Sumi por muito tempo. Acho que, pela primeira vez na vida, fiquei com o cérebro totalmente vazio, sem inspiração e sem assunto, por quase um mês. Isso que continuo lendo livros, jornais e as ditas fontes de informação e inspiração.
Foi muito triste olhar as visitas deste blog caindo, e eu sem coragem inclusive de acessá-lo – justo eu, a dona do blog, o larguei às moscas, não por falta (somente) de inspiração ou preguiça, mas por falta de coragem mesmo de ver o quanto abandonei meu espaço e talvez tenha me abandonado por esse tempo.
Eu parei de escrever e de baixar músicas
O exercício da escrita aparece do nada, normalmente à noite ou quando estou em estado de inércia – no metrô, viajando, antes de dormir, correndo...Mas, quando se está cansada, alienada e preocupada com os pilares trabalho-família-relacionamento (nessa ordem), parece que a gente não se permite parar uns minutos, talvez horas, para se dedicar ao próprio pensamento e ao exercício de pensar. Seja descobrindo músicas novas, escrevendo neste espaço ou no diário pessoal. Não fiz nada disso neste último mês.
Críticas ao paradigma: faça o que eu digo X não faça o que eu faço
Em um mundo capitalista e de interesses, até os mais esclarecidos e críticos se vendem. Segunda feira ia passar um programa imperdível para mim: o Roda Viva ia entrevistar o criador do Linux,. No mesmo horário, me limitei a assistir um programa relacionado a algo que não acredito.
Penso que não devemos parar de pensar um mundo melhor, ainda mais quando estamos jovens. Afinal, ainda veremos as conseqüências de nossos atos egoístas e interesseiros lá na frente, quando estivermos velhos, debilitados, e tentarmos sentar no assento preferencial do ônibus e um jovem de iPod, mascando chiclete e assistindo ao resumo da Malhação na televisão do ônibus pular na sua frente e sentar no assento preferencial em seu lugar. Você pode xingar e espernear – ele não vai te ouvir.
Parece um desabafo idiota, mas fiz exatamente o mesmo hoje de manhã: estava atrasada e vi o ônibus descendo a Augusta – se eu o perdesse, ficaria esperando séculos o próximo passar. Uma velhinha estava no meio da calçada, interrompendo minha corrida rumo ao ponto. Eu, meio que sem querer e sem paciência, esbarrei na velhinha e saí correndo. Estava ouvindo The Gossip no talo e não ouvi a senhora me xingando depois do que fiz a ela, mesmo que sem querer. Foi um alívio não ouvir seus xingamentos, mas ao mesmo tempo me senti uma jovem-estúpida-ouvindo iPod com músicas indies retardadas-de óculos escuros-individualista.
A gente se vende e se corrompe o tempo todo, à medida que ficamos adultos e largamos a faculdade, ou quem sabe, os tempos em que tínhamos tempo para pensar. Eu era pobre, andava de Havaianas, mas pensava e tinha orgulho de minhas atitudes, porque eu agia de acordo com o meu pensamento ético. Ultimamente, nem tanto.
Minha vontade é de correr pelo campo, exorcizar minha vida, sentar em uma máquina de escrever sem MSNs, Gtalks e emails pulando em minha frente. Em uma fazenda nublada ou um porão escuro.
Por que esses devaneios?
Meu tio morreu neste sábado, na semana mais tensa da minha vida.
Explicação do título: o primeiro ato de minha vida acabou quando minha avó morreu, há 14 anos atrás. Meu tio morreu no mesmo dia, marcando o fim do segundo ato.
O unico prazer de minha vida nesses tempos


3 comentários:
Pesado hein Tati.
Mas gostei da visão "contra a corrente" que você passou. E das reflexões adjacentes.
Muitas vezes nos perdemos e nem percebemos.
Deixamos algo que um dia chamamos de autonomia se esvair em meio as atribulações dessa vida caótica.
Espero que esteja tudo bem contigo.
Agora serei um seguidor do Vitamina B. rs
Um beijo
meus pêsames.
e eu adoro muito esse blog aqui. não abandone ele não, tá?
;*
Amei o blog, mesmo *-*
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