
Depois de tomar um café da manhã delicioso e de ler o jornal de domingo, pego minha bicicleta e ando por mais ou menos duas horas seguidas para encontrar meus amigos. Vamos ao Festival dos Sonhos, com shows de David Bowie, Tom Zé, Talking Heads, Pink Floyd e Nação Zumbi. Depois da maratona musical, regada a muita água, cerveja, risadas e fotos bizarras, volto para casa de bicicleta e encontro meus pais. Jantamos juntos, vamos ao cinema e compro donuts, balas carameladas e suco de goiaba para saborear durante um filme do Wes Anderson.
Chego em casa e entro na Internet. E não é que fui selecionada como uma das melhores blogueiras do mundo?
Seria um dia perfeito em um lugar perfeito. Alguém me leva?
domingo, novembro 30, 2008
Docinhos e felicidade
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Tatiana Aoki
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Marcadores: dia perfeito, sonhos, tudo de blog
sábado, novembro 29, 2008
Novo!
Eu disse que ia mudar esse blog...
Daqui a menos de um mês, o Vitaminab fará 4 aninhos. Quem diria que ele resistiria a crises de identidade, Unesp, trabalho, mudança de cidade, de país, despedidas, criações de milhares de novas contas em blogs e outros sites inúteis, mudança de emprego em um país estrangeiro, Orkut, brigas por posts idiotas, etc etc.
Bom, não vou mentir que só fiquei o dia todo em frente ao PC em uma tarde/noite de sábado porque estou em um frio de oito graus. Ninguém merece sair de casa - quer dizer, confesso que dei uma voltinha de bicicleta hoje e que fiz aula particular de japonês com um amigo meu.
Mudanças no template novamente, só daqui a um ano. Ou até algum designer se prontificar a fazer um layout maravilhoso, digno de um site consagrado
Eu fiquei mais ou menos um mês visitando blogs (antes de sair a lista da Época), e vi que a maioria é bem simples, porém com conteúdos extremamente relevantes. Por isso, atentem-se e reclamem apenas dos textos, ok?
Eu "prometo"
- colocar mais fotos do Japão estou sem máquina, mas beleza
- colocar mais links
- comentar os comentários
- linkar blogs legais
- atualizar mais frequentemente
- usar a nova gramática da língua portuguesa que saco
TscTsc.
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Tatiana Aoki
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09:25
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Marcadores: blog, novo layout, Vitaminab
sábado, novembro 22, 2008
Passando frio e calafrios no Japão
Ando pelas ruas de Nagoya e só dá eu de estrangeira. Uns 60% das pessoas me olham descaradamente e diariamente. Irrita?
Cansa ser estrangeiro no Japão, um país que ainda consegue fugir da globalização étnica. Já li artigos em que, se o Japão não mudar, os estrangeiros nunca aguentarão viver aqui para sempre, e é verdade – 90% dos estrangeiros não têm intenção de morar aqui para sempre. Se moram, é porque se acostumaram a sofrer preconceito e a se sentir Ets.
Eu sou mulher, estrangeira e moro sozinha. Isso é um prato cheio para os japoneses me odiarem secretamente.
........
Estou viciada em um salgadinho de banana, além de outro de kiwi, outro de manga...Além do doce de feijão, meu favorito sempre. E como muita fruta aqui, embora seja cara pra caramba e me faça dispender alguns ienes a mais.
.......
E alguém de salva desse frio insuportável? Já estou vivenciando temperaturas de quatro graus. Quando morava em Bauru, sempre afirmei que odiava o calor, porém não tem nada pior do que o frio. Não o frio do Brasil, que é ótimo, mas o frio do Japão, e sabe por quê? Aqui o povo não sai do aquecedor nunca, e assim a gente tem que usar roupas “adequadas” o tempo todo, ou seja, a camiseta, a calça, a blusa, enfim, tudo tem que estar relativamente bonito para ser mostrado a qualquer momento. Todas as lojas estão programadas para ter uns 24 graus, aí você entra na loja vindo de um frio de três graus e com roupas adequadas para caminhar num ambiente congelante, e de repente começa a querer tirar tudo, de tanto calor.
Era bom quando eu usava o pijama por baixo da roupa nos dias frios...
....
Aventuras de metrô.
Que os japoneses são seres pervertidos, isso acho que todo mundo sabe. Acontece que locais com grande concentração de pessoas, sobretudo vagões de trens e metrôs, são os locais perfeitos para a ação dos “pervas” - isso inclui mulheres também. Eu ainda não tive a felicidade de ter um pervertido me enchendo a paciência, porém já ouvi histórias muito bizarras dentro dos vagões – sim, todo tipo de perversidade, porém a mais comum é aquela em que os homens tiram fotos das calcinhas das japonesas. Isso ocorre porque, mesmo no frio congelante, as japonesas usam minissaias curtíssimas, de causar inveja às funkeiras. Com a diferença de que aquelas são magrelas, então não fica tãaaooo vulgar. Ah, fica sim.
Quando (e se) acontecer algo comigo, vai apanhar. E vou contar aqui, lógico!
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Tatiana Aoki
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08:00
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Marcadores: frio, Japão, pervertido
domingo, novembro 16, 2008
Ainda dá tempo para fazer alguma coisa?
