A balada por dentro: suor e gente bêbada
Luiz Augusto (ou Goiaba, para os íntimos) já me falou algumas vezes que minha vida parece um seriado de comédia dramática.
Pouca gente sabe que, embora eu goste bastante de escrever roteiros, sou muito preguiçosa para formatá-los de forma que se torne realmente um roteiro no sentido palpável.
Alguém quer ser o diretor do filme da minha vida?
A entrada com um smile: veja como foi divertido!
Fotos da balada by Fabio Yamashitafuji
...
Eis a descrição de uma balada alternativa que fui no sábado:
Na balada, em Nagoya, estava toda a galera que conheço, dos mais variados países e culturas. Parecia uma festa do filme Albergue Espanhol, mas a real é que eu simplesmente odiei tudo aquilo.
Eu, que estava sóbria, fiquei olhando aquele povo bêbado, suado e com cerveja nas mãos. Em seguida, olhei meus pés (todos tinham que entrar descalços) e senti que estavam grudando no chão sujo de cerveja e tudo o mais que você imaginar; depois vi um monte de gente fingindo que estava a-man-do a música eletrônica de baixa qualidade, fechando os olhos e girando a cabeça como se estivessem abduzidos ou em transe.
Um amigo meu, todo suado e fedido, me abraçou, o que gerou uma cara de nojo em minha expressão facial. No entanto, por estar lá pela sétima garrafinha de cerveja, acho que ele não percebeu. Me desvencilhei dele, olhei para os lados e tinha um loiro de 2 metros que mais parecia uma minhocuçu, de tão magro e alto. Ele rebolava feito uma serpente no cio e não tinha a menor noção de seu tamanho colossal.
Eu, com meus 1,54 metro, ficava fugindo da minhoca loira com pés (passei a chamá-lo, mentalmente, de minhoca loira), só que a balada era um pouco menor do que uma sala de estar, e toda hora o maldito aparecia, rebolando e dançando como um boneco de Olinda.
Fiquei com vontade de dar uma bica na minhoca loira, mas me controlei e encostei na parede, só observando a galera. Uma brasileira, que tinha 1,80m e usava um decote que escondia somente o bico de seus seios imensos, estava totalmente bêbada, e dançava até o chão com todos os caras que ela trombava. Detalhe que ela dançava até o chão, como se fosse funk, músicas estilo trance (ou sei lá o que era aquilo).
A brasileira tinha um copo de vinho na mão e, no mesmo instante, pensei:
A bebum vai derrubar esse copo de vidro em alguém...
Ela sacudia, era vinho pra lá e pra cá, e pimba! Não é que ela derrubou tudo em mim e no meu amigo?
Meus pés, que já estavam grudentos, ficaram mais nojentos ainda. Meu amigo, em uma fala lenta e de bêbado, diz:
- Puuuutaaa que saco, a mina molhou meus pés!
Fiquei quieta, olhei para os lados e vejo uma japonesa liberando geral para um homem do Panamá, que passava a mão por todo seu corpo, enquanto um senhor de 60 anos e de camisa florida, estilo americano que viajou para o Havaí, observava, guloso, a cena.
Abri a porta da balada, para fugir da vertigem que estava vivendo, subi a escadaria e fui respirar um pouco. A polícia, que estava fazendo ronda e pedindo para que todos entrassem na balada, a fim de diminuir o barulho, pediu para eu entrar também. Sentei no meio-fio e não entrei.
Chega meu amigo (amigo?) mexicano, que havia resolvido dar uma volta para fugir do calor e comprar uma cerveja em uma loja de conveniência por perto. Ele pergunta o que eu estava “haciendo”.
- Nada, apenas respirando ar puro. – respondo.
Uma australiana loira e corpulenta, que aparentemente conhece a balada inteira, chega e cumprimenta a todos. Eu, que também a conheço, finjo que não a vi. Mas ela não finge que não me viu e diz:
- Eii (I don’t remember your name), how are you?
- Estou bem – (I don’t remember your name either).
- You look fine – diz ela, tentando ser simpática.
Dou um sorriso mais falso do que o da Nicole Kidman depois de trocentos botox, saio de fininho e pego minha bicicleta, pronta para dar o fora da barca furada. Uma conhecida abre a porta da balada, vê que estou tirando o cadeado da bicicleta e pergunta:
- Ih, já vai?
- Ah, não, só estava mudando minha bike de lugar (mentira 1).
- Ah, pensei que você estava indo. Não vai sem se despedir, hein?
- Claro, claro. (mentira 2)
- Nossa, estou pingando de suor.
- Eu já me refresquei, mas vou ao banheiro no combini (loja de conveniência, em japonês) e já volto. (mentira 3)
Pego minha bike e vou embora de vez.
(gente, esse é o post mais fiel de todos que eu escrevei – escrevi e fiz um ctrl c e ctrl v do meu diário)
Dica de Filme - "Cairo 678"
5 dias atrás


10 comentários:
Eu não sei o que deve ter sido pior, se a cena da minhoca loira, a sua cara com o vinho nos seus pés, ou o conjunto da obra...Puta cilada você se meteu...
Enfim, caracterizações de um cotidiano tão díspar do que eu vivo aqui. Acho que são nessas horas que as diferenças de cultura se avistam. Não digo apenas de países, mas, tenho a impressão que as metrópoles andam muito parecidas nos comentários das pessoas. As dinâmicas de vida em São Francisco do Guaporé também possuem o seu grau de esvaziamento mental, a começar pelos infindáveis cultos religiosos. Enfim, o que há de vazio carrega o seu oposto na latência contra si mesmo.
Abraços, Goiaba.
PS: Você tem todo o meu apoio moral para seguir a carreira de roteirista.
você escreve muito bem pô , parabens :D
xoxo ;* Laais
http://meumundinhorosaclaro.blogspot.com/
Goiaba,
seu comentário foi perfeito. A alienação não tem país, nem região. é praticamente uma gripe suína nível 6.
hahaha, isso pareceu na verdade um relato do Ensaio Sobre a Cegueira!!! rsrsrs, vc vendo os absurdos da sociedade..rsrsr
bem legal!
ahahahhhahahahahahhaha minhoca loira! ahahahahhahahahahahahahahah decote que escondia só os bicos ahahhaahaahahhaahhaha, fazia tempo que não ria lendo alguma coisa hahahahahahahahha
Haaa é um filmee mesmooo!
Vc precisa conhecer um forrozão nas quebradas aqui do norte!!
Isso sim dá medo!!
Hahuahuahauhauahuhau
Engraçado pra caralho, Tati! Tive que conter o riso aqui no trampo.
Vamos fazer um filme!
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