terça-feira, novembro 04, 2008

Interessou?

Novembro, Dezembro...

Este blog fará quatro anos!

Quem diria que ele me acompanhou por praticamente toda minha vida universitária, e agora nesta nova etapa de minha vida.

Vou mudar algumas coisas por aqui – talvez o endereço, talvez toda a estrutura...Estou pensando com meu cérebro que insiste em se manter “ocupado demais para pensar nisso”, porém ainda quero realizar mudanças em meu blog e torná-lo mais profissional e menos confessional. Se bem que, para isso, ultimamente tenho escrito em meu diário.
..........

Devo admitir que, depois de vir ao Japão, venho acompanhando mais fatos de relativa importância. Hoje não tenho o menor interesse na vida das celebridades, que dirá em fatos violentos ou curiosidades cotidianas.

Acho que vou promover uma campanha: por um jornalismo de relevância!

Antes de clicar em uma notícia, pense no seguinte:

Pra quê saber se a Ivete Sangalo perdeu o bebê ou não?

O que o novo lançamento dos cinemas tem a lhe acrescentar? Por quê não ver o clássicos primeiro? Ou, melhor ainda, ver o que realmente lhe interessa?

E pra quê saber se o pai matou os filhos e se enforcou depois? Essa necessidade de saber da vida alheia te deixa mais ou menos infeliz?

Não estou dizendo para viver em um isolamento e em um refratário blasé, porém acho que está na hora de sabermos que realmente repercute em sua vida. Fatos maiores que repercutem em seu cotidiano, entende?
Neste momento, leio obcecadamente as notícias da crise norte-americana (que agora está mais do que mundial), bem como as eleições do mesmo país. Por quê? Porque o meu futuro realmente está intrínseco a esta eleição. Infelizmente, moro em um país ultradependente dos EUA.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Namorico de portao

Aos 12 anos, vejamos...

Eu gostava de jogar futebol, volei e dancar Spice Girls em frente ao espelho
Dava meus primeiros passos no jornalismo
Gostava de ir ao shopping para tomar sorvete com as amigas do predio
E...Nunca havia beijado


Bem, esta era minha realidade aos 12 anos. Porem, no caso Eloa e seu namorado doidinho, que nao acompanhei direito, ela ja tinha um relacionamento aos 12 anos, e ele, 20 anos.
Uma garota que namora um rapaz de 20 anos sabe que nao esta para o tal do namorico de portao. Afinal, quando se tem ate 18 anos, 1 ano de diferenca faz toda a diferenca. Sim, acho muito cedo namorar aos 12, sobretudo quando seu parceiro tem 20 anos. Esse lance de que idade nao tem limites quando o assunto e amor e uma lorota, quando se tem diferencas psicologicas muito claras, ou seja, a mentalidade de alguem com 12 e 20 anos e completamente diferente.

Quando se tem 20 e namora-se alguem de 50 anos, a coisa muda de parametros, porque deduz-se que alguem de 20 anos saiba ao menos como lidar com pessoas. Aos 12, nao importa a exposicao sexual que a midia e a sociedade promova, somos absolutamente retardados, essa e que e a verdade.

Mas tambem nao vou dizer que a namorada assassinada era santa. Aposto que ela ja sabe muito mais de relacionamentos do que eu, aos 22 anos, sei.

E engracado como as coisas simplesmente nao repercutem por conta da distancia geografica. Eu nao acompanhei e nao tenho o menor interesse em saber detalhes do sequestro da garota. Parece que, quando estamos fisicamente longe de um local, selecionamos melhor a noticiabilidade das coisas.
Afinal, para que saber se o cara e louco ou nao? Isso realmente te acrescenta algo?

quinta-feira, outubro 23, 2008

Prato Feito


Depois de mais de um mês comendo apenas arroz, peixe, missoshiro (sopa de composto de soja) e moyashi (broto de feijão), já tinha até esquecido da comida brasileira e realmente acostumado com a japonesa.

Eis que revelo para meu amigo Yuji que fazia mais de um mês que eu não comia feijão. Ele, que é fanático por feijão e bife acebolado, ficou assustado pela minha abstinência e me chamou para comer em um restaurante brasileiro.

Pedimos o prato mais elementar da culinária brasileira: arroz, feijão, bife acebolado, salada e batata frita. Além de suco de goiaba para beber.
Confesso que fazia tempo que não tinha a sensação de estar "satisfeita", parece que não iria comer por, pelo menos, umas cinco horas seguidas. A comida brasileira é daquelas que enche mesmo, e serve para pegar na enxada sem cansar ou passar mal. Já a comida japonesa é leve demais, porque depois de cerca de três horas estamos novamente com fome.

Mas acho que o que contou mesmo foi a saudade. Saudade da fartura de comida, do feijão caseiro e do aconchego de casa.

domingo, outubro 19, 2008

No balancê

Já que estou em fase de mudanças, vou fazer um pequeno balanço do que gosto e não gosto no Japão nestes 2 meses e meio.

Comidas favoritas:
Além do tradicional sashimi (ou peixe cru), ando viciada em algumas coisinhas, como um salgadinho de castanha portuguesa, manjus (doce de feijão, que ainda é meu doce favorito) e a maçã japonesa é simplesmente divina. Esses estão sempre na minha despensa.

Também sempre compro moyashi (broto de bambu), onigiri (uma espécie de sanduíche de sushi) e caqui. E, sempre que posso, faço um missoshiro (sopa de soja).

Experiências nem tão boas...

Comi ovas de peixe (cruzes), pudim de ovo, o miojo é tão ruim quanto o brasileiro, comida apimentadas, sushi com maionese.

Lugares para ir:
Admito que adoro um karaokê, porém estou enjoando de tanto ir. Normalmente vou ao Hub, um pub que tem vários estrangeiros. No mais, bem...não faço muitas coisas além disso, por falta de grana e de vontade.

Correr em volta do templo é uma das coisas que mais faço. Antes eu andava de bicicleta por diversão, porém hoje eu ando mais como meio de transporte mesmo.

Compras:
Não tenho comprado muitas coisas, porque ultimamente acho meio ridícula essa onda de consumismo que assola os japas, mesmo com a crise econômica mundial.

Como o caderno Vitrine, da Folha, vou listar as dez últimas coisas que comprei:
1 - Batom da Shiseido - uns 20 reais
2- Castanha Portuguesa - não mais do que dois reais
3- Desodorante - 15 reais.
4- Fio dental. 10 reais. Caro pra c$$$$, mas não dá para ficar um dia sem.
5- Durex. 10 reais. Para embalar as coisas.
6- Café. 10 reais. Nescafé, porque eu só tomo café com leite.
7- Gelatina. 2 reais. É esquisita, mas dá para levar na bolsa e mata a fome rapidamente.
8- Alface americana. Menos de 2 reais. É mais barato do que no Brasil.
9- Sapato. 2 reais. Juro. É usado. Quem tem nojo não sabe o que está perdendo. Comprei várias roupas, nenhuma mais do que 20 reais.
10- Folhas sulfite. 2 reais, com 100. Outro item indispensável a jornalistas e odiadores de leitura em frente ao ecrã.

.....

Coisas que odeio no Japão:

- adoram estadounidenses e tudo relacionado a eles, sobretudo o status chamado Starbucks.
- renovam todo o guarda roupa a cada estação.
- o andar torto das japas
- a vozinha de criança que algumas japonesas fazem
- mariposas invadindo minha cidade
- a poluição sonora de cidades grandes beira o insuportável
- o excesso de tranqueiras à venda, como um produto somente para limpar a quina da mesa, por exemplo
- os japoneses não são cavalheiros

Coisas que adoro:

- a segurança
- poder andar em qualquer lugar do Japão apenas usando trem
- a comida é muito boa
- bicicleta
- atendimento impecável
- se você fuçar, encontra oportunidades incríveis

quarta-feira, outubro 15, 2008

Perdoar faz bem para a pele...

Relaxe os pés e curta a vida...

Perdoar tem muito a ver com tolerância, em tentar entender a mente de outrem. No entanto, quando estamos no meio da turbulência, fica difícil enxergar como se estivéssemos de fora da situação.
Cada erro tem uma proporção, e acho que a melhor forma de perdoar é enxergar do lado de fora, como se fôssemos uma outra pessoa mesmo. Exemplos:
- O cara te traiu com outra. Ele estava bêbado? A menina estava muito insinuante? Será que ele realmente valia a pena?
Pensar em pontos básicos ajuda bastante, porém isso só deve ser feito quando estivermos de cabeça fria (ou menos quente, pelo menos).

- Ferraram com sua vida e te deixaram na mão. Tem coisa pior do que isso? Você deposita sua confiança em algo e, de repente, se frustra de maneira irreversível. Só que, como diz um grande indivíduo que conheço, "a crise muitas vezes significa oportunidade". É nos momentos de crise que revemos nossos conceitos, com possibilidades de mudar drasticamente - frequentemente para melhor.
- Traição em família. Dizem que isso é imperdoável. Discordo porque, na verdade, não devemos levar nossa família tão a sério assim. Familiares não são divindades, portanto, são suscetíveis a erros. Simples.

