quarta-feira, dezembro 31, 2008

Melhores e Piores

Quem é mais gracinha? Os rapazes do MGMT ou os gatinhos?

Ah, eu também quero fazer minha listinha de melhores e piores.

Não vou fazer de filmes porque simplesmente não vi quase nenhum em 2008. O mesmo posso dizer de livros – faz uns dois meses que parei de ler o último e, desde então, estou iletrada.

Mas, obviamente, tais assertivas não se aplicam às músicas. Sempre que posso, estou à procura de novas e interessantes trilhas sonoras.

Eis meu Top 10 álbuns mais ouvidos de 2008:

Jimmy Eat World – Futures
MGMT – Oracular Spetacular
Molotov – Apocalipshit
Tom Zé – 1968
Nação Zumbi – Fome de Tudo
The Verve – The Forth
Oasis – Dig your own Soul
Coldplay – Viva la Vida
Nine inch Nails – The Slip
Weezer – The Red Album
Gnarls Barkley – The Odd Couple

Top 10 músicas mais ouvidas em 2008 (de acordo com meu MP3):
Madonna – 4 Minutes
The Verve – Love is Noise
Kanye West - Stronger
Nine Inch Nails – Discipline
Nação Zumbi – Fome de Tudo
Junior Senior – Go Junior, Go Senior
Gnarls Barkley – No Time Soon
Justice – D.A.N.C.E
Moby – Alice
Coldplay – Lovers in Japan

Top 10 Melhores Shows de 2008:
....
Radiohead
Weezer
Gilberto Gil & Ganga Zumba
....Eu juro que não lembro de mais nenhum, de tão legais que foram os outros!

domingo, dezembro 21, 2008

Chorando no Natal.

Eu sempre afirmo e reafirmo que odeio o Natal. Ponto.
Mas esta foi a primeira vez em minha vida que chorei por causa da data. Conto.

Sexta-feira, 19:00
Mais uma aula de japonês com uma japonesa incrível, a Maiko (eu realmente adoro-a), depois de um dia de trabalho. Caminho num frio de seis graus em direção a Sakae, o principal ponto dos beberrões e baladeiros de Nagoya. Ia pegar meu MP3 para desencanar do dia quando ouço uma música bem baixinha. Parecem sinos soando – música de Natal. Meus olhos se enchem de lágrimas, guardo meu MP3 na bolsa e caminho enquanto o som natalino rola nas ruas frias e iluminadas de Nagoya. As lágrimas escorrem - “nunca vi nenhum japonês com mais de dez ano escorrer uma lágrima” - não ligo para os olhares desconfiados e curiosos dos japoneses e choro, ando, tropeço.
O por quê? Não sei, andar sem rumo por uma cidade fria em clima de Natal é algo realmente inédito em minha vida.

Sábado, 16 horas.
Mais uma aula de japonês, com o Hisaaki, em um café de Nagoya. Pego o moccacino fervente, tamanho médio. Ele, o café com leite gelado. Sentamos na mesa, conversamos, ele me corrige, eu o ensino algumas expressões em português. Tenho que sair, terminar uma matéria, por isso nos despedimos mais cedo e combinamos o encontro da semana seguinte.
Eis que Hisaaki abre a bolsa e me entrega um presente. Senti uma emoção profunda, me deu uma vontade imensa de chorar e abraçá-lo, porém isso é extremamente estranho no Japão. Me limitei a agradecê-lo e dar um leve abraço na despedida.

Presente do Hisaaki: CD da banda Asian Kung-Fu Generation e um creme com cheirinho de frutas

Domingo, 00:00
Hiro me liga e conversamos por mais de duas horas no celular e no Skype. Não tenho paciência de falar em japonês, então limito a me expressar em português com algumas expressões em japonês. Converso, penso, e o entendo. Durmo cansada, porém feliz pela conversa produtiva e cabeça.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

E o sapato vai para...


Jogar um sapato não é o suficiente, afinal agora o pessoal dos EUA deveria efetivamente acertar o sapato no Bush – ele com certeza leva o troféu “sapatada” 2008.

Que pena que não acertou...

Não tenho ninguém em especial para personalizar a sapatada, porém confesso que morro de vontade de tacar um salto agulha (comprado na liquidação) em alguma vidraça de lojas requintadas e luxuosas. Só para assustar as madames consumistas, afinal, infelizmente meu pé é tamanho 34 e eu não conseguiria machucar ninguém.

É para elas se lembrarem de que estamos em crise.

domingo, dezembro 14, 2008

Mais um ano que se vai...


Lá vem o post com análise do ano. Eu vi que todos os anos faço isso, e resolvi reler meu blog por um tempo. Um túnel do tempo se passou em minha cabeça, e não pude deixar de pensar na minha vida, na nostalgia e no sentido de “sentir-se viva”.

Diante das análises que fiz nos anos anteriores, acho que esse ano é o mais difícil de definir, pois com certeza não foi ruim, lento ou qualquer coisa: ele simplesmente foi dividido em trimestres, como se a cada três meses minha vida virasse de cabeça pra baixo.

