domingo, setembro 21, 2008

Show do Weezer: sentados e batendo palmas.


única foto que consegui tirar de maneira decente (é proibido tirar fotos no show)

Sonho de toda fã de Weezer é ouvir o Rivers Cuomo bem nerd, de óculos, cantando Buddy Holly de um jeito tímido enquanto a galera pula feito louca na platéia. Certo?

Bem, seria isso se eu tivesse ido ao primeiro e único show do Weezer no Brasil, em Curitiba. Disseram que foi um dos melhores shows do Weezer, mas o perdi, então fui onde tive a primeira oportunidade: no Japão, em Nagoya (capital de Aichi, a província com maior concentração de brasileiros no Japão).

Peguei o metrô ouvindo o Blue Album só para entrar no clima e, chegando ao local, vejo uma multidão de japas indies devidamente equipados para o show, que iniciaria numa terça, às 19h. Levavam bebidas e alguns petiscos, usavam camisetas criativas do Weezer e apenas os garotos (a grande maioria presente) usavam tênis - as meninas montaram no salto e abusaram da maquiagem.

Após entrar em uma fila devidamente organizada e sem chance de "furões", a platéia entra no auditório, com cadeiras acolchoadas e marcadas previamente. Mas, antes, uma outra fila. Meio aborrecida, entro logo atrás e eis que, dez minutos depois, percebo o que era a tal fila: apenas dava para a loja de souvenirs, para que todos comprassem camisetas, cds, faixas, entre outros. Se fosse no Brasil, a loja estaria às moscas. No entanto, como todo japonês que se preza, consumir é uma das coisas mais divertidas.

Saio da fila, procuro minha cadeira enquanto visualizo os japoneses vestindo a nova aquisição - uma camiseta preta escrita "Weezer Japan Tour". Todos usavam a tal camiseta recém-comprada, parecendo um uniforme ou uma condição para se entrar no local. Vestindo uma regata vermelha, acho meu lugar - entre japoneses que vão sozinhos ao show e ficam quietos e sentados esperando o início. As cadeiras são extremamente pequenas, e alguém com o quadril da mulher melancia nunca conseguiria sentar no banco.

Com apenas um segurança em frente ao palco, Rivers Cuomo aparece bem antes do início, e senta-se na lateral do palco. Os japoneses começam a dar tchauzinho para ele e, só após certo tempo, percebo que o vocalista estava andando tranquilamente entre o público, sem ninguém tentando agarrá-lo ou algo parecido. Apenas "tchauzinhos", alguns sorrisos e nada de fotos ou celulares sendo disparados - ambos são terminantemente proibidos durante o show.

Bem à vontade, Cuomo começa a falar japonês com certa desenvoltura e, em seguida, uma banda de japoneses entra na lateral do palco, portando baterias improvisadas e violões. Os japoneses e Rivers começam uma sessão acústica e, em seguida, a banda toda entra. Dá-se início ao show.

Com a banda e os japoneses, Cuomo canta enquanto caminha pela platéia, e já manda a bonitinha Island in the Sun, seguida de El Scorcho. Para finalizar a sessão calmaria acústica, tocam Beverly Hills. A banda se despede dos convidados, sai da lateral do palco e vão tocar no palco principal o que todos querem ver: a versão rock.

Os japoneses, empolgados, finalmente se levantam com Dope Nose, do Maladroit. Segue com o mais novo single do Red Album, Pork and Beans. A qualidade do som do local impressiona, e fica ainda mais visível quando tocam a terceira música, Hash Pipe, um dos clássicos do elogiado Green Album.

Os caras mostram que têm talento quando trocam de instrumentos e de vocais entre si. Em Automatic, do Red Album, Rivers vai para a bateria e Patrick Wilson, o baterista, vai para o vocal e guitarra. Embora seja muito boa, a música dá uma esfriada no público, que anima novamente quando inicia My name is Jonas, outro clássico do Blue Album. Pausa para o bis, e os japoneses batem palmas intermitentemente até a banda voltar. Cuomo, de shorts e meias altas, coloca um chapéu de caubói e volta ao palco, bem no estilo "nerd sim, e daí?".
Em japonês, Cuomo adverte que é a primeira vez que eles tocam The Greatest Man That Ever Lived, uma das melhores do Red Album. Segue com a fraca Perfect Situation e a divertida Troublemaker, e pausa para mais um bis. Desta vez, aparentemente o show acabaria, mas a galera não pára, principalmente a meia dúzia de americanos e canadenses, que gritavam por todos os japoneses.

Os integrantes voltam e tocam a música que uma canadense ficou pedindo durante todo o show: Undone -The Sweater Song. Logo em seguida, o cover da manjada We Will Rock You, do Queen. Aí, dava pra perceber que o show ia acabar, mas os japoneses não sossegaram de bater palmas até que as luzes se acendessem.

Embora a platéia faça toda a diferença para o sucesso (ou não) de um show, o Weezer tocou todas as músicas com perfeição e soube dosar hits com as novas do Red Album.

Set List:

Acústicos
Island in the Sun
El Scorcho
Beverly Hills

Versão tradicional
Dope Nose
Pork and Beans
Hash Pipe
Suzanne
Buddy Holly
Pink Triangle
Automatic
Say It Ain't So
Keep Fishin'
My name is Jonas
The Greatest Man That Ever Lived (Variations on a Shaker Hymn)
Perfect Situation
Troublemaker
Undone -The Sweater Song
We Will Rock You (cover)

terça-feira, setembro 16, 2008

Pink Floyd com Calpis



Por tempos, meu integrante favorito. E agora, mais um que falece de minha banda favorita. Richard Wright, fundador do Pink Floyd, morre aos 65 anos de idade, em uma batalha contra o câncer. Fiquei chateada e um pouco chocada, mas algo me deixou mais estarrecida do que esse fato.

Percebeu a quantidade de pessoas que estão sofrendo/falecendo de câncer?
Não sei se é porque assisti ao documentário The Corporation ou Super Size Me, porém tenho certeza de alguma coisa: estamos ingerindo o quê, afinal?

Tá, os conservadores de plantão dirão que "são as drogas, afinal, todo artista é drogado". Acho que o buraco é mais fundo. São as comidas, bebidas que ingerimos.
No Japão, que é o cúmulo dos artificialismos alimentares, eu posso tomar uma bebida (se é que pode ser chamado de bebida) que parece um Yakult de 500 ml. É branco, meio leitoso, com gosto de Yakult. O que tem dentro? Não tenho a menor idéia - e ai de quem se submeter a descobrir.

Aqui, os limões, laranjas, mexericas, melancias, maçãs, não têm sementes. Isso que são "da natureza". Frangos alimentados com muito hormônio, leite enriquecido com vitaminas e muito, mas muito conservante (onde já se viu um leite durar um ano? Como podemos achar que ele veio "direto da teta da vaca"?)

Posso estar no impulso do fato de o tecladista do Pink Floyd ter morrido de câncer. Mas, pensem bem: muita gente está sofrendo de câncer nos últimos anos.
Li uma pesquisa que perguntava às crianças: "Qual o seu maior medo?"
Ter câncer era um temor maior do que a própria morte.

Hoje, só para constar: comi um embutido que nem sei o que é no café da manhã, junto com uma xícara de leite desnatado e um queijo amarelo e mole. No almoço, comi pepino sem semente, tomate minúsculo e bem doce.

À tarde, comi uma maçã que vale por três do Brasil, suculenta e crocante. Perfeita, mas irreal.

E estou chupando umas balinhas diet de pêra e manga.

Considerando que pelo menos a metade do que eu como é transgênico, modificado geneticamente e com alto teor de conservantes, corantes e umidificantes: serei eu a próxima vítima? E quem não é?

domingo, setembro 14, 2008

Coisas do Japão 1 e 2

Fui ao show do Weezer semana passada, e juro que vou contar tudo. Ontem eu fui ao show do Gilberto Gil e de uma banda japonesa/brasileira, chamada Ganga Zumba, muito boa por sinal. Baixem, que vale a pena.

.....

Preciso tirar mais fotos de minhas desventuras, mas a verdade é que a única foto que tirei ontem foi em frente a um carro, lançamento da Toyota, que minha mãe obrigou a tirar, bem no estilo "trouxas que têm vontade de ter um carro chique mas não podem".
......
Estou mudando um pouco meus conceitos em relação aos japas, mas devo admitir que não consigo aceitar o fato de que uma japa vá ao show do Gilberto Gil de salto 15.
.......