Tudo isso já aconteceu comigo, e ainda vai acontecer. Se fôssemos ficar remoendo e sentindo rancor de todas as mancadas, melhor virar ermitão. Fora que, quando perdoamos, nos sentimos melhores, mais lindas, leves e soltas. E tem coisa melhor do que deixar o inimigo perceber que estamos bem, apesar de tudo?
Acho que essa é a melhor vingança: superar a traição e, para piorar, perceber que ainda o perdoamos.

I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say you're sorry

I've heard it all before

And I can take care of myself

I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say 'forgive me'

I've seen it all before
And I can't take it anymore

Gomenasai = "Forgive me"/"sorry" in japanese

Mujhe maaf kardo = "Please forgive me" in Hindi
Isheik
prashau = "go out, please" in lithuanian

Sleechah = "I am sorry"in Hebrew
Forgive me...


Por coincidência, ouvindo essa música da Madonna. Total coincidência mesmo, porque fazia mais de um ano que eu não ouvia Confessions on a Dancefloor.

domingo, outubro 12, 2008

A maçã, versão 2.0


Mais uma da maçã no Japão.
Putz, lá vai eu, de novo, com fome às 19h, comer uma maçã na estação de metrô. A maçã é basicamente o dobro da brasileira, mas eu nem liguei. Comecei a comer ali, parada, esperando meu amigo para fazer uma matéria. Todos os japoneses que passavam me olhavam, como se eu fosse uma verdadeira ET.

Eis que um japa, de uns 23 anos, se aproxima de mim e fala:
- A maçã está gostosa?
- Sim.

Ele pára, abre a carteira, mostra um dinheiro e diz que quer beber saquê comigo. Eu, que entendo japonês porcamente, disse que não havia entendido. O japinha responde:

- Me dá seu telefone?
- Por quê? Não, nem te conheço.
- Por favor!
- Não. Não posso.

Ele guarda a carteira e vaza, reclamando algo que não entendi.

O que ele pode ter pensado:

1) "Ela é uma louca que come maçã na rua, por isso vou puxar conversa." (Um amigo meu, da Indonésia, me disse que os japoneses não comem nada com casca por causa dos agrotóxicos)
2) "Ela é uma prostituta comedora de maçã." (Afinal, porque ele abriu a carteira e me mostrou seu dinheiro?)
3) Ele apenas estava me chamando para beber. (O cara estava a fim de molhar o bico e não sabia com quem poderia fazer isso)
4) Ele estava apenas me flertando. (A maioria me disse isso. Os japoneses realmente não sabem como xavecar, e inventam qualquer coisa para puxar assunto)

Sinceramente, acho que foi a resposta 1 ou 2. E vocês?



Coloquei o Ringo Starr comendo maçãs porque Ringo significa maçã em japonês. DErrrrrr

sexta-feira, outubro 03, 2008

Os padrões de beleza pelo mundo



No Brasil, mulher gostosa é aquela com peitão, bunda e coxas. Já ouvi diversas vezes amigos meus dizerem que "quem gosta de osso é cachorro", entre outras frases batidas. Para uma mulher se manter nos padrões de qualidade brasileiro, ela deve comer moderadamente arroz, feijão, bife e um chocolatinho de sobremesa. Rola de ter um corpão desse jeito.

Agora, no Japão, a coisa muda. Um japonês me perguntou o seguinte.
Japa: - As brasileiras, no carnaval, ficam peladas, né?
Eu: - Nem todas, claro. Elas usam pouca roupa e tal, fazer o quê, é a festa...
Japa: - Mas elas não vergonha? São muito gordas para ficarem peladas!

Bem, por aí já se vê as diferenças.
As japas aqui não saem da dieta: comem muito pouco, muitas sofrem de anorexia, e o padrão considerado ideal é ter, pelo menos, 15 kg a menos do que a altura. Por exemplo, se eu tenho 1,65 tenho que pesar, no máximo, 50 Kg. Até aí, tudo certo. O problema é que as japonesas (ao contrário dos japoneses) são baixas, com altura média de 1,55m. Aí que entra a história: elas pesam cerca de 40kg, para menos!

Muitas tomam sopa, chá emagrecedor, entre outros truques para perder peso. Outro dia, uma celebridade declarou que emagreceu 7kg depois de comer banana no café da manhã. Está difícil encontrar banana no mercado...

Vou dizer que me sinto mal às vezes ao ver mulheres tão magrelas porque, na real, acho que grande parte das garotas desejam ser magrelas (e não só magras). As roupas caem melhor, você se sente melhor. Para me cuidar, eu tento correr umas quatro ou três vezes por semana, mas não cuido muito de minha dieta. A sorte é que eu adoro salada e prefiro vegetais cozidos a uma fritura.

Agora, meu mal são os doces. Ah, mas o próprio nome diz: DOCE. É uma das melhores coisas que existem.

Como 90% das mulheres, gostaria de perder uns dois quilos. O problema será quando voltar ao Brasil e ter de aturar coisas como "afe, preferia você antes!", enquanto que, aqui, meu peso será normal.

quinta-feira, outubro 02, 2008

óiaaa o Terremoto!

Estou eu, feliz, em frente ao computador, quando tudo começa a balançar. Me seguro no teclado, começo a tremer de medo e, após cerca de 15 segundos (que parecem uma eternidade), a tremedeira pára.
Eu já senti terremoto umas três vezes, mas que esse deu medo, deu. Porque é forte, parece que a terra vai cair e não há nada a fazer - eu não tenho treinamento contra terremotos, não tenho o tal do "kit sobrevivência", ou seja, se rolar, já era.

Mas um outro terremoto já caiu sobre minha vida, e agora estou enfrentando um furação. Vamos ver se sobrevivo a isso também, nem eu sei, porque fenômenos dessa natureza não são fáceis de prever.

Cenas de um próximo capítulo...
E para os bons entendidos, esta semana (e todas as outras desde que eu cheguei) tem sido intensa. Na verdade, parece um sonho quando algumas coisas que você deseja há um tempão finalmente acontecem.

= Se você me conhece bem, compreenderá as aleatoriedades seguintes:
Bodysnatchers, There There, Everything in its right place, Nude, Idioteque

domingo, setembro 28, 2008

Ouvindo Mp3, tomando café e se alienando

Acabei de comer coxinha, bolinha de queijo e risólis. Isso é muito bom, não tem nada parecido aqui no Japão. Tem uns nuggets e umas friturinhas bizarras, que não chegam nem perto da boa e velha coxinha brasileira. Embora eu deva admitir que a comida japonesa é muito boa - melhor que a do Brasil.

Fazia um tempo que eu não postava sobre minhas desventuras no Japão, mas é que ando tão ocupada e preocupada que acabo pensando em tudo, menos em escrever aqui. Isso é péssimo, vou voltar a escrever, porém começo a pensar nas minhas pendências profissionais e acabo desistindo.

Aqui esfriou bastante, do nada - de 30 graus em uma semana, caiu para 15 na semana seguinte. No Brasil isso é normal, mas não no Japão, cujas estações são bem definidas. O engraçado é que eu literalmente posso aposentar por uns 4 meses minhas saias, regatas e sandálias de verão. Não irei usá-las por um bom tempo - até março de 2009.

Hoje eu fiz algo que simplesmente amo: fui a um café, tomei uma xícara de expresso, comi um donuts e fiquei escrevendo no meu caderno.
E, claro, fiquei pensando: esse conforto presente na vida de todo japonês faz com que nós nos alienemos de uma maneira absurda!
Eu tenho certeza de que a maioria dos japoneses não tem idéia do que seja passar necessidade.
Aqui, nos finais de semana, todos os japoneses vão às compras, comem em restaurantes, gastam à vontade.
As japonesas são seguidoras fiéis das revistas femininas (cujo conteúdo escrito é inexistente, apenas fotos com modelos mostrando as novas tendências das passarelas e dos cabeleireiros): saiu na revista, elas vão correndo comprar roupas, acessórios, produtos para cabelos, etc.

Eu ri muito quando vi que, assim que o outono entrou, na semana passada mais ou menos, todas as japas estavam usando botas horríveis estilo caubói, lenços no pescoço e coletes curtinhos - tudo como mandam as revistas.

Pior é ver as japonesas colando cílios postiços no metrô, bem como se maquiando, pintando as unhas...

Ou então os jovens tomando café no Starbucks (como ditam os filmes hollywoodianos) e comendo bolos franceses.

Bem, o mundo da fantasia é real aqui no Japão. Enquanto isso, 4 bilhões vivem em pura miséria.

domingo, setembro 21, 2008

Show do Weezer: sentados e batendo palmas.