Como me mudei recentemente para o Japão, parece que o meu ano está apenas começando, ou seja, ainda tenho tempo para milhares de coisas.
Só que, cronologicamente, o ano está acabando, por isso:
Ainda dá tempo de fazer as coisas simples, que sempre são postergadas, como trocar os móveis de lugar, ajeitar aquelas cartas esquecidas no armário e deixar seu ambiente de estudo mais agradável. Realizar grandes empreendimentos no final do ano pode ser frustrante, porque é na reta final que conseguimos fazer um balanço do que passou e também estabelecer as grandes metas para o ano seguinte. O ideal é apenas aparar os pequenos defeitos para criarmos novas coisas de forma substancial.
Mas é claro que esse “conselho” óbvio não vale para o Barack Obama. Meu filho, nestes dias finais de 2008 é bom você corrigir o incorrigível, viu?
No meu caso, acho que ainda tenho tempo de reformular meu blog. Acho que é minha maior meta até o final do ano. Fora isso, apenas tento viver meu cotidiano da forma mais positiva possível, analisando o que deu errado em 2008 para acertar em 2009.
E meu conselho final é o seguinte: em 2009, não pense muito no futuro, porque o bicho vai pegar. Palavra de quem está morando no bloco dos G7 e vendo que o negócio está pior do que o Crack de 29.
Por falar em eleições e Barack Obama...
Tendo um japonês medíocre, tento assistir aos telejornais diariamente. Durante as eleições, percebi nas entrelinhas que os japoneses eram a favor do Mccain e morriam de medo de Obama. Bom, era apenas uma suposição porque, se já é difícil entender o posicionamento da grande mídia brasileira em questões delicadas, que dirá depreender o que pensa a mídia japonesa.
E não é que eu acertei que os japoneses estão morrendo de medo do Obama? Li vários artigos sobre isso depois que ele foi eleito.
É, a mídia PIG não muda, em qualquer lugar do planeta.
Para finalizar, minha foto tosca sobre minha visão do Japão. Vou concorrer em concurso, blergh!
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Tatiana Aoki
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03:03
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domingo, novembro 09, 2008
Devaneios de uma péssima cozinheira...
Eu nunca gostei muito de cozinhar – prefiro comer - , porém a necessidade vai além da alternativa “querer ou não querer cozinhar”. Tenho que cozinhar ou eu morro de fome, ponto.
Ok, toda semana vou a um mercado e a uma barraquinha comprar a comida da semana, que normalmente inclui: pão, queijo, leite. Três itens indispensáveis na minha alimentação, desde que saí da casa de meus pais, em 2004. Pode ter certeza que, se um dia você vier à minha residência, encontrará os três itens sem exceção. Ah, e o café, claro, embora este demore bastante tempo para acabar.
....
Acabei de terminar de fazer as marmitas da semana, por isso estou fedendo a brócolis, cenoura e peixe. Além do arroz. Acontece que, toda vez que cozinho, faço algo de errado. Por exemplo:
Cozinhei as cenouras sem descascá-las. Agora, terei de comê-las com aquela casquinha suja – afinal, elas foram tiradas da terra. Blergh!
Cozinhei demais o peixe, e esqueci de colocar sal ou qualquer outro tempero. Ficou esquisito.
Para o desespero de minha mãe, eu digo a ela que como basicamente a mesma coisa por uns cinco dias seguidos. Além disso, nunca tempero a comida, só coloco um sal e já era. Eu ainda acho que, quanto menos temperos, melhor. Por quê? Porque quando eu como fora, tudo é delicioso.
Mesmo assim eu prefiro comer em casa a comer fora, porque as comidas do Japão são lotadas de conservantes. Se eu tomo sucos de caixinha ou como fora, nascem espinhas imensas e em lugares bizarros, como no meio da testa ou do queixo. Juro.
....
Quanto às bebidas alcoólicas, confesso que não gosto de quase nenhuma por aqui. A cerveja é terrível, não gosto de saquê e os drinques são caros e impossíveis de deixar qualquer um bêbado.
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Tatiana Aoki
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04:30
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terça-feira, novembro 04, 2008
Interessou?
Novembro, Dezembro...
Este blog fará quatro anos!
Quem diria que ele me acompanhou por praticamente toda minha vida universitária, e agora nesta nova etapa de minha vida.
Vou mudar algumas coisas por aqui – talvez o endereço, talvez toda a estrutura...Estou pensando com meu cérebro que insiste em se manter “ocupado demais para pensar nisso”, porém ainda quero realizar mudanças em meu blog e torná-lo mais profissional e menos confessional. Se bem que, para isso, ultimamente tenho escrito em meu diário.
..........
Devo admitir que, depois de vir ao Japão, venho acompanhando mais fatos de relativa importância. Hoje não tenho o menor interesse na vida das celebridades, que dirá em fatos violentos ou curiosidades cotidianas.
Acho que vou promover uma campanha: por um jornalismo de relevância!
Antes de clicar em uma notícia, pense no seguinte:
Pra quê saber se a Ivete Sangalo perdeu o bebê ou não?
O que o novo lançamento dos cinemas tem a lhe acrescentar? Por quê não ver o clássicos primeiro? Ou, melhor ainda, ver o que realmente lhe interessa?
