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domingo, setembro 27, 2009

Saudades que corrói

Não sei porque eu ainda insisto em conversar com meu namorado chinês. Toda vez que converso com ele via Skype fico deprimida, choro em seguida, e não consigo pensar em mais nada.

O pior é as pessoas falando pra eu “desencanar”, viver a vida, e tal. Concordo com esses conselhos, porque não consigo imaginar uma situação mais difícil do que:

- namorar um chinês que mora no Japão e não fala inglês, nem português.
- E que, para piorar, não tem a menor intenção de vir para o Brasil

O mais razoável é eu viver minha vida aqui, e ele lá.

Há tantas coisas difíceis na vida – trabalhar, dinheiro, família, saúde, relacionamentos – mas a que mais dói, sem sombra de dúvidas, é a dor do amor. Dói, dói muito, faz chorar e perder a fome, faz esquecer do mundo. A dor da saudades também é cruel, parece que corrói por dentro e te aperta em você mesmo.

Quando estou deprimida ajo de duas maneiras: ora travo, fico estática, parada, sem vontade de fazer nada. Ou fico com vontade de sai correndo pelas ruas.

....

Depois de dois meses, estou começando a sentir saudades do Japão. Daquelas pequenas coisas, como:
- Andar de bike de salto alto.
- Dormir no metrô e largar a bolsa sem desconfiar dos outros
- A delicadeza dos japoneses
- Dançar em uma balada de 6 andares
- O silêncio

Saudades é um sentimento que dói muito, nos faz perder o norte das coisas.

domingo, julho 26, 2009

Algumas pessoas são o lugar

Me preparando para virar um cachorro molhado....

Eu sei que, quando chegar no Brasil, a pergunta que mais vou ouvir será...

“E aí, como foi?!?”

“Mas então, você prefere o Brasil ou o Japão?”

Acho que o título explica as duas perguntar acima, porque, em minha opinião, o que faz um lugar ser interessante, emocionante e legal são as pessoas que vivem esse momento com você, além da personagem principal, você mesmo.

O que me faz pensar em como duas, apenas duas pessoas, fizeram minha vida tornar-se absolutamente mais legal, divertida e feliz nesse período de Japão.

Se não fossem essas duas pessoas chaves, com certeza tudo teria sido diferente: as coisas seriam mais planas, eu teria me divertido menos, aprendido menos e vivido menos.

E você, já pensou no fato de que apenas algumas pessoas, em uma quantidade que cabe em apenas uma mão, são as que fazem diferença em sua vida?

segunda-feira, julho 13, 2009

Mudando de casa...Mudança fase 10

Planta de um apartamento japonês...


Só quem muda muito de casa sabe que o quanto é um inferno se mudar. Largamos um monte de coisas (importantíssimas) no caminho, deixando nossos rastros por todos os lugares que passa.

Só que, se fazer mudanças no Brasil é um saco, no Japão é praticamente dar um abraço no capeta.

Porque, não bastasse ter que embalar as coisas, encaixotar e ver a burocracia de saída de residência, ainda tem uma questão que é a pior de todas: o lixo.

Não se pode jogar lixo de qualquer jeito, como se faz no Brasil, e isso é um ponto bom em termos de reciclagem. Porém, quando se tem que jogar coisas como cadeiras, mesas ou algum objeto de porte grande, se prepare: você tem que pagar para jogar fora.

Além disso, as casas japonesas são, em sua grande maioria, minúsculas. E para arrumar as coisas? Sua casa vira de cabeça pra baixo por pelo menos um mês, sendo quase impossível andar sem tropeçar em uma caixa ou coisa que o valha.

P: Por quê a Fase 10 do Título?
R: Coloquei fase10 porque eu já me mudei de casa dez vezes – sendo nove delas nos últimos cinco anos. É claro que, no lado bom da coisa, a gente dá uma selecionada no que presta ou não em nossas vidas – jogando fora coisas que não deveriam fazer mais parte de nossa identidade.

Fiquei pensando no significado da palavra “lar”, cuja simbologia é diferente da de “casa”.

Não sinto que tenho um lar, contudo sei que o meu lar será sempre o meu canto – o local em que fica meu computador, minha agenda, livros, minha garrafinha de água, meus óculos e meu aparelho. Tendo essa zona perto de mim, estou em casa.
....

A música que resume meu estado atual é “Breath Reprise”, do Pink Floyd:

Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired
Its good to warm my bones beside the fire

domingo, julho 05, 2009

Minha vida é um roteiro de seriado? Descrição fiel de uma balada no Japão

A balada por dentro: suor e gente bêbada


Luiz Augusto (ou Goiaba, para os íntimos) já me falou algumas vezes que minha vida parece um seriado de comédia dramática.

Pouca gente sabe que, embora eu goste bastante de escrever roteiros, sou muito preguiçosa para formatá-los de forma que se torne realmente um roteiro no sentido palpável.

Alguém quer ser o diretor do filme da minha vida?

A entrada com um smile: veja como foi divertido!

Fotos da balada by Fabio Yamashitafuji

...

Eis a descrição de uma balada alternativa que fui no sábado:

Na balada, em Nagoya, estava toda a galera que conheço, dos mais variados países e culturas. Parecia uma festa do filme Albergue Espanhol, mas a real é que eu simplesmente odiei tudo aquilo.

