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domingo, setembro 21, 2008

Show do Weezer: sentados e batendo palmas.


única foto que consegui tirar de maneira decente (é proibido tirar fotos no show)

Sonho de toda fã de Weezer é ouvir o Rivers Cuomo bem nerd, de óculos, cantando Buddy Holly de um jeito tímido enquanto a galera pula feito louca na platéia. Certo?

Bem, seria isso se eu tivesse ido ao primeiro e único show do Weezer no Brasil, em Curitiba. Disseram que foi um dos melhores shows do Weezer, mas o perdi, então fui onde tive a primeira oportunidade: no Japão, em Nagoya (capital de Aichi, a província com maior concentração de brasileiros no Japão).

Peguei o metrô ouvindo o Blue Album só para entrar no clima e, chegando ao local, vejo uma multidão de japas indies devidamente equipados para o show, que iniciaria numa terça, às 19h. Levavam bebidas e alguns petiscos, usavam camisetas criativas do Weezer e apenas os garotos (a grande maioria presente) usavam tênis - as meninas montaram no salto e abusaram da maquiagem.

Após entrar em uma fila devidamente organizada e sem chance de "furões", a platéia entra no auditório, com cadeiras acolchoadas e marcadas previamente. Mas, antes, uma outra fila. Meio aborrecida, entro logo atrás e eis que, dez minutos depois, percebo o que era a tal fila: apenas dava para a loja de souvenirs, para que todos comprassem camisetas, cds, faixas, entre outros. Se fosse no Brasil, a loja estaria às moscas. No entanto, como todo japonês que se preza, consumir é uma das coisas mais divertidas.

Saio da fila, procuro minha cadeira enquanto visualizo os japoneses vestindo a nova aquisição - uma camiseta preta escrita "Weezer Japan Tour". Todos usavam a tal camiseta recém-comprada, parecendo um uniforme ou uma condição para se entrar no local. Vestindo uma regata vermelha, acho meu lugar - entre japoneses que vão sozinhos ao show e ficam quietos e sentados esperando o início. As cadeiras são extremamente pequenas, e alguém com o quadril da mulher melancia nunca conseguiria sentar no banco.

Com apenas um segurança em frente ao palco, Rivers Cuomo aparece bem antes do início, e senta-se na lateral do palco. Os japoneses começam a dar tchauzinho para ele e, só após certo tempo, percebo que o vocalista estava andando tranquilamente entre o público, sem ninguém tentando agarrá-lo ou algo parecido. Apenas "tchauzinhos", alguns sorrisos e nada de fotos ou celulares sendo disparados - ambos são terminantemente proibidos durante o show.

Bem à vontade, Cuomo começa a falar japonês com certa desenvoltura e, em seguida, uma banda de japoneses entra na lateral do palco, portando baterias improvisadas e violões. Os japoneses e Rivers começam uma sessão acústica e, em seguida, a banda toda entra. Dá-se início ao show.

Com a banda e os japoneses, Cuomo canta enquanto caminha pela platéia, e já manda a bonitinha Island in the Sun, seguida de El Scorcho. Para finalizar a sessão calmaria acústica, tocam Beverly Hills. A banda se despede dos convidados, sai da lateral do palco e vão tocar no palco principal o que todos querem ver: a versão rock.

Os japoneses, empolgados, finalmente se levantam com Dope Nose, do Maladroit. Segue com o mais novo single do Red Album, Pork and Beans. A qualidade do som do local impressiona, e fica ainda mais visível quando tocam a terceira música, Hash Pipe, um dos clássicos do elogiado Green Album.

Os caras mostram que têm talento quando trocam de instrumentos e de vocais entre si. Em Automatic, do Red Album, Rivers vai para a bateria e Patrick Wilson, o baterista, vai para o vocal e guitarra. Embora seja muito boa, a música dá uma esfriada no público, que anima novamente quando inicia My name is Jonas, outro clássico do Blue Album. Pausa para o bis, e os japoneses batem palmas intermitentemente até a banda voltar. Cuomo, de shorts e meias altas, coloca um chapéu de caubói e volta ao palco, bem no estilo "nerd sim, e daí?".
Em japonês, Cuomo adverte que é a primeira vez que eles tocam The Greatest Man That Ever Lived, uma das melhores do Red Album. Segue com a fraca Perfect Situation e a divertida Troublemaker, e pausa para mais um bis. Desta vez, aparentemente o show acabaria, mas a galera não pára, principalmente a meia dúzia de americanos e canadenses, que gritavam por todos os japoneses.

