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quarta-feira, dezembro 26, 2007

Celular, musica e merchand


Fazia muito tempo que eu não assistia a canais de clipes musicais (já descartei a MTV, diga-se de passagem. Essa emissora lixo parou de passar clipes há um bom tempo).
Ontem, dia 25, chovendo e sem ter vontade de fazer nada, resolvi ligar a TV.
Ate ai, era clipe da Fergie para cá, Avril Lavigne, Kayne West, Chris Brown, NX-0, Vanessa Hudgens, e mais um monte de lixo que vende e toca nas paradas. É patético, vergonha alheia, ver esses clipes. Além de serem extremamente parecidos esteticamente, esses vídeos terríveis estão utilizando a seguinte prática: merchandising de celulares. Apareceu Nokia, Motorola (principalmente), LG, Sony-Ericsson, e mais um monte de marcas – além de perfumes, tênis, carros...
Sabe aqueles merchans de novela, bem toscos, forçados, sem sentido? Bem nesse estilo, reparem. Por exemplo, a bizarra da Fergie, do nada, pega o celular e recebe uma mensagem, e aí aparece o logo, bem explicitamente, da Motorola. Dá uma vergonha alheia, pois fica bem claro que, sim, o videoclipe, como produto da indústria cultural, não é apenas promoção de pseudo-cantores: é promoção de marcas e produtos para “jovens” (na real, teens, porque, diga-se de passagem, quem curte Avril Lavigne só pode ter menos de 14 anos).

Isso me decepciona. Sei lá, como que a ganância chega a esse ponto? Esses indivíduos ganham milhões por mês e não estão satisfeitos? Nem quando divulgam seu trabalho conseguem deixar de divulgar uma marca? É como se Dostoiesvski escrevesse, em seu “Crime e Castigo”, a seguinte frase, sem nenhum contexto: “então, matei a velha, peguei meu Nokia e liguei para minha mãe...”. É uma mistura de vazio ideológico, com mercantilizaçao da arte e prostituição.

E é por isso que estou tentando abolir as roupas outdoor. Não quero me sentir um outdoor ambulante.



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Em que mundo estamos?
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Feliz Natal atrasado. Sempre esqueço do Natal. Eu excluo a data da minha mente e abstraio – a mesma coisa que faço no meu aniversário.