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quinta-feira, junho 18, 2009

Diploma de jornalismo e a desilusão de uma geração



A decisão da não obrigatoriedade do diploma de jornalismo, reiterada pelas excelentíssimas palavras do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, me deixou um tanto deprimida ontem, sobretudo pelos comentários na blogosfera.

O problema é, com certeza, mais fundo. Os jornalistas, com seus egos inflados, acham que não precisam se sindicalizar e que, contando com seu individualismo, pensa que “enquanto tenho emprego, estou bem”.

Mas essa visão não é somente de jornalistas. Li um artigo do cientista político japonês-coreano Kang Sang Jung sobre o fato de nossas gerações não mais se unirem porque, em uma sociedade individualista, o problema da precarização das profissões e das condições trabalhistas como um todo não é um problema do sistema que a rege, e sim dos indivíduos que estão na massa precarizada. Baseando-se nisso, se você está subempregado ou desempregado, não é culpa de nada externo, e sim culpa sua mesmo.

A crise econômica mundial, iniciada no segundo semestre de 2008, conseguiu reverter um pouco a situação de colocar o sujeito como culpado por um sistema cuja dimensão é maior, pelo fato de muitos serem demitidos por uma força maior – a crise. Ainda assim, nenhuma mobilização pela mudança dessa estrutura que rege os dias atuais foi realizada.

Por outro lado, as pessoas ditas “privilegiadas”, ou seja, empregadas, com altos salários (ainda que à custa da exploração alheia) e fora desse processo perverso e selvagem, são consideradas melhores e não parte da elite opressora.

Meio complexo para ser explicado em poucos parágrafos, contudo trouxe à tona alguns de nossos conflitos atuais – concretizado pela decadência de uma profissão antes glamourizada pelos holofotes da Globo.

E, para ironizar ainda mais meu dia, assisti um seriado chamado Growing Pains, de 1985, que fala sobre a “família estadunidense perfeita”: todos loiros, saudáveis, apaixonados e sem conflitos profundos. Em um dos episódios, a filha de 13 anos (!) queria ser jornalista, e estava concorrendo a um estágio em um jornal – de verdade. A mãe dela, que também é jornalista, disse apenas para ela ler um livro “Introdução ao Jornalismo”, que a aprendiz entenderia como exercer a profissão. Simples assim.

Nos EUA e em grande parte dos países, sequer existe faculdade de jornalismo – pelo menos todos os estrangeiros que conheço estranham quando eu falo que fiz essa faculdade.
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Não explicitei minha opinião sobre a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, não é? Pois bem, embora considere que as faculdades de jornalismo não sejam excelência em ensino, acho que todos perdem: a sociedade, por não terem qualquer legitimação sobre o que lêem, e os jornalistas, por motivos claros.

Entretanto, é mais do que natural de que isso acontecesse, em um país cujo presidente do STF diz que ser médico e engenheiro é mais importante do que ser jornalista. E a profissão dele? Que tal se não exigíssemos mais o diploma também? A que profissão ele compararia? Cozinheiro, com certeza não seria.

segunda-feira, junho 15, 2009

Revolução do Blog - O Caso Petrobrás


Sei que muitos leitores não estão interessados no assunto, mas o caso envolvendo os jornalões e o blog da Petrobrás está dando o que falar. Não leio a Folha versão impressa – por razões geograficamente óbvias – mas acompanho o jornal em sua versão online e notei um aumento nas denúncias envolvendo o PT e a estatal Petrobrás.

O mais interessante é ver que o outro lado também está sendo lido e discutido, ou seja, que a Petrobrás está se manifestando em tempo real por meio do seu blog, não precisando enviar explicações via “Painel do Leitor” e ainda esperar que o jornal deixe o outro se manifestar.

O jornal, obviamente do jeito que se encontra, está chegando ao fim. O mesmo não se aplica ao formato revista, porque, querendo ou não, a experiência do usuário é totalmente diferente no caso desta em relação a aquela.

De qualquer forma, considero que o jornal, se não tornar-se analítico e mais aprofundado, simplesmente irá desaparecer. Isso é bem óbvio.