Os integrantes voltam e tocam a música que uma canadense ficou pedindo durante todo o show: Undone -The Sweater Song. Logo em seguida, o cover da manjada We Will Rock You, do Queen. Aí, dava pra perceber que o show ia acabar, mas os japoneses não sossegaram de bater palmas até que as luzes se acendessem.

Embora a platéia faça toda a diferença para o sucesso (ou não) de um show, o Weezer tocou todas as músicas com perfeição e soube dosar hits com as novas do Red Album.

Set List:

Acústicos
Island in the Sun
El Scorcho
Beverly Hills

Versão tradicional
Dope Nose
Pork and Beans
Hash Pipe
Suzanne
Buddy Holly
Pink Triangle
Automatic
Say It Ain't So
Keep Fishin'
My name is Jonas
The Greatest Man That Ever Lived (Variations on a Shaker Hymn)
Perfect Situation
Troublemaker
Undone -The Sweater Song
We Will Rock You (cover)

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

My Chemical Romance - emos, nao leiam isso!


Na fila, milhares de garotas de preto, maquiadas ao extremo e histéricas. Enquanto vou atravessando a imensa fila que começava a andar, incontáveis cambistas perguntavam “Ingresso? Camarote? Eu tenho!”, no primeiro dia de show da banda emo My Chemical Romance, cujos ingressos supostamente estavam esgotados.
Entro no recinto, e a gritaria era assustadora. Não tinha área para imprensa e, portanto, eu tive de ficar no meio das teens que facilmente poderiam ser confundidas com as fãs de Backstreet Boys, se não fosse pela maquiagem carregada e pela franja característica.

Decido abordar o primeiro grupinho de garotas. Para chamar minha atenção, um grupo de garotos emos bissexuais ficava andando pela pista se abraçando e tentando se aparecer: “olha, somos emos, bissexuais e livres!”. Tento não me distrair com a cena, e pergunto para Mayara dos Anjos, de 12 anos, o que ela espera do show. “Sou muito fã, muito mesmo! E gosto também de The Used e Drive”. Como você conheceu a banda? “Vi o clipe na MTV”. Ah, está explicado. Sua amiga ao lado também tinha 12 anos, porém apresentava um adicional: cabelos rosas e maquiagem absurdamente carregada. Beatriz Lorenço diz que ama My Chemical Romance – chamado de MCR pelos fãs. Ou, para bom entendedor de inglês, “EME-CI-ARE”.
“Não sou emo, hein? Mas gosto de bandas emo. Quanto ao visual, me inspiro na Amy Lee, que não é emo”, esclarece a amiga do cabelo rosa. Sua mãe acompanhava a entrevista (e o show, claro). Parecia ter um tremendo orgulho do fato de sua filha ser “rebelde” – não confunda com Rebelde, aquela novela do SBT que virou banda. As roqueiras teens detestam essa “modinha” de RBD e High School Musical.

Sigo à procura de mais garotas, de preferência mais velhas. Afinal, garotas de 12 anos ainda apresentam uma ausência de atitude mais rock’n’roll, tadinhas. Abordo duas garotas que estavam cochichando algo. Elas tomam um susto, e eu também: embora estejam extremamente emperiquitadas, também só tinham 12 anos. As amigas, envergonhadas ao extremo, não autorizaram seus nomes na entrevista. Eu também não iria citá-las, pela ausência de conteúdo de ambas.

Circulo mais um pouco, já perturbada pelos gritos histéricos das ansiosas eminhas. Eis que entrevisto um garoto, que não quis se identificar. Vinte anos, visivelmente efeminado, ele se dizia heterossexual. Mas também disse que “beijaria” os integrantes do MCR. “O mundo é bi”, garante, enquanto dá um selinho em uma de suas amigas.

