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segunda-feira, outubro 29, 2007

A verdade do Tim Festival

Postei várias coisas juntas. É que vou postar, rapidamente, a real do Tim Festival, sem linguagem jornalística, como o post anterior.

Saldos finais:

- as duas bandas que abriram, Hot Chip e Spank, são melhores do que The Killers e, especialmente, Arctic Monkeys e Juliette and the Licks.

- dou três anos para ninguém mais se lembrar de Juliette and the Licks (volta pro cinema, Juliette).

- dou no máximo, estourando, 4 anos para ninguém lembrar de Arctic Monkeys.

- quanto ao The Killers, dou cinco anos para vê-los tocar em algum cassino de Las Vegas por 1000 dólares a noite.

- a Bjork é sensacional, mas não sabe escolher repertório para Festivais. Faltou mais Post e Verpertine.

- nem tinha tanto indie assim no Tim. Tinha gente com camiseta do Pink Floyd, além de tiozinhos. Provavelmente, para ver a Bjork.

- a Juliette é uma poser. Cante mais, role menos no chão.

- Arctic Monkeys, muito estáticos. Tocar e cantar com aquela vontade...prefiro pegar o cd e deixar rolar.

- como eu fiquei na grade no show da Bjork, me perdi de todo mundo que estava andando comigo. Fiquei sem celular, o maior desespero. Mas liguei para o telefone da minha irmã usando celular de desconhecidos.

- tem gente que eu conheço que entrou na Área Vip (a escória dos Festivais) na miúda. Né ......?

Atrasos e shows rápidos marcam apresentações do Tim Festival




O calor daquela tarde de domingo estava beirando os 30 graus - mas parecia mais de 35 graus na arena Skol, local em que foi realizado o dia principal do Tim Festival deste ano. O início, marcado para as seis e meia da tarde, se deu tranquilamente, sem maiores atrasos.
Começa com Spank, grupo norte-americano que mistura rap com música eletrônica. A banda estava bem articulada e apresentou um show curto, mas bem interessante, daqueles que vale a pena baixar o álbum para conhecer melhor.




Meia hora depois, e entra o grupo britânico Hot Chip, com seu vocalista de voz andrógena e seus integrantes animados, que procuravam interagir com o público. A apresentação foi marcada pela música eletrônica aliada ao rock, mostrando no palco uma banda promissora, que não fica nem um pouco atrás das próximas e esperadas atrações. Os integrantes chegaram a afirmar que os paulistas são "bem melhores" do que os cariocas, uma maneira de alimentar a rixa regionalista e de prender a atenção dos presentes, que ansiavam pela próxima atração: Bjork.

A demora na montagem de palco, somada à música ambiente (provavelmente uma banda do Japão com um som digamos, um tanto destoante do clima do Tim), gerou certo desconforto para os presentes. No entanto, lá estava ela, às nove e meia da noite, quebrando tudo com "Earth Intruders". O palco, montado em estilo moderno e ao mesmo tempo étnico foi uma atração à parte, pois era a representação do novo álbum, Volta, lançado este ano. Bjork pulou, dançou, arriscou um gracioso "obrigatu" a cada fim de música, e agradou. Embora Bjork não tenha feito exatamente uma boa escolha de repertório, pontos altos como as músicas "Declare Independence" e "Wanderlust", do Volta, renderam efeitos visuais que hipnotizaram. A cantora ainda mostrou a voz poderosa nas canções "Pagan Poetry", "Five Years" e "Army of Me".

Mais um longo intervalo, e entra a outra integrante da ala feminina do Tim. Juliette Lewis entra no maior estilo índia "High Tech", mostrando que, sim, a banda é sua. O grupo que a acompanha, "Juliette and the Licks", mal aparecia no telão. A atriz-cantora exagerou na performance: rolou no chão, pulou o tempo todo e ofuscou o objetivo final – a música, um que era "mais do mesmo". Quem estava no fundo mal conseguia ouvir sua voz, de tão baixa.

Já era mais de uma da manhã, quando os Arctic Monkeys entraram. O som da banda que estourou em 2006 estava perfeito, idêntico aos dois álbuns lançados. Só que foi justamente essa semelhança que tornou o show seco, correto demais, ou seja, uma apresentação que fez o público pular, e nada além disso. Os hits, como "I bet that you look good on the dancefloor" e "Fluorescent Adolescent", levantaram o público já cansado.

A demora para o último show do Festival, dos norte-americanos do The Killers, irritou os presentes. Depois de uma hora de espera, a banda entra às quatro da madrugada. Foi o show com repertório bem escolhido, além de visual e banda impecáveis. O vocalista Brendon Flowers fez jus ao título de galã e agradou aos fãs – e às fãs, principalmente, que ficavam dando gritinhos. Várias músicas foram cantadas em coro, como "Sam´s Town", "When you were young" – do último cd, Sam´s Town –, além de "Mr. Brightside" e "Somebody Told me", do Hot Fuss. Após uma hora de show, a banda se despede, sem bis. E o público se conforma com a rápida apresentação – pudera, grande parte dos presentes ia trabalhar direto na segunda-feira, sem descansar nada.

Pontos fortes do Festival:
- havia muitos banheiros no local, o que diminuía a fila;
- a escolha das bandas deste ano superou a dos anos anteriores do Tim Festival;
- as mensagens via celular, mandadas pela platéia, apareciam no telão do Tim, fato que gerava risadas e constrangimentos;

Pontos Fracos do Festival:
- como a organização ousa em proibir máquinas fotográficas? Parece que a organização não entendeu ainda que quase todos os celulares de hoje em dia possuem câmeras digitais acopladas!

- filas imensas para comprar bebida e comida – com preços absurdamente caros. Um copo de água, por exemplo, saía a 5 reais.

- os atrasos entre as bandas, alguns de mais de uma hora, irritaram e cansaram os presentes. No show do The Killers, por exemplo, os técnicos ficaram passando o som às 3 e meia da madrugada!

- a área VIP, na qual por "módicos" 400 reais o indivíduo poderia desfrutar do melhor lugar, bem em frente ao palco, enquanto que a "ralé" (que pagou 200 reais pelo ingresso), ficou muito longe do palco. Essa prática quebra o conceito de festival, que integra as pessoas, tornando-se cada vez mais segregacionista. Daqui a pouco irão surgir outras divisões, cada vez mais caras e inacessíveis.