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quinta-feira, janeiro 31, 2008

Entre sonhos e castigos



Quase caí na tentação de ler algo na Internet sobre os dois últimos produtos culturais valiosos que consumi (uma frase extremamente capitalista, mas enfim): o livro “Crime e Castigo”, de Dostoiéviski, e o filme “Sonhos”, de Akira Kurosawa. Resisti. No entanto, estou morrendo de medo de escrever besteiras a respeito desses dois “cults”. Vamos lá.
Levei mais de um mês para ler “Crime e Castigo”, e admito que fiquei um pouco decepcionada. O livro é imenso – 560 páginas –, e por ora algumas páginas são desnecessárias. Outro fator negativo é o de que a história dá desdobramentos relativamente inexplicáveis. Por exemplo, o protagonista, Raskólnikov, praticamente desaparece lá pela página 300 (e fica sumido até a página 400, pelo que me lembro). Entram em cena a irmã (Avdótia Románovna) e a mãe (Pulkéria Alieksándrovna). Entendo que o livro é consagrado pela complexidade psicológica das personagens porque, ao que me parece, Fiódor Dostoiévski implantou, em cada personagem, um pensamento filosófico diferente. Como não sou uma conhecedora de filosofia, fica difícil identificar a qual filósofo cada personagem corresponde – só sei que tinha um marxista e um kantiano, mas os outros não pude identificar.

Porém, definitivamente o maior problema do livro são os nomes das personagens. Tenho receio de parecer tonta, só que eu muitas vezes não sabia quem era a personagem da fala. Explico: o protagonista Raskónikov, por exemplo, também é chamado de Ródion Romanovich e Ródion. Já a irmã dele é, além de Avdótia, Dúnia e Dúnetchka. Agora, como vou saber? Cada personagem (e são mais de 30) tem, digamos, uns três nomes cada um! E em russo! É por isso que eu li uma vez que “Crime e Castigo” é um dos livros com maior número de desistência por parte dos leitores...
Claro que valeu a pena ter lido, e tenho certeza de que terei de ler o livro novamente, por sua complexidade – não gramatical, e sim de conteúdo. Só que fica a dica: anotem os nomes das personagens, ou confie na intuição.

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Quanto ao filme “Sonhos”, fiquei surpresa: foi melhor do que eu imaginava. O filme é onírico, com uma fotografia surpreendente. Outro aspecto é que “Sonhos” influenciou muitos filmes, como “Amor além da vida” e “Guerra nas Estrelas”.
Esse longa possui uma característica muito peculiar, presente em alguns dos filmes japoneses que assisti: misturam, de forma quase homogênea, gêneros como humor e terror.
“Sonhos” é como um sonho – você leva um susto, depois dá risada, pensa, quer fugir, se angustia. Mas, diferente de David Linch, Kurosawa faz suas obras com uma lógica até que linear – superior aos devaneios de Linch.

Agora, dou uma opinião bem pessoal. “Sonhos” é, claramente, uma crítica à Segunda Guerra Mundial, sobretudo à necessidade humana de sentir-se poderosa em detrimento da natureza que a cerca. Várias passagens remetem ao homem sentindo-se superior, à necessidade de vitória e de pouco lirismo em suas ações.
E, claro, do medo humano de perceber que nossa passagem na Terra nada mais é do que um sonho.

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Ah, para finalizar este post: Sonhos e Crime e Castigo me lembram muito uma pessoa: Luiz Augusto, o Goiaba. Ele sempre falava de Crime e Castigo, dizendo que era a melhor obra de todos os tempos. Quanto ao filme Sonhos, eu e o Goiaba alugamos duas vezes para assisti-lo, quando eu ainda era uma estudante de Jornalismo. Goiaba, vi essas obras pensando nos bons tempos que passamos juntos! Saudade!