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segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Viagem a Darjeeling


Ontem assisti um filme de um de meus diretores favoritos, Wes Anderson: Viagem a Darjeeling. Fazia quase um ano que queria assistir, porém minha preguiça alucinante de ver filmes estava no pico nestes últimos meses.
No entanto, como já havia baixado no meu computador, decidi assisti-lo.


Vamos à resenha:
Filme pretensioso, com ótima fotografia.

Três irmãos, que não se falavam há um ano, resolvem unir-se em uma viagem espiritual pela Índia. Ok, parece interessante e engraçado, porém os defeitos do filme acabam sobrepondo-se aos pontos fortes - como, por exemplo, algumas cenas realmente engraçadas. Um dos elementos que merece uma série de vaias é a altíssima quantidade de merchandising no filme. Para piorar, merchandising sem fundamento. Mostrar um iPod e um Macintosh em uma viagem à Índia soou pretensioso e descontextualizado, sobretudo porque o telespectador não precisa ver a personagem ligando o iPod para sinalizar o início da trilha sonora. Outro merchan que aparece o tempo todo são as malas de luxo Louis Vuitton usadas pelos protagonistas. As malas não soaram forçadas, mas, de fato, apareceram em excesso durante o filme.

Senti uma decepção ao visualizar merchandisings da Coca-Cola, Ferrero, entre outros, porque, além de descontextualizar e distrair o espectador, quebra a credibilidade de diretores. Por exemplo, o filme Kill Bill também era recheado de patrocínios, mas eram, de certa forma, contextualizados, davam a impressãoo de que apareceriam de qualquer maneira. O tênis da Asics foi uma merchan bem forte (tanto que é o único que me recordo) mas, convenhamos: fazia parte do enredo o uso do tênis, pois não cortava a mensagem. Já no Viagem a Darjeeling as propagandas eram totalmente sem sentido, pareciam aquelas em que aparecem em novelas brasileiras.

Esperava-se muito mais de um filme com ótimos atores (embora sempre os favoritos de Anderson, o que, em minha opinião, torna o filme mais interessante, de alguma maneira), mas o enredo deixou a desejar e se perdeu em alguns momentos. Há cenas que realmente rendem risadas, como todo filme do diretor norteamericano, mas não foi o suficiente para superar as falhas do longa, sobretudo do meio para o fim, em que o filme aparenta dar uma desleixada no roteiro, desamarrando-o.

Mas, assim como Woody Allen, Wes Anderson é um diretor que, como poucos, consegue imprimir seu estilo de filmar, sem contar as doses homeopáticas de humor (negro, no caso de Anderson) e de roteiros originais.