Eu sou macaca velha e amo jornal impresso, sobretudo porque não suporto ler matérias longas no computador.

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Mas, para não solamente falar mal dos veículos jornalísticos, confesso que, depois de mais de três meses sem ler um jornal de verdade em português, fiquei impressionada com a qualidade dos textos do caderno Aliás, do Estadão.

Um dia, quero escrever como os articulistas daquele caderno.

domingo, março 29, 2009

O futuro do Jornalismo, Lily Allen, O Rappa

Lendo jornais por aqui, vejo que, tanto nos EUA como no Brasil, jornais fecham a rodo. O que eu trabalhava, fechou.

Ora, quem compra jornal hoje em dia? A não ser eu, macaca velha que adora jornal – e não só para embrulhar peixe, mas para ler mesmo – grande parte das pessoas que conheço não lêem jornal. Alegam que podem ler de graça na Internet.

Eu ainda compro o bom e velho jornal, pelo menos duas vezes por semana. E o faço porque sei que vale a pena, que o material tem o mínimo de qualidade desejável para eu me manter informada e entender, pelo menos um pouco, o contexto do que se passa.

E o futuro do jornalismo, pauta de grandes discussões entre os jornalistas? Bom, o jornalismo que a gente conhece não mais existirá, mas considero isso um grande prejuízo a todos, porque é a consolidação da quantidade em detrimento da qualidade. Não estou dizendo que se você não é jornalista a notícia ficará ruim, porém prefiro ler uma matéria de jornal a ficar acompanhando twitteiros cobrindo, por exemplo, um show ou uma sessão da Câmara.

“Agora, Fulano falou isso”
“Cicrano colocou o dedo no nariz. Que nojo”

Esse tipo de asneira corre solto no twitter da vida.

Fatos por fatos, vivo minha vida. A vida exige análises, não somente fatos esparsos.

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Para me autocriticar, também aponto uma outra crise: a musical. É claro que ninguém precisa carregar, no bolso, cerca de 600 músicas de uma só vez, e com qualidade sofrível. O artista se mata para gravar o aí vem um espertinho, pega o cd demo e o distribui na internet, dizendo que está “saindo do forno”. Ora, o CD não está pronto! Mas vazou, e as pessoas não se importam se a qualidade é sofrível ou não, apenas se declaram felizes por terem pego o CD “de graça” – a custo de risco de vírus fatais ao computador, bem como buscas, muitas vezes frustradas, de um álbum apenas audível.


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Ah, só para descontrair e justificar o termo autocrítica dito anteriormente, vou falar o que estou ouvindo:

- Kings of Leon - Only by the Night
- Lily Allen - It's not me, it's you
- O Rappa - 7 vezes

Me surpreendi com a Lily Allen, porque eu a achava pretensiosa demais, uma vozinha tosca e mais uma da geração cantoras inglesas. Porém, me surpreendi: as letras são muito boas e ficam interessantes ao som da melodia, que normalmente não combina muito com o conteúdo da letra - esta, em grande medida, bem pesada. No "It's not me, it's you", você encontra temas como sexo, luxúria, drogas e rock'n'roll. Com uma melodia parecida com..."Smile".

Se você é homem, tenta entender as garotas e não consegue assistir Sex and the City...Bom, ouça "It's not me, it's you". Vai aprender um bocado, principalmente com a música "Not Fair".

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Já o Rappa...os caras são bons, isso todo mundo já sabe, mas esse cd é bom hein? "7 vezes" me surpreendeu, seja nas letras, seja na melodia. Palmas para o baixo, que deixa tudo mais virtuoso. E as letras, claro. O show do Rappa ao vivo já é uma atração aa (não sei usar crase no Mac) parte, imagina com esse cd?

É daqueles álbuns que você ouve uma vez e já curte tudo.
Mostrei a música "Meu mundo é o Barro" para meus amigos japas, e eles imediatamente curtiram. Ao contrário do Tom Zé e Nação Zumbi (minhas favoritas, por ora), que eles acharam um tanto "estranho".


Não tem jeito: acho-a linda!