Na sexta, um dos dias mais estranhos da minha vida, uns peruanos ficaram tocando músicas em frente à estação de Nagoya. Uma japonesa de idade, que devia pesar uns 35 quilos, ficou dançando feito louca a música deles. Eu ria tanto que nem conseguia me controlar e tinha um policial ao meu lado que, em vez de impedir a algazarra, ria mais do que eu.
Para completar, um japa gordinho também se empolgou e começou a dançar ao lado da magrela. Ficou a situação mais bizarra, e eu ria ainda mais. Tive que sair de lá mas, se pudesse, ficava rindo o dia todo.
Coisas do Japão.

.....

Toda vez que vou a uma farmácia, não resisto e me maquio toda com as "amostras". E não sou só eu que faço isso não - pelo contrário, isso é praticamente um hábito das japonesas.
.....

No sábado, um indiano se aproxima de mim e diz em inglês: "Você é aquela atriz?". Eu, que não tava a fim de papo, desconversei, achei que fosse mais um xaveco furado. Pior que acho que ele realmente achou que eu era uma atriz, porque ficou enchendo a paciência. Aí eu disse que não era atriz coisa nenhuma, que ele estava louco.
Indiano: "Mas eu sei que você estava aqui promovendo o High School Musical"
Eu: ????

Saí correndo.
Coisas do Japão2

domingo, setembro 07, 2008

Algumas constatações.

Estou ouvindo alucinadamente algumas coisitas:

- The Verve - Forth
- Jimmy Eat World - Futures
- MGMT
- Tom Zé - Estudando o Samba

Dormindo pouco, conhecendo gente de maneiras absurdas, tentando aprender japonês, andando de bicicleta, com unhas por fazer há um mês, cabelos necessitando de um corte meio japa, computador sem net, calor, sol de rachar, sapatos a 500 ienes (cerca de 8 reais), blusas por 300 ienes (5 reais), com menos dinheiro do que tinha no Brasil.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Perdida nos amerikajins

Esse filme é a descrição dos gringos no Japão.

Amerika jindesuka?

Ainda estou embasbacada com algumas coisas que vivo no Japão. Da outra vez que vim aqui, no fim de 2005, eu tinha uma certa identidade: era brasileira, e acabou. Os japoneses me achavam brasileira.

Agora, não sei ao certo por quê, isso mudou. Toda hora sou confundida com...americana. Os japoneses cismam em falar inglês comigo, falam "Thank You" em vez de "Arigatou" e, sempre que puxam papo, já chegam falando inglês. Perguntam, na cara de pau:
- Amerika? (aguardando ansiosamente a resposta positiva).
Sempre respondo: No, burajiru jin desu. (não, brasileira).
A alegria de meu interlocutor passa rapidamente, como um furacão. Normalmente, depois disso, o assunto acaba.

Eis que, no final de semana passado, estava eu, na chuva, perdida em Nagoya, caminhando como a típica gringa/perdida/com um mapa na mão. Uma senhora japonesa chega em mim e pergunta, em inglês, onde eu queria ir. Eu expliquei, ela foi bem solícita e tal. Depois de um tempo, me pergunta:
- De onde você é?
(Pensei. Pensa, Tati. Resolvi. Vou dizer que sou AMERIKA, só para ver sua reação)
- Amerika.
A reação dela é impossível de ser descrita. Mas imagina uma velhinha japonesa descobrindo que ganhou um concurso de karaokê. Mais ou menos esse rosto que você tem que imaginar.
- SUGOIIIIIIII (que legal!!!)

Depois disso, só faltou ela beijar meus pés. Olhei, fiz que não entendi, e vazei.

Fiquei p### da vida com a situação. Como um país que bombardeou e quase destruiu o outro pode ser tão idolatrado?
Mais tarde, em casa, pensei novamente: será que não faríamos igual se um americano viesse ao Brasil, mesmo depois de os EUA financiarem a ditadura militar, privatizar o Brasil e dominar nossa língua? Será que o mundo todo, com exceção dos palestinos, deve se curvar aos estadounidenses?

Se alguém ler Noam Chomsky pode ser que essa subserviência ridícula mude.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Soy una pirata...


Neste momento, estou baixando alguns álbuns do Rage Against the Machine, o álbum Cê, do Caetano Veloso, bem como estou procurando algumas legendas de programas japoneses.

Se isso é errado? Bem, de acordo com leis de direitos autorais, elaboradas antes da existência da Internet, isso é errado, sim. E a Internet revolucionou toda a forma de se enxergar o mundo.

Posso dizer isso porque sou da geração de transição do analógico para o digital. Entrei pela primeira vez na Internet aos 12 anos, e afirmo que, nestes 10 anos, minha percepção de mundo seria totalmente diferente se não fosse a Internet. Provavelmente eu não conheceria e não iria a vários shows que vou, simplesmente porque eu não teria grana de comprar todos os álbuns de que tenho vontade.

Há uns quatro anos atrás eu sentia vontade de ter encarte, letra, etc. Hoje nem disso preciso mais, porque baixo as capas dos álbuns, bem como as letras.

As leis foram feitas pelos homens, e por eles devem ser modificadas. Pirataria é baixar algo com intenções de ganhar dinheiro, vender. Agora, para uso pessoal, não há o menor problema. Você ainda não baixou nada na Internet porque acha que está cometendo um crime?

Te escrevo duas coisas:
1) Você não sabe o que está perdendo.
2) Confessa, vai: na verdade você nem sabe o que são arquivos do tipo torrent, nunca baixou nada de blogs específicos, nem sabe abrir um arquivo zipado. É por isso que prega a tal do legalismo - por ignorância do mundo virtual.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Casa e bicicleta

Bela cena de japoneses olhando uma obra brasileira

Escadaria do Museu de Arte de Toyota

Comi várias coisas extremamente estranhas, com certeza o extremo do transgênico. Uma pêra em forma de maçã verde - que tem gosto de algo que, definitivamente, não é pêra nem maçã. Umas uvas minúsculas, porém gostosas.

O bom é que eu posso comer, aqui, coisas que seriam caras no Brasil, como kani, shitaki, shimeji, arroz japonês, manju, entre outros.

Por outro lado, fico morrendo de arrependimento por pagar algo em torno de 4 reais por uma maçã.

.....

Dei uma faxinada na minha vida.

....

E esqueci de falar: faz uns quatro dias que estou andando diariamente de bicicleta. Uma das melhores coisas de se fazer, principalmente no Japão. Obviamente, como não poderia deixar de ser, me perdi por umas 2 horas. Entenda: o Japão é igual o tempo todo, e basicamente as ruas não possuem nomes. Sem GPS ou memória, impossível.
Mas andar por aqui é coisa de outro mundo.

....

Só ontem que eu posso chamar minha casa de "casa". Isso porque, finalmente, consegui arrumá-la de vez, e deixa-la relativamente apresentável. Até então, a toalha ficava na cozinha, os jornais no quarto e os livros espalhados por aí.

Aliás, por falar em livros: li as histórias em quadrinhos "Desista", do Kafka, presenteado por Dacax. Excelente.

E agora estou lendo razões de estado (tudo minúsculo mesmo), do Chomsky. Denso e esclarecedor, mas ainda faltam umas 400 páginas para terminar.

.....

Entrevistei o Moreno Veloso, filho do Caetano Veloso, em um show dele em Toyota (Aichi). Tinha até uma exposição muito boa sobre o Brasil, em homenagem ao Centenário. Tirei umas fotos, postadas aqui.

Japas olhando a exposição Florescendo Brasi-Japão

sábado, agosto 16, 2008

Você sabia que...

Tem umas coisas por aqui que, para quem já mora no Japão, são meio óbvias. Mas não custa comentar.

Uma mania sexual dos japoneses :
- roubar calcinha (de preferência, suja)

Pão:
- a fatia do pão daqui é imensa - quase o dobro do tamanho do pão de fôrma do Brasil

Mulheres:
- usam roupas, maquiagem e penteados iguais às de uma debutante - no dia-a-dia!

Celular:
- cuidado: quando você menos espera, tem alguém te filmando escondido (o celular dos japas têm televisão, internet, câmera de 5 megapixels e vídeo)

8 ou 80:
- os japas são ou nerds ou totalmente loucos (pelo menos, é o que eu acho)

Eles falam o idioma EIGO:
- ou inglês, se você entender alguma coisa do sotaque deles

Dormem em qualquer lugar:
- isso corrobora para a afirmação do Alberto de que os japoneses adoram dormir...

...

Eu estou totalmente pobre, e ficarei ainda mais:
- vai ter show do Weezer e do Radiohead!
Por que eu fui ficar sabendo disso...

terça-feira, agosto 12, 2008

Maior mico do Japão!