Eu, que estava sóbria, fiquei olhando aquele povo bêbado, suado e com cerveja nas mãos. Em seguida, olhei meus pés (todos tinham que entrar descalços) e senti que estavam grudando no chão sujo de cerveja e tudo o mais que você imaginar; depois vi um monte de gente fingindo que estava a-man-do a música eletrônica de baixa qualidade, fechando os olhos e girando a cabeça como se estivessem abduzidos ou em transe.

Um amigo meu, todo suado e fedido, me abraçou, o que gerou uma cara de nojo em minha expressão facial. No entanto, por estar lá pela sétima garrafinha de cerveja, acho que ele não percebeu. Me desvencilhei dele, olhei para os lados e tinha um loiro de 2 metros que mais parecia uma minhocuçu, de tão magro e alto. Ele rebolava feito uma serpente no cio e não tinha a menor noção de seu tamanho colossal.

Eu, com meus 1,54 metro, ficava fugindo da minhoca loira com pés (passei a chamá-lo, mentalmente, de minhoca loira), só que a balada era um pouco menor do que uma sala de estar, e toda hora o maldito aparecia, rebolando e dançando como um boneco de Olinda.

Fiquei com vontade de dar uma bica na minhoca loira, mas me controlei e encostei na parede, só observando a galera. Uma brasileira, que tinha 1,80m e usava um decote que escondia somente o bico de seus seios imensos, estava totalmente bêbada, e dançava até o chão com todos os caras que ela trombava. Detalhe que ela dançava até o chão, como se fosse funk, músicas estilo trance (ou sei lá o que era aquilo).

A brasileira tinha um copo de vinho na mão e, no mesmo instante, pensei:
A bebum vai derrubar esse copo de vidro em alguém...

Ela sacudia, era vinho pra lá e pra cá, e pimba! Não é que ela derrubou tudo em mim e no meu amigo?

Meus pés, que já estavam grudentos, ficaram mais nojentos ainda. Meu amigo, em uma fala lenta e de bêbado, diz:
- Puuuutaaa que saco, a mina molhou meus pés!

Fiquei quieta, olhei para os lados e vejo uma japonesa liberando geral para um homem do Panamá, que passava a mão por todo seu corpo, enquanto um senhor de 60 anos e de camisa florida, estilo americano que viajou para o Havaí, observava, guloso, a cena.

Abri a porta da balada, para fugir da vertigem que estava vivendo, subi a escadaria e fui respirar um pouco. A polícia, que estava fazendo ronda e pedindo para que todos entrassem na balada, a fim de diminuir o barulho, pediu para eu entrar também. Sentei no meio-fio e não entrei.

Chega meu amigo (amigo?) mexicano, que havia resolvido dar uma volta para fugir do calor e comprar uma cerveja em uma loja de conveniência por perto. Ele pergunta o que eu estava “haciendo”.
- Nada, apenas respirando ar puro. – respondo.

Uma australiana loira e corpulenta, que aparentemente conhece a balada inteira, chega e cumprimenta a todos. Eu, que também a conheço, finjo que não a vi. Mas ela não finge que não me viu e diz:

- Eii (I don’t remember your name), how are you?
- Estou bem – (I don’t remember your name either).
- You look fine – diz ela, tentando ser simpática.

Dou um sorriso mais falso do que o da Nicole Kidman depois de trocentos botox, saio de fininho e pego minha bicicleta, pronta para dar o fora da barca furada. Uma conhecida abre a porta da balada, vê que estou tirando o cadeado da bicicleta e pergunta:
- Ih, já vai?
- Ah, não, só estava mudando minha bike de lugar (mentira 1).
- Ah, pensei que você estava indo. Não vai sem se despedir, hein?
- Claro, claro. (mentira 2)
- Nossa, estou pingando de suor.
- Eu já me refresquei, mas vou ao banheiro no combini (loja de conveniência, em japonês) e já volto. (mentira 3)

Pego minha bike e vou embora de vez.

(gente, esse é o post mais fiel de todos que eu escrevei – escrevi e fiz um ctrl c e ctrl v do meu diário)

domingo, junho 28, 2009

Michael Jackson, três dias depois..


Por coincidência, no dia da morte do Michael Jackson eu estava em Tóquio, sem Internet e qualquer contato com o mundo. No entanto, ao caminhar pelas ruas lotadas da capital japonesa, em todas as lojas que eu passava estava rolando alguma música do “Rei do Pop”. E em todas as capas de jornais e revistas japoneses havia uma foto do MJ estampada na manchete. Aí, eu (juro) pensei:

- O Michael vem para o Japão fazer aquela turnê de 50 shows!

E ficou por isso mesmo, afinal, não tenho a menor vontade de ir ao show de uma estrela que era muito boa no passado, mas que hoje é apenas uma chama que se apagou e se tornou memória nostálgica.

No sábado, estava indo para a estação pegar o trem de volta para Nagoya, e vi um jornal em inglês, cuja manchete era “Michael Jackson is dead”.

