Foi um show emocionante, simples, direto, sem rodeios, sem lágrimas perdidas dos integrantes da banda - mas muito chororô dos fãs.
Parece religião, tamanha a adoração que o Los Hermanos exerce no público. O pessoal imita tudo, tem orgulho em afirmar que só ouve essa banda e que chora toda vez que ouve a tal música. E é essa adulação absurda que me enoja - e, garanto, os próprios integrantes da banda devem odiar também.
Mas devo admitir uma coisa: os caras são bons. Um toque meio Weezer, meio Caetano, meio samba, meio ska, meio Radiohead. É evidente, meio pós moderno. Mas as letras, ah as letras.
Como não pensar que "O Vencedor", aparentemente despretensiosa, esconde uma ideologia ainda mais surpreendente? Que mobiliza multidões?
O forte da banda são, sim, as letras. E olha que eu nem levo tão em conta esse aspecto da música, pois acho que música e poesia são elementos conjuntos, mas não indissociáveis. Uma composição pode ser horrível e ter letra relativamente boa (caso da famigerada Legião Urbana), como pode ser ótima e simplesmente não ter nenhum verso relevante (vide a música eletrônica).
Mas Los Hermanos, fugindo do mercado, com um álbum anti-anti do anti - "Bloco do Eu Sozinho" - que foge totalmente do estereótipo da Ana Júlia do cd anterior, conquista os fãs fiéis, não os descartáveis que procuravam "Anas Júlias" para cantarolar no carro.
Não tinha banda assim no Brasil - em 2001, só dava Charlie Brown, Jota Quest e afiliados.
E, sim, Los Hermanos é minha banda nacional favorita. Acho triste admitir isso, porque não gostaria de ser mais uma chorona no último show dos caras.
Mas não deu, me emocionei nas duas primeiras músicas que tocaram, do "4".
Vai fazer falta a ausência...mas por outro lado, força os fãs mais fiéis a ouvirem pelo menos as influências mais diretas dos barbudos cariocas.
Fim da cracolândia?
Há 9 anos
