
Quase caí na tentação de ler algo na Internet sobre os dois últimos produtos culturais valiosos que consumi (uma frase extremamente capitalista, mas enfim): o livro “Crime e Castigo”, de Dostoiéviski, e o filme “Sonhos”, de Akira Kurosawa. Resisti. No entanto, estou morrendo de medo de escrever besteiras a respeito desses dois “cults”. Vamos lá.
Levei mais de um mês para ler “Crime e Castigo”, e admito que fiquei um pouco decepcionada. O livro é imenso – 560 páginas –, e por ora algumas páginas são desnecessárias. Outro fator negativo é o de que a história dá desdobramentos relativamente inexplicáveis. Por exemplo, o protagonista, Raskólnikov, praticamente desaparece lá pela página 300 (e fica sumido até a página 400, pelo que me lembro). Entram em cena a irmã (Avdótia Románovna) e a mãe (Pulkéria Alieksándrovna). Entendo que o livro é consagrado pela complexidade psicológica das personagens porque, ao que me parece, Fiódor Dostoiévski implantou, em cada personagem, um pensamento filosófico diferente. Como não sou uma conhecedora de filosofia, fica difícil identificar a qual filósofo cada personagem corresponde – só sei que tinha um marxista e um kantiano, mas os outros não pude identificar.
Porém, definitivamente o maior problema do livro são os nomes das personagens. Tenho receio de parecer tonta, só que eu muitas vezes não sabia quem era a personagem da fala. Explico: o protagonista Raskónikov, por exemplo, também é chamado de Ródion Romanovich e Ródion. Já a irmã dele é, além de Avdótia, Dúnia e Dúnetchka. Agora, como vou saber? Cada personagem (e são mais de 30) tem, digamos, uns três nomes cada um! E em russo! É por isso que eu li uma vez que “Crime e Castigo” é um dos livros com maior número de desistência por parte dos leitores...
Claro que valeu a pena ter lido, e tenho certeza de que terei de ler o livro novamente, por sua complexidade – não gramatical, e sim de conteúdo. Só que fica a dica: anotem os nomes das personagens, ou confie na intuição.
.........
Quanto ao filme “Sonhos”, fiquei surpresa: foi melhor do que eu imaginava. O filme é onírico, com uma fotografia surpreendente. Outro aspecto é que “Sonhos” influenciou muitos filmes, como “Amor além da vida” e “Guerra nas Estrelas”.
Esse longa possui uma característica muito peculiar, presente em alguns dos filmes japoneses que assisti: misturam, de forma quase homogênea, gêneros como humor e terror.
“Sonhos” é como um sonho – você leva um susto, depois dá risada, pensa, quer fugir, se angustia. Mas, diferente de David Linch, Kurosawa faz suas obras com uma lógica até que linear – superior aos devaneios de Linch.
Agora, dou uma opinião bem pessoal. “Sonhos” é, claramente, uma crítica à Segunda Guerra Mundial, sobretudo à necessidade humana de sentir-se poderosa em detrimento da natureza que a cerca. Várias passagens remetem ao homem sentindo-se superior, à necessidade de vitória e de pouco lirismo em suas ações.
E, claro, do medo humano de perceber que nossa passagem na Terra nada mais é do que um sonho.
.....
quinta-feira, janeiro 31, 2008
Entre sonhos e castigos
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Tatiana Aoki
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16:31
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Marcadores: crime e castigo, dostoievski, kurosawa, sonhos
Sábado animado?
Censura - sim
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Tatiana Aoki
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12:29
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Marcadores: censura, sabado animado
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Fame
"Fame, its not your brain, its just the flame
That burns your change to keep you insane (sane)"
David Bowie
Nesta semana corrida em São Paulo que só chove, me deparei com várias vertentes de um tema: fama.
Na segunda feira, fui ao SPFW. Sempre tive curiosidade em ir, mas para ganhar os brindes mesmo – disseram que eles distribuíam vários. Ledo engano.
Só ganha brinde quem é VIP do VIP. Porque, para quem não sabe, para entrar no SPFW tem que ter uma credencial. Mas, para entrar nos lounges de determinadas empresas (as que darão os brindes) tem que ter outras credenciais específicas. Ok, então vamos ver o desfile.
Chegando lá, uma fila imensa, dividida em blocos: galera VIP, galera mais ou menos, imprensa e ralé. Meu convite era para a ralé.
