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segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Maconha, maconheiro, emaconhado


Aquela comunidade do Orkut diz tudo: Todo mundo fuma maconha! (cerca de 83 mil membros). Sim, um monte de gente fuma maconha. E tem países que já desencanaram da hipocrisia e liberaram a erva para uso medicinal, pelo menos.
Ora, para quem não se lembra, a cocaína também era usada com fins medicinais. Já o ópio e a ayahuasca (do Santo Daime) são usados em cultos religiosos.
Até alguma autoridade decretar que a substância é o mal em pessoa.

Ao mesmo tempo, é fácil colocar o argumento barato de que a maconha é uma erva natural. Acontece que a cocaína vem da coca, o ópio da papoula, o haxixe também vem da cannabis e o álcool, para quem não se lembra, vem da cana-de-açúcar. Produtos da natureza, muito mais naturais do que adoçantes, corantes e conservantes – que consumimos diariamente.

Não sei se a maconha deve ser liberada ou não, mas acho que o que deve acabar é a hipocrisia. Sempre questionei um fato: se a maconha, a coca, o crack, e o ecstasy são proibidos, porque o álcool e o cigarro não são também? Se legalizar é a melhor solução, como explicamos os altíssimos níveis de alcoolismo, acidentes de carros por excesso de álcool, sem contar os gastos com saúde pública decorrentes do cigarro?

Por outro lado, o argumento de que a droga X não vicia não cola. Pesquisas indicam que quem fuma maconha tem 20 vezes mais chances de ter câncer do que quem fuma apenas cigarro. Mas eu acredito ou não na idoneidade da pesquisa?

O cigarro e a bebida possuem lobbys fortíssimos. A maconha, ainda não, contudo a indústria farmacêutica já está de olho: vai patentear e encarecer o produto, sendo produzida apenas pelas multinacionais. Adeus produção artesanal e distribuidora de renda.

Considero que, se a legalizarmos, deveríamos legalizar tudo também. Ainda que a maconha seja dos males, o menor, ela tem o status de droga. Assim como o álcool e o cigarro.

O que limita a legalização das drogas, em um cenário de crescente crime organizado por conta do tráfico de entorpecentes? O Estado não quer sentir-se responsável pelo consumo de drogas. Ou seja, não quer gastar dinheiro da saúde pública no tratamento de viciados, em internações, etc. É igual ao aborto: se é ilegal, estamos fora. Outra coisa: membros que estão no poder são de instituições como a Igreja, Opus Dei...E do conservadorismo.

Se a maconha for legalizada, ainda que para fins medicinais, vai aumentar o consumo, provavelmente pela ampliação do acesso a erva. O saldo positivo é que você, ao ser flagrado usando maconha, pode afirmar: é para uso medicinal. Também pode ser interessante a legalização, uma vez que a maconha não será tão misturada como o é hoje em dia – em um cigarro de maconha se encontra orégano, acetona, e por aí vai.
Para finalizar, a fama de ser maconheiro pode mudar – você vai ser um cara saudável a partir da legalização.


….
E o que são essas eleições nos EUA? Pela primeira vez em minha vida, entendi como funcionam. Até que tem lógica. Para quem não sabe, é mais ou menos assim: você, como cidadão, se declara republicano ou democrata (se você não sabe nem o que é isso, melhor nem ler este tópico). Nas prévias das eleições, ambos os partidos devem apresentar seu candidato oficial. Só que, como vimos, existem mais do que dois candidatos concorrendo – e é aí que pega, porque o eleitorado deve decidir, primeiramente, quem será seu candidato. E, só depois dessa eleição prévia é que as famigeradas eleições nos EUA de fato acontecem.

Digo famigerada porque infelizmente o Brasil depende dos norte-americanos mais do que dos brasileiros.

Por isso é Hillary contra Obama entre os democratas. Sinceramente, não sei em quem votaria, mas acho que fico com Hillary, mais experiente e menos oratória. Fora que Obama tem um discurso, assim, apartidário. E isso é ridículo, simplesmente não existe.