Claro, quem acompanha minha vida sabe que 2008 foi o “ano de minha vida”.
Vai ser difícil elencar as principais coisas. Vou tentar, e sugiro mais: que todos os leitores deste blog também façam suas respectivas listas.

Aspectos positivos de 2008:

  • passou rápido

  • aprendi a me cuidar

  • virei mulher/adulta

  • posso me considerar uma pessoa globalizada – nunca pensei que, em uma só noite, eu teria que conversar em português, inglês, japonês e espanhol.

  • Sei que posso me virar sozinha – e gosto de minha companhia

  • estou menos ansiosa

  • fiz, em um ano, todos os estágios e empregos possíveis

  • acho que as pessoas me levam mais a sério

  • minha intuição esteve aguçada em 2008

  • eu fui ao show do Radiohead. Ponto.

Resumindo: virei adulta em 2008.

Aspectos negativos de 2008:

  • minha saúde esteve péssima em 2008. Acho que nunca fui tanto ao hospital como neste ano.

  • Me arrependi de algumas decisões, como me separar de meu namorado.

  • Quase fiquei sem casa, comida e roupa lavada do outro lado do mundo

  • me senti em uma selva de pedras em relação a muitas pessoas

  • não estar mais em Bauru

  • definitivamente eu odeio São Paulo e não tenho a menor saudades do stress, da poluição e da violência da maior cidade do Brasil. Com certeza prefiro Nagoya.

Resumindo: estou achando difícil virar adulta..

Falo isso e deixo para o final a tal da crise, que realmente não sei se é boa ou ruim. Acho que é boa, porque eu sempre quis estar viva em um momento de quebra de paradigmas.

............

Para continuar este post longo, porém necessário diante das tradições incutidas neste blog, vou analisar um pouco minhas próprias retrospectivas dos anos anteriores - meus comentários estão ao final de cada post. Dá para ler inteiro clicando no link do respectivo ano.

2007

O que foi bom em 2007:
- shows que fui: Roger Waters (delírio total), Aerosmith, Velvet Revolver, Placebo, Bjork, The Killers, Tom Ze na Unesp, e mais.
- minha pesquisa de iniciação cientifica foi, finalmente, reconhecida: ficamos em terceiro lugar dentre as melhores pesquisas de iniciação cientifica do Brasil pelo Intercom 2007.
- Radiohed
- Greve na Unesp, ocupação da USP, rebeliões na universidades publicas.
- sinceridade, essa foi minha marca de 2007
- projetos, projetos, projetos de vida
- a volta da minha irmã
- viagens, participações em congressos e premiações

Mas, no geral, 2007 foi um ano ruim. Vamos lá:

- já pensou em morar em um local que você odeia? Sim, morei por um ano nesse lugar
- pressão imensa por causa da iniciação cientifica
- não se sentir bem com pessoas que você adorava
- mudança de cidade, mudança de paradigmas, mudanças.
- família e familiares: fonte de problemas em 2007
- nenhuma paz

Comentário:É, pelo jeito 2007 foi um ano bem mais light, visto de fora...

2006

Quanto ao Ano Novo...eu achava que ia gostar da data, até porque ela nem é tão familiar assim. Mas pra falar a verdade...depois dos 10 anos, nunca mais gostei de ano novo também. Não gosto de datas "programadas" pelo comércio, pela mídia e pelas pessoas. Ela não representa absolutamente nada para mim. Sem contar que o Natal e o Ano Novo não condizem com nossas condições climáticas: onde já se viu comer pernil assado, panetone e vinho num calor de 36º? Preferiria comer uma salada bem feita, um sorvete de goiaba e um suco de melão.


Comentário: eu ainda não gosto de Natal, mas admito que estou ansiosa para comer peru e outras carnes gordurentas. (Eu posso! Estou num frio de três graus, ok?)

Esse semestre foi bom porque tive várias conquistas importantíssimas pra mim. Parece que o primeiro semestre foi uma preparação para a grande hora - a hora da conquista seria no segundo round.
Diante dessa análise, talvez o semestre tenha sido muito bom mesmo, entretanto eu só consigo reclamar das coisas que ainda não conquistei e esqueço de agradecer as que já tenho.
Tá, lista das melhores coisas do semestre e do ano:
- mudar de casa
- meu namorado
- pesquisa da fapesp
- passar na auto-escola
- viagens, muitas viagens inesquecíveis (japão,ilha solteira)
- baixei mais músicas em meses do que na minha vida inteira (e viva os torrentes)
- descobri que esporte realmente deixa as pessoas melhores
- ........faltam alguns dias pra acabar né?

Comentário: Ôooooo vida boa e molenga que eu tinha...Mudar de casa? Isso é fichinha.