Espero mais de uma hora para conseguir entrar no desfile. Quando entro, mais espera, e os jornalistas (sobretudo os fotógrafos) começam a gritar: “Ronaldãaaaao, cafoooona!” – o desfile era do Ronaldo Fraga.
Finalmente começa o desfile. Duraram dez minutos! Depois desse programa de índio (ou seria indie, ou fashionista, ou poser?), volto para casa, de ônibus. E não é que aquela organizadora arrogante que estava no SPFW também estava no ponto, na chuva, esperando o seu ônibus chegar?
A mina estava usando um sapato de 1000 reais, um corte de 300 reais e uma roupa que, no total, deveria ser uns 3000 reais. E pega ônibus? E mora com os pais, e não consegue se sustentar. Mas vai para a balada, organiza eventos fashions, trends (são as tendências, bem!).
.... 

No dia seguinte, mais um evento: coletiva da Hilary Duff e show dela. Na coletiva, parecia que as respostas são programadas: tudo no maior estilo “não vou dizer nada de mais, ok?”. A única coisa que posso constatar, após assistir ao show, é o seguinte: as freqüentadoras do show dela são as possíveis consumidoras das músicas indies (tipo Snow Patrol, Arctic Monkeys, The Killers) e da PJ Harvey ou Norah Jones, saca?
É um círculo vicioso, que o mercado entende bem. Aí, por força maior, fui ouvir umas novidades no mundo teen: Jonas Brothers e Paramore.
São bandas indies para pessoas mais novas. Paramore: igual Julliete and the Licks.
Jonas Brothers: pior que não e igual ao Hanson (cujo som é mais pop). Parece mais...Putz, tudo que tem de mais pop no indie e no emo.
Estou no meu inferno astral, segundo a astrologia. Mas eles sempre acertam: começo de ano é sempre um porre para mim!


Para quem nao conhece a Hilary, tirei umas fotos dela - a do show e da minha irma.
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Tatiana Aoki
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15:14
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sábado, janeiro 19, 2008
Eis a mudanca fatal!
Mudei tudo, hoje, num sábado de ócio. Mandei bem no Photoshop?
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Tatiana Aoki
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19:13
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quarta-feira, janeiro 16, 2008
Viver em São Paulo é vida loka
O prefeito Kassab resolveu limitar o trânsito dos motociclistas nas marginais. Para quem anda de carro, um alívio. Para os motoristas de ônibus e caminhão, também. Mas para os milhares de motoboys, tal medida vai ser um caos.
Depois que assisti o documentário Motoboys – vida loca (2003, de Caíto Ortiz), minha visão dos motoqueiros mudou drasticamente: eu também tinha aquela visão paulistana e deturpada de que os motoboys só atrapalhavam o trânsito, além do medo que eles provocam (sobretudo quando nós, pedestres, tentamos atravessar a rua fora da faixa).
Vale a pena ver esse documentário. Hoje, me policio totalmente quando vem aquele pensamento “que saco esses motoqueiros!”. Afinal, eles fazem parte daquela parcela da população com pouquíssimas perspectivas de um emprego decente e bem remunerado. Além do mais, como muitos falam no próprio filme, sem os motoboys, a cidade não anda. E não anda mesmo (já demorei 45 minutos para chegar a um trajeto que demoraria, no máximo, 10 minutos – a pé, demoraria uma meia hora).
Agora, vamos à minha experiência sob duas rodas: quando ando pela cidade, vejo raríssimas mulheres andando de bicicleta pela cidade. Mas eu, como amante de uma bike, não deixei de dar meus rolês pela cidade. E confesso que é tão, mas tão perigoso, que sempre conto as vezes em que quase morro atropelada. O mínimo foi duas vezes, e o máximo, oito vezes.
Para minha felicidade (e sobrevivência), meu namorado Alberto me deu um capacete para eu andar de bicicleta. Ainda não o estreei, porque normalmente ando de bicicleta somente nos finais de semana. Será o santo capacete que me salvará dos caminhões e ônibus loucos (esses sim, quase sempre são os responsáveis pelos aperreios que passo)!
E que saudades de Bauru, pois foi em cima da minha bike que eu conheci tudo que conheço na cidade mais quente que já morei.
Ps: todas as fotos sao tiradas por mim.
Eis meu capacete novissimo!
terça-feira, janeiro 08, 2008
Enjoada...