E pra quê saber se o pai matou os filhos e se enforcou depois? Essa necessidade de saber da vida alheia te deixa mais ou menos infeliz?
Não estou dizendo para viver em um isolamento e em um refratário blasé, porém acho que está na hora de sabermos que realmente repercute em sua vida. Fatos maiores que repercutem em seu cotidiano, entende?
Neste momento, leio obcecadamente as notícias da crise norte-americana (que agora está mais do que mundial), bem como as eleições do mesmo país. Por quê? Porque o meu futuro realmente está intrínseco a esta eleição. Infelizmente, moro em um país ultradependente dos EUA.
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Tatiana Aoki
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11:49
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quarta-feira, outubro 29, 2008
Namorico de portao
Aos 12 anos, vejamos...
Eu gostava de jogar futebol, volei e dancar Spice Girls em frente ao espelho
Dava meus primeiros passos no jornalismo
Gostava de ir ao shopping para tomar sorvete com as amigas do predio
E...Nunca havia beijado
Bem, esta era minha realidade aos 12 anos. Porem, no caso Eloa e seu namorado doidinho, que nao acompanhei direito, ela ja tinha um relacionamento aos 12 anos, e ele, 20 anos.
Uma garota que namora um rapaz de 20 anos sabe que nao esta para o tal do namorico de portao. Afinal, quando se tem ate 18 anos, 1 ano de diferenca faz toda a diferenca. Sim, acho muito cedo namorar aos 12, sobretudo quando seu parceiro tem 20 anos. Esse lance de que idade nao tem limites quando o assunto e amor e uma lorota, quando se tem diferencas psicologicas muito claras, ou seja, a mentalidade de alguem com 12 e 20 anos e completamente diferente.
Quando se tem 20 e namora-se alguem de 50 anos, a coisa muda de parametros, porque deduz-se que alguem de 20 anos saiba ao menos como lidar com pessoas. Aos 12, nao importa a exposicao sexual que a midia e a sociedade promova, somos absolutamente retardados, essa e que e a verdade.
Mas tambem nao vou dizer que a namorada assassinada era santa. Aposto que ela ja sabe muito mais de relacionamentos do que eu, aos 22 anos, sei.
E engracado como as coisas simplesmente nao repercutem por conta da distancia geografica. Eu nao acompanhei e nao tenho o menor interesse em saber detalhes do sequestro da garota. Parece que, quando estamos fisicamente longe de um local, selecionamos melhor a noticiabilidade das coisas.
Afinal, para que saber se o cara e louco ou nao? Isso realmente te acrescenta algo?
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Tatiana Aoki
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quinta-feira, outubro 23, 2008
Prato Feito

Depois de mais de um mês comendo apenas arroz, peixe, missoshiro (sopa de composto de soja) e moyashi (broto de feijão), já tinha até esquecido da comida brasileira e realmente acostumado com a japonesa.
Eis que revelo para meu amigo Yuji que fazia mais de um mês que eu não comia feijão. Ele, que é fanático por feijão e bife acebolado, ficou assustado pela minha abstinência e me chamou para comer em um restaurante brasileiro.
Pedimos o prato mais elementar da culinária brasileira: arroz, feijão, bife acebolado, salada e batata frita. Além de suco de goiaba para beber.
Confesso que fazia tempo que não tinha a sensação de estar "satisfeita", parece que não iria comer por, pelo menos, umas cinco horas seguidas. A comida brasileira é daquelas que enche mesmo, e serve para pegar na enxada sem cansar ou passar mal. Já a comida japonesa é leve demais, porque depois de cerca de três horas estamos novamente com fome.
Mas acho que o que contou mesmo foi a saudade. Saudade da fartura de comida, do feijão caseiro e do aconchego de casa.
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Tatiana Aoki
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21:23
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domingo, outubro 19, 2008
No balancê
Já que estou em fase de mudanças, vou fazer um pequeno balanço do que gosto e não gosto no Japão nestes 2 meses e meio.
Comidas favoritas:
Além do tradicional sashimi (ou peixe cru), ando viciada em algumas coisinhas, como um salgadinho de castanha portuguesa, manjus (doce de feijão, que ainda é meu doce favorito) e a maçã japonesa é simplesmente divina. Esses estão sempre na minha despensa.
Também sempre compro moyashi (broto de bambu), onigiri (uma espécie de sanduíche de sushi) e caqui. E, sempre que posso, faço um missoshiro (sopa de soja).
Experiências nem tão boas...
Comi ovas de peixe (cruzes), pudim de ovo, o miojo é tão ruim quanto o brasileiro, comida apimentadas, sushi com maionese.
Lugares para ir:
Admito que adoro um karaokê, porém estou enjoando de tanto ir. Normalmente vou ao Hub, um pub que tem vários estrangeiros. No mais, bem...não faço muitas coisas além disso, por falta de grana e de vontade.
Correr em volta do templo é uma das coisas que mais faço. Antes eu andava de bicicleta por diversão, porém hoje eu ando mais como meio de transporte mesmo.
Compras:
Não tenho comprado muitas coisas, porque ultimamente acho meio ridícula essa onda de consumismo que assola os japas, mesmo com a crise econômica mundial.
Como o caderno Vitrine, da Folha, vou listar as dez últimas coisas que comprei:
1 - Batom da Shiseido - uns 20 reais
2- Castanha Portuguesa - não mais do que dois reais
3- Desodorante - 15 reais.
