
A decisão da não obrigatoriedade do diploma de jornalismo, reiterada pelas excelentíssimas palavras do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, me deixou um tanto deprimida ontem, sobretudo pelos comentários na blogosfera.
O problema é, com certeza, mais fundo. Os jornalistas, com seus egos inflados, acham que não precisam se sindicalizar e que, contando com seu individualismo, pensa que “enquanto tenho emprego, estou bem”.
Mas essa visão não é somente de jornalistas. Li um artigo do cientista político japonês-coreano Kang Sang Jung sobre o fato de nossas gerações não mais se unirem porque, em uma sociedade individualista, o problema da precarização das profissões e das condições trabalhistas como um todo não é um problema do sistema que a rege, e sim dos indivíduos que estão na massa precarizada. Baseando-se nisso, se você está subempregado ou desempregado, não é culpa de nada externo, e sim culpa sua mesmo.
A crise econômica mundial, iniciada no segundo semestre de 2008, conseguiu reverter um pouco a situação de colocar o sujeito como culpado por um sistema cuja dimensão é maior, pelo fato de muitos serem demitidos por uma força maior – a crise. Ainda assim, nenhuma mobilização pela mudança dessa estrutura que rege os dias atuais foi realizada.
Por outro lado, as pessoas ditas “privilegiadas”, ou seja, empregadas, com altos salários (ainda que à custa da exploração alheia) e fora desse processo perverso e selvagem, são consideradas melhores e não parte da elite opressora.
Meio complexo para ser explicado em poucos parágrafos, contudo trouxe à tona alguns de nossos conflitos atuais – concretizado pela decadência de uma profissão antes glamourizada pelos holofotes da Globo.
E, para ironizar ainda mais meu dia, assisti um seriado chamado Growing Pains, de 1985, que fala sobre a “família estadunidense perfeita”: todos loiros, saudáveis, apaixonados e sem conflitos profundos. Em um dos episódios, a filha de 13 anos (!) queria ser jornalista, e estava concorrendo a um estágio em um jornal – de verdade. A mãe dela, que também é jornalista, disse apenas para ela ler um livro “Introdução ao Jornalismo”, que a aprendiz entenderia como exercer a profissão. Simples assim.
Nos EUA e em grande parte dos países, sequer existe faculdade de jornalismo – pelo menos todos os estrangeiros que conheço estranham quando eu falo que fiz essa faculdade.
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Não explicitei minha opinião sobre a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, não é? Pois bem, embora considere que as faculdades de jornalismo não sejam excelência em ensino, acho que todos perdem: a sociedade, por não terem qualquer legitimação sobre o que lêem, e os jornalistas, por motivos claros.
Entretanto, é mais do que natural de que isso acontecesse, em um país cujo presidente do STF diz que ser médico e engenheiro é mais importante do que ser jornalista. E a profissão dele? Que tal se não exigíssemos mais o diploma também? A que profissão ele compararia? Cozinheiro, com certeza não seria.
Fim da cracolândia?
Há 9 anos