Você está cansado, voltando da casa de seu namorado (a) de trem.
Em São Paulo, andar de trem não é nada interessante: vagões lotados, pessoas desesperadas para sentar, etc. É o caos urbano de São Paulo que me entristece a cada dia.
Para passar o tempo (afinal, são mais de uma hora de viagem), você resolve ler um livro – mas tem que ter sangue de barata, porque o trem sacoleja muito.
Enquanto eu lia, uma garotinha ao meu lado comia pães de queijo. Considerando que eu adoro pão de queijo, pensei, com meus botões – nossa, que vontade de comer um (ela tinha um saquinho cheio deles).
Cinco minutos após essa constatação, vem a delícia: a menina VOMITA no meu pé! Fiquei com tanto nojo, que quase vomitei junto. Para piorar, o trem estava relativamente lotado, ou seja, depois da cena incrível, eu ainda tive que ficar lá, sentindo aquele cheiro delicioso de vomito por mais de 40 minutos.
Nem preciso falar como eu cheguei em casa, não é? Quase vomitei pelos cantos. Mas resisti, tanto que comi pão de queijo hoje de manha. É a falta de opção de se morar sozinha...
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Tatiana Aoki
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11:46
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quarta-feira, janeiro 02, 2008
Radio
E o CD que mais ouço é o In Rainbows. As músicas são doces, suaves, depressivas e catárticas. A minha favorita é Weird Fishes/Arpeggi: ela fala sobre amor e, ao mesmo tempo, sobre suicídio, com uma doçura incrível. Outra é Bodysnatchers, que é mais rock, parecendo um pouco alguma faixa do OK Computer (para os saudosistas).
Sem contar a Reckoner, cuja melodia lembra, de fato, um arco-íris.
Feliz 2008.
Estou deprimida, não sei por quê. Acho que nunca senti tanto medo de um ano que se inicia, em toda a minha vida. Eu não sei pra onde vou, quando, nem como. Talvez o Radiohead esteja me deprimindo ainda mais, mas acho que, neste momento, nada me deixa mais satisfeita do que ouvir In Rainbows.
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Tatiana Aoki
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22:14
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quarta-feira, dezembro 26, 2007
Celular, musica e merchand
Ontem, dia 25, chovendo e sem ter vontade de fazer nada, resolvi ligar a TV.
Ate ai, era clipe da Fergie para cá, Avril Lavigne, Kayne West, Chris Brown, NX-0, Vanessa Hudgens, e mais um monte de lixo que vende e toca nas paradas. É patético, vergonha alheia, ver esses clipes. Além de serem extremamente parecidos esteticamente, esses vídeos terríveis estão utilizando a seguinte prática: merchandising de celulares. Apareceu Nokia, Motorola (principalmente), LG, Sony-Ericsson, e mais um monte de marcas – além de perfumes, tênis, carros...
Sabe aqueles merchans de novela, bem toscos, forçados, sem sentido? Bem nesse estilo, reparem. Por exemplo, a bizarra da Fergie, do nada, pega o celular e recebe uma mensagem, e aí aparece o logo, bem explicitamente, da Motorola. Dá uma vergonha alheia, pois fica bem claro que, sim, o videoclipe, como produto da indústria cultural, não é apenas promoção de pseudo-cantores: é promoção de marcas e produtos para “jovens” (na real, teens, porque, diga-se de passagem, quem curte Avril Lavigne só pode ter menos de 14 anos).
Isso me decepciona. Sei lá, como que a ganância chega a esse ponto? Esses indivíduos ganham milhões por mês e não estão satisfeitos? Nem quando divulgam seu trabalho conseguem deixar de divulgar uma marca? É como se Dostoiesvski escrevesse, em seu “Crime e Castigo”, a seguinte frase, sem nenhum contexto: “então, matei a velha, peguei meu Nokia e liguei para minha mãe...”. É uma mistura de vazio ideológico, com mercantilizaçao da arte e prostituição.
E é por isso que estou tentando abolir as roupas outdoor. Não quero me sentir um outdoor ambulante.
.....
Em que mundo estamos?
.....
Feliz Natal atrasado. Sempre esqueço do Natal. Eu excluo a data da minha mente e abstraio – a mesma coisa que faço no meu aniversário.