Sem dúvida, foi meu maior mico do Japão até agora!
Eu comprei uma cadeira de escritório ontem. Montei a cadeira, no maior cansaço, com ajuda do parceiro Gilberto. Até aí, tudo certo. Eis que, ao testá-la, ela simplesmente era péssima: torta, baixa, e ruim demais para escrever em frente ao computador. Insisti, insisti, e o Gilberto concordou: vamos trocá-la na loja japonesa.
Detalhe: como eu vou falar para o funcionário da loja que a cadeira é desconfortável, o encosto é ruim, etc? Fiz o mais óbvio: anotei a frase QUERO TROCAR ISSO (ou seja, NANIKA O HOKA NO MONO TO TORI KAERU, em japonês) no caderninho, pegamos a cadeira e fomos para a loja.

Chegando lá, surpresa: a loja estava fechando! Corremos, com uma cadeira imensa nos braços, antes que a loja fechasse...
Descrição da cena:
TATI: Sumimasen! (COM LICENÇA). NANIKA O HOKA NO MONO TO TORI KAERU...
FUNCIONÁRIO: ?? Por que? (ele falou algo assim, pelo que eu entendi)
GILBERTO: ...
TATI: ...

Aí, começa a descrição. Foi mímica pra cá, mexe na cadeira para tentarmos explicar, e nada do japonês entender. Aí, começou o pior. A pior coisa que se pode acontecer no Japão: eu tive um ataque de riso. Não conseguia conter, ria sem parar, na frente do funcionário. Ele começou a ficar bravo.

TATI: hahahhahhahh
GILBERTO: Tati, pára de rir! Não pode!
TATI: AUHAUHAUHAUHAHUAHHUAUHAUH
FUNCIONÁRIO: ????

No final, o cara pegou a cadeira, e a levou para um outro lugar. Uma japonesa pegou a cadeira, a nota fiscal, e devolveu o dinheiro para mim. E eu, rindo.

Na saída, o Gilberto manda eu ficar quieta. Acabei rindo até o caminho de casa...Não volto lá por um bom tempo - ou até eu tingir o cabelo e o inverno chegar.

(Isso que o Gilberto implorou para que eu não citasse o nome dele neste dia fatídico)

domingo, agosto 10, 2008

Televisão digital: a farsa japonesa, entre outras críticas infundadas...

Esse papo já deu, e o Brasil meio que deixou o assunto de lado. No entanto, eu não poderia esquecer que o modelo de televisão digital adotado no Brasil é, sim, o modelo japonês. E estou tendo a experiência de televisão digital por aqui também.

Pois é, aqui a televisão digital está em um patamar bem mais adiantado, claro. E o governo brasileiro prometeu as seguintes possibilidades da televisão com o padrão japonês: maior mobilidade e qualidade da imagem. Pois bem, vemos por aqui alguns japoneses assistindo televisão no metrô e no carro. Vi que a televisão do hotel em que eu estava hospedada tinha um modem acoplado. Nele, você poderia conectar-se à internet e também comprar filmes, ouvir música, assistir a programas pornôs – desde que pagasse uma certa quantia por isso (algo em torno de 10 dólares por programa, filme, etc). Na verdade, é como um pacote da Sky de pay-per-view. Nada muito animador.

A única coisa que me surpreendeu foi ver, em uma loja de eletrônicos chamada Yamada Denki, uma mistura de televisão com desktop (ou computador de mesa. Seria bom se os brasileiros parassem de adotar estrangeirismos em termos informatiquês). São uma espécie de televisões de plasma, 30 polegadas e tela LCD, só que vêm em seu interior um processador que te permite acessar a web. No caso, poderíamos ver vídeos do YouTube, em alta resolução e velocidade, em uma tela de televisão. Meio surpreendente, admito.

Acontece que a tecnologia é uma farsa, do ponto de vista que mascara o que realmente importa: o conteúdo. De que adianta ter uma televisão/computador/celular/iPod se o conteúdo é um lixo completo? De que adianta comprar esse acoplado tecnológico se a única possibilidade que possuímos é de ver as famílias Marinho, Abravanel, Macedo, bem como grupos como Disney (que é dona da MTV), e outros lixos nacionais/internacionais?

Sei que é um desabafo frente a maravilhas tecnológicas. Mas hoje, pela segunda vez em que estou no Japão, tenho uma visão muito mais crítica, tanto dos japoneses quanto de seu “japan life style”. Eles possuem celulares iguais ao iPhone faz um tempão (todos, absolutamente todos, são 3G), porém fazem fila para comprar o iPhone – porque dá status e é como se dissesse “também sou americanizado”. Sem contar que eles têm, em suas bolsas, os seguintes artefatos tecnológicos: celulares 3G, dicionários eletrônicos (parece um iBook), jogos PSP, iPod, laptops minúsculos. Se um celular tem tudo isso em convergência, para quê comprar tudo isso separado? Ah, é verdade, é o maldito status que faz com que madames comprem bolsas de 40 mil dólares para levar seus cachorrinhos aos salões de beleza, para participarem de concursos caninos, enquanto alguns milhões morrem de fome ou vivem de Bolsa Família.

domingo, agosto 03, 2008

Procuramos independência....


Uma das coisas mais difíceis do mundo é aceitar mudanças radicais. Quanto mais você aceita e convive com as mudanças, mais independente vai ficando. Nem sempre isso é bom, pois a independência pode cair no individualismo exacerbado ou, pior, no egocentrismo.
Acho que ser independente, na prática, é acordar e saber que é você que:
vai ter que

limpar a casa
pagar as contas
se cuidar
cozinhar
acordar
se jogar

No entanto, seja você independente ou não, uma coisa é fato: somos seres sociais, e dependemos uns dos outros. Então, nunca seremos totalmente auto-suficientes. Eu adoro ficar sozinha, mas...Nada como ter as pessoas importantes por perto.

Calor da balada


Estou no Japão há...4 dias. E ontem eu fui a VÁRIOS lugares: primeiro, Harajuku, o bairro em que os fãs de animes e pessoas vestidas bizarramente são encontradas a qualquer momento.

rua calorenta de Harajuku


Depois, Akihabara, o paraíso dos nerds e fãs de eletrônicos. Imagina uma Santa Ifigênia ou um Stand Center do Japão. Mais ou menos isso. Comprei um iPod semi novo por 150 dólares, um Pendrive de 1g por 7 dólares.

Em seguida, fui à 25 de março do Japão. Tem literalmente de tudo: lojas de cosméticos, feira livre, brechó...

Eles só passam com o farol verde!

Para terminar, fui ao local mais comentado: Hoppongui, o local em que cada esquina tem uma balada diferente! Entrei em várias, com os mais diversos estilos: dancei salsa com um japonês, conversei em japonês com um africano, bebi a cerveja Sapporo – que é bem ruim, por sinal – , vi várias australianas que mais parecem terem saído diretamente de Hollywood, sem contar peruanos, americanos, ingleses, africanos, indianos, e, claro, os japas.

Cheguei em casa umas sete da manhã.

Acordei e fui, sozinha, a um parque famoso aqui de Tóquio. Foi o parque mais bonito que já fui, só que não tirei fotos, porque a bateria da minha câmera acabou...Tinha lagos com tartarugas, floresta com mata fechada, pontes de jardim japonês, carpas, tudo minuciosamente ajeitado.


sexta-feira, agosto 01, 2008

Karaokê!!

César e Pablo cantando em japonês no karaokê box

rua próxima ao meu hotel

Estou na maior ressaca do universo...Mas estamos aí.

Ontem eu fui à despedida do diretor de Redação. Teve alguns chopes (a propósito, melhores do que os do Brasil), diálogos bilíngues e experimentos de várias iguarias: aquele ossinho mole da galinha empanado, barbatana de tubarão grelhada, peixinha grávida (e com os ovos dentro), semente de soja dentro do broto, pizza japonesa (que é horrível). Além disso, há a experiência antropológica de observar executivos japoneses bebendo feito uns condenados e rindo alto.

Depois, fomos a um karaokê. Cantei e matei a vontade:

  • Radiohead

  • Spice Girls

  • Amy Winehouse

  • Franz Ferdinand

  • Esqueci

    Metrô com desenho de Pokemon...

    Hoje eu vou a Harajuku, nem que seja sozinha! O metrô daqui é muito difícil de andar....E nem vou falar que vai ter fotos no Flickr!


quarta-feira, julho 30, 2008

Irashaimase

busão de escala em Paris.

Ainda não é Tóquio. Paris mesmo.

Para todos que aguardam por informações diretamente de Tóquio...

Bem, cheguei cansada, porém normal, no Japão. O calor aqui está forte, contudo nada diferente de Bauru, em janeiro, ao meio dia. Sério: bauruenses aguentam fácil o calor daqui. O engraçado é que a lembrança que eu tinha da outra vez que fui ao Japão é de um país frio, com pessoas frias e acanhadas. Mas o calor muda tudo: o povo anda mais descontraído, suando. Uma visão atípica do Japão, visto que, por aqui, o tempo está mais para frio do que calor.