única foto que consegui tirar de maneira decente (é proibido tirar fotos no show)

Sonho de toda fã de Weezer é ouvir o Rivers Cuomo bem nerd, de óculos, cantando Buddy Holly de um jeito tímido enquanto a galera pula feito louca na platéia. Certo?

Bem, seria isso se eu tivesse ido ao primeiro e único show do Weezer no Brasil, em Curitiba. Disseram que foi um dos melhores shows do Weezer, mas o perdi, então fui onde tive a primeira oportunidade: no Japão, em Nagoya (capital de Aichi, a província com maior concentração de brasileiros no Japão).

Peguei o metrô ouvindo o Blue Album só para entrar no clima e, chegando ao local, vejo uma multidão de japas indies devidamente equipados para o show, que iniciaria numa terça, às 19h. Levavam bebidas e alguns petiscos, usavam camisetas criativas do Weezer e apenas os garotos (a grande maioria presente) usavam tênis - as meninas montaram no salto e abusaram da maquiagem.

Após entrar em uma fila devidamente organizada e sem chance de "furões", a platéia entra no auditório, com cadeiras acolchoadas e marcadas previamente. Mas, antes, uma outra fila. Meio aborrecida, entro logo atrás e eis que, dez minutos depois, percebo o que era a tal fila: apenas dava para a loja de souvenirs, para que todos comprassem camisetas, cds, faixas, entre outros. Se fosse no Brasil, a loja estaria às moscas. No entanto, como todo japonês que se preza, consumir é uma das coisas mais divertidas.

Saio da fila, procuro minha cadeira enquanto visualizo os japoneses vestindo a nova aquisição - uma camiseta preta escrita "Weezer Japan Tour". Todos usavam a tal camiseta recém-comprada, parecendo um uniforme ou uma condição para se entrar no local. Vestindo uma regata vermelha, acho meu lugar - entre japoneses que vão sozinhos ao show e ficam quietos e sentados esperando o início. As cadeiras são extremamente pequenas, e alguém com o quadril da mulher melancia nunca conseguiria sentar no banco.

Com apenas um segurança em frente ao palco, Rivers Cuomo aparece bem antes do início, e senta-se na lateral do palco. Os japoneses começam a dar tchauzinho para ele e, só após certo tempo, percebo que o vocalista estava andando tranquilamente entre o público, sem ninguém tentando agarrá-lo ou algo parecido. Apenas "tchauzinhos", alguns sorrisos e nada de fotos ou celulares sendo disparados - ambos são terminantemente proibidos durante o show.

Bem à vontade, Cuomo começa a falar japonês com certa desenvoltura e, em seguida, uma banda de japoneses entra na lateral do palco, portando baterias improvisadas e violões. Os japoneses e Rivers começam uma sessão acústica e, em seguida, a banda toda entra. Dá-se início ao show.

Com a banda e os japoneses, Cuomo canta enquanto caminha pela platéia, e já manda a bonitinha Island in the Sun, seguida de El Scorcho. Para finalizar a sessão calmaria acústica, tocam Beverly Hills. A banda se despede dos convidados, sai da lateral do palco e vão tocar no palco principal o que todos querem ver: a versão rock.

Os japoneses, empolgados, finalmente se levantam com Dope Nose, do Maladroit. Segue com o mais novo single do Red Album, Pork and Beans. A qualidade do som do local impressiona, e fica ainda mais visível quando tocam a terceira música, Hash Pipe, um dos clássicos do elogiado Green Album.

Os caras mostram que têm talento quando trocam de instrumentos e de vocais entre si. Em Automatic, do Red Album, Rivers vai para a bateria e Patrick Wilson, o baterista, vai para o vocal e guitarra. Embora seja muito boa, a música dá uma esfriada no público, que anima novamente quando inicia My name is Jonas, outro clássico do Blue Album. Pausa para o bis, e os japoneses batem palmas intermitentemente até a banda voltar. Cuomo, de shorts e meias altas, coloca um chapéu de caubói e volta ao palco, bem no estilo "nerd sim, e daí?".
Em japonês, Cuomo adverte que é a primeira vez que eles tocam The Greatest Man That Ever Lived, uma das melhores do Red Album. Segue com a fraca Perfect Situation e a divertida Troublemaker, e pausa para mais um bis. Desta vez, aparentemente o show acabaria, mas a galera não pára, principalmente a meia dúzia de americanos e canadenses, que gritavam por todos os japoneses.

Os integrantes voltam e tocam a música que uma canadense ficou pedindo durante todo o show: Undone -The Sweater Song. Logo em seguida, o cover da manjada We Will Rock You, do Queen. Aí, dava pra perceber que o show ia acabar, mas os japoneses não sossegaram de bater palmas até que as luzes se acendessem.

Embora a platéia faça toda a diferença para o sucesso (ou não) de um show, o Weezer tocou todas as músicas com perfeição e soube dosar hits com as novas do Red Album.

Set List:

Acústicos
Island in the Sun
El Scorcho
Beverly Hills

Versão tradicional
Dope Nose
Pork and Beans
Hash Pipe
Suzanne
Buddy Holly
Pink Triangle
Automatic
Say It Ain't So
Keep Fishin'
My name is Jonas
The Greatest Man That Ever Lived (Variations on a Shaker Hymn)
Perfect Situation
Troublemaker
Undone -The Sweater Song
We Will Rock You (cover)

terça-feira, setembro 16, 2008

Pink Floyd com Calpis



Por tempos, meu integrante favorito. E agora, mais um que falece de minha banda favorita. Richard Wright, fundador do Pink Floyd, morre aos 65 anos de idade, em uma batalha contra o câncer. Fiquei chateada e um pouco chocada, mas algo me deixou mais estarrecida do que esse fato.

Percebeu a quantidade de pessoas que estão sofrendo/falecendo de câncer?
Não sei se é porque assisti ao documentário The Corporation ou Super Size Me, porém tenho certeza de alguma coisa: estamos ingerindo o quê, afinal?

Tá, os conservadores de plantão dirão que "são as drogas, afinal, todo artista é drogado". Acho que o buraco é mais fundo. São as comidas, bebidas que ingerimos.
No Japão, que é o cúmulo dos artificialismos alimentares, eu posso tomar uma bebida (se é que pode ser chamado de bebida) que parece um Yakult de 500 ml. É branco, meio leitoso, com gosto de Yakult. O que tem dentro? Não tenho a menor idéia - e ai de quem se submeter a descobrir.

Aqui, os limões, laranjas, mexericas, melancias, maçãs, não têm sementes. Isso que são "da natureza". Frangos alimentados com muito hormônio, leite enriquecido com vitaminas e muito, mas muito conservante (onde já se viu um leite durar um ano? Como podemos achar que ele veio "direto da teta da vaca"?)

Posso estar no impulso do fato de o tecladista do Pink Floyd ter morrido de câncer. Mas, pensem bem: muita gente está sofrendo de câncer nos últimos anos.
Li uma pesquisa que perguntava às crianças: "Qual o seu maior medo?"
Ter câncer era um temor maior do que a própria morte.

Hoje, só para constar: comi um embutido que nem sei o que é no café da manhã, junto com uma xícara de leite desnatado e um queijo amarelo e mole. No almoço, comi pepino sem semente, tomate minúsculo e bem doce.

À tarde, comi uma maçã que vale por três do Brasil, suculenta e crocante. Perfeita, mas irreal.

E estou chupando umas balinhas diet de pêra e manga.

Considerando que pelo menos a metade do que eu como é transgênico, modificado geneticamente e com alto teor de conservantes, corantes e umidificantes: serei eu a próxima vítima? E quem não é?

domingo, setembro 14, 2008

Coisas do Japão 1 e 2

Fui ao show do Weezer semana passada, e juro que vou contar tudo. Ontem eu fui ao show do Gilberto Gil e de uma banda japonesa/brasileira, chamada Ganga Zumba, muito boa por sinal. Baixem, que vale a pena.

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Preciso tirar mais fotos de minhas desventuras, mas a verdade é que a única foto que tirei ontem foi em frente a um carro, lançamento da Toyota, que minha mãe obrigou a tirar, bem no estilo "trouxas que têm vontade de ter um carro chique mas não podem".
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Estou mudando um pouco meus conceitos em relação aos japas, mas devo admitir que não consigo aceitar o fato de que uma japa vá ao show do Gilberto Gil de salto 15.
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Na sexta, um dos dias mais estranhos da minha vida, uns peruanos ficaram tocando músicas em frente à estação de Nagoya. Uma japonesa de idade, que devia pesar uns 35 quilos, ficou dançando feito louca a música deles. Eu ria tanto que nem conseguia me controlar e tinha um policial ao meu lado que, em vez de impedir a algazarra, ria mais do que eu.
Para completar, um japa gordinho também se empolgou e começou a dançar ao lado da magrela. Ficou a situação mais bizarra, e eu ria ainda mais. Tive que sair de lá mas, se pudesse, ficava rindo o dia todo.
Coisas do Japão.