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Tatiana Aoki
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21:06
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domingo, dezembro 23, 2007
Fim das pilulas de vitaminicas de 2007
São duas da madrugada, acabei de voltar de um churrasco. E, sim, tenho que cumprir algo que todos fazem: escrever sobre o ano que passou!
Ora, vai dizer que você ainda não pensou na listinha dos melhores e piores de 2007?
Vou fazer a minha, rapidamente, pois estou pedindo absurdamente por uma cama aconchegante e limpa.
O que foi bom em 2007:
- shows que fui: Roger Waters (delírio total), Aerosmith, Velvet Revolver, Placebo, Bjork, The Killers, Tom Ze na Unesp, e mais.
- minha pesquisa de iniciação cientifica foi, finalmente, reconhecida: ficamos em terceiro lugar dentre as melhores pesquisas de iniciação cientifica do Brasil pelo Intercom 2007.
- Radiohed
- Greve na Unesp, ocupação da USP, rebeliões na universidades publicas.
- sinceridade, essa foi minha marca de 2007
- projetos, projetos, projetos de vida
- a volta da minha irmã
- viagens, participações em congressos e premiações
Mas, no geral, 2007 foi um ano ruim. Vamos lá:
- já pensou em morar em um local que você odeia? Sim, morei por um ano nesse lugar
- pressão imensa por causa da iniciação cientifica
- não se sentir bem com pessoas que você adorava
- mudança de cidade, mudança de paradigmas, mudanças.
- família e familiares: fonte de problemas em 2007
- nenhuma paz
Por favor: que venha 2008!
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Tatiana Aoki
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02:07
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sexta-feira, dezembro 21, 2007
Japas loucos
Muito bom esse programa. Pior que todos são assim no Japão!
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Tatiana Aoki
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12:28
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quarta-feira, dezembro 19, 2007
MuDeI o TeMpLaTe
Ficou horrivel...nao sei o que fazer!
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Tatiana Aoki
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14:08
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domingo, dezembro 16, 2007
O Estado da elite
É interessante notar como algumas coisas não mudam. A cidade de São Paulo, que se depara com um grave problema habitacional, abriga cada vez mais pessoas que, não tendo condições de pagar o aluguel e muito menos de pagar a casa própria, são obrigadas a morar nos barracos – ou favelas.
Até aí, é um problema de política pública que deve ser resolvido com urgência pelo Estado, uma vez que está na Constituição brasileira a garantia de moradia a todos.
Mas vamos aos fatos. Na última quarta (dia 13 de dezembro), moradores da Favela Real Parque foram desalojadas sem qualquer aviso prévio da Justiça, a qual alega que os moradores estão vivendo em terreno que pertencia à empresa ligada ao Estado. Assim, em pouco tempo, a Polícia Militar retirou, de forma violenta, os cidadãos que não têm condições financeiras de morar em um terreno próprio – em contraste ao crescente mercado imobiliário na maior cidade do país. Vide os anúncios ininterruptos de condomínios nas páginas dos grandes jornais impressos (mas isso é um outro assunto).
Obviamente, isso não ocorreu sem reação, e os moradores da Favela Real Parque protestaram, fechando vias públicas movimentadas de São Paulo.
Mas a cobertura da grande mídia a respeito do caso foi extremamente medíocre. O enfoque da Folha e do Jornal Nacional, só para falar dos maiores, foi estritamente o “caos” que os “favelados” geraram no trânsito, e esses veículos sequer mencionaram a violência da PM na reintegração de posse, a vulnerabilidade desses moradores e o que acontecerá a eles depois. Sim, só cobriram como recorte o “caos” no trânsito paulistano – que já é um caos, diga-se de passagem.
Para piorar a repercussão, o Estadão de domingo teve a proeza de publicar um editorial no dia 16 de dezembro, intitulado “A questão urbana”. Não só considerou o ato dos moradores da Favela Real Parque meramente como uma lesão à ordem estabelecida, como também enfocou o termo “invasores profissionais”. Isso mesmo que estão lendo, invasores profissionais, como o próprio Estado de São Paulo afirma: são indivíduos que “ocupam determinadas áreas para fazer loteamentos clandestinos, conseguir o “cheque-despejo” de R$ 5 mil da Prefeitura ou obter indenização dos proprietários para sair do local, e estimulam pessoas ingênuas e desinformadas a resistir à execução das ações de reintegração de posse, enfrentando a Polícia Militar e bloqueando vias públicas, com o objetivo de constranger politicamente as autoridades” (grifo nosso).
