Esse papo já deu, e o Brasil meio que deixou o assunto de lado. No entanto, eu não poderia esquecer que o modelo de televisão digital adotado no Brasil é, sim, o modelo japonês. E estou tendo a experiência de televisão digital por aqui também.
Pois é, aqui a televisão digital está em um patamar bem mais adiantado, claro. E o governo brasileiro prometeu as seguintes possibilidades da televisão com o padrão japonês: maior mobilidade e qualidade da imagem. Pois bem, vemos por aqui alguns japoneses assistindo televisão no metrô e no carro. Vi que a televisão do hotel em que eu estava hospedada tinha um modem acoplado. Nele, você poderia conectar-se à internet e também comprar filmes, ouvir música, assistir a programas pornôs – desde que pagasse uma certa quantia por isso (algo em torno de 10 dólares por programa, filme, etc). Na verdade, é como um pacote da Sky de pay-per-view. Nada muito animador.
A única coisa que me surpreendeu foi ver, em uma loja de eletrônicos chamada Yamada Denki, uma mistura de televisão com desktop (ou computador de mesa. Seria bom se os brasileiros parassem de adotar estrangeirismos em termos informatiquês). São uma espécie de televisões de plasma, 30 polegadas e tela LCD, só que vêm em seu interior um processador que te permite acessar a web. No caso, poderíamos ver vídeos do YouTube, em alta resolução e velocidade, em uma tela de televisão. Meio surpreendente, admito.
Acontece que a tecnologia é uma farsa, do ponto de vista que mascara o que realmente importa: o conteúdo. De que adianta ter uma televisão/computador/celular/iPod se o conteúdo é um lixo completo? De que adianta comprar esse acoplado tecnológico se a única possibilidade que possuímos é de ver as famílias Marinho, Abravanel, Macedo, bem como grupos como Disney (que é dona da MTV), e outros lixos nacionais/internacionais?
Sei que é um desabafo frente a maravilhas tecnológicas. Mas hoje, pela segunda vez em que estou no Japão, tenho uma visão muito mais crítica, tanto dos japoneses quanto de seu “japan life style”. Eles possuem celulares iguais ao iPhone faz um tempão (todos, absolutamente todos, são 3G), porém fazem fila para comprar o iPhone – porque dá status e é como se dissesse “também sou americanizado”. Sem contar que eles têm, em suas bolsas, os seguintes artefatos tecnológicos: celulares 3G, dicionários eletrônicos (parece um iBook), jogos PSP, iPod, laptops minúsculos. Se um celular tem tudo isso em convergência, para quê comprar tudo isso separado? Ah, é verdade, é o maldito status que faz com que madames comprem bolsas de 40 mil dólares para levar seus cachorrinhos aos salões de beleza, para participarem de concursos caninos, enquanto alguns milhões morrem de fome ou vivem de Bolsa Família.
Fim da cracolândia?
Há 9 anos

2 comentários:
É isso aí, Tate! Estou adorando ler seus posts e é mt bom saber que, além de tudo, vc está aí com uma visão bastante especial das coisas.
Bjão!!!
Caramba, agora as atualizações são quase diárias! Quase perdi um monte de coisa...
Só pra esclarecer, no Brasil a MTV é uma joint-venture Abril/Viacom. No resto do mundo é só Viacom mesmo.
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