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Toda vez que vou a uma farmácia, não resisto e me maquio toda com as "amostras". E não sou só eu que faço isso não - pelo contrário, isso é praticamente um hábito das japonesas.
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No sábado, um indiano se aproxima de mim e diz em inglês: "Você é aquela atriz?". Eu, que não tava a fim de papo, desconversei, achei que fosse mais um xaveco furado. Pior que acho que ele realmente achou que eu era uma atriz, porque ficou enchendo a paciência. Aí eu disse que não era atriz coisa nenhuma, que ele estava louco.
Indiano: "Mas eu sei que você estava aqui promovendo o High School Musical"
Eu: ????

Saí correndo.
Coisas do Japão2

domingo, setembro 07, 2008

Algumas constatações.

Estou ouvindo alucinadamente algumas coisitas:

- The Verve - Forth
- Jimmy Eat World - Futures
- MGMT
- Tom Zé - Estudando o Samba

Dormindo pouco, conhecendo gente de maneiras absurdas, tentando aprender japonês, andando de bicicleta, com unhas por fazer há um mês, cabelos necessitando de um corte meio japa, computador sem net, calor, sol de rachar, sapatos a 500 ienes (cerca de 8 reais), blusas por 300 ienes (5 reais), com menos dinheiro do que tinha no Brasil.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Perdida nos amerikajins

Esse filme é a descrição dos gringos no Japão.

Amerika jindesuka?

Ainda estou embasbacada com algumas coisas que vivo no Japão. Da outra vez que vim aqui, no fim de 2005, eu tinha uma certa identidade: era brasileira, e acabou. Os japoneses me achavam brasileira.

Agora, não sei ao certo por quê, isso mudou. Toda hora sou confundida com...americana. Os japoneses cismam em falar inglês comigo, falam "Thank You" em vez de "Arigatou" e, sempre que puxam papo, já chegam falando inglês. Perguntam, na cara de pau:
- Amerika? (aguardando ansiosamente a resposta positiva).
Sempre respondo: No, burajiru jin desu. (não, brasileira).
A alegria de meu interlocutor passa rapidamente, como um furacão. Normalmente, depois disso, o assunto acaba.

Eis que, no final de semana passado, estava eu, na chuva, perdida em Nagoya, caminhando como a típica gringa/perdida/com um mapa na mão. Uma senhora japonesa chega em mim e pergunta, em inglês, onde eu queria ir. Eu expliquei, ela foi bem solícita e tal. Depois de um tempo, me pergunta:
- De onde você é?
(Pensei. Pensa, Tati. Resolvi. Vou dizer que sou AMERIKA, só para ver sua reação)
- Amerika.
A reação dela é impossível de ser descrita. Mas imagina uma velhinha japonesa descobrindo que ganhou um concurso de karaokê. Mais ou menos esse rosto que você tem que imaginar.
- SUGOIIIIIIII (que legal!!!)

Depois disso, só faltou ela beijar meus pés. Olhei, fiz que não entendi, e vazei.

Fiquei p### da vida com a situação. Como um país que bombardeou e quase destruiu o outro pode ser tão idolatrado?
Mais tarde, em casa, pensei novamente: será que não faríamos igual se um americano viesse ao Brasil, mesmo depois de os EUA financiarem a ditadura militar, privatizar o Brasil e dominar nossa língua? Será que o mundo todo, com exceção dos palestinos, deve se curvar aos estadounidenses?

Se alguém ler Noam Chomsky pode ser que essa subserviência ridícula mude.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Soy una pirata...


Neste momento, estou baixando alguns álbuns do Rage Against the Machine, o álbum Cê, do Caetano Veloso, bem como estou procurando algumas legendas de programas japoneses.

Se isso é errado? Bem, de acordo com leis de direitos autorais, elaboradas antes da existência da Internet, isso é errado, sim. E a Internet revolucionou toda a forma de se enxergar o mundo.

Posso dizer isso porque sou da geração de transição do analógico para o digital. Entrei pela primeira vez na Internet aos 12 anos, e afirmo que, nestes 10 anos, minha percepção de mundo seria totalmente diferente se não fosse a Internet. Provavelmente eu não conheceria e não iria a vários shows que vou, simplesmente porque eu não teria grana de comprar todos os álbuns de que tenho vontade.

Há uns quatro anos atrás eu sentia vontade de ter encarte, letra, etc. Hoje nem disso preciso mais, porque baixo as capas dos álbuns, bem como as letras.

As leis foram feitas pelos homens, e por eles devem ser modificadas. Pirataria é baixar algo com intenções de ganhar dinheiro, vender. Agora, para uso pessoal, não há o menor problema. Você ainda não baixou nada na Internet porque acha que está cometendo um crime?

Te escrevo duas coisas:
1) Você não sabe o que está perdendo.
2) Confessa, vai: na verdade você nem sabe o que são arquivos do tipo torrent, nunca baixou nada de blogs específicos, nem sabe abrir um arquivo zipado. É por isso que prega a tal do legalismo - por ignorância do mundo virtual.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Casa e bicicleta

Bela cena de japoneses olhando uma obra brasileira

Escadaria do Museu de Arte de Toyota

Comi várias coisas extremamente estranhas, com certeza o extremo do transgênico. Uma pêra em forma de maçã verde - que tem gosto de algo que, definitivamente, não é pêra nem maçã. Umas uvas minúsculas, porém gostosas.

O bom é que eu posso comer, aqui, coisas que seriam caras no Brasil, como kani, shitaki, shimeji, arroz japonês, manju, entre outros.

Por outro lado, fico morrendo de arrependimento por pagar algo em torno de 4 reais por uma maçã.

.....

Dei uma faxinada na minha vida.

....

E esqueci de falar: faz uns quatro dias que estou andando diariamente de bicicleta. Uma das melhores coisas de se fazer, principalmente no Japão. Obviamente, como não poderia deixar de ser, me perdi por umas 2 horas. Entenda: o Japão é igual o tempo todo, e basicamente as ruas não possuem nomes. Sem GPS ou memória, impossível.
Mas andar por aqui é coisa de outro mundo.

....

Só ontem que eu posso chamar minha casa de "casa". Isso porque, finalmente, consegui arrumá-la de vez, e deixa-la relativamente apresentável. Até então, a toalha ficava na cozinha, os jornais no quarto e os livros espalhados por aí.

Aliás, por falar em livros: li as histórias em quadrinhos "Desista", do Kafka, presenteado por Dacax. Excelente.

E agora estou lendo razões de estado (tudo minúsculo mesmo), do Chomsky. Denso e esclarecedor, mas ainda faltam umas 400 páginas para terminar.

.....

Entrevistei o Moreno Veloso, filho do Caetano Veloso, em um show dele em Toyota (Aichi). Tinha até uma exposição muito boa sobre o Brasil, em homenagem ao Centenário. Tirei umas fotos, postadas aqui.

Japas olhando a exposição Florescendo Brasi-Japão

sábado, agosto 16, 2008

Você sabia que...

Tem umas coisas por aqui que, para quem já mora no Japão, são meio óbvias. Mas não custa comentar.

Uma mania sexual dos japoneses :
- roubar calcinha (de preferência, suja)

Pão:
- a fatia do pão daqui é imensa - quase o dobro do tamanho do pão de fôrma do Brasil

Mulheres:
- usam roupas, maquiagem e penteados iguais às de uma debutante - no dia-a-dia!

Celular:
- cuidado: quando você menos espera, tem alguém te filmando escondido (o celular dos japas têm televisão, internet, câmera de 5 megapixels e vídeo)

8 ou 80:
- os japas são ou nerds ou totalmente loucos (pelo menos, é o que eu acho)

Eles falam o idioma EIGO:
- ou inglês, se você entender alguma coisa do sotaque deles

Dormem em qualquer lugar:
- isso corrobora para a afirmação do Alberto de que os japoneses adoram dormir...

...

Eu estou totalmente pobre, e ficarei ainda mais:
- vai ter show do Weezer e do Radiohead!
Por que eu fui ficar sabendo disso...

terça-feira, agosto 12, 2008

Maior mico do Japão!

Sem dúvida, foi meu maior mico do Japão até agora!
Eu comprei uma cadeira de escritório ontem. Montei a cadeira, no maior cansaço, com ajuda do parceiro Gilberto. Até aí, tudo certo. Eis que, ao testá-la, ela simplesmente era péssima: torta, baixa, e ruim demais para escrever em frente ao computador. Insisti, insisti, e o Gilberto concordou: vamos trocá-la na loja japonesa.
Detalhe: como eu vou falar para o funcionário da loja que a cadeira é desconfortável, o encosto é ruim, etc? Fiz o mais óbvio: anotei a frase QUERO TROCAR ISSO (ou seja, NANIKA O HOKA NO MONO TO TORI KAERU, em japonês) no caderninho, pegamos a cadeira e fomos para a loja.