Para o jornal de ultra direita, a solução é, “obviamente”, “políticas de crédito para a população de baixa renda e construção de conjuntos habitacionais”. Mas o redator enfoca também a necessidade de “maior rigor das autoridades para coibir invasões e evitar que o cumprimento de mandatos de reintegração de posse em áreas ocupadas por invasores profissionais gere graves transtornos para a cidade” (mais um grifo nosso, só para enfatizar).
O mais frustrante vem agora. Após estudar por dois anos um jornal do interior de São Paulo – um impresso de Penápolis da década de 30 (O Penapolese) – notei neste uma vasta gama de editoriais reclamando a atuação dos “falsos mendigos”, ou seja, pessoas que têm como escolha de ocupação o ofício de mendigo, para explorar os “sujeitos de bem”.
Século XXI. Na revista Piauí, uma longa reportagem a respeito da trajetória do grupo Estado, comandado pela família Mesquita. Conquanto haja algumas críticas ao oligopólio comunicacional, na realidade o que a revista faz é tecer elogios de como o Estado se renovou, como a linguagem foi modificada, entre outros aspectos da derrocada do provinciano Estadão à modernidade. Mas será que mudou alguma coisa mesmo? Ou a mídia ainda é voz exclusiva da elite letrada, a mesma do fim do século XIX?
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Tatiana Aoki
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21:57
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sábado, dezembro 15, 2007
À francesa
![]()
Fui embora e não avisei. De fato, não avisei mesmo, e acho que fui a primeira de jornalismo a deixar Bauru.
Meus últimos momentos foram os seguintes:
Terça à noite: termino de empacotar minhas coisas. Eu e meu namorado íamos comemorar nosso 1 ano e 4 meses de namoro, mas a chuva não permitiu sequer que saíssemos de casa.
Quarta de manhã: acordamos, tomamos café da manhã, e termino de arrumar minhas coisas. Despeço-me do Jaime, do Bruno e da Jú. Espero o circular junto ao Alberto. O ônibus chega, e com a garganta presa, nos despedimos.
Não cheguei a chorar, literalmente, mas fiquei bem triste no caminho para sampa. Fiquei mais triste ainda quando vi que teria de pegar um trânsito infernal na entrada para São Paulo, ou seja, fiquei mais de seis horas dentro do ônibus. Detesto me locomover nessa cidade, não sei como a gente agüenta isso.
Continuo confusa com tudo: a minha mudança ainda não chegou, ou seja, está tudo relativamente tranqüilo. Quando chegar, vou ter que caçar espaço para colocar minhas coisas (que não são poucas). Fora arrumar meu quarto, organizar minha vida, parar para pensar um pouco, tirar uma micro férias – de uma semana, ok.
De lembrança de Bauru, são muitas, mas ainda não tive tempo de ter saudades, porque na real eu estava é com saudades de São Paulo mesmo.
Mas sei lá, todos dizem que passa rápido, que não acredita que acabou...mas sinceramente, não sinto isso. Acho que, se eu ficasse mais um ano na faculdade, iria odiar essa idéia. Só continuo uma pós, e olhe lá, porque teria que ser em outra universidade. Fiz tantas coisas nestes quatro anos, aproveitei muito, sofri muito, e aprendi muito. Então, acho que teria poucas coisas a fazer na Unesp.
Um dia, o pessoal do quarto ano estava conversando sobre o quê tinha de arrependimento da faculdade. Sinceramente, não tenho grandes arrependimentos. Talvez eu me arrependa de não ter conhecido melhor meus professores, os quais, aposto, teriam muita coisa a me ensinar. Fora isso, me sinto satisfeita.
Quando a Milena e a Jú, do meu prédio em São Paulo, ficaram sabendo que eu voltei, elas me disseram:
- Mas você vai voltar com freqüência para Bauru, com certeza.
Nem eu parei para pensar nisso.
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Tatiana Aoki
às
17:57
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segunda-feira, dezembro 10, 2007
Assalto
Hoje de madrugada, fui assaltada. Quer dizer, eu e meu namorado fomos assaltados.
Vacilamos muito, é verdade: já passava das três da madrugada, nós nem olhávamos para os lados enquanto caminhávamos....enfim, foi um vacilo que acabou em assalto.