Vamos ao show!
Para o bem geral, às 21:30 em ponto, o show começa. Os gritos beiram o insuportável, bem como a quantidade absurda de flashes em direção ao palco. Gerald, o vocalista, entra. Ele até que é mais bonito ao vivo, embora muito aquém de outros vocalistas emo, como o ator/cantor Jared Leto, do 30 Seconds to Mars.
Vestindo uma jaqueta jeans azul e de cabelo preto, Gerald causa tanto furor que muitas, mas muitas meninas desmaiam e são carregadas pelos bombeiros em cadeiras de rodas. Eu vi umas dez garotas, no mínimo. Por conta disso, o vocal pára a terceira música no meio e pede, desesperado, que elas dêem um passo para trás. Afinal, tamanho desespero poderia resultar no mesmo acidente de um show do RBD, ocorrido em 2006 em um estacionamento de um supermercado: três pessoas morreram.
Não sei se a tentativa funcionou, e talvez por isso o vocalista começou a falar vários palavrões – e o público (nem eu) entendia nada, por conta dos gritos histéricos e do som, que estava ruim. Contudo, era só Gerald falar “São Paulo!!”, que as meninas deliravam. Se ele falou “Fuck São Paulo!!”, as meninas iam amar do mesmo jeito. Para se ter uma idéia, a voz dele parecia com a do vocalista do Placebo, Brian Molko, de tão metálica que estava.
Ainda assim, na segunda música eu já estava a fim de ir embora. Não conseguia ouvir a voz dele direito, as meninas gritavam demais. Até dava para notar o esforço de Gerald em animar a galera – nem precisava, mas ok, isso é sempre legal.
Meia hora depois, decidi ir embora. Estou no saguão, quando avisto praticamente toda a imprensa fora do show, batendo papo entre eles. E mais uma galera da imprensa indo embora também. Talvez seja fácil resenhar um show previsível. É errado, mas é verdade.
Na saída, vejo uma garota chorando desesperada em frente ao Via Funchal. Ela tinha vindo de São Luís, no Maranhão, para ver a banda. E não comprou o ingresso, por isso estava ouvindo a banda do lado de fora. Ainda bem, pelo menos ela não vai sair de lá surda, suada ou desmaiada.


Foto: Charline Messa/G1

segunda-feira, junho 11, 2007

Deixa eu brincar de ser feliz

Foi um show emocionante, simples, direto, sem rodeios, sem lágrimas perdidas dos integrantes da banda - mas muito chororô dos fãs.

Parece religião, tamanha a adoração que o Los Hermanos exerce no público. O pessoal imita tudo, tem orgulho em afirmar que só ouve essa banda e que chora toda vez que ouve a tal música. E é essa adulação absurda que me enoja - e, garanto, os próprios integrantes da banda devem odiar também.
Mas devo admitir uma coisa: os caras são bons. Um toque meio Weezer, meio Caetano, meio samba, meio ska, meio Radiohead. É evidente, meio pós moderno. Mas as letras, ah as letras.
Como não pensar que "O Vencedor", aparentemente despretensiosa, esconde uma ideologia ainda mais surpreendente? Que mobiliza multidões?
O forte da banda são, sim, as letras. E olha que eu nem levo tão em conta esse aspecto da música, pois acho que música e poesia são elementos conjuntos, mas não indissociáveis. Uma composição pode ser horrível e ter letra relativamente boa (caso da famigerada Legião Urbana), como pode ser ótima e simplesmente não ter nenhum verso relevante (vide a música eletrônica).
Mas Los Hermanos, fugindo do mercado, com um álbum anti-anti do anti - "Bloco do Eu Sozinho" - que foge totalmente do estereótipo da Ana Júlia do cd anterior, conquista os fãs fiéis, não os descartáveis que procuravam "Anas Júlias" para cantarolar no carro.
Não tinha banda assim no Brasil - em 2001, só dava Charlie Brown, Jota Quest e afiliados.

E, sim, Los Hermanos é minha banda nacional favorita. Acho triste admitir isso, porque não gostaria de ser mais uma chorona no último show dos caras.
Mas não deu, me emocionei nas duas primeiras músicas que tocaram, do "4".
Vai fazer falta a ausência...mas por outro lado, força os fãs mais fiéis a ouvirem pelo menos as influências mais diretas dos barbudos cariocas.