Chegando lá, surpresa: a loja estava fechando! Corremos, com uma cadeira imensa nos braços, antes que a loja fechasse...
Descrição da cena:
TATI: Sumimasen! (COM LICENÇA). NANIKA O HOKA NO MONO TO TORI KAERU...
FUNCIONÁRIO: ?? Por que? (ele falou algo assim, pelo que eu entendi)
GILBERTO: ...
TATI: ...

Aí, começa a descrição. Foi mímica pra cá, mexe na cadeira para tentarmos explicar, e nada do japonês entender. Aí, começou o pior. A pior coisa que se pode acontecer no Japão: eu tive um ataque de riso. Não conseguia conter, ria sem parar, na frente do funcionário. Ele começou a ficar bravo.

TATI: hahahhahhahh
GILBERTO: Tati, pára de rir! Não pode!
TATI: AUHAUHAUHAUHAHUAHHUAUHAUH
FUNCIONÁRIO: ????

No final, o cara pegou a cadeira, e a levou para um outro lugar. Uma japonesa pegou a cadeira, a nota fiscal, e devolveu o dinheiro para mim. E eu, rindo.

Na saída, o Gilberto manda eu ficar quieta. Acabei rindo até o caminho de casa...Não volto lá por um bom tempo - ou até eu tingir o cabelo e o inverno chegar.

(Isso que o Gilberto implorou para que eu não citasse o nome dele neste dia fatídico)

domingo, agosto 10, 2008

Televisão digital: a farsa japonesa, entre outras críticas infundadas...

Esse papo já deu, e o Brasil meio que deixou o assunto de lado. No entanto, eu não poderia esquecer que o modelo de televisão digital adotado no Brasil é, sim, o modelo japonês. E estou tendo a experiência de televisão digital por aqui também.

Pois é, aqui a televisão digital está em um patamar bem mais adiantado, claro. E o governo brasileiro prometeu as seguintes possibilidades da televisão com o padrão japonês: maior mobilidade e qualidade da imagem. Pois bem, vemos por aqui alguns japoneses assistindo televisão no metrô e no carro. Vi que a televisão do hotel em que eu estava hospedada tinha um modem acoplado. Nele, você poderia conectar-se à internet e também comprar filmes, ouvir música, assistir a programas pornôs – desde que pagasse uma certa quantia por isso (algo em torno de 10 dólares por programa, filme, etc). Na verdade, é como um pacote da Sky de pay-per-view. Nada muito animador.

A única coisa que me surpreendeu foi ver, em uma loja de eletrônicos chamada Yamada Denki, uma mistura de televisão com desktop (ou computador de mesa. Seria bom se os brasileiros parassem de adotar estrangeirismos em termos informatiquês). São uma espécie de televisões de plasma, 30 polegadas e tela LCD, só que vêm em seu interior um processador que te permite acessar a web. No caso, poderíamos ver vídeos do YouTube, em alta resolução e velocidade, em uma tela de televisão. Meio surpreendente, admito.

Acontece que a tecnologia é uma farsa, do ponto de vista que mascara o que realmente importa: o conteúdo. De que adianta ter uma televisão/computador/celular/iPod se o conteúdo é um lixo completo? De que adianta comprar esse acoplado tecnológico se a única possibilidade que possuímos é de ver as famílias Marinho, Abravanel, Macedo, bem como grupos como Disney (que é dona da MTV), e outros lixos nacionais/internacionais?

Sei que é um desabafo frente a maravilhas tecnológicas. Mas hoje, pela segunda vez em que estou no Japão, tenho uma visão muito mais crítica, tanto dos japoneses quanto de seu “japan life style”. Eles possuem celulares iguais ao iPhone faz um tempão (todos, absolutamente todos, são 3G), porém fazem fila para comprar o iPhone – porque dá status e é como se dissesse “também sou americanizado”. Sem contar que eles têm, em suas bolsas, os seguintes artefatos tecnológicos: celulares 3G, dicionários eletrônicos (parece um iBook), jogos PSP, iPod, laptops minúsculos. Se um celular tem tudo isso em convergência, para quê comprar tudo isso separado? Ah, é verdade, é o maldito status que faz com que madames comprem bolsas de 40 mil dólares para levar seus cachorrinhos aos salões de beleza, para participarem de concursos caninos, enquanto alguns milhões morrem de fome ou vivem de Bolsa Família.

domingo, agosto 03, 2008

Procuramos independência....


Uma das coisas mais difíceis do mundo é aceitar mudanças radicais. Quanto mais você aceita e convive com as mudanças, mais independente vai ficando. Nem sempre isso é bom, pois a independência pode cair no individualismo exacerbado ou, pior, no egocentrismo.
Acho que ser independente, na prática, é acordar e saber que é você que:
vai ter que

limpar a casa
pagar as contas
se cuidar
cozinhar
acordar
se jogar

No entanto, seja você independente ou não, uma coisa é fato: somos seres sociais, e dependemos uns dos outros. Então, nunca seremos totalmente auto-suficientes. Eu adoro ficar sozinha, mas...Nada como ter as pessoas importantes por perto.

Calor da balada


Estou no Japão há...4 dias. E ontem eu fui a VÁRIOS lugares: primeiro, Harajuku, o bairro em que os fãs de animes e pessoas vestidas bizarramente são encontradas a qualquer momento.

rua calorenta de Harajuku


Depois, Akihabara, o paraíso dos nerds e fãs de eletrônicos. Imagina uma Santa Ifigênia ou um Stand Center do Japão. Mais ou menos isso. Comprei um iPod semi novo por 150 dólares, um Pendrive de 1g por 7 dólares.

Em seguida, fui à 25 de março do Japão. Tem literalmente de tudo: lojas de cosméticos, feira livre, brechó...

Eles só passam com o farol verde!

Para terminar, fui ao local mais comentado: Hoppongui, o local em que cada esquina tem uma balada diferente! Entrei em várias, com os mais diversos estilos: dancei salsa com um japonês, conversei em japonês com um africano, bebi a cerveja Sapporo – que é bem ruim, por sinal – , vi várias australianas que mais parecem terem saído diretamente de Hollywood, sem contar peruanos, americanos, ingleses, africanos, indianos, e, claro, os japas.

Cheguei em casa umas sete da manhã.

Acordei e fui, sozinha, a um parque famoso aqui de Tóquio. Foi o parque mais bonito que já fui, só que não tirei fotos, porque a bateria da minha câmera acabou...Tinha lagos com tartarugas, floresta com mata fechada, pontes de jardim japonês, carpas, tudo minuciosamente ajeitado.


sexta-feira, agosto 01, 2008

Karaokê!!

César e Pablo cantando em japonês no karaokê box

rua próxima ao meu hotel

Estou na maior ressaca do universo...Mas estamos aí.

Ontem eu fui à despedida do diretor de Redação. Teve alguns chopes (a propósito, melhores do que os do Brasil), diálogos bilíngues e experimentos de várias iguarias: aquele ossinho mole da galinha empanado, barbatana de tubarão grelhada, peixinha grávida (e com os ovos dentro), semente de soja dentro do broto, pizza japonesa (que é horrível). Além disso, há a experiência antropológica de observar executivos japoneses bebendo feito uns condenados e rindo alto.

Depois, fomos a um karaokê. Cantei e matei a vontade:

  • Radiohead

  • Spice Girls

  • Amy Winehouse

  • Franz Ferdinand

  • Esqueci

    Metrô com desenho de Pokemon...

    Hoje eu vou a Harajuku, nem que seja sozinha! O metrô daqui é muito difícil de andar....E nem vou falar que vai ter fotos no Flickr!


quarta-feira, julho 30, 2008

Irashaimase

busão de escala em Paris.

Ainda não é Tóquio. Paris mesmo.

Para todos que aguardam por informações diretamente de Tóquio...

Bem, cheguei cansada, porém normal, no Japão. O calor aqui está forte, contudo nada diferente de Bauru, em janeiro, ao meio dia. Sério: bauruenses aguentam fácil o calor daqui. O engraçado é que a lembrança que eu tinha da outra vez que fui ao Japão é de um país frio, com pessoas frias e acanhadas. Mas o calor muda tudo: o povo anda mais descontraído, suando. Uma visão atípica do Japão, visto que, por aqui, o tempo está mais para frio do que calor.

Em Paris, conheci uma japonesa que dá aulas de inglês – sim, ela é uma das poucas japonesas que falam inglês com bastante habilidade. Ela me ajudou a entender um pouco seu povo antes de eu “enfrentá-los”.

No avião, eu vi dois filmes: Penélope e 21. Alguém já ouviu falar neles?

Ainda estou com cólicas de ansiedade, acho.

Hum...Tóquio é igual aos outros lugares do Japão, mas é mais apertado e lotado de gente. Ainda quero passar em Hoppongui – com suas baladas para gringos – e também em Akihabara, o principal centro de tecnologia de Tóquio.

Acordei umas cinco da manhã hoje, e estou escrevendo às seis. Pior é saber que, desde a última vez que tive consciência de datas, eu estava na segunda feira. E hoje já é quinta.