Em Paris, conheci uma japonesa que dá aulas de inglês – sim, ela é uma das poucas japonesas que falam inglês com bastante habilidade. Ela me ajudou a entender um pouco seu povo antes de eu “enfrentá-los”.

No avião, eu vi dois filmes: Penélope e 21. Alguém já ouviu falar neles?

Ainda estou com cólicas de ansiedade, acho.

Hum...Tóquio é igual aos outros lugares do Japão, mas é mais apertado e lotado de gente. Ainda quero passar em Hoppongui – com suas baladas para gringos – e também em Akihabara, o principal centro de tecnologia de Tóquio.

Acordei umas cinco da manhã hoje, e estou escrevendo às seis. Pior é saber que, desde a última vez que tive consciência de datas, eu estava na segunda feira. E hoje já é quinta.

O quarto do meu hotel é bastante apertado. Para se ter uma noção, não tem mesa, e eu tenho que escrever em cima da cama. Quer dizer, tem uma mesa. Embutida, como quase tudo no Japão.

Hum...como eu já vim para cá, não sei direito o que seriam novidades ou coisas batidas. Tirar o sapato foi um hábito que eu quase esqueci.

E, sim, o arroz japonês é o melhor do mundo.


Mais fotos, Flickr!

segunda-feira, julho 28, 2008

Lá vai...


Daqui a menos de quatro horas estarei em Cumbica.

Vai ser difícil aguentar as saudades de muitas pessoas extremamente especiais para mim. Na minha despedida, foi impossível conter o choro ae ver, juntas, todas as pessoas que amo, admiro, e realmente gostaria de transportá-las para o outro lado do mundo junto comigo. Porém, a vida é feita de desafios, e sei que todo aprendizado requer coragem e garra para suportar qualquer dor. Neste momento, meu estômago dói.

Chorei muito nesses dias, talvez como nunca em toda minha vida. Pior que, toda vez que choro, tenho que conter minhas lágrimas e pensar objetivamente. Porque, se eu pensar apenas com a emoção, simplesmente não pararia de chorar por horas. E, se todos nós fôssemos movidos apenas pela emoção, provavelmente não cresceríamos.

Foi aí que pensei em meus maiores desafios até agora:

  • Enfrentar o primeiro dia de aula

  • Ver meus pais irem para o outro lado do mundo

  • Ir para a Unesp

  • Primeiro emprego

  • Prova da auto-escola

  • Passar no vestibular

  • Ter de superar a morte de entes queridos

  • Não ter medo de morar sozinha

  • E, agora, mais este


Alberto, meu namorado, que deixei mesmo sem querer: você é uma pessoa muito importante em minha vida. Não quero que deixe de falar comigo, pois te desejo o que há de melhor neste mundo. Que você seja feliz. E que nossos planos profissionais (junto com amigos que admiro profundamente) se concretizem.

Eu abomino despedidas. Mas, hoje, sei que é um ritual importantíssimo. Ter ido embora da Unesp sem me despedir foi bom apenas por um lado, porque você não sente tanta dor. Porém, sentir dor é sentir o quanto ama algumas pessoas em sua existência.

Meninas da Jaci, pessoal do Renovação, Lumen, Unesp, Bunkyo, galera que conheci pelo Kina (brother até o fim), pela minha irmã, em atividades profissionais...Todos estão em meu coração – para quem não sabe, eu tenho uma memória de elefante.

Obrigada Jú, Kina, Alberto, Midori, Rodrigo, Bruno, Nadia, Vi, Bia, Sayuri, Jú, Naty, Paty, Linne, Mi, Má, Emy, Telite, Gabi, Carol, Bulhões, Gabriel, Ruiz, Dacax, Glauco, Marcos, Fran, Sérgio, Mineiro, Luiz Augusto, Lara, Vera, Xenya, Fer, Mari, Marja, Naty, Piri, Gigio, Lidi, Monica, e mais um monte de gente que passou pela minha vida e deixou marcas profundas em mim.

É isso. Que venha Nagoya!

(mãe, pai, tô chegando)

quarta-feira, julho 23, 2008

Despedida


Agora é oficial: vou embora do Brasil daqui a poucos dias...
Serei correspondente no Japão, ou seja, este blog provavelmente será dedicado à minha nova vida. E outros assuntos, claro!

segunda-feira, julho 14, 2008

Correndo do medo

O que você faz quando tem um lapso de medo? Veja a seguinte cena, e admita se isso nunca aconteceu a você:
Domingo, 23:30. Sozinha, em casa. Vendo People´n´Arts. Dá aquela vontade de ir ao banheiro...
Saio do quarto, tudo escuro. De repente, bate um medo aleatório, daqueles que te travam. É o medo do escuro? De espíritos? De estar sozinha?

Eu tive isso ontem. Fingi que não senti um calafrio ao ver a sala escura sob um frio de 10º C. Enrolei-me nas cobertas, segurei a bexiga e fui dormir.

Sorte que eu dormi pouco: acordei às 5:30 e fui correr nas ruas escuras de Sampa. Aliás, alguém já fez isso? Correu pelas ruas de São Paulo sob um frio de 8ºC? Garanto que é ótimo.
Eis o meu trajeto de hoje:


Exibir mapa ampliado

segunda-feira, julho 07, 2008

tim Tim

Achei interessante uma nova onda nestes últimos dias. Um monte de pessoas que conheço estão ficando com “preguiça” de sair. Motivo:
- Não posso beber porque vou dirigir, então nem dá vontade de sair.

Tem gente que fala que não dirige pior depois de umas cervejas, e outros falam inclusive que dirigem melhor sob efeito do álcool. Vou ser curta e grossa quanto a essa lei: tem mais é que ser rigorosa, dura e punitiva. Sou ainda mais radical: propagandas de bebidas alcoólicas deveriam ser proibidas, sobretudo as de patrocínio de eventos.
Permitir publicidade de bebida nada mais é do que o Estado legitimar a carnificina que são as conseqüências de se dirigir bêbado.
..........
Por que bebemos? Porque ficamos cansados de trabalhar 40 horas (no mínimo) por semana, queremos esquecer da nossa cor amarelada de escritório (enfurnados 8 horas por dia), e temos vontade de fugir da realidade que nos corrói. Trabalhamos arduamente para termos dinheiro, que gastamos sumariamente em baladas fúteis e bebidas de gosto duvidosos, porém com efeitos deliciosamente divertidos.

A solução é deixar a vida suficientemente com sentido, para que possamos nos sentir livres o suficiente de qualquer vício.
Ou seriam que bebidas são boas o suficiente para darmos um "chega pra lá" nos moralistas de plantão e dizermos: "Em caso de emergência, dê-me cerveja!"

Como diria nosso amigo Zeca, "só no sapatinho..."

La Maquina!


Se o mundo é movido a sexo (!), e os adolescentes estão iniciando na vida sexual cada vez mais cedo, coisa tem. Alguém está fazendo alguma coisa a respeito? Espero que sim, porque se o Estado continuar com essa lorota de que sexo, só depois do casamento, vamos ver muita gravidez (sem contar as DSTs) indesejadas da vida...

E, para evitar a gravidez teen, uma das propostas é colocar máquinas de camisinhas nos colégios. Concordo com uma política de redução de danos porque, embora não seja a ideal, em conjunto com ações a longo prazo, as ações paliativas acabam sendo benéficas.

Bem, mesmo assim, não acho que o colégio tenha de colocar máquinas de camisinha para estimular o sexo seguro. Porque, por mais que a escola seja um local de convivência e contato com possíveis parceiros sexuais, este não é o objetivo de se freqüentar o colégio. Colocar máquinas que vendam preservativos é uma medida, no mínimo, vazia. Melhor seria se os colégios tivessem aulas de educação sexual e, se os alunos demandassem por preservativos, que fossem a uma farmácia ou a um posto de saúde.

Além disso, os adolescentes menos iniciados sexualmente – como parte o é – se sentiriam intimidados, seriam taxados pejorativamente de “últimos virgens” por não utilizarem “la maquina del sexo seguro”, etc. Além disso, quem não se previne com certeza não é por falta de informação ou por falta de acesso ao preservativo. Todo mundo sabe onde são vendidas/distribuídas as camisinhas. Se não usou, foi por preconceito, preguiça, desleixo.

Camisinha é importante, essencial em uma relação sexual. Mas cabe à instituição de ensino pontuar e mostrar o cenário do assunto aos estudantes, e não simplesmente vender preservativos. Se não distribuem nem absorventes, que são muito mais emergenciais, porque deveriam distribuir camisinhas?

quarta-feira, julho 02, 2008

Central G. de Jornalismo

Ultimamente estou totalmente sem idéias. Passei o centenário da imigração japonesa sem qualquer tipo de comentário, fui ao Motomix, fiz milhões de coisas importantíssimas, estou correndo nas ruas de madrugada e simplesmente não estou documentando nada por aqui. Por quê?