Eu, no meio da multidão, dei um grito. Foi um baque tão, mas tão grande, que eu me agachei na prateleira de jornais e comprei o último exemplar do (péssimo) Japan Times, cuja foto de um Michael Jackson branco e raquítico estava estampada.

Inegavelmente talentoso

Tive a fase em que era viciada no Michael Jackson. Lembro que tinha sete anos quando ele veio fazer show no Brasil, em 1993, com a turnê Dangerous. Além do fato de eu não poder ir sozinha ao show, para piorar, meu tio estava com convites para o esse dia histórico, e meus pais não quiseram ir “porque não gostam de multidão”.

Na época fiquei muito triste, e acho que chorei por não estar lá, no meio da galera, cantando Black or White e Bad, minhas músicas favoritas na ocasião.

O jeito era acompanhar o show pela TV, o que eu fiz, freneticamente. Ouvi a fita (!) do “Dangerous”, de 1991, até arrebentar. Nem me lembro das faixas, porém eu ouvia e dançava suas músicas sem apertar o Foward no cassete nenhuma vez.

Duas pontuações:
- nos últimos anos, o rei do pop estava inegavelmente decadente: branco e magro como uma aberração, com fala infantil e aparentemente com ausência de distinção entre sonho e realidade. Vide sua casa em “Neverland”, episódios de pedofilia envolvendo sua pessoa, dívidas e gastos sem noção, abuso de remédios, entre outros.


- No entanto, negar seu talento por conta dos fatos presentes é uma aberração maior ainda, ou melhor, é polemizar sem argumentos contundentes. Michael Jackson é um ícone pop em todos os sentidos: dançava como eu nunca vi em minha vida, cantava e compunha, tinha uma aura e um carisma inegáveis. Por exemplo, a Madonna, considerada a “Rainha do Pop”, não chega nem aos pés dele – ela não é carismática, não dança bem e sua voz não é boa. (Que me perdoe seus fãs, mas ela parece bem arrogante, embora, devo admitir, seja uma mulher muito esperta, do ponto de vista da indústria musical). Já o Michael…não sei, ele realmente não pertencia a esse mundo, pertencia à Nerveland. Não acho que alguém que dance e tenha esse talento absurdo desde menino possa pertencer ao planeta Terra.

Me despeço em ritmo de Moonwalk – andando pela Lua…

Esse post está duplicado neste blog e no meu novo blog – Musicritica.com

O novo blog terá conteúdo exclusivamente relacionado à música pop/nem tão pop assim – embora eu tenha recebido sugestões para escrever sobre outros temas, como cinema e podcasts.

Eu ainda não o lancei oficialmente – mas alguém lance um blog oficialmente? Sei lá, sei que ele já está no ar!
Musicrítica

sábado, abril 04, 2009

Indo embora e voltando

Agora que minha temporada no Japão está acabando, vou divulgar uma lista tosca que fiz com os Cds que me marcaram durante esse tempo na terra do sol nascente.

Depois vou fazer o saldo básico de minha estadia aqui, mas não agora. Estou super ocupada arrumando minhas coisas.

Mas antes, vamos lá:

2008:
- Agosto- MGMT - Oracular Spetacular


- Setembro - Jimmy Eat World - Futures



- Outubro - The Verve - The Forth


- Novembro - Oasis - Dig out your soul


- Dezembro - Molotov - Apocalipshit



2009:
- Janeiro - Pink - Funhouse e The Killers - Day & Age


- Fevereiro - B52´s - Time Capsule e Franz Ferdinand - Tonight



- Março - Lilly Allen - It's not me, it's you e Kings of Leon - Only by the Night




- Abril - Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn e O Rappa - 7 vezes




Em abril...vamos ver, não estou viciada em nenhum CD até o momento. O ruim é que, depois que eu voltar, não vou poder ouvir estas músicas sem sentir um aperto no coração.

E vocês? Têm músicas que marcam de um jeito absurdo? Acho que todo mundo...

sexta-feira, março 20, 2009

Primavera Harumi Spring

Faz tempo que eu não escrevo...

Mas hoje, depois de muito tempo, me sinto feliz.
Começou a primavera. No Brasil, esse lance de estações do ano parece bobagem mas, no Japão, mudar a estação significa, literalmente, mudança de vários hábitos, aposento de algumas peças de roupas e retirar do armário outras, as ruas tornam-se floridas, etc.

A maior felicidade é sentir uma brisa mais quente e não ter que dormir com quatro cobertores. Nem ter que ligar a água quente para lavar a mão.

....

O mais engraçado é que eu estava me achando porque não tinha ficado doente no inverno. No Japão, o pessoal toma até vacina para não ficar doente, porque parece uma epidemia mesmo.

Até que, do nada, peguei a pior dor de garganta da minha vida. Resultado: começo a primavera tomando 4 tipos de remédios...

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Informes

Depois de muito enrolar, resolvi incluir as tags do Hotwords. Bom, fiz isso para dar uma profissionalizada no meu blog, e também porque agora estou entendendo um pouco mais de HTML e afins. Antes, só de ver as tais tags e scripts, eu já desistia.

Essa semana (dia 14) é o dia dos namorados, ou Valentine´s Day, aqui no Japão. As garotas compram e fazem chocolates para seus namorados. É claro que vou boicotar essa coisa rrrrridícula.