4- Fio dental. 10 reais. Caro pra c$$$$, mas não dá para ficar um dia sem.
5- Durex. 10 reais. Para embalar as coisas.
6- Café. 10 reais. Nescafé, porque eu só tomo café com leite.
7- Gelatina. 2 reais. É esquisita, mas dá para levar na bolsa e mata a fome rapidamente.
8- Alface americana. Menos de 2 reais. É mais barato do que no Brasil.
9- Sapato. 2 reais. Juro. É usado. Quem tem nojo não sabe o que está perdendo. Comprei várias roupas, nenhuma mais do que 20 reais.
10- Folhas sulfite. 2 reais, com 100. Outro item indispensável a jornalistas e odiadores de leitura em frente ao ecrã.
.....
Coisas que odeio no Japão:
- adoram estadounidenses e tudo relacionado a eles, sobretudo o status chamado Starbucks.
- renovam todo o guarda roupa a cada estação.
- o andar torto das japas
- a vozinha de criança que algumas japonesas fazem
- mariposas invadindo minha cidade
- a poluição sonora de cidades grandes beira o insuportável
- o excesso de tranqueiras à venda, como um produto somente para limpar a quina da mesa, por exemplo
- os japoneses não são cavalheiros
Coisas que adoro:
- a segurança
- poder andar em qualquer lugar do Japão apenas usando trem
- a comida é muito boa
- bicicleta
- atendimento impecável
- se você fuçar, encontra oportunidades incríveis
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Tatiana Aoki
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08:04
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quarta-feira, outubro 15, 2008
Perdoar faz bem para a pele...
Relaxe os pés e curta a vida...
Perdoar tem muito a ver com tolerância, em tentar entender a mente de outrem. No entanto, quando estamos no meio da turbulência, fica difícil enxergar como se estivéssemos de fora da situação.
Cada erro tem uma proporção, e acho que a melhor forma de perdoar é enxergar do lado de fora, como se fôssemos uma outra pessoa mesmo. Exemplos:
- O cara te traiu com outra. Ele estava bêbado? A menina estava muito insinuante? Será que ele realmente valia a pena?
Pensar em pontos básicos ajuda bastante, porém isso só deve ser feito quando estivermos de cabeça fria (ou menos quente, pelo menos).
- Ferraram com sua vida e te deixaram na mão. Tem coisa pior do que isso? Você deposita sua confiança em algo e, de repente, se frustra de maneira irreversível. Só que, como diz um grande indivíduo que conheço, "a crise muitas vezes significa oportunidade". É nos momentos de crise que revemos nossos conceitos, com possibilidades de mudar drasticamente - frequentemente para melhor.
- Traição em família. Dizem que isso é imperdoável. Discordo porque, na verdade, não devemos levar nossa família tão a sério assim. Familiares não são divindades, portanto, são suscetíveis a erros. Simples.
Tudo isso já aconteceu comigo, e ainda vai acontecer. Se fôssemos ficar remoendo e sentindo rancor de todas as mancadas, melhor virar ermitão. Fora que, quando perdoamos, nos sentimos melhores, mais lindas, leves e soltas. E tem coisa melhor do que deixar o inimigo perceber que estamos bem, apesar de tudo?
Acho que essa é a melhor vingança: superar a traição e, para piorar, perceber que ainda o perdoamos.
I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say you're sorry
I've heard it all before
And I can take care of myself
I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say 'forgive me'
I've seen it all before
And I can't take it anymore
Gomenasai = "Forgive me"/"sorry" in japanese
Mujhe maaf kardo = "Please forgive me" in Hindi Isheik
prashau = "go out, please" in lithuanian
Sleechah = "I am sorry"in Hebrew
Forgive me...
Por coincidência, ouvindo essa música da Madonna. Total coincidência mesmo, porque fazia mais de um ano que eu não ouvia Confessions on a Dancefloor.
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Tatiana Aoki
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domingo, outubro 12, 2008
A maçã, versão 2.0

Mais uma da maçã no Japão.
Putz, lá vai eu, de novo, com fome às 19h, comer uma maçã na estação de metrô. A maçã é basicamente o dobro da brasileira, mas eu nem liguei. Comecei a comer ali, parada, esperando meu amigo para fazer uma matéria. Todos os japoneses que passavam me olhavam, como se eu fosse uma verdadeira ET.
Eis que um japa, de uns 23 anos, se aproxima de mim e fala:
- A maçã está gostosa?
- Sim.
Ele pára, abre a carteira, mostra um dinheiro e diz que quer beber saquê comigo. Eu, que entendo japonês porcamente, disse que não havia entendido. O japinha responde:
- Me dá seu telefone?
- Por quê? Não, nem te conheço.
- Por favor!
- Não. Não posso.
Ele guarda a carteira e vaza, reclamando algo que não entendi.
O que ele pode ter pensado:
1) "Ela é uma louca que come maçã na rua, por isso vou puxar conversa." (Um amigo meu, da Indonésia, me disse que os japoneses não comem nada com casca por causa dos agrotóxicos)
2) "Ela é uma prostituta comedora de maçã." (Afinal, porque ele abriu a carteira e me mostrou seu dinheiro?)