Simplesmente porque as boas idéias vêm do ócio, da pasmaceira. Quando isso não existe, e seu tempo se resume a 24 horas de trabalho e preocupações, fica difícil conciliar o blog, uma ferramenta teoricamente para entretenimento e liberdade total de expressão.

A única coisa que me fez postar aqui hoje é o fato de que eu li, no Meio e Mensagem, uma frase memorável do Tas, apresentador do CQC (ótimo programa, aliás):

No meu blog posso ser o Roberto Marinho.
(a frase não é necessariamente essa, mas você pegou a idéia, não é?)

Ou seja, não tem ninguém me censurando. Porém, sabe o que é pior? A autocensura. Infelizmente, ela não só existe como te corrói.

terça-feira, junho 24, 2008

Red Album

Assumo minha veia nerd e geek toda vez que ouço uma das minhas bandas favoritas – Weezer. Apesar de terem cerca de 38 anos, ou seja, estarem bem longe de serem considerados jovens nerds, suas músicas continuam frescas e as letras, típicas de um jovem de 18 anos.

Perfeito.
A primeira faixa, “Troublemaker”, tem uma pegada bem high school, passando pelas letras e batida. Já a segunda faixa, “The greatest man that ever lived”, é daquelas que passam por várias gradações: começa lenta, vai ficando mais agitada, até chegar a um coral de igreja. Uma de minhas favoritas é “Everybody Get Dangerous”, porém, como todo álbum que eu fico viciada, a ordem das favoritas vai mudando conforme o ouço.
"Red Album" inteiro é feito de músicas divertidas, e até as mais tristes são ótimas. E o clipe novo, Pork and Beans? Simplesmente pegou as celebridades do YouTube e as colocou no novo vídeo.
E, pela primeira vez, o Rivers Cuomo está uma graça...

Ainda estou ouvindo:
- Coldplay: Viva la Vida – médio
- Junior Senior – Hey My Oh Oh - ótimo, ótimo!
- Gnarls Barkley – The Odd Couple - ótimo
- Matanza - MTV Ao Vivo - ótimo

Fora os Podcasts. Virei uma PodFã.

sexta-feira, junho 20, 2008

O Trapo

Ultimamente tenho me sentido literalmente um trapo.
Porque...
1) não tenho tempo de fazer as unhas
2) tenho prova final de japonês
3) não tenho dormido direito
4) estou sem tomar café
5) faz mais de três semanas que não ando de bicicleta
6) não tenho tempo de ler o jornal como eu tinha antes
7) resumindo: a síndrome do “estou sem tempo” me atingiu de uma maneira que parece que fico correndo atrás do tempo.

Ok, parei de reclamar. Na verdade, não ter tempo nem para o meu blog me dá uma tristeza...

sexta-feira, junho 13, 2008

Google Nóia


Estou tendo uma overdose com o site mais poderoso do mundo – o Google. Além de eu trabalhar em um site cujo foco é tecnologia e, sobretudo, as andanças do Google, estou lendo um livro sobre a história dos fundadores – Sergey Brin e Larry Page –, bem como conheci o império da Web em São Paulo.

Bem, já me questionei isso em um outro post, quando se deu aquisição do Blogger pelo Google. Só que, hoje, a companhia detém quase todos os dados dos usuários indexados em seus computadores no Vale do Silício.

Eu não sabia disso, mas, lendo o livro Google, de David A. Vise e Mark Malseed, descobri que a empresa armazena todos os nossos dados privativos em seus servidores. Ou seja, eu, por exemplo, que tenho conta no Orkut, Gmail, Blogger, YouTube e iGoogle – tenho todo meu histórico armazenado nos computadores do Google.

Tem coisa mais invasiva do que ter “links patrocinados” dentro do meu Gmail, colocando anúncios “de acordo” com o que eu escrevi no corpo do meu email? É um absurdo, ainda mais porque o Google preconiza que nunca apaguemos nossos emails. Eu tenho duas contas no Gmail, o que me deixa ainda mais vulnerável. O que fazer? Deixar nossa privacidade em risco só para usufruir das benesses de googlear?

Está difícil não ficar paranóico sabendo que, se um dia algum norte-americano quiser saber onde moro, vivo, trabalho, o que gosto, etc, é só consultar os servidores do Google e se deleitar.

terça-feira, junho 10, 2008

O que abre mais portas?

Situação 1: Com o cabelo seboso, uma roupa sem graça e um sapato de gosto duvidoso, vou a uma palestra. Uma mulher ao meu lado, de cabelo escovado, maquiagem em excesso e com a roupa da moda, conversa empolgadamente com um diretor de marketing de uma empresa conhecida no mercado. Estou sentada ao lado deles e sou completamente ignorada pelo “executivo”, que não disfarça suas intenções escusas ao dar atenção à patricinha arrumada.

Situação 2:
Arrumada para um coquetel, resolvo pegar o ônibus, lotado, como sempre. Pergunto:

- Posso descer pela frente, porque não consigo passar na catraca?
Eis que o cobrador me fala:
- Pode, nem precisa pagar se não quiser. (A fala foi acompanhada de olhares secativos e elogios um tanto baratos)

Claro que paguei a passagem, mas fiquei pensando: isso é bom? Ruim?

Obviamente, a longo prazo, a situação 2 é extremamente ruim, pois corrobora para o machismo e a valorização do físico feminino – em detrimento da inteligência.

Não vou colocar uma teoria fechada com bases apenas em dois exemplos empíricos e bem recentes, porém tenho outras vivências, dos quais não me recordo, de todas as vezes em que fui (des) valorizada por atributos como a beleza. A situação 1 eu vivenciei ontem (para os homens verem como é).
Infelizmente, uma mulher bonita consegue mais benefícios instantaneamente. Já a inteligente precisa provar, mediante argumentos, de que deve ser valorizada socialmente. Com o homem é um pouco diferente, porém um rapaz com dotes físicos padrões provavelmente consegue outras vantagens. Embora em menor escala e em outras situações. (se algum rapaz quiser dar um exemplo, à vontade)

Acontece que, visualmente, é mais fácil fazer uma avaliação rápida. Ao contrário da inteligência que, embora amparada por determinados valores culturais e burgueses, ainda é mais subjetiva.

A beleza exterior tem parâmetros extremamente definidos – seja pela mídia, por celebridades, modelos, etc. Somos colocados diante desses valores o tempo todo, o que nos leva a ter, mesmo que inconscientemente, padrões de beleza menos flexíveis.

A beleza, a curto prazo, abre mais portas. Só que a inteligência se acumula ao longo do tempo, e nunca é retirada. Já com a beleza ocorre justamente o contrário: ela não se acumula e, após algumas décadas, praticamente não existe – ou não é desejada pelos padrões de culto à juventude...

Para pensar nossa sociedade.

sexta-feira, junho 06, 2008

O que você mais odeia em um namoro?


Essa frase eu tive que responder em um debate para a Revista Capricho. Confesso que fiquei um tanto desconfortável de ter de participar da discussão porque, aos 17 anos, eu realmente nunca tinha namorado sério e muito menos tinha gostado de alguém. Ou seja, não sabia direito como lidar em um relacionamento. No debate, eu disse que nunca tive vontade de namorar, e que por isso nunca pensei no tal Dia dos Namorados.

Seis anos se passaram: apaixonei-me, sofri, levei bota, enfim, tive quase todo tipo de experiência em relacionamentos. E inclusive estou em um relacionamento sério agora – dia 12 de junho faz um ano e dez meses de namoro. Nem por isso gosto do Dia dos Namorados. Na verdade, eu realmente considero uma data tosca em que o comércio quer mesmo é faturar. Vamos boicotar a obrigação de dar presentes em Dia dos Namorados, das Mães, dos Pais, das Crianças, Natal, aniversários. Presente se dá quando se tem vontade genuína, não em meras datas impostas pelo setor comercial e marketeiro.

Já repararam que as datas em que temos de gastar não batem? Pois é, é para você ter dinheiro ao longo do ano para ficar gastando por obrigação. Abaixo o Dia dos Namorados e todas as datas “comemorativas”. E viva as comemorações genuínas.

Ps: durante o debate de 2003, eu disse que odiava apelidos fofos. Ainda detesto. Por favor, não revelem seus apelidos íntimos ao ouvido alheio. É péssimo.

terça-feira, maio 27, 2008

Vilões (ou visões) da infância

Ter saudades da infância é algo que vira até clichê. Embora as pessoas amem falar de sua infância e de como éramos felizes em nossos primeiros anos de vida, a verdade é que as crianças são bem cruéis. E, partindo do pressuposto de que as crianças são cruéis, vou listar os Top 5 personagens vilões da nossa infância – que provavelmente fizeram ou farão nossa geração ficar ainda mais egocêntrica e má.