Eu nunca tinha sido assaltada em minha vida toda – e olha que sou de São Paulo, uma cidade teoricamente violenta. Mas foi aqui, em Bauru, nos meus últimos dias de cidade-sanduíche, que fui assaltada por três adolescentes amadores.
Digo amadores porque eles não estavam armados e levaram as coisas erradas, ou melhor, sem grande valor material e pessoal.
Eu e Alberto estávamos caminhando na avenida Nações Unidas (uma das principais de Bauru), quando olhei para trás. Os trombadinhas viram que eu os vi, e então correram em nossa direção e foram pedindo nossas coisas – minha bolsa, inicialmente.
O Alberto estava apenas com uma nota de dois reais no bolso, mas teve de dar também seu celular. Eles pegaram minha bolsa, tiraram os dez reais que tinha lá e eu pedi “pelo amor de Deus, deixem meus documentos!”. Eles deixaram. Pegaram meu celular velhíssimo (para quem não acompanhou, esse era meu quinto celular do ano), que não tinha sequer tela colorida, e largaram minha bolsa. Perguntaram:
- o que é isso?
- É meu aparelho.
- Aparelho de quê?
- De dente. Vocês não vão querer meu aparelho, não é?
- ...E isso?
- Lente de contato.
- Isso é bom, pode ir tirando aí.
- Meu filho, se eu tirar minha lente eu fico cegueta!
Eles não levaram nenhum dos dois itens.
Estava indo embora quando um dos adolescentes indagou:
- E esse tênis aí. É da hora. Pode ir tirando.
Eu respondo:
- Mas é falso!
(não era)
- Pode tirando aí! E você também, vai tirando o tênis!
Tiramos nossos tênis. Eu disse:
- Vai levar a meia também?
Me ignoraram.
- Fica quietinho aí, e se chamar a polícia vai levar tiro!!
Fiquei indignada, me senti o Luciano Huck e seu Rolex, mas obviamente não sou estúpida de escrever um artigo e mandá-lo para a Folha na mesma hora.
Mas hoje, após pensar um pouco sobre o assunto, fazer um BO online e conversar com a polícia, fiquei menos revoltada e mais desconfiada.
Só que, na real, pensei. Pior do que ser assaltada é ser assaltada nas pequenas coisas...como assim?
É você ir ao mercado e eles te cobrarem mais do que o devido, como aconteceu ainda hoje. No supermercado Confiança Max, cobraram-me a mais por um salame. Eu reclamei, e eles disseram que eu estava enganada.
Eu, enganada? Eu não estava enganada!
Fiquei tão revoltada quanto com o assalto, com a diferença de que todos no DesConfiança estavam contra mim. No Brasil, consumidor não tem vez – é a empresa (ou o sistema) que tem razão.
Senti-me duplamente assaltada hoje. E o pior: na segunda vez, não pude chamar a polícia...eu era a marginal.
...........
Ps: reparei que eles pegaram também meu Halls de morango! Ninguém merece.
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Tatiana Aoki
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sexta-feira, dezembro 07, 2007
Meu blog não é engraçado
Cansei de ouvir que meu blog é hilário, que “eu choro de rir com o seu blog”, etc, etc.
Mas sabiam que o Vitamina B não tem como objetivo final ser engraçado? Ou será que minha vida é uma tragédia ambulante?
Na verdade eu não tenho pretensão de ser engraçada, longe disso. Mas tento ser o mais fiel possível da minha realidade.
Engraçado mesmo são os meus diários reais, principalmente de minha infância, cujos problemas que eu enfrentava eram do tipo: “Deus, por favor, me ajude a passar na prova!”, ou “Eu tenho que tirar aquela figurinha do Rei Leão”. Juro: eu não consigo lê-los, porque me dá uma baita vergonha alheia. Vergonha de ser eu!
Acho que vou considerar a idéia de publicar algumas coisas que escrevi quando eu tinha sete anos (idade do meu primeiro diário, dado de presente pela Milena).
Lembrem-me disso, porque acho que até eu vou chorar de rir...
Sendo assim, tenho pretensões de tornar este blog um reduto de seriedade e de filosofia. Para que, daqui a alguns anos, eu não sinta a maior vergonha alheia do mundo.
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Tatiana Aoki
às
18:03
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quinta-feira, dezembro 06, 2007
Agora e pra valer
Oficial: a partir do dia 15, sou uma paulistana novamente. Ou antes, mas nao depois.
