segunda-feira, junho 25, 2007

Adeus à ocupação

Interessante a perspectiva da mídia e das pessoas contrárias a ocupações, greves, e qualquer outro tipo de manifestação contra o status quo. Afirmam que os manifestantes da USP, ao saírem após 50 dias, o fizeram porque querem férias em julho – e não porque estão desgastados física e psicologicamente, bem como abalados porque a polícia invadiu impunemente o campus da Unesp de Araraquara.

Essa afirmação de que a ocupação foi “férias” nada mais é do que um achismo: é divertido limpar um ambiente imenso, comer salsicha diariamente e conviver com a ameaça policial por 50 dias? Para os favoráveis à manutenção da ordem, férias é algo tão patético e tão mecânico quanto ir trabalhar, estudar: não quero pensar sobre um outro tipo de realidade. Tenho que ter minhas férias em julho – vou para Campos do Jordão gastar horrores em uma pracinha linda, contrastada com uma periferia – sim, Campos do Jordão tem periferia e (!) favelas.

Que tristeza saber que tem gente passando fome e comendo salsicha enquanto eu tomo meu chocolate quente nesse país tropical.

Como sugeriu um professor (não seria um tecnicista?) de Engenharia: vamos fazer um muro separando nós (os mantenedores da ordem) e eles (os arruaceiros). Façam, por favor! Uma mudança calcada por tijolos e cimentos.

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