Escrevo a lista em Word, sem qualquer pesquisa prévia no Google – apenas consultando minha memória de elefante. Se eu errar nomes, já foi – ou Freud tentou apagar esses personagens negativos do meu subconsciente.

Eis a lista:

1 - Maria Joaquina – Carrossel



Quem não se lembra da loirinha malvada que era extremamente racista com o pobre (literalmente) Cirilo
? E ainda dava em cima de um tal de Jorginho, cujo principal atributo eram os óculos escuros e o carrinho elétrico? Eu me lembro bem do carrinho elétrico do Jorginho: branco, conversível, uma graça. Maria Joaquina já representava os sentimentos mais proeminentes de uma mulher fútil: interesseira, egocêntrica, racista, chata e...bonitinha.


2- Afrodite – Cavaleiros do Zodíaco


O vilão da última casa da temporada das Doze Casas Zodiacais era o mais esperado por mim. Por quê? Simplesmente porque eu sou de Peixes, oras. Aquelas rosas que matam, o suspense por ser a última casa, as visitas à banca para comprar a Revista Herói, entre outras maracutaias que eu fiz e senti por ser fã de Cavaleiros. Esse seriado deixou uma influência sólida em mim, pois foi o principal produto cultural que me fez gostar de duas coisas: astrologia e homens um tanto “andrógenos” (calma, Alberto, você não é andrógeno. Mas o próximo da lista o é)


3- Rei dos Duendes (David Bowie) – Labirinto – A Magia do Tempo


Eu não disse que desenvolvi uma paixão por seres andrógenos? David Bowie, como o vilão do filme Labirinto, me deixou fascinada por sua beleza e seus olhos de cores diferentes. Isso aos...seis, sete anos. Até hoje esses traumas de infância me deixam marcas: ainda acho Bowie um dos caras mais fenomenais (em todos os sentidos) do showbizz.


4- Roger Klotz – Doug



Esse é demais! Toda vez que o Doug fazia alguma coisa meio mico, o Roger ia atazaná-lo. Contudo, o Roger é um personagem extremamente bem-feito: desde a sua voz esganiçada, passando pelo visual meio roqueiro/motoqueiro mais velho. Tinha também a gata dele, que usava uma coleira masoquista e brigava com o Costelinha. Além disso, o Roger causava também com o Skeeter – tadinho dele...


5- Doutor Abobrinha – Castelo Rá-Tim-Bum

Nem curto o Dr. Abobrinha, porém a realidade é que vi tanto, mas tanto Castelo Rá-Tim-Bum, que tive de citá-lo. No entanto, há a razão de ser: o episódio mais engraçado do Castelo Rá-Tim-Bum é quando Dr. Abobrinha se faz de diretor de cinema e tenta persuadir o Nino a assinar um contrato (na verdade, de venda do Castelo), fingindo que assinar fazia parte do enredo do “filme”. Hilário!

Saudades!

sexta-feira, maio 23, 2008

Pequenas impressões

Voltei a Bauru depois de mais de dois meses.
A cidade é calma e quente.

Olho para os lados e as pessoas andam devagar; não há muitas filas nos mercados, e a iluminação da cidade é precária à noite.

A manicure é mais barata, a comida e a bebida são mais baratas.

Ainda sinto saudade.

domingo, maio 18, 2008

Pró-cotista

Saiu na Folha de quarta-feira os manifestos a favor e contra as cotas para negros nas universidades públicas. Ao ler ambos os manifestos, obviamente concordei com o mais coerente: o pró-cotas.

Recordo da discussão em sala na UNESP, com o professor de Jornalismo Regional a respeito do mesmo assunto. Ele perguntou, em sala, quem era a favor das cotas para negros. Dos 36 alunos de Jornalismo presentes, ninguém levantou a mão. Cada um argumentou à sua maneira. Ao final, eu disse uma frase que posso dizer, sem levantar méritos à minha pessoa, que foi uma das minhas mais contundentes afirmações:

“Professor, não levantei a mão quando o senhor perguntou quem aqui na sala era a favor das cotas para negros. Mas devo admitir o seguinte: por mais que façamos parte do movimento estudantil, por uma universidade mais justa e outras reivindicações, quando alguém pisa no nosso calo mostramos a nossa verdadeira face burguesa e mesquinha. Ou seja, quando vimos que uma medida pode tirar nossos privilégios diretos – no caso, quando alguém “menos qualificado” pode realmente entrar no nosso lugar na universidade ou em concursos públicos, ficamos alertas e ativamos nossos pensamentos mais burguesinhos.”

Os contrários às cotas para negros dizem que isso vai aumentar o racismo. Balela: ele já existe, e de um jeito horrível, porque é velado. Na UNESP víamos filhos de fazendeiros, empresários, enfim, gente que vive no mundo da Alice no país das Maravilhas, e acha que “se esforçou” para estar na universidade pública. Ora, sinto muito: se você se esforçou para “chegar lá”, garanto que os negros se esforçaram muito mais. Assim como as mulheres se esforçam mais para chegar a altos cargos em uma empresa – bem mais do que um homem branco – os negros se esforçam ainda mais para chegar no ensino superior. Pela discriminação cotidiana, merecem uma chance, sim.

Vou falar um exemplo. Sou descendente de japoneses. E, embora eu tenha nascido no Brasil, sou chamada de japa, japonesa, etc. O mesmo acontece com os negros. Por mais que sejam “iguais” perante a Constituição, visualmente não o são. Eu sinto isso na pele, e eles também devem sentir.

A nossa sociedade foi construída por homens “brancos” (na verdade, sob um padrão europeu), machistas, racistas, sexistas. E nossa Constituição também foi feita por estas mesmas pessoas. Enquanto não mudarmos essas estruturas ditas como imutáveis por estes mesmos indivíduos, nada vai mudar. Vamos continuar a ver em dados estatísticos que a camada com menor renda é aquela composta por mulheres negras.

Assino embaixo que sou a favor das cotas para negros.

E, pelo menos uma vez na vida, os brancos devem sofrer uma derrota que seja.





segunda-feira, maio 12, 2008

A melhor dieta de todos os tempos.

Não vou ensinar necessariamente a melhor dieta de todos os tempos. Contudo, para quem viu o post anterior, percebeu que estou com intoxicação alimentar.

Alguns fatos curiosos me aconteceram nesses cinco dias de sofrimento:

  1. eu desmaiei no meu quarto, falando ao telefone. Apaguei e, quando acordei, o telefone estava tocando, meus joelhos estavam doendo e minha testa, sangrando. Estou com uma cicatriz parecida com a do Harry Potter (sim, já fui chamada de Tati Potter).
  2. Por conta de minha enfermidade, tenho medo de comer qualquer coisa. Além do fato óbvio de que estou doente porque comi algo estragado, se eu comer algo gorduroso, fibroso, oleoso e molhado (pense bem, essas características correspondem a 99% das comidas gostosas), minha constipação intestinal (ou diarréia mesmo) piora.
  3. Já tive meu recorde de idas ao trono: 20 vezes no mesmo dia. Na madrugada de sábado para domingo, depois de comer com os amigos alguns quilos de batata frita, sem contar os quatro pasteizinhos de guioza, acordei seis vezes de madrugada para ir ao banheiro. Sorte que eu não bebi nada alcoólico.
  4. Não cobri o show do RBD. Imagina ter de parar uma entrevista no meio para correr ao sanitário público e ainda ver garotinhas ensandecidas chorando, vomitando...ia ser um desastre


Deu pra perceber que a minha vida não está fácil. Mas aí vem a parte boa: eu simplesmente não estou absorvendo nada do que como. Resultado: emagreço. Na verdade não é tanto pelo fato de eu estar eliminando a comida, e sim porque eu tenho medo de comer qualquer coisa que tenha óleo, molhos, aparência de ser gostosa demais para o meu estômago. Dieta do medo é a que funciona.

quinta-feira, maio 08, 2008

Intoxicação


Estou com salmonella pela segunda vez em minha vida. Na primeira vez que tive, vá la, porque eu comi em um restaurante de qualidade duvidosa.
Ontem, no entanto, comi em um restaurante cujo quilo custa cerca de 30 reais - o The Green, do Parque Ibirapuera. Estou passando mal neste momento: diarréia, cansaço, dor de cabeça, calafrios, febre.
A única vantagem é que eu posso ficar de pijama o dia todo sem ser incomodada.

terça-feira, maio 06, 2008

Estou elaborando um guia com os principais passatempos (adolescente, claro) para se fazer nas férias.