Meu primeiro artigo em inglês saiu. Nem acredito. Tá aqui

Continuo no Tudo de Blog e, embora eu tenha sido uma tremenda irresponsável, emplaquei alguns textos no site.

Bati perna em alguns brechós e comprei roupas no escuro (não pode experimentar nada). Posso dizer que, atualmente, mais da metade de minhas roupas são provenientes de brechós.



Levo várias broncas de minha mãe, ultimamente, por eu falar muito palavrão. Explico: além de eu considerar o palavrão uma das maneiras mais plenas de se expressar, no Japão dá mais vontade ainda de xingar todo mundo. Simples: eles não entendem NADA do que a gente fala.
Se algum motorista me fecha enquanto estou andando de bicicleta, já vou xingando: “Vai pra pqp seu fdp do c#####”. Só que, obviamente, o japonês não entende nada.

Eu sei, é horrível, nojento, falar palavrão. Mas eu falo. Só espero não virar uma Dercy Gonçalves (que Deus a tenha) e falar dois palavrões a cada três palavras...

sábado, novembro 22, 2008

Passando frio e calafrios no Japão

Ando pelas ruas de Nagoya e só dá eu de estrangeira. Uns 60% das pessoas me olham descaradamente e diariamente. Irrita?

Cansa ser estrangeiro no Japão, um país que ainda consegue fugir da globalização étnica. Já li artigos em que, se o Japão não mudar, os estrangeiros nunca aguentarão viver aqui para sempre, e é verdade – 90% dos estrangeiros não têm intenção de morar aqui para sempre. Se moram, é porque se acostumaram a sofrer preconceito e a se sentir Ets.


Eu sou mulher, estrangeira e moro sozinha. Isso é um prato cheio para os japoneses me odiarem secretamente.

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Estou viciada em um salgadinho de banana, além de outro de kiwi, outro de manga...Além do doce de feijão, meu favorito sempre. E como muita fruta aqui, embora seja cara pra caramba e me faça dispender alguns ienes a mais.
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E alguém de salva desse frio insuportável? Já estou vivenciando temperaturas de quatro graus. Quando morava em Bauru, sempre afirmei que odiava o calor, porém não tem nada pior do que o frio. Não o frio do Brasil, que é ótimo, mas o frio do Japão, e sabe por quê? Aqui o povo não sai do aquecedor nunca, e assim a gente tem que usar roupas “adequadas” o tempo todo, ou seja, a camiseta, a calça, a blusa, enfim, tudo tem que estar relativamente bonito para ser mostrado a qualquer momento. Todas as lojas estão programadas para ter uns 24 graus, aí você entra na loja vindo de um frio de três graus e com roupas adequadas para caminhar num ambiente congelante, e de repente começa a querer tirar tudo, de tanto calor.

Era bom quando eu usava o pijama por baixo da roupa nos dias frios...

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Aventuras de metrô.

Que os japoneses são seres pervertidos, isso acho que todo mundo sabe. Acontece que locais com grande concentração de pessoas, sobretudo vagões de trens e metrôs, são os locais perfeitos para a ação dos “pervas” - isso inclui mulheres também. Eu ainda não tive a felicidade de ter um pervertido me enchendo a paciência, porém já ouvi histórias muito bizarras dentro dos vagões – sim, todo tipo de perversidade, porém a mais comum é aquela em que os homens tiram fotos das calcinhas das japonesas. Isso ocorre porque, mesmo no frio congelante, as japonesas usam minissaias curtíssimas, de causar inveja às funkeiras. Com a diferença de que aquelas são magrelas, então não fica tãaaooo vulgar. Ah, fica sim.

Quando (e se) acontecer algo comigo, vai apanhar. E vou contar aqui, lógico!



domingo, outubro 19, 2008

No balancê

Já que estou em fase de mudanças, vou fazer um pequeno balanço do que gosto e não gosto no Japão nestes 2 meses e meio.

Comidas favoritas:
Além do tradicional sashimi (ou peixe cru), ando viciada em algumas coisinhas, como um salgadinho de castanha portuguesa, manjus (doce de feijão, que ainda é meu doce favorito) e a maçã japonesa é simplesmente divina. Esses estão sempre na minha despensa.

Também sempre compro moyashi (broto de bambu), onigiri (uma espécie de sanduíche de sushi) e caqui. E, sempre que posso, faço um missoshiro (sopa de soja).

Experiências nem tão boas...

Comi ovas de peixe (cruzes), pudim de ovo, o miojo é tão ruim quanto o brasileiro, comida apimentadas, sushi com maionese.

Lugares para ir:
Admito que adoro um karaokê, porém estou enjoando de tanto ir. Normalmente vou ao Hub, um pub que tem vários estrangeiros. No mais, bem...não faço muitas coisas além disso, por falta de grana e de vontade.

Correr em volta do templo é uma das coisas que mais faço. Antes eu andava de bicicleta por diversão, porém hoje eu ando mais como meio de transporte mesmo.

Compras:
Não tenho comprado muitas coisas, porque ultimamente acho meio ridícula essa onda de consumismo que assola os japas, mesmo com a crise econômica mundial.

