Hoje de madrugada, fui assaltada. Quer dizer, eu e meu namorado fomos assaltados.
Vacilamos muito, é verdade: já passava das três da madrugada, nós nem olhávamos para os lados enquanto caminhávamos....enfim, foi um vacilo que acabou em assalto.
Eu nunca tinha sido assaltada em minha vida toda – e olha que sou de São Paulo, uma cidade teoricamente violenta. Mas foi aqui, em Bauru, nos meus últimos dias de cidade-sanduíche, que fui assaltada por três adolescentes amadores.
Digo amadores porque eles não estavam armados e levaram as coisas erradas, ou melhor, sem grande valor material e pessoal.
Eu e Alberto estávamos caminhando na avenida Nações Unidas (uma das principais de Bauru), quando olhei para trás. Os trombadinhas viram que eu os vi, e então correram em nossa direção e foram pedindo nossas coisas – minha bolsa, inicialmente.
O Alberto estava apenas com uma nota de dois reais no bolso, mas teve de dar também seu celular. Eles pegaram minha bolsa, tiraram os dez reais que tinha lá e eu pedi “pelo amor de Deus, deixem meus documentos!”. Eles deixaram. Pegaram meu celular velhíssimo (para quem não acompanhou, esse era meu quinto celular do ano), que não tinha sequer tela colorida, e largaram minha bolsa. Perguntaram:
- o que é isso?
- É meu aparelho.
- Aparelho de quê?
- De dente. Vocês não vão querer meu aparelho, não é?
- ...E isso?
- Lente de contato.
- Isso é bom, pode ir tirando aí.
- Meu filho, se eu tirar minha lente eu fico cegueta!
Eles não levaram nenhum dos dois itens.
Estava indo embora quando um dos adolescentes indagou:
- E esse tênis aí. É da hora. Pode ir tirando.
Eu respondo:
- Mas é falso!
(não era)
- Pode tirando aí! E você também, vai tirando o tênis!
Tiramos nossos tênis. Eu disse:
- Vai levar a meia também?
Me ignoraram.
- Fica quietinho aí, e se chamar a polícia vai levar tiro!!
Fiquei indignada, me senti o Luciano Huck e seu Rolex, mas obviamente não sou estúpida de escrever um artigo e mandá-lo para a Folha na mesma hora.
Mas hoje, após pensar um pouco sobre o assunto, fazer um BO online e conversar com a polícia, fiquei menos revoltada e mais desconfiada.
Só que, na real, pensei. Pior do que ser assaltada é ser assaltada nas pequenas coisas...como assim?
É você ir ao mercado e eles te cobrarem mais do que o devido, como aconteceu ainda hoje. No supermercado Confiança Max, cobraram-me a mais por um salame. Eu reclamei, e eles disseram que eu estava enganada.
Eu, enganada? Eu não estava enganada!
Fiquei tão revoltada quanto com o assalto, com a diferença de que todos no DesConfiança estavam contra mim. No Brasil, consumidor não tem vez – é a empresa (ou o sistema) que tem razão.
Senti-me duplamente assaltada hoje. E o pior: na segunda vez, não pude chamar a polícia...eu era a marginal.
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Ps: reparei que eles pegaram também meu Halls de morango! Ninguém merece.
Fim da cracolândia?
Há 9 anos
