neoclássico da Daslu em contraposição à arquitetura das favelas de Cairo e de Lagos, capital da Nigéria.
Após a leitura, vem a aula de Psicologia, que aborda a psicologia com um viés mais sociológico-marxista. Retrata a alienação e a cotidianidade como alicerces do capitalismo.
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Aí, eu e meu namorado estávamos no Wall Mart (maior rede varejista do mundo, acusada por seus funcionários de espiar tanto a concorrência quanto seus pares), e pedimos para entregarem as compras
De qualquer maneira, fiquei muito mal após ver a cena. E disse para o Suzano que tinha visto no Estado que 79% dos trabalhadores não estão satisfeitos com seu emprego. De fato, não conheço ninguém com menos de 30 anos que sinta prazer onde trabalha. Isso de certa maneira me conforta, mas ao mesmo tempo me revolta: todo mundo vende sua força de trabalho e detesta isso. E ninguém faz nada.
Aí pensei em um emprego “ideal”, no qual me sentiria “feliz”: trabalhar com música, claro. Mas e meu papel social? Estudei, estudei, discuti a teoria da conspiração em 4 anos e vou trabalhar com música? E meu papel social de uma universidade pública? É triste saber que, talvez, eu prefira ser alienada a viver em constante angústia, como me sinto agora.
Saber que um terço da população mundial sequer tem privada em casa e faz suas necessidades em qualquer lugar. Que tem um monte de gente desempregada e sem perspectiva. Que, mesmo assim, tenho muitos problemas que deveriam ser solucionados imediatamente – e eu me preocupando com a África.
Até pensei em fazer voluntariado no continente mais pobre do planeta. Entretanto, devo admitir que, após ler a matéria de Lagos, fiquei tão chocada com a situação que acho que vou desistir. Ao mesmo tempo, me sinto covarde por tal decisão. Só que foi tudo ao mesmo tempo: meu amigo acabou de voltar da África do Sul (o país mais rico da África) e disse que foi o país mais chato de todos que visitou – dentre Japão e Austrália – pois “parece o Brasil”. Isso é cotidiano. E a gente continua usando a privada e usando a água de forma inconseqüente, mas pregando o desenvolvimento sustentável.