2005

Nao era pra postar duas vezes, mas eu devo fazer isso porque eu acho que nao entro na net antes do ano novo...
E a tal da retrospectiva. Esse foi, definitivamente, o ano em que ocorreram mais mudancas na minha vida:
- virei veterana (errr)
- minha mae e irma foram para o japao
- fiquei amiga do meu pai
- me estressei como nunca
- chorei como nunca
- me apaixonei pela primeira vez
- aprendi a dirigir
- fui reprovada na auto escola
- conheci o outro lado do mundo
- vi a neve
- viajei 23 horas de onibus e 23 horas de aviao (em viagens diferentes)
- senti saudades e a famigerada solidao
- pela primeira vez, nao fui a todos os shows que eu queria
- duvidas, muitas duvidas
- mensalao, lula nao sabia, greve, movimento estudantil
- aulas que mudam a vida e que trazem novos significados e interfaces
- aproveitar o semestre (ou nao) como nunca
- rever e ver as amizades

Comentário: como eu senti solidão? Não entendi, sinceramente. Quanto à reprovação na auto-escola, confesso que é um saco, mas eu fui reprovada duas vezes na auto-escola daqui e nem elenquei como as piores coisas do ano. Ou seja, esse ano também foi fichinha.

Estou me desdenhando. Tsc Tsc.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Natalinas

Acho que já terei meu melhor presente de Natal do ano – a visita de minha mãe.

Embora não seja o melhor (talvez seja o pior) momento para ela vir até aqui, devo admitir que não tenho pensado em nenhum outro presente melhor do que isso. Ah, talvez o que ela trará na bagagem – comidinhas brasileiras que me fazem falta, como um queijo branco (aqui não existe queijo branco).

Parece uma faca de dois gumes, mas o que mais desejo no momento é que o Fórum Social Mundial de 2009, no Pará, delibere medidas práticas neste momento tão dramático em que vivemos. Se os especuladores/capitalistas/governantes já tomaram medidas concretas, acho que todos podemos tentar algo para o lado mais fraco.


Infelizmente não consigo fazer nenhum pedido mais concreto, porém só posso predizer que 2009 será como 1929 – com o adendo de uma crise corrosiva do meio ambiente.

Veja o que rola aqui no Japão.

Japan Times

Jornal para brasileiros no Japão


quinta-feira, dezembro 04, 2008

Amizade homem mulher

Venho pensando nesse assunto por um bom tempo, sobretudo depois que cheguei aqui no Japão. Podemos dizer que passei mais de três meses sem conseguir fazer amizade com nenhum indivíduo do sexo feminino, por diversas razões. Embora eu sempre tive mais afinidade com pessoas do sexo masculino, não é fácil ficar sem as famosas conversas de garotas.
Hoje tenho algumas amigas, porém também diminuiu a quantidade de amigos. Coloco em destaque porque realmente levei um pouco a sério a afirmação de um colega, que me disse, apenas uns dias depois de embarcar no Japão, o seguinte:

- Não existe amizade entre homens e mulheres, principalmente depois dos 20 anos. Nenhum homem se aproxima de uma mulher sem segundas intenções. E vice-versa.

Discordo do vice-versa, mas talvez seja verdade. Fiquei pensando em todos os amigos que tenho/tive em minha vida, e percebi que grande parte já tentou, pelo menos uma vez, ficar comigo. Quando viram que não rolava é que virou apenas amizade – e muitas vezes mais fortes do que com mulheres. E é assim: ou a amizade entre homens e mulheres fica mais forte do que entre pessoas do mesmo sexo, ou ela acaba de vez. Por isso, toda vez que algum rapaz se aproxima de mim, já tenho certeza de uma coisa – ou ele vai sumir de vez, ou vai ser um grande amigo, daqueles que sempre estarão comigo. Sem pretensões também acontece, mas como eu sempre acho que as pessoas são despretensiosas até que se prove o contrário, frequentemente acabo me dando mal.

Quanto às mulheres, a amizade surge sem grandes pretensões, por isso é mais fácil sentir firmeza em amigas mulheres. Porque se a garota se aproxima de você, a intenção dela só pode ser uma (no caso de heterosexuais): quer ser sua amiga. Não há nada além disso, sendo simples de a amizade surgir – como também é mais fácil ainda de a amizade se quebrar, por um motivo igualmente óbvio: homens.

Embora toda regra tenha sua exceção, um pouco de cautela na hora de dar seu telefone a um garoto – achando que ele quer apenas sua amizade – não faz mal a ninguém. Experiência própria de mensagens de celular indesejáveis.

domingo, novembro 30, 2008

Docinhos e felicidade


Depois de tomar um café da manhã delicioso e de ler o jornal de domingo, pego minha bicicleta e ando por mais ou menos duas horas seguidas para encontrar meus amigos. Vamos ao Festival dos Sonhos, com shows de David Bowie, Tom Zé, Talking Heads, Pink Floyd e Nação Zumbi. Depois da maratona musical, regada a muita água, cerveja, risadas e fotos bizarras, volto para casa de bicicleta e encontro meus pais. Jantamos juntos, vamos ao cinema e compro donuts, balas carameladas e suco de goiaba para saborear durante um filme do Wes Anderson.

Chego em casa e entro na Internet. E não é que fui selecionada como uma das melhores blogueiras do mundo?

Seria um dia perfeito em um lugar perfeito. Alguém me leva?

sábado, novembro 29, 2008

Novo!

Eu disse que ia mudar esse blog...
Daqui a menos de um mês, o Vitaminab fará 4 aninhos. Quem diria que ele resistiria a crises de identidade, Unesp, trabalho, mudança de cidade, de país, despedidas, criações de milhares de novas contas em blogs e outros sites inúteis, mudança de emprego em um país estrangeiro, Orkut, brigas por posts idiotas, etc etc.