O quarto do meu hotel é bastante apertado. Para se ter uma noção, não tem mesa, e eu tenho que escrever em cima da cama. Quer dizer, tem uma mesa. Embutida, como quase tudo no Japão.

Hum...como eu já vim para cá, não sei direito o que seriam novidades ou coisas batidas. Tirar o sapato foi um hábito que eu quase esqueci.

E, sim, o arroz japonês é o melhor do mundo.


Mais fotos, Flickr!

segunda-feira, julho 28, 2008

Lá vai...


Daqui a menos de quatro horas estarei em Cumbica.

Vai ser difícil aguentar as saudades de muitas pessoas extremamente especiais para mim. Na minha despedida, foi impossível conter o choro ae ver, juntas, todas as pessoas que amo, admiro, e realmente gostaria de transportá-las para o outro lado do mundo junto comigo. Porém, a vida é feita de desafios, e sei que todo aprendizado requer coragem e garra para suportar qualquer dor. Neste momento, meu estômago dói.

Chorei muito nesses dias, talvez como nunca em toda minha vida. Pior que, toda vez que choro, tenho que conter minhas lágrimas e pensar objetivamente. Porque, se eu pensar apenas com a emoção, simplesmente não pararia de chorar por horas. E, se todos nós fôssemos movidos apenas pela emoção, provavelmente não cresceríamos.

Foi aí que pensei em meus maiores desafios até agora:

  • Enfrentar o primeiro dia de aula

  • Ver meus pais irem para o outro lado do mundo

  • Ir para a Unesp

  • Primeiro emprego

  • Prova da auto-escola

  • Passar no vestibular

  • Ter de superar a morte de entes queridos

  • Não ter medo de morar sozinha

  • E, agora, mais este


Alberto, meu namorado, que deixei mesmo sem querer: você é uma pessoa muito importante em minha vida. Não quero que deixe de falar comigo, pois te desejo o que há de melhor neste mundo. Que você seja feliz. E que nossos planos profissionais (junto com amigos que admiro profundamente) se concretizem.

Eu abomino despedidas. Mas, hoje, sei que é um ritual importantíssimo. Ter ido embora da Unesp sem me despedir foi bom apenas por um lado, porque você não sente tanta dor. Porém, sentir dor é sentir o quanto ama algumas pessoas em sua existência.

Meninas da Jaci, pessoal do Renovação, Lumen, Unesp, Bunkyo, galera que conheci pelo Kina (brother até o fim), pela minha irmã, em atividades profissionais...Todos estão em meu coração – para quem não sabe, eu tenho uma memória de elefante.

Obrigada Jú, Kina, Alberto, Midori, Rodrigo, Bruno, Nadia, Vi, Bia, Sayuri, Jú, Naty, Paty, Linne, Mi, Má, Emy, Telite, Gabi, Carol, Bulhões, Gabriel, Ruiz, Dacax, Glauco, Marcos, Fran, Sérgio, Mineiro, Luiz Augusto, Lara, Vera, Xenya, Fer, Mari, Marja, Naty, Piri, Gigio, Lidi, Monica, e mais um monte de gente que passou pela minha vida e deixou marcas profundas em mim.

É isso. Que venha Nagoya!

(mãe, pai, tô chegando)

quarta-feira, julho 23, 2008

Despedida


Agora é oficial: vou embora do Brasil daqui a poucos dias...
Serei correspondente no Japão, ou seja, este blog provavelmente será dedicado à minha nova vida. E outros assuntos, claro!

segunda-feira, julho 14, 2008

Correndo do medo

O que você faz quando tem um lapso de medo? Veja a seguinte cena, e admita se isso nunca aconteceu a você:
Domingo, 23:30. Sozinha, em casa. Vendo People´n´Arts. Dá aquela vontade de ir ao banheiro...
Saio do quarto, tudo escuro. De repente, bate um medo aleatório, daqueles que te travam. É o medo do escuro? De espíritos? De estar sozinha?

Eu tive isso ontem. Fingi que não senti um calafrio ao ver a sala escura sob um frio de 10º C. Enrolei-me nas cobertas, segurei a bexiga e fui dormir.

Sorte que eu dormi pouco: acordei às 5:30 e fui correr nas ruas escuras de Sampa. Aliás, alguém já fez isso? Correu pelas ruas de São Paulo sob um frio de 8ºC? Garanto que é ótimo.
Eis o meu trajeto de hoje:


Exibir mapa ampliado

segunda-feira, julho 07, 2008

tim Tim

Achei interessante uma nova onda nestes últimos dias. Um monte de pessoas que conheço estão ficando com “preguiça” de sair. Motivo:
- Não posso beber porque vou dirigir, então nem dá vontade de sair.

Tem gente que fala que não dirige pior depois de umas cervejas, e outros falam inclusive que dirigem melhor sob efeito do álcool. Vou ser curta e grossa quanto a essa lei: tem mais é que ser rigorosa, dura e punitiva. Sou ainda mais radical: propagandas de bebidas alcoólicas deveriam ser proibidas, sobretudo as de patrocínio de eventos.
Permitir publicidade de bebida nada mais é do que o Estado legitimar a carnificina que são as conseqüências de se dirigir bêbado.
..........
Por que bebemos? Porque ficamos cansados de trabalhar 40 horas (no mínimo) por semana, queremos esquecer da nossa cor amarelada de escritório (enfurnados 8 horas por dia), e temos vontade de fugir da realidade que nos corrói. Trabalhamos arduamente para termos dinheiro, que gastamos sumariamente em baladas fúteis e bebidas de gosto duvidosos, porém com efeitos deliciosamente divertidos.

A solução é deixar a vida suficientemente com sentido, para que possamos nos sentir livres o suficiente de qualquer vício.
Ou seriam que bebidas são boas o suficiente para darmos um "chega pra lá" nos moralistas de plantão e dizermos: "Em caso de emergência, dê-me cerveja!"

Como diria nosso amigo Zeca, "só no sapatinho..."

La Maquina!


Se o mundo é movido a sexo (!), e os adolescentes estão iniciando na vida sexual cada vez mais cedo, coisa tem. Alguém está fazendo alguma coisa a respeito? Espero que sim, porque se o Estado continuar com essa lorota de que sexo, só depois do casamento, vamos ver muita gravidez (sem contar as DSTs) indesejadas da vida...

E, para evitar a gravidez teen, uma das propostas é colocar máquinas de camisinhas nos colégios. Concordo com uma política de redução de danos porque, embora não seja a ideal, em conjunto com ações a longo prazo, as ações paliativas acabam sendo benéficas.

Bem, mesmo assim, não acho que o colégio tenha de colocar máquinas de camisinha para estimular o sexo seguro. Porque, por mais que a escola seja um local de convivência e contato com possíveis parceiros sexuais, este não é o objetivo de se freqüentar o colégio. Colocar máquinas que vendam preservativos é uma medida, no mínimo, vazia. Melhor seria se os colégios tivessem aulas de educação sexual e, se os alunos demandassem por preservativos, que fossem a uma farmácia ou a um posto de saúde.

Além disso, os adolescentes menos iniciados sexualmente – como parte o é – se sentiriam intimidados, seriam taxados pejorativamente de “últimos virgens” por não utilizarem “la maquina del sexo seguro”, etc. Além disso, quem não se previne com certeza não é por falta de informação ou por falta de acesso ao preservativo. Todo mundo sabe onde são vendidas/distribuídas as camisinhas. Se não usou, foi por preconceito, preguiça, desleixo.

Camisinha é importante, essencial em uma relação sexual. Mas cabe à instituição de ensino pontuar e mostrar o cenário do assunto aos estudantes, e não simplesmente vender preservativos. Se não distribuem nem absorventes, que são muito mais emergenciais, porque deveriam distribuir camisinhas?

quarta-feira, julho 02, 2008

Central G. de Jornalismo

Ultimamente estou totalmente sem idéias. Passei o centenário da imigração japonesa sem qualquer tipo de comentário, fui ao Motomix, fiz milhões de coisas importantíssimas, estou correndo nas ruas de madrugada e simplesmente não estou documentando nada por aqui. Por quê?

Simplesmente porque as boas idéias vêm do ócio, da pasmaceira. Quando isso não existe, e seu tempo se resume a 24 horas de trabalho e preocupações, fica difícil conciliar o blog, uma ferramenta teoricamente para entretenimento e liberdade total de expressão.

A única coisa que me fez postar aqui hoje é o fato de que eu li, no Meio e Mensagem, uma frase memorável do Tas, apresentador do CQC (ótimo programa, aliás):

No meu blog posso ser o Roberto Marinho.
(a frase não é necessariamente essa, mas você pegou a idéia, não é?)

Ou seja, não tem ninguém me censurando. Porém, sabe o que é pior? A autocensura. Infelizmente, ela não só existe como te corrói.

terça-feira, junho 24, 2008

Red Album

Assumo minha veia nerd e geek toda vez que ouço uma das minhas bandas favoritas – Weezer. Apesar de terem cerca de 38 anos, ou seja, estarem bem longe de serem considerados jovens nerds, suas músicas continuam frescas e as letras, típicas de um jovem de 18 anos.