Como o caderno Vitrine, da Folha, vou listar as dez últimas coisas que comprei:
1 - Batom da Shiseido - uns 20 reais
2- Castanha Portuguesa - não mais do que dois reais
3- Desodorante - 15 reais.
4- Fio dental. 10 reais. Caro pra c$$$$, mas não dá para ficar um dia sem.
5- Durex. 10 reais. Para embalar as coisas.
6- Café. 10 reais. Nescafé, porque eu só tomo café com leite.
7- Gelatina. 2 reais. É esquisita, mas dá para levar na bolsa e mata a fome rapidamente.
8- Alface americana. Menos de 2 reais. É mais barato do que no Brasil.
9- Sapato. 2 reais. Juro. É usado. Quem tem nojo não sabe o que está perdendo. Comprei várias roupas, nenhuma mais do que 20 reais.
10- Folhas sulfite. 2 reais, com 100. Outro item indispensável a jornalistas e odiadores de leitura em frente ao ecrã.

.....

Coisas que odeio no Japão:

- adoram estadounidenses e tudo relacionado a eles, sobretudo o status chamado Starbucks.
- renovam todo o guarda roupa a cada estação.
- o andar torto das japas
- a vozinha de criança que algumas japonesas fazem
- mariposas invadindo minha cidade
- a poluição sonora de cidades grandes beira o insuportável
- o excesso de tranqueiras à venda, como um produto somente para limpar a quina da mesa, por exemplo
- os japoneses não são cavalheiros

Coisas que adoro:

- a segurança
- poder andar em qualquer lugar do Japão apenas usando trem
- a comida é muito boa
- bicicleta
- atendimento impecável
- se você fuçar, encontra oportunidades incríveis

domingo, outubro 12, 2008

A maçã, versão 2.0


Mais uma da maçã no Japão.
Putz, lá vai eu, de novo, com fome às 19h, comer uma maçã na estação de metrô. A maçã é basicamente o dobro da brasileira, mas eu nem liguei. Comecei a comer ali, parada, esperando meu amigo para fazer uma matéria. Todos os japoneses que passavam me olhavam, como se eu fosse uma verdadeira ET.

Eis que um japa, de uns 23 anos, se aproxima de mim e fala:
- A maçã está gostosa?
- Sim.

Ele pára, abre a carteira, mostra um dinheiro e diz que quer beber saquê comigo. Eu, que entendo japonês porcamente, disse que não havia entendido. O japinha responde:

- Me dá seu telefone?
- Por quê? Não, nem te conheço.
- Por favor!
- Não. Não posso.

Ele guarda a carteira e vaza, reclamando algo que não entendi.

O que ele pode ter pensado:

1) "Ela é uma louca que come maçã na rua, por isso vou puxar conversa." (Um amigo meu, da Indonésia, me disse que os japoneses não comem nada com casca por causa dos agrotóxicos)
2) "Ela é uma prostituta comedora de maçã." (Afinal, porque ele abriu a carteira e me mostrou seu dinheiro?)
3) Ele apenas estava me chamando para beber. (O cara estava a fim de molhar o bico e não sabia com quem poderia fazer isso)
4) Ele estava apenas me flertando. (A maioria me disse isso. Os japoneses realmente não sabem como xavecar, e inventam qualquer coisa para puxar assunto)

Sinceramente, acho que foi a resposta 1 ou 2. E vocês?



Coloquei o Ringo Starr comendo maçãs porque Ringo significa maçã em japonês. DErrrrrr

domingo, setembro 28, 2008

Ouvindo Mp3, tomando café e se alienando

Acabei de comer coxinha, bolinha de queijo e risólis. Isso é muito bom, não tem nada parecido aqui no Japão. Tem uns nuggets e umas friturinhas bizarras, que não chegam nem perto da boa e velha coxinha brasileira. Embora eu deva admitir que a comida japonesa é muito boa - melhor que a do Brasil.

Fazia um tempo que eu não postava sobre minhas desventuras no Japão, mas é que ando tão ocupada e preocupada que acabo pensando em tudo, menos em escrever aqui. Isso é péssimo, vou voltar a escrever, porém começo a pensar nas minhas pendências profissionais e acabo desistindo.

Aqui esfriou bastante, do nada - de 30 graus em uma semana, caiu para 15 na semana seguinte. No Brasil isso é normal, mas não no Japão, cujas estações são bem definidas. O engraçado é que eu literalmente posso aposentar por uns 4 meses minhas saias, regatas e sandálias de verão. Não irei usá-las por um bom tempo - até março de 2009.

Hoje eu fiz algo que simplesmente amo: fui a um café, tomei uma xícara de expresso, comi um donuts e fiquei escrevendo no meu caderno.
E, claro, fiquei pensando: esse conforto presente na vida de todo japonês faz com que nós nos alienemos de uma maneira absurda!
Eu tenho certeza de que a maioria dos japoneses não tem idéia do que seja passar necessidade.
Aqui, nos finais de semana, todos os japoneses vão às compras, comem em restaurantes, gastam à vontade.
As japonesas são seguidoras fiéis das revistas femininas (cujo conteúdo escrito é inexistente, apenas fotos com modelos mostrando as novas tendências das passarelas e dos cabeleireiros): saiu na revista, elas vão correndo comprar roupas, acessórios, produtos para cabelos, etc.