Bom, não vou mentir que só fiquei o dia todo em frente ao PC em uma tarde/noite de sábado porque estou em um frio de oito graus. Ninguém merece sair de casa - quer dizer, confesso que dei uma voltinha de bicicleta hoje e que fiz aula particular de japonês com um amigo meu.

Mudanças no template novamente, só daqui a um ano. Ou até algum designer se prontificar a fazer um layout maravilhoso, digno de um site consagrado

Eu fiquei mais ou menos um mês visitando blogs (antes de sair a lista da Época), e vi que a maioria é bem simples, porém com conteúdos extremamente relevantes. Por isso, atentem-se e reclamem apenas dos textos, ok?

Eu "prometo"
- colocar mais fotos do Japão estou sem máquina, mas beleza
- colocar mais links
- comentar os comentários
- linkar blogs legais
- atualizar mais frequentemente
- usar a nova gramática da língua portuguesa que saco
TscTsc.

sábado, novembro 22, 2008

Passando frio e calafrios no Japão

Ando pelas ruas de Nagoya e só dá eu de estrangeira. Uns 60% das pessoas me olham descaradamente e diariamente. Irrita?

Cansa ser estrangeiro no Japão, um país que ainda consegue fugir da globalização étnica. Já li artigos em que, se o Japão não mudar, os estrangeiros nunca aguentarão viver aqui para sempre, e é verdade – 90% dos estrangeiros não têm intenção de morar aqui para sempre. Se moram, é porque se acostumaram a sofrer preconceito e a se sentir Ets.


Eu sou mulher, estrangeira e moro sozinha. Isso é um prato cheio para os japoneses me odiarem secretamente.

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Estou viciada em um salgadinho de banana, além de outro de kiwi, outro de manga...Além do doce de feijão, meu favorito sempre. E como muita fruta aqui, embora seja cara pra caramba e me faça dispender alguns ienes a mais.
.......

E alguém de salva desse frio insuportável? Já estou vivenciando temperaturas de quatro graus. Quando morava em Bauru, sempre afirmei que odiava o calor, porém não tem nada pior do que o frio. Não o frio do Brasil, que é ótimo, mas o frio do Japão, e sabe por quê? Aqui o povo não sai do aquecedor nunca, e assim a gente tem que usar roupas “adequadas” o tempo todo, ou seja, a camiseta, a calça, a blusa, enfim, tudo tem que estar relativamente bonito para ser mostrado a qualquer momento. Todas as lojas estão programadas para ter uns 24 graus, aí você entra na loja vindo de um frio de três graus e com roupas adequadas para caminhar num ambiente congelante, e de repente começa a querer tirar tudo, de tanto calor.

Era bom quando eu usava o pijama por baixo da roupa nos dias frios...

....
Aventuras de metrô.

Que os japoneses são seres pervertidos, isso acho que todo mundo sabe. Acontece que locais com grande concentração de pessoas, sobretudo vagões de trens e metrôs, são os locais perfeitos para a ação dos “pervas” - isso inclui mulheres também. Eu ainda não tive a felicidade de ter um pervertido me enchendo a paciência, porém já ouvi histórias muito bizarras dentro dos vagões – sim, todo tipo de perversidade, porém a mais comum é aquela em que os homens tiram fotos das calcinhas das japonesas. Isso ocorre porque, mesmo no frio congelante, as japonesas usam minissaias curtíssimas, de causar inveja às funkeiras. Com a diferença de que aquelas são magrelas, então não fica tãaaooo vulgar. Ah, fica sim.

Quando (e se) acontecer algo comigo, vai apanhar. E vou contar aqui, lógico!



domingo, novembro 16, 2008

Ainda dá tempo para fazer alguma coisa?

Como me mudei recentemente para o Japão, parece que o meu ano está apenas começando, ou seja, ainda tenho tempo para milhares de coisas.

Só que, cronologicamente, o ano está acabando, por isso:

Ainda dá tempo de fazer as coisas simples, que sempre são postergadas, como trocar os móveis de lugar, ajeitar aquelas cartas esquecidas no armário e deixar seu ambiente de estudo mais agradável. Realizar grandes empreendimentos no final do ano pode ser frustrante, porque é na reta final que conseguimos fazer um balanço do que passou e também estabelecer as grandes metas para o ano seguinte. O ideal é apenas aparar os pequenos defeitos para criarmos novas coisas de forma substancial.


Mas é claro que esse “conselho” óbvio não vale para o Barack Obama. Meu filho, nestes dias finais de 2008 é bom você corrigir o incorrigível, viu?


No meu caso, acho que ainda tenho tempo de reformular meu blog. Acho que é minha maior meta até o final do ano. Fora isso, apenas tento viver meu cotidiano da forma mais positiva possível, analisando o que deu errado em 2008 para acertar em 2009.


E meu conselho final é o seguinte: em 2009, não pense muito no futuro, porque o bicho vai pegar. Palavra de quem está morando no bloco dos G7 e vendo que o negócio está pior do que o Crack de 29.




