Não sei porque eu ainda insisto em conversar com meu namorado chinês. Toda vez que converso com ele via Skype fico deprimida, choro em seguida, e não consigo pensar em mais nada.
O pior é as pessoas falando pra eu “desencanar”, viver a vida, e tal. Concordo com esses conselhos, porque não consigo imaginar uma situação mais difícil do que:
- namorar um chinês que mora no Japão e não fala inglês, nem português.
- E que, para piorar, não tem a menor intenção de vir para o Brasil
O mais razoável é eu viver minha vida aqui, e ele lá.
Há tantas coisas difíceis na vida – trabalhar, dinheiro, família, saúde, relacionamentos – mas a que mais dói, sem sombra de dúvidas, é a dor do amor. Dói, dói muito, faz chorar e perder a fome, faz esquecer do mundo. A dor da saudades também é cruel, parece que corrói por dentro e te aperta em você mesmo.
Quando estou deprimida ajo de duas maneiras: ora travo, fico estática, parada, sem vontade de fazer nada. Ou fico com vontade de sai correndo pelas ruas.
....
Depois de dois meses, estou começando a sentir saudades do Japão. Daquelas pequenas coisas, como:
- Andar de bike de salto alto.
- Dormir no metrô e largar a bolsa sem desconfiar dos outros
- A delicadeza dos japoneses
- Dançar em uma balada de 6 andares
- O silêncio
Saudades é um sentimento que dói muito, nos faz perder o norte das coisas.
domingo, setembro 27, 2009
Saudades que corrói
Leu mesmo?
Tatiana Aoki
às
21:03
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quarta-feira, maio 20, 2009
A marca da comida

É triste confessar que, dentre as coisas de que mais tenho saudades do Brasil, uma das principais é a comida. Triste porque eu deveria dizer que uma das coisas de que tenho mais saudade são as pessoas, o clima, o trânsito e etc. Porém, acho que quem mora/morou fora sabe o quanto a comida dá saudades.
Uma das primeiras coisas que quero fazer ao chegar no Brasil é comer pizza. Ou melhor, comer queijo, qualquer um.
Eu amo queijo (ao contrário da minha irmã, que odeia), e o queijo japonês (se é que ele existe, creio que 90% seja importado) é caro e artificial. Se você quiser comer um queijo de verdade – tipo minas (que não tem por aqui de jeito nenhum) ou parmesão, prepare-se para pagar uma fortuna. Algo em torno de 15 reais por um pedacinho.
Há sabores que marcam experiências, lembram pessoas e lugares, por isso que dá tanta saudade. Às vezes a gente nem quer sentir o gosto da comida, literalmente, apenas sentir a mesma sensação vivida no momento em que mastigou/bebeu.
Felicidade pela cerveja com batata frita no Happy Hour, pelo pão de queijo com catupiry da padaria, pastel de feira com gosto de trânsito e barulho, banana a preço de banana comprada na pechincha do mercado favorito.
Outra coisa que quero muito fazer é comer Torcida tomando cerveja em uma mesinha de plástico, com marca de cerveja estampada em todos os lugares possíveis.
Eu sinto o cheiro do meu pão – em São Paulo, eu mesma fazia e assava o pão que eu comia –, que eu mastigava lendo jornal, todos os dias.
Ainda faço isso aqui, porém leio um jornal em inglês que parece o site da Reuters versão impressa – Japan Times. Fraco, mas não tenho opções. Como não tenho opções de queijo.
Se nos alimentássemos somente de pílulas, será que teríamos saudades delas? Provavelmente teríamos noção de que temos saudades somente dos fatos gostosos que acompanham as pílulas.
Leu mesmo?
Tatiana Aoki
às
10:10
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sexta-feira, maio 23, 2008
Pequenas impressões
Voltei a Bauru depois de mais de dois meses.
A cidade é calma e quente.
Olho para os lados e as pessoas andam devagar; não há muitas filas nos mercados, e a iluminação da cidade é precária à noite.
A manicure é mais barata, a comida e a bebida são mais baratas.
Ainda sinto saudade.
Leu mesmo?
Tatiana Aoki
às
13:03
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