A pedidos (não é Lara?), vou escrever rapidamente sobre o melhor Congresso da Unesp: o CIC, Congresso de Iniciação Cientifica da Unesp, realizado nos dias 25 e 26 de novembro.
A minha área, de Humanas, aconteceu em Araraquara.
Depois de lead burocrático, vamos ao que interessa: as coisas bizarras que aconteceram durante esses dois dias.
Eu, a Verônica e a Lara (personagens principais da trama. Conto por quê: além de fazermos pesquisas juntas no mesmo grupo, somos amigas) chegamos à Unesp às 4:40 da madrugada. Esqueci, a Lara não. Ela acordou atrasada e chegou de mototaxi, molhada de chuva.
Chegamos ä cidade de Zé Celso, morrendo de sono. A viagem de três horas até que foi rápida, considerando que todos no ônibus roncaram do começo ao fim da viagem.
E em Araraquara começa a confusão, porque estávamos todos com fome, sede, etc. Acontece que todos os 500 participantes de todos os campi da Unesp estavam com fome também.
Ainda bem que tinha o famoso coffee-break (por que a universidade pública adotou esse estrangeirismo ridículo? Não entendi) para alegrar a galera. E o coffe-break era estranho: tinha coxinha, quibe, torta de frango e laranjada. Não, eu não quis dizer que era um coffee-break de pobre, mas vocês não perceberam que coxinha, quibe e torta de frango não são alimentos a serem consumidos às oito da manha, são?
Enfim, mas a fome era grande, justificável. E os garçons foram literalmente atacados pelos estudantes que queriam comer.
Eu e minhas companheiras temos de admitir que, logo após a comilança (comi três coxinhas e um pedaço de bolo), voltamos ao ônibus para dormir. Justificativa: estava chovendo, frio, sono, e um pouco de desinteresse.
Acordamos, enrolamos um pouco pelo campus, e fomos almoçar no RU. Já desanimou, porque tinha uma fila de 40 minutos para comermos a seguinte refeição: espetinho de frango, polenta esquisita, arroz azedo, feijão sem tempero, um monte de tomates. E só.
O que os congressistas pensaram? “A comida do almoço é ruim, não vai ter janta incluída. O que fazer? Comer um monte de coxinhas no coffee-break!”.
Eu pensei isso, pelo menos. Acontece que não fui a única a pensar desse jeito. Às três da tarde, outro coffee-break. E o ataque às coxinhas foi mais violento: os garçons mal podiam passar que eram atacados pelos devoradores de coxinha. Dava para ver a irritação dos garçons diante da selvageria provocada pelos universitários.
Depois de um dia chato, fomos ao alojamento. Umas 350 pessoas para um chuveiro quente. Fiquei mais de uma hora na fila para tomar uma ducha com vários besouros voando em volta de mim.
Como ninguém é de ferro, eu, Verônica e Lara fomos tomar uma cerveja com amendoim frito e gorduroso. Conversamos sobre nossa pesquisa, astrologia, e etc. Fomos dormir, porque no dia seguinte teríamos de acordar às seis da manhã.
Acordamos, e o cardápio do café da manha? Pão com manteiga genérica, laranjada, bolo de caixinha e café azedo.
Ninguém comeu com vontade, imaginando que o coffe-break nos alimentasse devidamente (a Lara não pensou isso, porque ela é vegetariana. Aliás, parabéns à organização por fazer tudo com frango. Com certeza fizeram um acordo com um frigorífico para a alimentação do CIC, dispensando os vegetarianos).
Chegada a hora, uma surpresa: seguranças ao lado das mesas, para evitar que os estudantes se aproximassem antes de os garçons terem servido tudo. Palavras do segurança: “a gente vai gritar JÁ quando estiver liberado. Aí vocês vão poder disputar entre vocês”.
Parecia mais uma cena do Animal Planet. Animais famintos esperando atacar a presa (a coxinha, no caso). Ao soar do sinal, o ataque a coxinhas, torta de frango, quibe sem carne moída (como eu disse, o contrato com o frigorífico não incluía carne, obviamente) não durou mais de 1 minuto.
Nesses dois dias de vandalismo, eu, com minha destreza, só consegui pegar uma coxinha nesse último coffe-break. Mas teve gente que comia três salgados de uma vez, mordia um pedaço de bolo e segurava um copo de suco, tudo junto. Para não perder a boquinha, claro.
Após esse saldo alimentar tão negativo – ainda mais comparado ao Congresso de Extensão que eu tinha ido semana passada -, veio a boa: o trabalho da Verônica foi considerado um dos dez melhores!
Nossa pesquisa rendeu frutos!
Ah é, o parecerista da Fapesp curtiu também o nosso trabalho. Mas eu ainda não li o parecer, portanto, não posso comentá-lo.