Perfeito.
A primeira faixa, “Troublemaker”, tem uma pegada bem high school, passando pelas letras e batida. Já a segunda faixa, “The greatest man that ever lived”, é daquelas que passam por várias gradações: começa lenta, vai ficando mais agitada, até chegar a um coral de igreja. Uma de minhas favoritas é “Everybody Get Dangerous”, porém, como todo álbum que eu fico viciada, a ordem das favoritas vai mudando conforme o ouço.
"Red Album" inteiro é feito de músicas divertidas, e até as mais tristes são ótimas. E o clipe novo, Pork and Beans? Simplesmente pegou as celebridades do YouTube e as colocou no novo vídeo.
E, pela primeira vez, o Rivers Cuomo está uma graça...

Ainda estou ouvindo:
- Coldplay: Viva la Vida – médio
- Junior Senior – Hey My Oh Oh - ótimo, ótimo!
- Gnarls Barkley – The Odd Couple - ótimo
- Matanza - MTV Ao Vivo - ótimo

Fora os Podcasts. Virei uma PodFã.

sexta-feira, junho 20, 2008

O Trapo

Ultimamente tenho me sentido literalmente um trapo.
Porque...
1) não tenho tempo de fazer as unhas
2) tenho prova final de japonês
3) não tenho dormido direito
4) estou sem tomar café
5) faz mais de três semanas que não ando de bicicleta
6) não tenho tempo de ler o jornal como eu tinha antes
7) resumindo: a síndrome do “estou sem tempo” me atingiu de uma maneira que parece que fico correndo atrás do tempo.

Ok, parei de reclamar. Na verdade, não ter tempo nem para o meu blog me dá uma tristeza...

sexta-feira, junho 13, 2008

Google Nóia


Estou tendo uma overdose com o site mais poderoso do mundo – o Google. Além de eu trabalhar em um site cujo foco é tecnologia e, sobretudo, as andanças do Google, estou lendo um livro sobre a história dos fundadores – Sergey Brin e Larry Page –, bem como conheci o império da Web em São Paulo.

Bem, já me questionei isso em um outro post, quando se deu aquisição do Blogger pelo Google. Só que, hoje, a companhia detém quase todos os dados dos usuários indexados em seus computadores no Vale do Silício.

Eu não sabia disso, mas, lendo o livro Google, de David A. Vise e Mark Malseed, descobri que a empresa armazena todos os nossos dados privativos em seus servidores. Ou seja, eu, por exemplo, que tenho conta no Orkut, Gmail, Blogger, YouTube e iGoogle – tenho todo meu histórico armazenado nos computadores do Google.

Tem coisa mais invasiva do que ter “links patrocinados” dentro do meu Gmail, colocando anúncios “de acordo” com o que eu escrevi no corpo do meu email? É um absurdo, ainda mais porque o Google preconiza que nunca apaguemos nossos emails. Eu tenho duas contas no Gmail, o que me deixa ainda mais vulnerável. O que fazer? Deixar nossa privacidade em risco só para usufruir das benesses de googlear?

Está difícil não ficar paranóico sabendo que, se um dia algum norte-americano quiser saber onde moro, vivo, trabalho, o que gosto, etc, é só consultar os servidores do Google e se deleitar.

terça-feira, junho 10, 2008

O que abre mais portas?

Situação 1: Com o cabelo seboso, uma roupa sem graça e um sapato de gosto duvidoso, vou a uma palestra. Uma mulher ao meu lado, de cabelo escovado, maquiagem em excesso e com a roupa da moda, conversa empolgadamente com um diretor de marketing de uma empresa conhecida no mercado. Estou sentada ao lado deles e sou completamente ignorada pelo “executivo”, que não disfarça suas intenções escusas ao dar atenção à patricinha arrumada.

Situação 2:
Arrumada para um coquetel, resolvo pegar o ônibus, lotado, como sempre. Pergunto:

- Posso descer pela frente, porque não consigo passar na catraca?
Eis que o cobrador me fala:
- Pode, nem precisa pagar se não quiser. (A fala foi acompanhada de olhares secativos e elogios um tanto baratos)

Claro que paguei a passagem, mas fiquei pensando: isso é bom? Ruim?

Obviamente, a longo prazo, a situação 2 é extremamente ruim, pois corrobora para o machismo e a valorização do físico feminino – em detrimento da inteligência.

Não vou colocar uma teoria fechada com bases apenas em dois exemplos empíricos e bem recentes, porém tenho outras vivências, dos quais não me recordo, de todas as vezes em que fui (des) valorizada por atributos como a beleza. A situação 1 eu vivenciei ontem (para os homens verem como é).
Infelizmente, uma mulher bonita consegue mais benefícios instantaneamente. Já a inteligente precisa provar, mediante argumentos, de que deve ser valorizada socialmente. Com o homem é um pouco diferente, porém um rapaz com dotes físicos padrões provavelmente consegue outras vantagens. Embora em menor escala e em outras situações. (se algum rapaz quiser dar um exemplo, à vontade)

Acontece que, visualmente, é mais fácil fazer uma avaliação rápida. Ao contrário da inteligência que, embora amparada por determinados valores culturais e burgueses, ainda é mais subjetiva.

A beleza exterior tem parâmetros extremamente definidos – seja pela mídia, por celebridades, modelos, etc. Somos colocados diante desses valores o tempo todo, o que nos leva a ter, mesmo que inconscientemente, padrões de beleza menos flexíveis.

A beleza, a curto prazo, abre mais portas. Só que a inteligência se acumula ao longo do tempo, e nunca é retirada. Já com a beleza ocorre justamente o contrário: ela não se acumula e, após algumas décadas, praticamente não existe – ou não é desejada pelos padrões de culto à juventude...

Para pensar nossa sociedade.

sexta-feira, junho 06, 2008

O que você mais odeia em um namoro?


Essa frase eu tive que responder em um debate para a Revista Capricho. Confesso que fiquei um tanto desconfortável de ter de participar da discussão porque, aos 17 anos, eu realmente nunca tinha namorado sério e muito menos tinha gostado de alguém. Ou seja, não sabia direito como lidar em um relacionamento. No debate, eu disse que nunca tive vontade de namorar, e que por isso nunca pensei no tal Dia dos Namorados.

Seis anos se passaram: apaixonei-me, sofri, levei bota, enfim, tive quase todo tipo de experiência em relacionamentos. E inclusive estou em um relacionamento sério agora – dia 12 de junho faz um ano e dez meses de namoro. Nem por isso gosto do Dia dos Namorados. Na verdade, eu realmente considero uma data tosca em que o comércio quer mesmo é faturar. Vamos boicotar a obrigação de dar presentes em Dia dos Namorados, das Mães, dos Pais, das Crianças, Natal, aniversários. Presente se dá quando se tem vontade genuína, não em meras datas impostas pelo setor comercial e marketeiro.

Já repararam que as datas em que temos de gastar não batem? Pois é, é para você ter dinheiro ao longo do ano para ficar gastando por obrigação. Abaixo o Dia dos Namorados e todas as datas “comemorativas”. E viva as comemorações genuínas.

Ps: durante o debate de 2003, eu disse que odiava apelidos fofos. Ainda detesto. Por favor, não revelem seus apelidos íntimos ao ouvido alheio. É péssimo.

terça-feira, maio 27, 2008

Vilões (ou visões) da infância

Ter saudades da infância é algo que vira até clichê. Embora as pessoas amem falar de sua infância e de como éramos felizes em nossos primeiros anos de vida, a verdade é que as crianças são bem cruéis. E, partindo do pressuposto de que as crianças são cruéis, vou listar os Top 5 personagens vilões da nossa infância – que provavelmente fizeram ou farão nossa geração ficar ainda mais egocêntrica e má.

Escrevo a lista em Word, sem qualquer pesquisa prévia no Google – apenas consultando minha memória de elefante. Se eu errar nomes, já foi – ou Freud tentou apagar esses personagens negativos do meu subconsciente.

Eis a lista:

1 - Maria Joaquina – Carrossel



Quem não se lembra da loirinha malvada que era extremamente racista com o pobre (literalmente) Cirilo
? E ainda dava em cima de um tal de Jorginho, cujo principal atributo eram os óculos escuros e o carrinho elétrico? Eu me lembro bem do carrinho elétrico do Jorginho: branco, conversível, uma graça. Maria Joaquina já representava os sentimentos mais proeminentes de uma mulher fútil: interesseira, egocêntrica, racista, chata e...bonitinha.