Eu nem precisava dizer que é adolescente: quem, com mais de 22 anos, tira férias um mês inteiro em julho?

De qualquer forma, fiquei pesquisando por aí algumas coisas divertidas para se fazer nas férias.
Foi aí que assisti a um dos vídeos mais engraçados da temporada:



Chaves e o trailer de A Invasão. O trailer é mais ou menos assim: a Vila do Chaves é invadida por ETs - tudo muito bem sincronizado com falas, músicas, e a clássica frase Está chegando o disco voador!, do nosso amigo Chaves. Imagina um vídeo bem ao estilo Independence Day, só que com os integrantes do seriado mexicano, claro. É incrível como é engraçado e muito bem-feito. Eu ria como louca aqui em frente ao computador.

E tenho que encontrar mais dicas interessantes para ficar de bobeira, como:

  • filmes

  • discos

  • livros

  • sites
    Etc.

Se alguém tiver uma dica legal, me avisa, ok?
Não vou publicar minha lista parcial por sigilo autoral (ahhh é...)
.........

Sabe o que é pior do que o caso Isabella? É a bomba do Ronaldo.

Sinceramente: não tenho a menor dó dele. O cara tem contrato vitalício com a Nike, fica com garotas (fisicamente, e só) lindas e tem tudo que qualquer consumista quer: fama, mulheres e dinheiro. E se mete em um motelzinho qualquer em busca de novas aventuras? Me poupe...sem moralismos, porque cada um faz o que quiser com sua vida pessoal. Mas ter dó dele, eu não tenho.

domingo, abril 27, 2008

Virei a Virada Sozinha

Assisti à Virada Cultural só. Na verdade, fotografei a Virada Cultural sozinha, porque minha solidão se deu pela empolgação de tirar fotos dos músicos que subiram ao palco.

No começo, as fotos ficaram amadoras demais, como pode-se notar pelas fotos da Mallu Magalhães. Já no útimo show que fotografei, da Orquestra Imperial, dei uma melhorada. Eis minha trajetória emn ordem cronológica – as fotos estão sem flash nem Photoshop (estou sem o software em meu computador):


12:00 A new-celebrity Mallu Magalhães, de 15 anos. Como disseram alguns espectadores: tá se achando mais do que a Madonna no novo clipe.

13: 00 Não sou muito fã de Cachorro Grande, mas esse show deles foi bem interessante, até porque grande parte eu assisti atrás do palco. Dava pra ver até o vocal, Beto Bruno, limpando o suor e reclamando com o staff sobre alguma coisa.



13:30 No palco em que se fazia um cover do Clash, Thunderbird, bem barbudo, tocou e cantou em participação especial.


14:00 Arnaldo Antunes fez a dancinha estranha de sempre, e empolgou - sobretudo os fotógrafos, por conta das poses mirabolantes do ex-Titã.


15:30 Amarante animadíssimo na apresentação da Orquestra Imperial, apesar dos problemas técnicos.


A sessão de fotos completa está no Flickr.


sábado, abril 26, 2008

Nihongaku

É ótimo trabalhar com crianças. Elas são mágicas, inteligentes e captam exatamente tudo o que você fala. Educar uma criança parece incrível - elas transmitem uma energia benéfica ao organismo.
Acho que é por isso que todos querem ter filhos: dá um trabalho, mas é tão gratificante que compensa qualquer sacrifício.
Escrevo isso porque sou parte do educativo do Bunkyo, e aprendo muito a cada dia lidando com as gerações mais novas. Por conta disso, todos os dias conheço crianças e adolescentes. E em cada turma que conhecemos, sempre tem um aluno especial, daqueles que não esquecemos. Nem sempre é o mais falante ou bonitinho - é simplesmente a mais inesquecível.
Aí, fiquei lembrando dos meus dias de colégio: será que já fui especial para algum professor meu durante minha trajetória escolar?

Não sei e nunca saberei. Assim como essas crianças especiais também nunca saberão.

Alunos no Pavilhão Japonês


.......

E hoje tive minha primeira prova de japonês. Não sei se fui bem, mas pelo menos tentei, mesmo com milhões de compromissos na fila. Medo...

Estou uvindo o novo álbum da Madonna, Hard Candy. E ouvindo também o novo do Raconteurs, REM, Moby, etc.

quarta-feira, abril 23, 2008

Raposas no país


Fazia um tempão que eu não postava aqui – até vírus comentou no meu último post.


Enfim, mas depois de ler a entrevista do antropólogo Eduardo Viveiro de Castro no caderno Aliás, do Estado, fiquei impressionada com a dinâmica do funcionamento das relações de nosso país.

Explico: o antropólogo fala sobre a briga dos indígenas pela reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Algo que aparentemente é muito distante de nossa realidade, mas que representa o sistema democrático brasileiro.


Meia dúzia de latifundiários reivindicam as terras indígenas, sendo que tais terras são, pela Constituição, um direito dos índios. Na verdade, como Castro mesmo diz, um direito de vencido. Porque, sim, nossos primeiros habitantes perderam a guerra contra o homem branco. Não somos brancos, somos uma mistura.


(Contudo, como o próprio antropólogo afirma,
o brasileiro vive um complexo de a nostalgia de não ser europeu puro)


É vergonhoso admitir tal afirmação, porém é a mais pura verdade.

Vou dizer uma coisa: não somos exemplos civilizados para ninguém. Não temos qualquer piedade com a natureza, só pensamos em nossas futilidades cotidianas e egocêntricas, cuja prioridade é o se dar bem, a qualquer custo. Sem senso nenhum de coletividade.

Para finalizar minha indignação com os acontecimentos atuais – mídia falando da invasão do MST, Berlusconi vencendo eleições na Itália pela terceira vez, Glória Maria providenciando de Paris várias pulseirinhas que inibem a aproximação do mosquito da dengue, revival Escola Base no caso Isabela, e, opa!, crescimento recorde no Brasil, finalizo com um trecho da entrevista de Viveiros de Castro:


Considerando a história da espécie humana neste planeta, penso que não estamos em condição de dar lição a ninguém (...) Articulamos a desigualdade e deixamos para alguém a conta a pagar (...) Eu me pergunto: o que diabos temos a ensinar aos índios se não conseguimos resolver a dengue no Rio? O que temos a lhes mostrar se não damos jeito no trânsito da cidade de São Paulo?


domingo, abril 13, 2008

Finalmente!

Graças a tutoriais, consegui:
- formatar meu pc
- configurar a rede wireless
- fazer um backup decente
- escolher os melhores programas a serem instalados.

Tudo ao preço de...ZERO reais.

Uma coisa eu concordo: depois dos maravilhosos tutoriais, ninguém mais precisa chamar técnicos de informática. Que eles não leiam isto

sábado, abril 05, 2008

Emo?

Ao me mudar para São Paulo novamente, tive momentos em que me senti deprimida, como se estivesse sendo devorada pela cidade – imitando a expressão de minha amiga Gabi: “Se você não se cuidar, São Paulo te engole bonito!”. E engole mesmo.

Eu havia esquecido meus pequenos prazeres cultivados durante toda minha vida, como...ouvir música! Fiquei quase um mês sem ouvir música relaxando, em casa, sem aquela sensação claustrofóbica de quando ouvimos música apenas dentro de metrôs, andando nas ruas ou de bicicleta.
Outro hábito que também por pouco perdi foi o de baixar músicas, álbuns, faixas, etc. Quando se trabalha em frente ao computador, o mundo se resume a alguns sites, programas, senhas. E esqueço que a Internet é aquela maravilha do mundo pós-moderno.

Para retomar minhas atividades, baixei uns quatro álbuns de uma só vez:
- The Jam – All the Mod Cons
- REM – Accelerate
- Jimmy Eat World – Bleed American
- Panic! At the Disco – Pretty Odd

(faltou baixar música brasileira. Isso irá mudar em breve)

Imediatamente viciei no CD do Jimmy Eat World. Para quem não conhece, é uma mistura de Weezer com ska e emocore.
Em uma semana, aprendi a cantar todas as músicas. Meu MP3 aponta que, em cinco dias, eu ouvi o CD mais de 15 vezes!


Só fiquei um pouco envergonhada porque, de acordo com o All Music,

Once a trailblazing name in the mid-'90s emocore scene, Jimmy Eat World steadily rose to national prominence by embracing a blend of alternative rock and power pop that targeted the heart as well as the head.

Se isso for emo…devo admitir que adorei.

Eis a música mais famosa deles:


terça-feira, abril 01, 2008

New Look

Depois de mais de um ano sem qualquer mudança, cortei o cabelo. E tingi. E ficou bem diferente.
Tudo isso na Hair Brasil, a maior feira de cabelos e estética da América Latina. É incrível como as mulheres são fascinadas por cabelos (sobretudo lisos, longos e loiros), já que praticamente todas as mulheres que estavam na feira encaixavam-se em pelo menos um desses padrões. Não vi nenhuma mulher de cabelos pretos, curtos e enrolados.