3) Ele apenas estava me chamando para beber. (O cara estava a fim de molhar o bico e não sabia com quem poderia fazer isso)
4) Ele estava apenas me flertando. (A maioria me disse isso. Os japoneses realmente não sabem como xavecar, e inventam qualquer coisa para puxar assunto)
Sinceramente, acho que foi a resposta 1 ou 2. E vocês?
Coloquei o Ringo Starr comendo maçãs porque Ringo significa maçã em japonês. DErrrrrr
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Tatiana Aoki
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02:48
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sexta-feira, outubro 03, 2008
Os padrões de beleza pelo mundo

No Brasil, mulher gostosa é aquela com peitão, bunda e coxas. Já ouvi diversas vezes amigos meus dizerem que "quem gosta de osso é cachorro", entre outras frases batidas. Para uma mulher se manter nos padrões de qualidade brasileiro, ela deve comer moderadamente arroz, feijão, bife e um chocolatinho de sobremesa. Rola de ter um corpão desse jeito.
Agora, no Japão, a coisa muda. Um japonês me perguntou o seguinte.
Japa: - As brasileiras, no carnaval, ficam peladas, né?
Eu: - Nem todas, claro. Elas usam pouca roupa e tal, fazer o quê, é a festa...
Japa: - Mas elas não vergonha? São muito gordas para ficarem peladas!
Bem, por aí já se vê as diferenças.
As japas aqui não saem da dieta: comem muito pouco, muitas sofrem de anorexia, e o padrão considerado ideal é ter, pelo menos, 15 kg a menos do que a altura. Por exemplo, se eu tenho 1,65 tenho que pesar, no máximo, 50 Kg. Até aí, tudo certo. O problema é que as japonesas (ao contrário dos japoneses) são baixas, com altura média de 1,55m. Aí que entra a história: elas pesam cerca de 40kg, para menos!
Muitas tomam sopa, chá emagrecedor, entre outros truques para perder peso. Outro dia, uma celebridade declarou que emagreceu 7kg depois de comer banana no café da manhã. Está difícil encontrar banana no mercado...
Vou dizer que me sinto mal às vezes ao ver mulheres tão magrelas porque, na real, acho que grande parte das garotas desejam ser magrelas (e não só magras). As roupas caem melhor, você se sente melhor. Para me cuidar, eu tento correr umas quatro ou três vezes por semana, mas não cuido muito de minha dieta. A sorte é que eu adoro salada e prefiro vegetais cozidos a uma fritura.
Agora, meu mal são os doces. Ah, mas o próprio nome diz: DOCE. É uma das melhores coisas que existem.
Como 90% das mulheres, gostaria de perder uns dois quilos. O problema será quando voltar ao Brasil e ter de aturar coisas como "afe, preferia você antes!", enquanto que, aqui, meu peso será normal.
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Tatiana Aoki
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02:44
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quinta-feira, outubro 02, 2008
óiaaa o Terremoto!
Estou eu, feliz, em frente ao computador, quando tudo começa a balançar. Me seguro no teclado, começo a tremer de medo e, após cerca de 15 segundos (que parecem uma eternidade), a tremedeira pára.
Eu já senti terremoto umas três vezes, mas que esse deu medo, deu. Porque é forte, parece que a terra vai cair e não há nada a fazer - eu não tenho treinamento contra terremotos, não tenho o tal do "kit sobrevivência", ou seja, se rolar, já era.
Mas um outro terremoto já caiu sobre minha vida, e agora estou enfrentando um furação. Vamos ver se sobrevivo a isso também, nem eu sei, porque fenômenos dessa natureza não são fáceis de prever.
Cenas de um próximo capítulo...
E para os bons entendidos, esta semana (e todas as outras desde que eu cheguei) tem sido intensa. Na verdade, parece um sonho quando algumas coisas que você deseja há um tempão finalmente acontecem.
= Se você me conhece bem, compreenderá as aleatoriedades seguintes:
Bodysnatchers, There There, Everything in its right place, Nude, Idioteque
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Tatiana Aoki
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21:40
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domingo, setembro 28, 2008
Ouvindo Mp3, tomando café e se alienando
Acabei de comer coxinha, bolinha de queijo e risólis. Isso é muito bom, não tem nada parecido aqui no Japão. Tem uns nuggets e umas friturinhas bizarras, que não chegam nem perto da boa e velha coxinha brasileira. Embora eu deva admitir que a comida japonesa é muito boa - melhor que a do Brasil.
Fazia um tempo que eu não postava sobre minhas desventuras no Japão, mas é que ando tão ocupada e preocupada que acabo pensando em tudo, menos em escrever aqui. Isso é péssimo, vou voltar a escrever, porém começo a pensar nas minhas pendências profissionais e acabo desistindo.
Aqui esfriou bastante, do nada - de 30 graus em uma semana, caiu para 15 na semana seguinte. No Brasil isso é normal, mas não no Japão, cujas estações são bem definidas. O engraçado é que eu literalmente posso aposentar por uns 4 meses minhas saias, regatas e sandálias de verão. Não irei usá-las por um bom tempo - até março de 2009.
Hoje eu fiz algo que simplesmente amo: fui a um café, tomei uma xícara de expresso, comi um donuts e fiquei escrevendo no meu caderno.