Por falar em eleições e Barack Obama...

Tendo um japonês medíocre, tento assistir aos telejornais diariamente. Durante as eleições, percebi nas entrelinhas que os japoneses eram a favor do Mccain e morriam de medo de Obama. Bom, era apenas uma suposição porque, se já é difícil entender o posicionamento da grande mídia brasileira em questões delicadas, que dirá depreender o que pensa a mídia japonesa.

E não é que eu acertei que os japoneses estão morrendo de medo do Obama? Li vários artigos sobre isso depois que ele foi eleito.

É, a mídia PIG não muda, em qualquer lugar do planeta.

Para finalizar, minha foto tosca sobre minha visão do Japão. Vou concorrer em concurso, blergh!

domingo, novembro 09, 2008

Devaneios de uma péssima cozinheira...

Eu nunca gostei muito de cozinhar – prefiro comer - , porém a necessidade vai além da alternativa “querer ou não querer cozinhar”. Tenho que cozinhar ou eu morro de fome, ponto.

Ok, toda semana vou a um mercado e a uma barraquinha comprar a comida da semana, que normalmente inclui: pão, queijo, leite. Três itens indispensáveis na minha alimentação, desde que saí da casa de meus pais, em 2004. Pode ter certeza que, se um dia você vier à minha residência, encontrará os três itens sem exceção. Ah, e o café, claro, embora este demore bastante tempo para acabar.

....

Acabei de terminar de fazer as marmitas da semana, por isso estou fedendo a brócolis, cenoura e peixe. Além do arroz. Acontece que, toda vez que cozinho, faço algo de errado. Por exemplo:

  • Cozinhei as cenouras sem descascá-las. Agora, terei de comê-las com aquela casquinha suja – afinal, elas foram tiradas da terra. Blergh!

  • Cozinhei demais o peixe, e esqueci de colocar sal ou qualquer outro tempero. Ficou esquisito.

Para o desespero de minha mãe, eu digo a ela que como basicamente a mesma coisa por uns cinco dias seguidos. Além disso, nunca tempero a comida, só coloco um sal e já era. Eu ainda acho que, quanto menos temperos, melhor. Por quê? Porque quando eu como fora, tudo é delicioso.

Mesmo assim eu prefiro comer em casa a comer fora, porque as comidas do Japão são lotadas de conservantes. Se eu tomo sucos de caixinha ou como fora, nascem espinhas imensas e em lugares bizarros, como no meio da testa ou do queixo. Juro.

....
Quanto às bebidas alcoólicas, confesso que não gosto de quase nenhuma por aqui. A cerveja é terrível, não gosto de saquê e os drinques são caros e impossíveis de deixar qualquer um bêbado.


terça-feira, novembro 04, 2008

Interessou?

Novembro, Dezembro...

Este blog fará quatro anos!

Quem diria que ele me acompanhou por praticamente toda minha vida universitária, e agora nesta nova etapa de minha vida.

Vou mudar algumas coisas por aqui – talvez o endereço, talvez toda a estrutura...Estou pensando com meu cérebro que insiste em se manter “ocupado demais para pensar nisso”, porém ainda quero realizar mudanças em meu blog e torná-lo mais profissional e menos confessional. Se bem que, para isso, ultimamente tenho escrito em meu diário.
..........

Devo admitir que, depois de vir ao Japão, venho acompanhando mais fatos de relativa importância. Hoje não tenho o menor interesse na vida das celebridades, que dirá em fatos violentos ou curiosidades cotidianas.

Acho que vou promover uma campanha: por um jornalismo de relevância!

Antes de clicar em uma notícia, pense no seguinte:

Pra quê saber se a Ivete Sangalo perdeu o bebê ou não?

O que o novo lançamento dos cinemas tem a lhe acrescentar? Por quê não ver o clássicos primeiro? Ou, melhor ainda, ver o que realmente lhe interessa?

E pra quê saber se o pai matou os filhos e se enforcou depois? Essa necessidade de saber da vida alheia te deixa mais ou menos infeliz?

Não estou dizendo para viver em um isolamento e em um refratário blasé, porém acho que está na hora de sabermos que realmente repercute em sua vida. Fatos maiores que repercutem em seu cotidiano, entende?
Neste momento, leio obcecadamente as notícias da crise norte-americana (que agora está mais do que mundial), bem como as eleições do mesmo país. Por quê? Porque o meu futuro realmente está intrínseco a esta eleição. Infelizmente, moro em um país ultradependente dos EUA.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Namorico de portao

Aos 12 anos, vejamos...

Eu gostava de jogar futebol, volei e dancar Spice Girls em frente ao espelho
Dava meus primeiros passos no jornalismo
Gostava de ir ao shopping para tomar sorvete com as amigas do predio
E...Nunca havia beijado


Bem, esta era minha realidade aos 12 anos. Porem, no caso Eloa e seu namorado doidinho, que nao acompanhei direito, ela ja tinha um relacionamento aos 12 anos, e ele, 20 anos.
Uma garota que namora um rapaz de 20 anos sabe que nao esta para o tal do namorico de portao. Afinal, quando se tem ate 18 anos, 1 ano de diferenca faz toda a diferenca. Sim, acho muito cedo namorar aos 12, sobretudo quando seu parceiro tem 20 anos. Esse lance de que idade nao tem limites quando o assunto e amor e uma lorota, quando se tem diferencas psicologicas muito claras, ou seja, a mentalidade de alguem com 12 e 20 anos e completamente diferente.