Tem tanto tratamento para os seus cabelos ficarem lisos, longos e loiros que fiquei até tonta. Para piorar, nós também temos que ter a pele perfeita, a maquiagem perfeita e as unhas perfeitas. Tudo isso na base de muita cera quente, pinça, aparelhos estéticos, cremes, maquiagens e zilhões de cremes. Uma indústria que movimenta bilhões.
...

Para agradar a quem? Na minha modesta opinião, aos homens. Não acho que seja só para fazer inveja às mulheres. Porque os homens vivem dizendo que gostam de garotas naturais, mas quero só ver se eles ficariam com uma garota que não se depila. Ou que não usa maquiagem, não tenha o cabelo liso e sedoso, não tire a sobrancelha e tenha cutículas.
E nós temos que nos submeter a essa indústria machista e consumista.

sexta-feira, março 28, 2008

Meus joelhos!

Eu fui ao médico marcar consulta. Até aí, tudo bem, fui de bicicleta e tal...
Qual não foi minha surpresa que eu caí no MEIO da Ricardo Jaffet (para se ter uma idéia, essa avenida é a que vai para o litoral sul), ao tentar subir uma guia da calçada. Doeu, mas nem tanto. Eis o resultado:




Para piorar, ainda usei uma sandália que estragou os meus calcanhares, mesmo com o uso de curativos. Não vou mostrar meus calcanhares, porque as fotos que tirei ficaram bem ruins...
Estou me sentindo uma criança de dez anos que não sabe brincar.

Depois dessa semana deliciosa, que venha o final de semana. Se bem que amanhã eu acordo antes das seis da manhã porque tenho aula de japonês.

terça-feira, março 25, 2008

Pascoalando...

- trabalhei no domingo de Páscoa
- Estou morrendo de sono, e minha pálpebra está ininterruptamente com aqueles movimentos involuntários.
- Nasceram espinhas na minha cara, de tanto chocolate que estou comendo. Quer dizer, não estou comendo muito chocolate, mas eu nunca como nenhum chocolate. Por conta disso, estou com dor de cabeça toda hora pelo excesso do marronzinho.
- Tenho um monte de coisas a fazer...E estou postando no blog.
- Preciso cortar meu cabelo. Curto.

E um saldo que virá no final do ano...


Quero ir embora de São Paulo. Estou cansada de morar aqui. Na verdade, eu odeio São Paulo. Quem mora aqui por prazer tem que rever as prioridades.

Preciso estudar. Mestrado...
Esse ano passa rápido, mas sem nenhuma intensidade relevante. Vida de trabalhador.
A verdade é que nossa felicidade (quase) nunca se encontra no trabalho, na rotina. Embora eu até goste de rotina.

Que post mais confuso, assim como minha cabeça neste momento.

segunda-feira, março 17, 2008

Sem internet


Quando entro em uma lan house e vejo a pirralhada no MSN e no Orkut, sinto uma pena danada da nova geração, que vive plugada desde que se conhece por gente. Eu, que até os doze anos usava o computador somente para jogar games no DOS, provavelmente adquiri meu hábito pela leitura justamente porque a Internet não existia. Porque, se existisse, acho que hoje eu não teria feito Unesp e não teria prestado Jornalismo.

Ou seja, quem sabe eu não seria mais uma daquelas que vive no Orkut e no MSN e não sabe o que significa, por exemplo, inclusão digital. Sinceramente: entrar só no Orkut, MSN e UOL não significa necessariamente que se sabe usar a Internet.

Por outro lado, não consigo mais viver sem estar online. A primeira coisa que faço ao acordar é ver meus emails. Talvez eu seja um pouco viciada em Internet, mas acho que ficaria bem somente com meus livros, televisão paga e as pessoas que gosto. Ontem fiquei conversando com meus amigos em Bauru, e percebi que é muito mais valioso discutir idéias no tete a tete do que fuçar fotos no Orkut.

segunda-feira, março 10, 2008

O dia em que eu levei uma cotovelada nervosa

Estava eu no trem, lendo Freud e delirando na viagem psicanalítica dele. Chego na estação final, meio distraída e apressada para sair do trem quando, no empurra-empurra do vão do trem, eu levo uma cotovelada muito forte no meu ombro! Doeu, e me deu tanta raiva que estou com vontade de mandar esses políticos lobistas para a Portaquetepartiu, para eles construírem mais meios de transporte coletivo em detrimento dos malditos automóveis.
Sempre me lembro de uma cena muito dramática do filme Cronicamente Inviável, na qual o narrador assemelha um meio de transporte coletivo brasileiro a um carro de bois. Sim, nossos queridos políticos – que só andam de avião, limusine ou helicóptero – não estão nem aí pelo fato de que tem gente que leva cotoveladas no braço, na cara, que seja.

Todo dia eu penso em como São Paulo é o caos em forma de cidade.

.....

Estou com uma azia danada.

Depois de ler Freud, quero muito ir a um psicólogo. Deve ser insano saber qual o significado de meus sonhos...

quinta-feira, março 06, 2008

Upload da sua vida

Estamos no tempo em que ser famoso é o mais importante, mas a Internet proporcionou uma oportunidade única para os caçadores dos 15 minutos de fama: hoje você, que está aí, sem fazer nada, pode se tornar a grande Marimoon amanhã! Ou a grande Paris Hilton, cujo vídeo pornô a levou para a fama mundial.
Não precisa mais de grandes talentos ou uma dedicação a algo importante. Basta ser irreverente, exibicionista, fetichista e narcisista para conquistar uma vasta audiência de indivíduos que estão aí, conectados, somente para satisfazerem seus prazeres mais mundanos.

* Infelizmente, cerca de 80 a 90% do conteúdo da Internet corresponde à pornografia. É um triste sinal duplo: cada vez mais pessoas estão dispostas a se exibirem como produtos sexuais. E existe um mercado milionário por trás disso.

(Vide o artigo do Aliás deste domingo no Estadão, excelente ensaio sobre a fama na Internet)

Percebeu que hoje lemos uma notícia não pelo conteúdo, e sim porque está “Entre as mais lidas” ?
O valor da fama hoje é praticamente vital para a sobrevivência na net, principalmente entre os jovens, que têm mais necessidade de se sentirem inseridos. Triste sinal da perda da individualidade.

Mas que beleza, hein Brit:

segunda-feira, março 03, 2008

Agoracabou


Que triste que são os finais. Eu detesto despedida, e essa formatura foi uma espécie de vulcão, que passou muito rápido e deixou marcas profundas em mim.

Na volta para São Paulo fiquei pensando no dia-a-dia da faculdade. E, pela primeira vez, tive certeza: minha vida nunca mais será tão legal como foi nesses quatro anos. De fato, corroboro a afirmação de que a universidade corresponde aos melhores anos de nossas vidas. Porque, depois, nossas preocupações crescem cada vez mais, e deixamos de lado várias coisas que construímos durante a faculdade: amigos, conselhos, ideais, festas e encontros.

Durante a colação fiquei bastante emocionada, e foi difícil conter as lágrimas. Já durante a festa eu estava extremamente feliz para chorar.

Vou colocar, sucintamente, os dez melhores (ou mais marcantes) momentos de Bauru:

- o dia em que viajamos eu, Bruno, Cacá, Jaime e Thybor para Piracicaba: o carro quebrou, dormimos na rua, e a aventura foi tão marcante que sempre me lembro dela...

- o churrasco dos bixos: dia em que conheci diversas pessoas que se tornaram grandes amigos ao longo da faculdade

- a RPinga de 2005: melhor festa de república que fui. A festa foi, basicamente, eu e o Rafa cantando e dançando por mais de cinco horas sem parar!

- a nossa segunda festa da Burguer King. Organizada, lucrativa, unida, e de muito sucesso!

- a greve das universidades em 2007 e a ida à ocupação da USP: um intensivão de política em cerca de dois meses...

- Universitário: no primeiro ano, só me lembro do melhor prédio que morei. Mari, Rafa, Bruno, Goiaba, Mineiro, André, Taty, Caco, Plínio, Marquinho, Filipe, Tera, Teruo, e mais um monte de gente que coloriu minha primeira fase de Unesp.

- o dia em que comecei a namorar o Alberto: logo em seguida, todo mundo já estava sabendo...

- última visita a Penápolis: Thybor me dá um tapão no braço, muita canseira e sentimento de fim entre eu, Lara, Vera e Thybão.

- viagem ao FSM 2005: o dia mais quente da minha vida, a viagem inesquecível com pessoas inesquecíveis.