E, claro, fiquei pensando: esse conforto presente na vida de todo japonês faz com que nós nos alienemos de uma maneira absurda!
Eu tenho certeza de que a maioria dos japoneses não tem idéia do que seja passar necessidade.
Aqui, nos finais de semana, todos os japoneses vão às compras, comem em restaurantes, gastam à vontade.
As japonesas são seguidoras fiéis das revistas femininas (cujo conteúdo escrito é inexistente, apenas fotos com modelos mostrando as novas tendências das passarelas e dos cabeleireiros): saiu na revista, elas vão correndo comprar roupas, acessórios, produtos para cabelos, etc.
Eu ri muito quando vi que, assim que o outono entrou, na semana passada mais ou menos, todas as japas estavam usando botas horríveis estilo caubói, lenços no pescoço e coletes curtinhos - tudo como mandam as revistas.
Pior é ver as japonesas colando cílios postiços no metrô, bem como se maquiando, pintando as unhas...
Ou então os jovens tomando café no Starbucks (como ditam os filmes hollywoodianos) e comendo bolos franceses.
Bem, o mundo da fantasia é real aqui no Japão. Enquanto isso, 4 bilhões vivem em pura miséria.
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Tatiana Aoki
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10:45
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domingo, setembro 21, 2008
Show do Weezer: sentados e batendo palmas.
única foto que consegui tirar de maneira decente (é proibido tirar fotos no show)
Sonho de toda fã de Weezer é ouvir o Rivers Cuomo bem nerd, de óculos, cantando Buddy Holly de um jeito tímido enquanto a galera pula feito louca na platéia. Certo?
Bem, seria isso se eu tivesse ido ao primeiro e único show do Weezer no Brasil, em Curitiba. Disseram que foi um dos melhores shows do Weezer, mas o perdi, então fui onde tive a primeira oportunidade: no Japão, em Nagoya (capital de Aichi, a província com maior concentração de brasileiros no Japão).
Peguei o metrô ouvindo o Blue Album só para entrar no clima e, chegando ao local, vejo uma multidão de japas indies devidamente equipados para o show, que iniciaria numa terça, às 19h. Levavam bebidas e alguns petiscos, usavam camisetas criativas do Weezer e apenas os garotos (a grande maioria presente) usavam tênis - as meninas montaram no salto e abusaram da maquiagem.
Após entrar em uma fila devidamente organizada e sem chance de "furões", a platéia entra no auditório, com cadeiras acolchoadas e marcadas previamente. Mas, antes, uma outra fila. Meio aborrecida, entro logo atrás e eis que, dez minutos depois, percebo o que era a tal fila: apenas dava para a loja de souvenirs, para que todos comprassem camisetas, cds, faixas, entre outros. Se fosse no Brasil, a loja estaria às moscas. No entanto, como todo japonês que se preza, consumir é uma das coisas mais divertidas.
Saio da fila, procuro minha cadeira enquanto visualizo os japoneses vestindo a nova aquisição - uma camiseta preta escrita "Weezer Japan Tour". Todos usavam a tal camiseta recém-comprada, parecendo um uniforme ou uma condição para se entrar no local. Vestindo uma regata vermelha, acho meu lugar - entre japoneses que vão sozinhos ao show e ficam quietos e sentados esperando o início. As cadeiras são extremamente pequenas, e alguém com o quadril da mulher melancia nunca conseguiria sentar no banco.
Com apenas um segurança em frente ao palco, Rivers Cuomo aparece bem antes do início, e senta-se na lateral do palco. Os japoneses começam a dar tchauzinho para ele e, só após certo tempo, percebo que o vocalista estava andando tranquilamente entre o público, sem ninguém tentando agarrá-lo ou algo parecido. Apenas "tchauzinhos", alguns sorrisos e nada de fotos ou celulares sendo disparados - ambos são terminantemente proibidos durante o show.
Bem à vontade, Cuomo começa a falar japonês com certa desenvoltura e, em seguida, uma banda de japoneses entra na lateral do palco, portando baterias improvisadas e violões. Os japoneses e Rivers começam uma sessão acústica e, em seguida, a banda toda entra. Dá-se início ao show.
Com a banda e os japoneses, Cuomo canta enquanto caminha pela platéia, e já manda a bonitinha Island in the Sun, seguida de El Scorcho. Para finalizar a sessão calmaria acústica, tocam Beverly Hills. A banda se despede dos convidados, sai da lateral do palco e vão tocar no palco principal o que todos querem ver: a versão rock.
Os japoneses, empolgados, finalmente se levantam com Dope Nose, do Maladroit. Segue com o mais novo single do Red Album, Pork and Beans. A qualidade do som do local impressiona, e fica ainda mais visível quando tocam a terceira música, Hash Pipe, um dos clássicos do elogiado Green Album.
Os caras mostram que têm talento quando trocam de instrumentos e de vocais entre si. Em Automatic, do Red Album, Rivers vai para a bateria e Patrick Wilson, o baterista, vai para o vocal e guitarra. Embora seja muito boa, a música dá uma esfriada no público, que anima novamente quando inicia My name is Jonas, outro clássico do Blue Album. Pausa para o bis, e os japoneses batem palmas intermitentemente até a banda voltar. Cuomo, de shorts e meias altas, coloca um chapéu de caubói e volta ao palco, bem no estilo "nerd sim, e daí?".