Eu ri muito quando vi que, assim que o outono entrou, na semana passada mais ou menos, todas as japas estavam usando botas horríveis estilo caubói, lenços no pescoço e coletes curtinhos - tudo como mandam as revistas.

Pior é ver as japonesas colando cílios postiços no metrô, bem como se maquiando, pintando as unhas...

Ou então os jovens tomando café no Starbucks (como ditam os filmes hollywoodianos) e comendo bolos franceses.

Bem, o mundo da fantasia é real aqui no Japão. Enquanto isso, 4 bilhões vivem em pura miséria.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Perdida nos amerikajins

Esse filme é a descrição dos gringos no Japão.

Amerika jindesuka?

Ainda estou embasbacada com algumas coisas que vivo no Japão. Da outra vez que vim aqui, no fim de 2005, eu tinha uma certa identidade: era brasileira, e acabou. Os japoneses me achavam brasileira.

Agora, não sei ao certo por quê, isso mudou. Toda hora sou confundida com...americana. Os japoneses cismam em falar inglês comigo, falam "Thank You" em vez de "Arigatou" e, sempre que puxam papo, já chegam falando inglês. Perguntam, na cara de pau:
- Amerika? (aguardando ansiosamente a resposta positiva).
Sempre respondo: No, burajiru jin desu. (não, brasileira).
A alegria de meu interlocutor passa rapidamente, como um furacão. Normalmente, depois disso, o assunto acaba.

Eis que, no final de semana passado, estava eu, na chuva, perdida em Nagoya, caminhando como a típica gringa/perdida/com um mapa na mão. Uma senhora japonesa chega em mim e pergunta, em inglês, onde eu queria ir. Eu expliquei, ela foi bem solícita e tal. Depois de um tempo, me pergunta:
- De onde você é?
(Pensei. Pensa, Tati. Resolvi. Vou dizer que sou AMERIKA, só para ver sua reação)
- Amerika.
A reação dela é impossível de ser descrita. Mas imagina uma velhinha japonesa descobrindo que ganhou um concurso de karaokê. Mais ou menos esse rosto que você tem que imaginar.
- SUGOIIIIIIII (que legal!!!)

Depois disso, só faltou ela beijar meus pés. Olhei, fiz que não entendi, e vazei.

Fiquei p### da vida com a situação. Como um país que bombardeou e quase destruiu o outro pode ser tão idolatrado?
Mais tarde, em casa, pensei novamente: será que não faríamos igual se um americano viesse ao Brasil, mesmo depois de os EUA financiarem a ditadura militar, privatizar o Brasil e dominar nossa língua? Será que o mundo todo, com exceção dos palestinos, deve se curvar aos estadounidenses?

Se alguém ler Noam Chomsky pode ser que essa subserviência ridícula mude.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Casa e bicicleta

Bela cena de japoneses olhando uma obra brasileira

Escadaria do Museu de Arte de Toyota

Comi várias coisas extremamente estranhas, com certeza o extremo do transgênico. Uma pêra em forma de maçã verde - que tem gosto de algo que, definitivamente, não é pêra nem maçã. Umas uvas minúsculas, porém gostosas.

O bom é que eu posso comer, aqui, coisas que seriam caras no Brasil, como kani, shitaki, shimeji, arroz japonês, manju, entre outros.

Por outro lado, fico morrendo de arrependimento por pagar algo em torno de 4 reais por uma maçã.

.....

Dei uma faxinada na minha vida.

....

E esqueci de falar: faz uns quatro dias que estou andando diariamente de bicicleta. Uma das melhores coisas de se fazer, principalmente no Japão. Obviamente, como não poderia deixar de ser, me perdi por umas 2 horas. Entenda: o Japão é igual o tempo todo, e basicamente as ruas não possuem nomes. Sem GPS ou memória, impossível.
Mas andar por aqui é coisa de outro mundo.

....

Só ontem que eu posso chamar minha casa de "casa". Isso porque, finalmente, consegui arrumá-la de vez, e deixa-la relativamente apresentável. Até então, a toalha ficava na cozinha, os jornais no quarto e os livros espalhados por aí.

Aliás, por falar em livros: li as histórias em quadrinhos "Desista", do Kafka, presenteado por Dacax. Excelente.

E agora estou lendo razões de estado (tudo minúsculo mesmo), do Chomsky. Denso e esclarecedor, mas ainda faltam umas 400 páginas para terminar.

.....

Entrevistei o Moreno Veloso, filho do Caetano Veloso, em um show dele em Toyota (Aichi). Tinha até uma exposição muito boa sobre o Brasil, em homenagem ao Centenário. Tirei umas fotos, postadas aqui.

Japas olhando a exposição Florescendo Brasi-Japão

sábado, agosto 16, 2008

Você sabia que...

Tem umas coisas por aqui que, para quem já mora no Japão, são meio óbvias. Mas não custa comentar.

Uma mania sexual dos japoneses :
- roubar calcinha (de preferência, suja)

Pão:
- a fatia do pão daqui é imensa - quase o dobro do tamanho do pão de fôrma do Brasil

Mulheres:
- usam roupas, maquiagem e penteados iguais às de uma debutante - no dia-a-dia!

