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domingo, junho 28, 2009

Michael Jackson, três dias depois..


Por coincidência, no dia da morte do Michael Jackson eu estava em Tóquio, sem Internet e qualquer contato com o mundo. No entanto, ao caminhar pelas ruas lotadas da capital japonesa, em todas as lojas que eu passava estava rolando alguma música do “Rei do Pop”. E em todas as capas de jornais e revistas japoneses havia uma foto do MJ estampada na manchete. Aí, eu (juro) pensei:

- O Michael vem para o Japão fazer aquela turnê de 50 shows!

E ficou por isso mesmo, afinal, não tenho a menor vontade de ir ao show de uma estrela que era muito boa no passado, mas que hoje é apenas uma chama que se apagou e se tornou memória nostálgica.

No sábado, estava indo para a estação pegar o trem de volta para Nagoya, e vi um jornal em inglês, cuja manchete era “Michael Jackson is dead”.

Eu, no meio da multidão, dei um grito. Foi um baque tão, mas tão grande, que eu me agachei na prateleira de jornais e comprei o último exemplar do (péssimo) Japan Times, cuja foto de um Michael Jackson branco e raquítico estava estampada.

Inegavelmente talentoso

Tive a fase em que era viciada no Michael Jackson. Lembro que tinha sete anos quando ele veio fazer show no Brasil, em 1993, com a turnê Dangerous. Além do fato de eu não poder ir sozinha ao show, para piorar, meu tio estava com convites para o esse dia histórico, e meus pais não quiseram ir “porque não gostam de multidão”.

Na época fiquei muito triste, e acho que chorei por não estar lá, no meio da galera, cantando Black or White e Bad, minhas músicas favoritas na ocasião.

O jeito era acompanhar o show pela TV, o que eu fiz, freneticamente. Ouvi a fita (!) do “Dangerous”, de 1991, até arrebentar. Nem me lembro das faixas, porém eu ouvia e dançava suas músicas sem apertar o Foward no cassete nenhuma vez.

Duas pontuações:
- nos últimos anos, o rei do pop estava inegavelmente decadente: branco e magro como uma aberração, com fala infantil e aparentemente com ausência de distinção entre sonho e realidade. Vide sua casa em “Neverland”, episódios de pedofilia envolvendo sua pessoa, dívidas e gastos sem noção, abuso de remédios, entre outros.


- No entanto, negar seu talento por conta dos fatos presentes é uma aberração maior ainda, ou melhor, é polemizar sem argumentos contundentes. Michael Jackson é um ícone pop em todos os sentidos: dançava como eu nunca vi em minha vida, cantava e compunha, tinha uma aura e um carisma inegáveis. Por exemplo, a Madonna, considerada a “Rainha do Pop”, não chega nem aos pés dele – ela não é carismática, não dança bem e sua voz não é boa. (Que me perdoe seus fãs, mas ela parece bem arrogante, embora, devo admitir, seja uma mulher muito esperta, do ponto de vista da indústria musical). Já o Michael…não sei, ele realmente não pertencia a esse mundo, pertencia à Nerveland. Não acho que alguém que dance e tenha esse talento absurdo desde menino possa pertencer ao planeta Terra.

Me despeço em ritmo de Moonwalk – andando pela Lua…

Esse post está duplicado neste blog e no meu novo blog – Musicritica.com

O novo blog terá conteúdo exclusivamente relacionado à música pop/nem tão pop assim – embora eu tenha recebido sugestões para escrever sobre outros temas, como cinema e podcasts.

Eu ainda não o lancei oficialmente – mas alguém lance um blog oficialmente? Sei lá, sei que ele já está no ar!
Musicrítica