Em japonês, Cuomo adverte que é a primeira vez que eles tocam The Greatest Man That Ever Lived, uma das melhores do Red Album. Segue com a fraca Perfect Situation e a divertida Troublemaker, e pausa para mais um bis. Desta vez, aparentemente o show acabaria, mas a galera não pára, principalmente a meia dúzia de americanos e canadenses, que gritavam por todos os japoneses.
Os integrantes voltam e tocam a música que uma canadense ficou pedindo durante todo o show: Undone -The Sweater Song. Logo em seguida, o cover da manjada We Will Rock You, do Queen. Aí, dava pra perceber que o show ia acabar, mas os japoneses não sossegaram de bater palmas até que as luzes se acendessem.
Embora a platéia faça toda a diferença para o sucesso (ou não) de um show, o Weezer tocou todas as músicas com perfeição e soube dosar hits com as novas do Red Album.
Set List:
Acústicos
Island in the Sun
El Scorcho
Beverly Hills
Versão tradicional
Dope Nose
Pork and Beans
Hash Pipe
Suzanne
Buddy Holly
Pink Triangle
Automatic
Say It Ain't So
Keep Fishin'
My name is Jonas
The Greatest Man That Ever Lived (Variations on a Shaker Hymn)
Perfect Situation
Troublemaker
Undone -The Sweater Song
We Will Rock You (cover)
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Tatiana Aoki
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Marcadores: Nagoya, show Rio de Janeiro, Weezer
terça-feira, setembro 16, 2008
Pink Floyd com Calpis

Por tempos, meu integrante favorito. E agora, mais um que falece de minha banda favorita. Richard Wright, fundador do Pink Floyd, morre aos 65 anos de idade, em uma batalha contra o câncer. Fiquei chateada e um pouco chocada, mas algo me deixou mais estarrecida do que esse fato.
Percebeu a quantidade de pessoas que estão sofrendo/falecendo de câncer?
Não sei se é porque assisti ao documentário The Corporation ou Super Size Me, porém tenho certeza de alguma coisa: estamos ingerindo o quê, afinal?
Tá, os conservadores de plantão dirão que "são as drogas, afinal, todo artista é drogado". Acho que o buraco é mais fundo. São as comidas, bebidas que ingerimos.
No Japão, que é o cúmulo dos artificialismos alimentares, eu posso tomar uma bebida (se é que pode ser chamado de bebida) que parece um Yakult de 500 ml. É branco, meio leitoso, com gosto de Yakult. O que tem dentro? Não tenho a menor idéia - e ai de quem se submeter a descobrir.
Aqui, os limões, laranjas, mexericas, melancias, maçãs, não têm sementes. Isso que são "da natureza". Frangos alimentados com muito hormônio, leite enriquecido com vitaminas e muito, mas muito conservante (onde já se viu um leite durar um ano? Como podemos achar que ele veio "direto da teta da vaca"?)
Posso estar no impulso do fato de o tecladista do Pink Floyd ter morrido de câncer. Mas, pensem bem: muita gente está sofrendo de câncer nos últimos anos.
Li uma pesquisa que perguntava às crianças: "Qual o seu maior medo?"
Ter câncer era um temor maior do que a própria morte.
Hoje, só para constar: comi um embutido que nem sei o que é no café da manhã, junto com uma xícara de leite desnatado e um queijo amarelo e mole. No almoço, comi pepino sem semente, tomate minúsculo e bem doce.
À tarde, comi uma maçã que vale por três do Brasil, suculenta e crocante. Perfeita, mas irreal.
E estou chupando umas balinhas diet de pêra e manga.
Considerando que pelo menos a metade do que eu como é transgênico, modificado geneticamente e com alto teor de conservantes, corantes e umidificantes: serei eu a próxima vítima? E quem não é?
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Tatiana Aoki
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domingo, setembro 14, 2008
Coisas do Japão 1 e 2
Fui ao show do Weezer semana passada, e juro que vou contar tudo. Ontem eu fui ao show do Gilberto Gil e de uma banda japonesa/brasileira, chamada Ganga Zumba, muito boa por sinal. Baixem, que vale a pena.
.....
Preciso tirar mais fotos de minhas desventuras, mas a verdade é que a única foto que tirei ontem foi em frente a um carro, lançamento da Toyota, que minha mãe obrigou a tirar, bem no estilo "trouxas que têm vontade de ter um carro chique mas não podem".
......
Estou mudando um pouco meus conceitos em relação aos japas, mas devo admitir que não consigo aceitar o fato de que uma japa vá ao show do Gilberto Gil de salto 15.
.......
Na sexta, um dos dias mais estranhos da minha vida, uns peruanos ficaram tocando músicas em frente à estação de Nagoya. Uma japonesa de idade, que devia pesar uns 35 quilos, ficou dançando feito louca a música deles. Eu ria tanto que nem conseguia me controlar e tinha um policial ao meu lado que, em vez de impedir a algazarra, ria mais do que eu.
Para completar, um japa gordinho também se empolgou e começou a dançar ao lado da magrela. Ficou a situação mais bizarra, e eu ria ainda mais. Tive que sair de lá mas, se pudesse, ficava rindo o dia todo.
Coisas do Japão.
.....