Quando se tem 20 e namora-se alguem de 50 anos, a coisa muda de parametros, porque deduz-se que alguem de 20 anos saiba ao menos como lidar com pessoas. Aos 12, nao importa a exposicao sexual que a midia e a sociedade promova, somos absolutamente retardados, essa e que e a verdade.

Mas tambem nao vou dizer que a namorada assassinada era santa. Aposto que ela ja sabe muito mais de relacionamentos do que eu, aos 22 anos, sei.

E engracado como as coisas simplesmente nao repercutem por conta da distancia geografica. Eu nao acompanhei e nao tenho o menor interesse em saber detalhes do sequestro da garota. Parece que, quando estamos fisicamente longe de um local, selecionamos melhor a noticiabilidade das coisas.
Afinal, para que saber se o cara e louco ou nao? Isso realmente te acrescenta algo?

quinta-feira, outubro 23, 2008

Prato Feito


Depois de mais de um mês comendo apenas arroz, peixe, missoshiro (sopa de composto de soja) e moyashi (broto de feijão), já tinha até esquecido da comida brasileira e realmente acostumado com a japonesa.

Eis que revelo para meu amigo Yuji que fazia mais de um mês que eu não comia feijão. Ele, que é fanático por feijão e bife acebolado, ficou assustado pela minha abstinência e me chamou para comer em um restaurante brasileiro.

Pedimos o prato mais elementar da culinária brasileira: arroz, feijão, bife acebolado, salada e batata frita. Além de suco de goiaba para beber.
Confesso que fazia tempo que não tinha a sensação de estar "satisfeita", parece que não iria comer por, pelo menos, umas cinco horas seguidas. A comida brasileira é daquelas que enche mesmo, e serve para pegar na enxada sem cansar ou passar mal. Já a comida japonesa é leve demais, porque depois de cerca de três horas estamos novamente com fome.

Mas acho que o que contou mesmo foi a saudade. Saudade da fartura de comida, do feijão caseiro e do aconchego de casa.

domingo, outubro 19, 2008

No balancê

Já que estou em fase de mudanças, vou fazer um pequeno balanço do que gosto e não gosto no Japão nestes 2 meses e meio.

Comidas favoritas:
Além do tradicional sashimi (ou peixe cru), ando viciada em algumas coisinhas, como um salgadinho de castanha portuguesa, manjus (doce de feijão, que ainda é meu doce favorito) e a maçã japonesa é simplesmente divina. Esses estão sempre na minha despensa.

Também sempre compro moyashi (broto de bambu), onigiri (uma espécie de sanduíche de sushi) e caqui. E, sempre que posso, faço um missoshiro (sopa de soja).

Experiências nem tão boas...

Comi ovas de peixe (cruzes), pudim de ovo, o miojo é tão ruim quanto o brasileiro, comida apimentadas, sushi com maionese.

Lugares para ir:
Admito que adoro um karaokê, porém estou enjoando de tanto ir. Normalmente vou ao Hub, um pub que tem vários estrangeiros. No mais, bem...não faço muitas coisas além disso, por falta de grana e de vontade.

Correr em volta do templo é uma das coisas que mais faço. Antes eu andava de bicicleta por diversão, porém hoje eu ando mais como meio de transporte mesmo.

Compras:
Não tenho comprado muitas coisas, porque ultimamente acho meio ridícula essa onda de consumismo que assola os japas, mesmo com a crise econômica mundial.

Como o caderno Vitrine, da Folha, vou listar as dez últimas coisas que comprei:
1 - Batom da Shiseido - uns 20 reais
2- Castanha Portuguesa - não mais do que dois reais
3- Desodorante - 15 reais.
4- Fio dental. 10 reais. Caro pra c$$$$, mas não dá para ficar um dia sem.
5- Durex. 10 reais. Para embalar as coisas.
6- Café. 10 reais. Nescafé, porque eu só tomo café com leite.
7- Gelatina. 2 reais. É esquisita, mas dá para levar na bolsa e mata a fome rapidamente.
8- Alface americana. Menos de 2 reais. É mais barato do que no Brasil.
9- Sapato. 2 reais. Juro. É usado. Quem tem nojo não sabe o que está perdendo. Comprei várias roupas, nenhuma mais do que 20 reais.
10- Folhas sulfite. 2 reais, com 100. Outro item indispensável a jornalistas e odiadores de leitura em frente ao ecrã.

.....

