Eu sempre afirmo e reafirmo que odeio o Natal. Ponto.
Mas esta foi a primeira vez em minha vida que chorei por causa da data. Conto.
Sexta-feira, 19:00
Mais uma aula de japonês com uma japonesa incrível, a Maiko (eu realmente adoro-a), depois de um dia de trabalho. Caminho num frio de seis graus em direção a Sakae, o principal ponto dos beberrões e baladeiros de Nagoya. Ia pegar meu MP3 para desencanar do dia quando ouço uma música bem baixinha. Parecem sinos soando – música de Natal. Meus olhos se enchem de lágrimas, guardo meu MP3 na bolsa e caminho enquanto o som natalino rola nas ruas frias e iluminadas de Nagoya. As lágrimas escorrem - “nunca vi nenhum japonês com mais de dez ano escorrer uma lágrima” - não ligo para os olhares desconfiados e curiosos dos japoneses e choro, ando, tropeço.
O por quê? Não sei, andar sem rumo por uma cidade fria em clima de Natal é algo realmente inédito em minha vida.
Sábado, 16 horas.
Mais uma aula de japonês, com o Hisaaki, em um café de Nagoya. Pego o moccacino fervente, tamanho médio. Ele, o café com leite gelado. Sentamos na mesa, conversamos, ele me corrige, eu o ensino algumas expressões em português. Tenho que sair, terminar uma matéria, por isso nos despedimos mais cedo e combinamos o encontro da semana seguinte.
Eis que Hisaaki abre a bolsa e me entrega um presente. Senti uma emoção profunda, me deu uma vontade imensa de chorar e abraçá-lo, porém isso é extremamente estranho no Japão. Me limitei a agradecê-lo e dar um leve abraço na despedida.
Presente do Hisaaki: CD da banda Asian Kung-Fu Generation e um creme com cheirinho de frutas
Domingo, 00:00
Hiro me liga e conversamos por mais de duas horas no celular e no Skype. Não tenho paciência de falar em japonês, então limito a me expressar em português com algumas expressões em japonês. Converso, penso, e o entendo. Durmo cansada, porém feliz pela conversa produtiva e cabeça.
domingo, dezembro 21, 2008
Chorando no Natal.
Leu mesmo?
Tatiana Aoki
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00:05
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quarta-feira, dezembro 10, 2008
Natalinas
Acho que já terei meu melhor presente de Natal do ano – a visita de minha mãe.
Embora não seja o melhor (talvez seja o pior) momento para ela vir até aqui, devo admitir que não tenho pensado em nenhum outro presente melhor do que isso. Ah, talvez o que ela trará na bagagem – comidinhas brasileiras que me fazem falta, como um queijo branco (aqui não existe queijo branco).
Parece uma faca de dois gumes, mas o que mais desejo no momento é que o Fórum Social Mundial de 2009, no Pará, delibere medidas práticas neste momento tão dramático em que vivemos. Se os especuladores/capitalistas/governantes já tomaram medidas concretas, acho que todos podemos tentar algo para o lado mais fraco.
Infelizmente não consigo fazer nenhum pedido mais concreto, porém só posso predizer que 2009 será como 1929 – com o adendo de uma crise corrosiva do meio ambiente.
Veja o que rola aqui no Japão.
Leu mesmo?
Tatiana Aoki
às
09:38
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