Se estou triste por ir embora? Estou, porque significa que uma etapa da minha vida acabou. Mas ao mesmo tempo sei que nao quero mais estar na graduacao. Cansa muito.
Agora, sou uma recem formada. Nova vida, novos problemas.
Sao Paulo, tremei.
quinta-feira, novembro 29, 2007
Sem retorno
Estava olhando as fotos de antigos churrascos de nossa sala, e reparei como as coisas mudaram: se antes, as garotas usavam minissaias, hoje usam minishorts. Reparou a quantidade de garotas que estão usando shorts pelas ruas?
Há uns três anos atrás, eu só usava shorts para ficar em casa e para andar de bicicleta. Hoje, esses shorts que ficaram mofando em minha gaveta estão disponíveis para encarar inclusive uma balada...
Mas a questão que ficou também ao olhar essas mesmas fotos foi a seguinte: como mudaram as pessoas também! Uns ficaram mais gordos, outros mais magros, e a maioria....mudou de amigo. Mudou de turma, de convivência, de prioridade.
Não sei exatamente o que isso significa - se é um sinal da fragilidade das relações interpessoais, ou se as pessoas mudam tanto, mas tanto, que, em quatro anos, ninguém se reconhece mais.
O mais engraçado é que, daqui a uma semana, estará tudo acabado: TCC, trabalhos, faculdade.
Os supostos melhores anos da vida que vão e não voltam mais.
sexta-feira, novembro 23, 2007
Gosto
Tem alguns blogs que sempre frequento, alem daqueles que sao de meus amigos. Mas considero alguns blogs essenciais para nossa democracia: Conversa Fiada, de Paulo Henrique Amorim, e o Blog do Sakamoto. Ha um post no blog Conversa Fiada em que sao definidas as opinioes e diretrizes do blog. Faco o mesmo, em homenagem a um dos melhores jornalistas da atualidade, que nao tem medo de mostrar a cara.
O VitaminaB nao gosta de:
- Carne Moida, carne cozida e mal passada
- PSDB, DEM, PMDB e filiados
- Destilados
- pessoas apoliticas
- neoliberalismo
- pos modernidade
- Guns n Roses, Rolling Stone, Legiao Urbana e Bob Dylan
- Micareteiros
- kantianos
- fanaticos por carros, academias, raves
- jornal televisivo, principalmente Jornal Nacional
- midia golpista
- metodicos
- medrosos
- leite
- carro
- falar sobre a fajuta crise aerea
Ok, polemicas a parte, vamos a algumas coisas que o VitaminaB gosta:
- emails
- bicicleta
- queijo branco
- jornal impresso
- cinema brasileiro
- emprego publico
- Pink Floyd, Radiohead, Bjork, Nacao Zumbi, Talking Heads, etc
- dormir 8 horas por dia
- escolher pao
- viajar, sempre
- rever amigos
- sentir saudades
- Estado forte
- Carta Capital, Le Monde, Caros Amigos
- brechas no sistema
- nao ter que pentear o cabelo
- amendoim frito
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Tatiana Aoki
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21:29
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quinta-feira, novembro 22, 2007
In Rainbows
A única novidade é que estou viciada em Radiohead. Não sei qual é o melhor cd deles até agora – estou em dúvida entre The Bends, OK Computer, Hail to the Thief e In Rainbows.
Ontem eu ouvi duas vezes seguidas o The Bends – quando isso acontece, é sinal de que vai se tornar daquelas “bandas favoritas”, ou seja, nada passageiro.
Ás vezes eu confundo a sonoridade do OkComputer com a do Bends, ainda que eles sejam bem diferentes. Mas a real é que ambos são deprimentes, enérgicos e alegres ao mesmo tempo.
Vejo o quanto eles influenciam as bandas atuais, e como conseguem ser tão ingratos porque nunca vieram ao Brasil.
Pior é que, ano que vem, vou pagar entrada INTEIRA e, provavelmente, a ticketmaster vai cobrar uns 200 reais o lugar mais longe do palco. Só porque são mercenários ao extremo.
Suede
The Smiths
Talking Heads
Pink Floyd
R.E.M.
Pixies
Queen
Jane's Addiction
Nirvana
Dessas, sete são bandas que estão entre minhas top, top, top.
Parece que estou sendo customizada..não! Preciso de outras influências musicais, mas não consigo.
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Tatiana Aoki
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terça-feira, novembro 20, 2007
Celulares
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Tatiana Aoki
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