Toda vez que vou a uma farmácia, não resisto e me maquio toda com as "amostras". E não sou só eu que faço isso não - pelo contrário, isso é praticamente um hábito das japonesas.
.....
No sábado, um indiano se aproxima de mim e diz em inglês: "Você é aquela atriz?". Eu, que não tava a fim de papo, desconversei, achei que fosse mais um xaveco furado. Pior que acho que ele realmente achou que eu era uma atriz, porque ficou enchendo a paciência. Aí eu disse que não era atriz coisa nenhuma, que ele estava louco.
Indiano: "Mas eu sei que você estava aqui promovendo o High School Musical"
Eu: ????
Saí correndo.
Coisas do Japão2
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Tatiana Aoki
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Marcadores: coisas do Japão
domingo, setembro 07, 2008
Algumas constatações.
Estou ouvindo alucinadamente algumas coisitas:
- The Verve - Forth
- Jimmy Eat World - Futures
- MGMT
- Tom Zé - Estudando o Samba
Dormindo pouco, conhecendo gente de maneiras absurdas, tentando aprender japonês, andando de bicicleta, com unhas por fazer há um mês, cabelos necessitando de um corte meio japa, computador sem net, calor, sol de rachar, sapatos a 500 ienes (cerca de 8 reais), blusas por 300 ienes (5 reais), com menos dinheiro do que tinha no Brasil.
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Tatiana Aoki
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09:49
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segunda-feira, setembro 01, 2008
Perdida nos amerikajins
Esse filme é a descrição dos gringos no Japão.
Amerika jindesuka?
Ainda estou embasbacada com algumas coisas que vivo no Japão. Da outra vez que vim aqui, no fim de 2005, eu tinha uma certa identidade: era brasileira, e acabou. Os japoneses me achavam brasileira.
Agora, não sei ao certo por quê, isso mudou. Toda hora sou confundida com...americana. Os japoneses cismam em falar inglês comigo, falam "Thank You" em vez de "Arigatou" e, sempre que puxam papo, já chegam falando inglês. Perguntam, na cara de pau:
- Amerika? (aguardando ansiosamente a resposta positiva).
Sempre respondo: No, burajiru jin desu. (não, brasileira).
A alegria de meu interlocutor passa rapidamente, como um furacão. Normalmente, depois disso, o assunto acaba.
Eis que, no final de semana passado, estava eu, na chuva, perdida em Nagoya, caminhando como a típica gringa/perdida/com um mapa na mão. Uma senhora japonesa chega em mim e pergunta, em inglês, onde eu queria ir. Eu expliquei, ela foi bem solícita e tal. Depois de um tempo, me pergunta:
- De onde você é?
(Pensei. Pensa, Tati. Resolvi. Vou dizer que sou AMERIKA, só para ver sua reação)
- Amerika.
A reação dela é impossível de ser descrita. Mas imagina uma velhinha japonesa descobrindo que ganhou um concurso de karaokê. Mais ou menos esse rosto que você tem que imaginar.
- SUGOIIIIIIII (que legal!!!)
Depois disso, só faltou ela beijar meus pés. Olhei, fiz que não entendi, e vazei.
Fiquei p### da vida com a situação. Como um país que bombardeou e quase destruiu o outro pode ser tão idolatrado?
Mais tarde, em casa, pensei novamente: será que não faríamos igual se um americano viesse ao Brasil, mesmo depois de os EUA financiarem a ditadura militar, privatizar o Brasil e dominar nossa língua? Será que o mundo todo, com exceção dos palestinos, deve se curvar aos estadounidenses?
Se alguém ler Noam Chomsky pode ser que essa subserviência ridícula mude.
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Tatiana Aoki
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21:27
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quarta-feira, agosto 27, 2008
Soy una pirata...

Neste momento, estou baixando alguns álbuns do Rage Against the Machine, o álbum Cê, do Caetano Veloso, bem como estou procurando algumas legendas de programas japoneses.
Se isso é errado? Bem, de acordo com leis de direitos autorais, elaboradas antes da existência da Internet, isso é errado, sim. E a Internet revolucionou toda a forma de se enxergar o mundo.
Posso dizer isso porque sou da geração de transição do analógico para o digital. Entrei pela primeira vez na Internet aos 12 anos, e afirmo que, nestes 10 anos, minha percepção de mundo seria totalmente diferente se não fosse a Internet. Provavelmente eu não conheceria e não iria a vários shows que vou, simplesmente porque eu não teria grana de comprar todos os álbuns de que tenho vontade.
Há uns quatro anos atrás eu sentia vontade de ter encarte, letra, etc. Hoje nem disso preciso mais, porque baixo as capas dos álbuns, bem como as letras.
As leis foram feitas pelos homens, e por eles devem ser modificadas. Pirataria é baixar algo com intenções de ganhar dinheiro, vender. Agora, para uso pessoal, não há o menor problema. Você ainda não baixou nada na Internet porque acha que está cometendo um crime?
Te escrevo duas coisas:
1) Você não sabe o que está perdendo.
2) Confessa, vai: na verdade você nem sabe o que são arquivos do tipo torrent, nunca baixou nada de blogs específicos, nem sabe abrir um arquivo zipado. É por isso que prega a tal do legalismo - por ignorância do mundo virtual.
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Tatiana Aoki
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06:34
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