Celular:
- cuidado: quando você menos espera, tem alguém te filmando escondido (o celular dos japas têm televisão, internet, câmera de 5 megapixels e vídeo)

8 ou 80:
- os japas são ou nerds ou totalmente loucos (pelo menos, é o que eu acho)

Eles falam o idioma EIGO:
- ou inglês, se você entender alguma coisa do sotaque deles

Dormem em qualquer lugar:
- isso corrobora para a afirmação do Alberto de que os japoneses adoram dormir...

...

Eu estou totalmente pobre, e ficarei ainda mais:
- vai ter show do Weezer e do Radiohead!
Por que eu fui ficar sabendo disso...

terça-feira, agosto 12, 2008

Maior mico do Japão!

Sem dúvida, foi meu maior mico do Japão até agora!
Eu comprei uma cadeira de escritório ontem. Montei a cadeira, no maior cansaço, com ajuda do parceiro Gilberto. Até aí, tudo certo. Eis que, ao testá-la, ela simplesmente era péssima: torta, baixa, e ruim demais para escrever em frente ao computador. Insisti, insisti, e o Gilberto concordou: vamos trocá-la na loja japonesa.
Detalhe: como eu vou falar para o funcionário da loja que a cadeira é desconfortável, o encosto é ruim, etc? Fiz o mais óbvio: anotei a frase QUERO TROCAR ISSO (ou seja, NANIKA O HOKA NO MONO TO TORI KAERU, em japonês) no caderninho, pegamos a cadeira e fomos para a loja.

Chegando lá, surpresa: a loja estava fechando! Corremos, com uma cadeira imensa nos braços, antes que a loja fechasse...
Descrição da cena:
TATI: Sumimasen! (COM LICENÇA). NANIKA O HOKA NO MONO TO TORI KAERU...
FUNCIONÁRIO: ?? Por que? (ele falou algo assim, pelo que eu entendi)
GILBERTO: ...
TATI: ...

Aí, começa a descrição. Foi mímica pra cá, mexe na cadeira para tentarmos explicar, e nada do japonês entender. Aí, começou o pior. A pior coisa que se pode acontecer no Japão: eu tive um ataque de riso. Não conseguia conter, ria sem parar, na frente do funcionário. Ele começou a ficar bravo.

TATI: hahahhahhahh
GILBERTO: Tati, pára de rir! Não pode!
TATI: AUHAUHAUHAUHAHUAHHUAUHAUH
FUNCIONÁRIO: ????

No final, o cara pegou a cadeira, e a levou para um outro lugar. Uma japonesa pegou a cadeira, a nota fiscal, e devolveu o dinheiro para mim. E eu, rindo.

Na saída, o Gilberto manda eu ficar quieta. Acabei rindo até o caminho de casa...Não volto lá por um bom tempo - ou até eu tingir o cabelo e o inverno chegar.

(Isso que o Gilberto implorou para que eu não citasse o nome dele neste dia fatídico)

domingo, agosto 10, 2008

Televisão digital: a farsa japonesa, entre outras críticas infundadas...

Esse papo já deu, e o Brasil meio que deixou o assunto de lado. No entanto, eu não poderia esquecer que o modelo de televisão digital adotado no Brasil é, sim, o modelo japonês. E estou tendo a experiência de televisão digital por aqui também.

Pois é, aqui a televisão digital está em um patamar bem mais adiantado, claro. E o governo brasileiro prometeu as seguintes possibilidades da televisão com o padrão japonês: maior mobilidade e qualidade da imagem. Pois bem, vemos por aqui alguns japoneses assistindo televisão no metrô e no carro. Vi que a televisão do hotel em que eu estava hospedada tinha um modem acoplado. Nele, você poderia conectar-se à internet e também comprar filmes, ouvir música, assistir a programas pornôs – desde que pagasse uma certa quantia por isso (algo em torno de 10 dólares por programa, filme, etc). Na verdade, é como um pacote da Sky de pay-per-view. Nada muito animador.

A única coisa que me surpreendeu foi ver, em uma loja de eletrônicos chamada Yamada Denki, uma mistura de televisão com desktop (ou computador de mesa. Seria bom se os brasileiros parassem de adotar estrangeirismos em termos informatiquês). São uma espécie de televisões de plasma, 30 polegadas e tela LCD, só que vêm em seu interior um processador que te permite acessar a web. No caso, poderíamos ver vídeos do YouTube, em alta resolução e velocidade, em uma tela de televisão. Meio surpreendente, admito.

Acontece que a tecnologia é uma farsa, do ponto de vista que mascara o que realmente importa: o conteúdo. De que adianta ter uma televisão/computador/celular/iPod se o conteúdo é um lixo completo? De que adianta comprar esse acoplado tecnológico se a única possibilidade que possuímos é de ver as famílias Marinho, Abravanel, Macedo, bem como grupos como Disney (que é dona da MTV), e outros lixos nacionais/internacionais?