Coisas que odeio no Japão:

- adoram estadounidenses e tudo relacionado a eles, sobretudo o status chamado Starbucks.
- renovam todo o guarda roupa a cada estação.
- o andar torto das japas
- a vozinha de criança que algumas japonesas fazem
- mariposas invadindo minha cidade
- a poluição sonora de cidades grandes beira o insuportável
- o excesso de tranqueiras à venda, como um produto somente para limpar a quina da mesa, por exemplo
- os japoneses não são cavalheiros

Coisas que adoro:

- a segurança
- poder andar em qualquer lugar do Japão apenas usando trem
- a comida é muito boa
- bicicleta
- atendimento impecável
- se você fuçar, encontra oportunidades incríveis

quarta-feira, outubro 15, 2008

Perdoar faz bem para a pele...

Relaxe os pés e curta a vida...

Perdoar tem muito a ver com tolerância, em tentar entender a mente de outrem. No entanto, quando estamos no meio da turbulência, fica difícil enxergar como se estivéssemos de fora da situação.
Cada erro tem uma proporção, e acho que a melhor forma de perdoar é enxergar do lado de fora, como se fôssemos uma outra pessoa mesmo. Exemplos:
- O cara te traiu com outra. Ele estava bêbado? A menina estava muito insinuante? Será que ele realmente valia a pena?
Pensar em pontos básicos ajuda bastante, porém isso só deve ser feito quando estivermos de cabeça fria (ou menos quente, pelo menos).

- Ferraram com sua vida e te deixaram na mão. Tem coisa pior do que isso? Você deposita sua confiança em algo e, de repente, se frustra de maneira irreversível. Só que, como diz um grande indivíduo que conheço, "a crise muitas vezes significa oportunidade". É nos momentos de crise que revemos nossos conceitos, com possibilidades de mudar drasticamente - frequentemente para melhor.
- Traição em família. Dizem que isso é imperdoável. Discordo porque, na verdade, não devemos levar nossa família tão a sério assim. Familiares não são divindades, portanto, são suscetíveis a erros. Simples.

Tudo isso já aconteceu comigo, e ainda vai acontecer. Se fôssemos ficar remoendo e sentindo rancor de todas as mancadas, melhor virar ermitão. Fora que, quando perdoamos, nos sentimos melhores, mais lindas, leves e soltas. E tem coisa melhor do que deixar o inimigo perceber que estamos bem, apesar de tudo?
Acho que essa é a melhor vingança: superar a traição e, para piorar, perceber que ainda o perdoamos.

I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say you're sorry

I've heard it all before

And I can take care of myself

I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say 'forgive me'

I've seen it all before
And I can't take it anymore

Gomenasai = "Forgive me"/"sorry" in japanese

Mujhe maaf kardo = "Please forgive me" in Hindi
Isheik
prashau = "go out, please" in lithuanian

Sleechah = "I am sorry"in Hebrew
Forgive me...


Por coincidência, ouvindo essa música da Madonna. Total coincidência mesmo, porque fazia mais de um ano que eu não ouvia Confessions on a Dancefloor.

domingo, outubro 12, 2008

A maçã, versão 2.0


Mais uma da maçã no Japão.
Putz, lá vai eu, de novo, com fome às 19h, comer uma maçã na estação de metrô. A maçã é basicamente o dobro da brasileira, mas eu nem liguei. Comecei a comer ali, parada, esperando meu amigo para fazer uma matéria. Todos os japoneses que passavam me olhavam, como se eu fosse uma verdadeira ET.

Eis que um japa, de uns 23 anos, se aproxima de mim e fala:
- A maçã está gostosa?
- Sim.

Ele pára, abre a carteira, mostra um dinheiro e diz que quer beber saquê comigo. Eu, que entendo japonês porcamente, disse que não havia entendido. O japinha responde:

- Me dá seu telefone?
- Por quê? Não, nem te conheço.
- Por favor!
- Não. Não posso.

Ele guarda a carteira e vaza, reclamando algo que não entendi.

O que ele pode ter pensado:

1) "Ela é uma louca que come maçã na rua, por isso vou puxar conversa." (Um amigo meu, da Indonésia, me disse que os japoneses não comem nada com casca por causa dos agrotóxicos)
2) "Ela é uma prostituta comedora de maçã." (Afinal, porque ele abriu a carteira e me mostrou seu dinheiro?)
3) Ele apenas estava me chamando para beber. (O cara estava a fim de molhar o bico e não sabia com quem poderia fazer isso)
4) Ele estava apenas me flertando. (A maioria me disse isso. Os japoneses realmente não sabem como xavecar, e inventam qualquer coisa para puxar assunto)

Sinceramente, acho que foi a resposta 1 ou 2. E vocês?



Coloquei o Ringo Starr comendo maçãs porque Ringo significa maçã em japonês. DErrrrrr

sexta-feira, outubro 03, 2008

Os padrões de beleza pelo mundo



No Brasil, mulher gostosa é aquela com peitão, bunda e coxas. Já ouvi diversas vezes amigos meus dizerem que "quem gosta de osso é cachorro", entre outras frases batidas. Para uma mulher se manter nos padrões de qualidade brasileiro, ela deve comer moderadamente arroz, feijão, bife e um chocolatinho de sobremesa. Rola de ter um corpão desse jeito.

Agora, no Japão, a coisa muda. Um japonês me perguntou o seguinte.
Japa: - As brasileiras, no carnaval, ficam peladas, né?
Eu: - Nem todas, claro. Elas usam pouca roupa e tal, fazer o quê, é a festa...
Japa: - Mas elas não vergonha? São muito gordas para ficarem peladas!