2- Afrodite – Cavaleiros do Zodíaco


O vilão da última casa da temporada das Doze Casas Zodiacais era o mais esperado por mim. Por quê? Simplesmente porque eu sou de Peixes, oras. Aquelas rosas que matam, o suspense por ser a última casa, as visitas à banca para comprar a Revista Herói, entre outras maracutaias que eu fiz e senti por ser fã de Cavaleiros. Esse seriado deixou uma influência sólida em mim, pois foi o principal produto cultural que me fez gostar de duas coisas: astrologia e homens um tanto “andrógenos” (calma, Alberto, você não é andrógeno. Mas o próximo da lista o é)


3- Rei dos Duendes (David Bowie) – Labirinto – A Magia do Tempo


Eu não disse que desenvolvi uma paixão por seres andrógenos? David Bowie, como o vilão do filme Labirinto, me deixou fascinada por sua beleza e seus olhos de cores diferentes. Isso aos...seis, sete anos. Até hoje esses traumas de infância me deixam marcas: ainda acho Bowie um dos caras mais fenomenais (em todos os sentidos) do showbizz.


4- Roger Klotz – Doug



Esse é demais! Toda vez que o Doug fazia alguma coisa meio mico, o Roger ia atazaná-lo. Contudo, o Roger é um personagem extremamente bem-feito: desde a sua voz esganiçada, passando pelo visual meio roqueiro/motoqueiro mais velho. Tinha também a gata dele, que usava uma coleira masoquista e brigava com o Costelinha. Além disso, o Roger causava também com o Skeeter – tadinho dele...


5- Doutor Abobrinha – Castelo Rá-Tim-Bum

Nem curto o Dr. Abobrinha, porém a realidade é que vi tanto, mas tanto Castelo Rá-Tim-Bum, que tive de citá-lo. No entanto, há a razão de ser: o episódio mais engraçado do Castelo Rá-Tim-Bum é quando Dr. Abobrinha se faz de diretor de cinema e tenta persuadir o Nino a assinar um contrato (na verdade, de venda do Castelo), fingindo que assinar fazia parte do enredo do “filme”. Hilário!

Saudades!

sexta-feira, maio 23, 2008

Pequenas impressões

Voltei a Bauru depois de mais de dois meses.
A cidade é calma e quente.

Olho para os lados e as pessoas andam devagar; não há muitas filas nos mercados, e a iluminação da cidade é precária à noite.

A manicure é mais barata, a comida e a bebida são mais baratas.

Ainda sinto saudade.

domingo, maio 18, 2008

Pró-cotista

Saiu na Folha de quarta-feira os manifestos a favor e contra as cotas para negros nas universidades públicas. Ao ler ambos os manifestos, obviamente concordei com o mais coerente: o pró-cotas.

Recordo da discussão em sala na UNESP, com o professor de Jornalismo Regional a respeito do mesmo assunto. Ele perguntou, em sala, quem era a favor das cotas para negros. Dos 36 alunos de Jornalismo presentes, ninguém levantou a mão. Cada um argumentou à sua maneira. Ao final, eu disse uma frase que posso dizer, sem levantar méritos à minha pessoa, que foi uma das minhas mais contundentes afirmações:

“Professor, não levantei a mão quando o senhor perguntou quem aqui na sala era a favor das cotas para negros. Mas devo admitir o seguinte: por mais que façamos parte do movimento estudantil, por uma universidade mais justa e outras reivindicações, quando alguém pisa no nosso calo mostramos a nossa verdadeira face burguesa e mesquinha. Ou seja, quando vimos que uma medida pode tirar nossos privilégios diretos – no caso, quando alguém “menos qualificado” pode realmente entrar no nosso lugar na universidade ou em concursos públicos, ficamos alertas e ativamos nossos pensamentos mais burguesinhos.”

Os contrários às cotas para negros dizem que isso vai aumentar o racismo. Balela: ele já existe, e de um jeito horrível, porque é velado. Na UNESP víamos filhos de fazendeiros, empresários, enfim, gente que vive no mundo da Alice no país das Maravilhas, e acha que “se esforçou” para estar na universidade pública. Ora, sinto muito: se você se esforçou para “chegar lá”, garanto que os negros se esforçaram muito mais. Assim como as mulheres se esforçam mais para chegar a altos cargos em uma empresa – bem mais do que um homem branco – os negros se esforçam ainda mais para chegar no ensino superior. Pela discriminação cotidiana, merecem uma chance, sim.

Vou falar um exemplo. Sou descendente de japoneses. E, embora eu tenha nascido no Brasil, sou chamada de japa, japonesa, etc. O mesmo acontece com os negros. Por mais que sejam “iguais” perante a Constituição, visualmente não o são. Eu sinto isso na pele, e eles também devem sentir.

A nossa sociedade foi construída por homens “brancos” (na verdade, sob um padrão europeu), machistas, racistas, sexistas. E nossa Constituição também foi feita por estas mesmas pessoas. Enquanto não mudarmos essas estruturas ditas como imutáveis por estes mesmos indivíduos, nada vai mudar. Vamos continuar a ver em dados estatísticos que a camada com menor renda é aquela composta por mulheres negras.

Assino embaixo que sou a favor das cotas para negros.

E, pelo menos uma vez na vida, os brancos devem sofrer uma derrota que seja.





segunda-feira, maio 12, 2008

A melhor dieta de todos os tempos.

Não vou ensinar necessariamente a melhor dieta de todos os tempos. Contudo, para quem viu o post anterior, percebeu que estou com intoxicação alimentar.

Alguns fatos curiosos me aconteceram nesses cinco dias de sofrimento:

  1. eu desmaiei no meu quarto, falando ao telefone. Apaguei e, quando acordei, o telefone estava tocando, meus joelhos estavam doendo e minha testa, sangrando. Estou com uma cicatriz parecida com a do Harry Potter (sim, já fui chamada de Tati Potter).
  2. Por conta de minha enfermidade, tenho medo de comer qualquer coisa. Além do fato óbvio de que estou doente porque comi algo estragado, se eu comer algo gorduroso, fibroso, oleoso e molhado (pense bem, essas características correspondem a 99% das comidas gostosas), minha constipação intestinal (ou diarréia mesmo) piora.
  3. Já tive meu recorde de idas ao trono: 20 vezes no mesmo dia. Na madrugada de sábado para domingo, depois de comer com os amigos alguns quilos de batata frita, sem contar os quatro pasteizinhos de guioza, acordei seis vezes de madrugada para ir ao banheiro. Sorte que eu não bebi nada alcoólico.
  4. Não cobri o show do RBD. Imagina ter de parar uma entrevista no meio para correr ao sanitário público e ainda ver garotinhas ensandecidas chorando, vomitando...ia ser um desastre


Deu pra perceber que a minha vida não está fácil. Mas aí vem a parte boa: eu simplesmente não estou absorvendo nada do que como. Resultado: emagreço. Na verdade não é tanto pelo fato de eu estar eliminando a comida, e sim porque eu tenho medo de comer qualquer coisa que tenha óleo, molhos, aparência de ser gostosa demais para o meu estômago. Dieta do medo é a que funciona.

quinta-feira, maio 08, 2008

Intoxicação


Estou com salmonella pela segunda vez em minha vida. Na primeira vez que tive, vá la, porque eu comi em um restaurante de qualidade duvidosa.
Ontem, no entanto, comi em um restaurante cujo quilo custa cerca de 30 reais - o The Green, do Parque Ibirapuera. Estou passando mal neste momento: diarréia, cansaço, dor de cabeça, calafrios, febre.
A única vantagem é que eu posso ficar de pijama o dia todo sem ser incomodada.

terça-feira, maio 06, 2008

Estou elaborando um guia com os principais passatempos (adolescente, claro) para se fazer nas férias.

Eu nem precisava dizer que é adolescente: quem, com mais de 22 anos, tira férias um mês inteiro em julho?

De qualquer forma, fiquei pesquisando por aí algumas coisas divertidas para se fazer nas férias.
Foi aí que assisti a um dos vídeos mais engraçados da temporada:



Chaves e o trailer de A Invasão. O trailer é mais ou menos assim: a Vila do Chaves é invadida por ETs - tudo muito bem sincronizado com falas, músicas, e a clássica frase Está chegando o disco voador!, do nosso amigo Chaves. Imagina um vídeo bem ao estilo Independence Day, só que com os integrantes do seriado mexicano, claro. É incrível como é engraçado e muito bem-feito. Eu ria como louca aqui em frente ao computador.

E tenho que encontrar mais dicas interessantes para ficar de bobeira, como:

  • filmes

  • discos

  • livros

  • sites
    Etc.

Se alguém tiver uma dica legal, me avisa, ok?
Não vou publicar minha lista parcial por sigilo autoral (ahhh é...)
.........

Sabe o que é pior do que o caso Isabella? É a bomba do Ronaldo.

Sinceramente: não tenho a menor dó dele. O cara tem contrato vitalício com a Nike, fica com garotas (fisicamente, e só) lindas e tem tudo que qualquer consumista quer: fama, mulheres e dinheiro. E se mete em um motelzinho qualquer em busca de novas aventuras? Me poupe...sem moralismos, porque cada um faz o que quiser com sua vida pessoal. Mas ter dó dele, eu não tenho.