Sei que é um desabafo frente a maravilhas tecnológicas. Mas hoje, pela segunda vez em que estou no Japão, tenho uma visão muito mais crítica, tanto dos japoneses quanto de seu “japan life style”. Eles possuem celulares iguais ao iPhone faz um tempão (todos, absolutamente todos, são 3G), porém fazem fila para comprar o iPhone – porque dá status e é como se dissesse “também sou americanizado”. Sem contar que eles têm, em suas bolsas, os seguintes artefatos tecnológicos: celulares 3G, dicionários eletrônicos (parece um iBook), jogos PSP, iPod, laptops minúsculos. Se um celular tem tudo isso em convergência, para quê comprar tudo isso separado? Ah, é verdade, é o maldito status que faz com que madames comprem bolsas de 40 mil dólares para levar seus cachorrinhos aos salões de beleza, para participarem de concursos caninos, enquanto alguns milhões morrem de fome ou vivem de Bolsa Família.

domingo, agosto 03, 2008

Calor da balada


Estou no Japão há...4 dias. E ontem eu fui a VÁRIOS lugares: primeiro, Harajuku, o bairro em que os fãs de animes e pessoas vestidas bizarramente são encontradas a qualquer momento.

rua calorenta de Harajuku


Depois, Akihabara, o paraíso dos nerds e fãs de eletrônicos. Imagina uma Santa Ifigênia ou um Stand Center do Japão. Mais ou menos isso. Comprei um iPod semi novo por 150 dólares, um Pendrive de 1g por 7 dólares.

Em seguida, fui à 25 de março do Japão. Tem literalmente de tudo: lojas de cosméticos, feira livre, brechó...

Eles só passam com o farol verde!

Para terminar, fui ao local mais comentado: Hoppongui, o local em que cada esquina tem uma balada diferente! Entrei em várias, com os mais diversos estilos: dancei salsa com um japonês, conversei em japonês com um africano, bebi a cerveja Sapporo – que é bem ruim, por sinal – , vi várias australianas que mais parecem terem saído diretamente de Hollywood, sem contar peruanos, americanos, ingleses, africanos, indianos, e, claro, os japas.

Cheguei em casa umas sete da manhã.

Acordei e fui, sozinha, a um parque famoso aqui de Tóquio. Foi o parque mais bonito que já fui, só que não tirei fotos, porque a bateria da minha câmera acabou...Tinha lagos com tartarugas, floresta com mata fechada, pontes de jardim japonês, carpas, tudo minuciosamente ajeitado.


sexta-feira, agosto 01, 2008

Karaokê!!

César e Pablo cantando em japonês no karaokê box

rua próxima ao meu hotel

Estou na maior ressaca do universo...Mas estamos aí.

Ontem eu fui à despedida do diretor de Redação. Teve alguns chopes (a propósito, melhores do que os do Brasil), diálogos bilíngues e experimentos de várias iguarias: aquele ossinho mole da galinha empanado, barbatana de tubarão grelhada, peixinha grávida (e com os ovos dentro), semente de soja dentro do broto, pizza japonesa (que é horrível). Além disso, há a experiência antropológica de observar executivos japoneses bebendo feito uns condenados e rindo alto.

Depois, fomos a um karaokê. Cantei e matei a vontade:

  • Radiohead

  • Spice Girls

  • Amy Winehouse

  • Franz Ferdinand

  • Esqueci

    Metrô com desenho de Pokemon...

    Hoje eu vou a Harajuku, nem que seja sozinha! O metrô daqui é muito difícil de andar....E nem vou falar que vai ter fotos no Flickr!


quarta-feira, julho 30, 2008

Irashaimase

busão de escala em Paris.

Ainda não é Tóquio. Paris mesmo.

Para todos que aguardam por informações diretamente de Tóquio...

Bem, cheguei cansada, porém normal, no Japão. O calor aqui está forte, contudo nada diferente de Bauru, em janeiro, ao meio dia. Sério: bauruenses aguentam fácil o calor daqui. O engraçado é que a lembrança que eu tinha da outra vez que fui ao Japão é de um país frio, com pessoas frias e acanhadas. Mas o calor muda tudo: o povo anda mais descontraído, suando. Uma visão atípica do Japão, visto que, por aqui, o tempo está mais para frio do que calor.

Em Paris, conheci uma japonesa que dá aulas de inglês – sim, ela é uma das poucas japonesas que falam inglês com bastante habilidade. Ela me ajudou a entender um pouco seu povo antes de eu “enfrentá-los”.

No avião, eu vi dois filmes: Penélope e 21. Alguém já ouviu falar neles?

Ainda estou com cólicas de ansiedade, acho.

Hum...Tóquio é igual aos outros lugares do Japão, mas é mais apertado e lotado de gente. Ainda quero passar em Hoppongui – com suas baladas para gringos – e também em Akihabara, o principal centro de tecnologia de Tóquio.

Acordei umas cinco da manhã hoje, e estou escrevendo às seis. Pior é saber que, desde a última vez que tive consciência de datas, eu estava na segunda feira. E hoje já é quinta.

O quarto do meu hotel é bastante apertado. Para se ter uma noção, não tem mesa, e eu tenho que escrever em cima da cama. Quer dizer, tem uma mesa. Embutida, como quase tudo no Japão.

Hum...como eu já vim para cá, não sei direito o que seriam novidades ou coisas batidas. Tirar o sapato foi um hábito que eu quase esqueci.

E, sim, o arroz japonês é o melhor do mundo.


Mais fotos, Flickr!