Bem, por aí já se vê as diferenças.
As japas aqui não saem da dieta: comem muito pouco, muitas sofrem de anorexia, e o padrão considerado ideal é ter, pelo menos, 15 kg a menos do que a altura. Por exemplo, se eu tenho 1,65 tenho que pesar, no máximo, 50 Kg. Até aí, tudo certo. O problema é que as japonesas (ao contrário dos japoneses) são baixas, com altura média de 1,55m. Aí que entra a história: elas pesam cerca de 40kg, para menos!

Muitas tomam sopa, chá emagrecedor, entre outros truques para perder peso. Outro dia, uma celebridade declarou que emagreceu 7kg depois de comer banana no café da manhã. Está difícil encontrar banana no mercado...

Vou dizer que me sinto mal às vezes ao ver mulheres tão magrelas porque, na real, acho que grande parte das garotas desejam ser magrelas (e não só magras). As roupas caem melhor, você se sente melhor. Para me cuidar, eu tento correr umas quatro ou três vezes por semana, mas não cuido muito de minha dieta. A sorte é que eu adoro salada e prefiro vegetais cozidos a uma fritura.

Agora, meu mal são os doces. Ah, mas o próprio nome diz: DOCE. É uma das melhores coisas que existem.

Como 90% das mulheres, gostaria de perder uns dois quilos. O problema será quando voltar ao Brasil e ter de aturar coisas como "afe, preferia você antes!", enquanto que, aqui, meu peso será normal.

quinta-feira, outubro 02, 2008

óiaaa o Terremoto!

Estou eu, feliz, em frente ao computador, quando tudo começa a balançar. Me seguro no teclado, começo a tremer de medo e, após cerca de 15 segundos (que parecem uma eternidade), a tremedeira pára.
Eu já senti terremoto umas três vezes, mas que esse deu medo, deu. Porque é forte, parece que a terra vai cair e não há nada a fazer - eu não tenho treinamento contra terremotos, não tenho o tal do "kit sobrevivência", ou seja, se rolar, já era.

Mas um outro terremoto já caiu sobre minha vida, e agora estou enfrentando um furação. Vamos ver se sobrevivo a isso também, nem eu sei, porque fenômenos dessa natureza não são fáceis de prever.

Cenas de um próximo capítulo...
E para os bons entendidos, esta semana (e todas as outras desde que eu cheguei) tem sido intensa. Na verdade, parece um sonho quando algumas coisas que você deseja há um tempão finalmente acontecem.

= Se você me conhece bem, compreenderá as aleatoriedades seguintes:
Bodysnatchers, There There, Everything in its right place, Nude, Idioteque

domingo, setembro 28, 2008

Ouvindo Mp3, tomando café e se alienando

Acabei de comer coxinha, bolinha de queijo e risólis. Isso é muito bom, não tem nada parecido aqui no Japão. Tem uns nuggets e umas friturinhas bizarras, que não chegam nem perto da boa e velha coxinha brasileira. Embora eu deva admitir que a comida japonesa é muito boa - melhor que a do Brasil.

Fazia um tempo que eu não postava sobre minhas desventuras no Japão, mas é que ando tão ocupada e preocupada que acabo pensando em tudo, menos em escrever aqui. Isso é péssimo, vou voltar a escrever, porém começo a pensar nas minhas pendências profissionais e acabo desistindo.

Aqui esfriou bastante, do nada - de 30 graus em uma semana, caiu para 15 na semana seguinte. No Brasil isso é normal, mas não no Japão, cujas estações são bem definidas. O engraçado é que eu literalmente posso aposentar por uns 4 meses minhas saias, regatas e sandálias de verão. Não irei usá-las por um bom tempo - até março de 2009.

Hoje eu fiz algo que simplesmente amo: fui a um café, tomei uma xícara de expresso, comi um donuts e fiquei escrevendo no meu caderno.
E, claro, fiquei pensando: esse conforto presente na vida de todo japonês faz com que nós nos alienemos de uma maneira absurda!
Eu tenho certeza de que a maioria dos japoneses não tem idéia do que seja passar necessidade.
Aqui, nos finais de semana, todos os japoneses vão às compras, comem em restaurantes, gastam à vontade.
As japonesas são seguidoras fiéis das revistas femininas (cujo conteúdo escrito é inexistente, apenas fotos com modelos mostrando as novas tendências das passarelas e dos cabeleireiros): saiu na revista, elas vão correndo comprar roupas, acessórios, produtos para cabelos, etc.

Eu ri muito quando vi que, assim que o outono entrou, na semana passada mais ou menos, todas as japas estavam usando botas horríveis estilo caubói, lenços no pescoço e coletes curtinhos - tudo como mandam as revistas.

Pior é ver as japonesas colando cílios postiços no metrô, bem como se maquiando, pintando as unhas...

Ou então os jovens tomando café no Starbucks (como ditam os filmes hollywoodianos) e comendo bolos franceses.

Bem, o mundo da fantasia é real aqui no Japão. Enquanto isso, 4 bilhões vivem em pura miséria.