Estou em crise existencial. Quando alguém diz algo que você considera babaca, que vai contra tudo o que você sempre pensou e almejou em todas as circunstâncias...Você fala o que pensa ou engole o sapo?
Ultimamente, ando engolindo bastante sapos. Só que, o fato de engoli-los com frequência faz com que, de certa maneira, eu aceite as babaquices alheias e me omita. Omita minha opinião, algo que eu definitivamente não fazia.
Se, por um lado, sou uma pessoa mais simpática e feliz aos olhos dos outros, por outro me sinto uma tonta por dentro. Que aceita e concorda com alguém cuja visão é conservadora e patética, e a maior preocupação desse alguém (ou alguéns) é com a data da próxima liquidação de roupas e sapatos na Oscar Freite.
Eu ainda acho que a felicidade é proporcionalmente inversa à inteligência. Quanto mais feliz a pessoa, mais burra ela é.
Você se considera feliz?
Dizem que o ser humano busca a felicidade. Neste momento, acho que felicidade é sinônimo de burrice e alienação.
Pra mim, o ser humano deveria buscar sua plenitude.
domingo, novembro 29, 2009
Felicidade e burrice andam de mãos dadas
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Tatiana Aoki
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21:09
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quarta-feira, novembro 18, 2009
E 2012...vai acabar o mundo?
Essa figura, de astrologia, tem um quê de apocalipse...
2012, o filme que tá dando o que falar (e que eu não assisti), sobre o fato de o fim do mundo estar próximo... Ah, dá para fazer bastante coisa antes de o mundo acabar. Vamos lá.
Vou aproveitar para:
- tirar férias de dois anos
- ler apenas romances, nada de “não-ficção” ou autoajuda
- andar de Crocs e nunca mais usar saltos altos ou apertados
- dormiria na hora que quisesse e acordaria na hora que quisesse.
Agora, falando sério...
Se eu fosse viver apenas mais dois anos, viajaria para experimentar todos os estilos de vida existentes: de uma freira em um convento, passando por uma índia da Amazônia, uma mulher vivendo em Jerusalém com burca e tudo, uma gueixa, uma roqueira em turnê com o Sonic Youth, uma ermitã hare krishna. O que a imaginação e a grana permitir, eu iria conhecer. Ver como vivem essas pessoas de realidades tão diferentes da minha.
Depois escreveria um livro contando minhas experiências e o enterraria nas camadas mais profundas do oceano. Quem sabe alguma civilização nova encontrasse os escritos e tentasse decifra-los.
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Tatiana Aoki
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17:00
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terça-feira, novembro 10, 2009
2009, só no balanço.
É, o ano de 2009 está acabando. Só me dou conta quando vejo as luzes de Natal nas ruas e as pessoas pensando no presente e nos amigos secretos.
Como foi o meu ano?
Para quem acompanhou este blog, 2009 foi intenso. Vivi em dois países, ou seja, parece que meu ano terminou no fim de julho, quando fui embora do Japão, e começou em agosto, ao voltar para o Brasil. Mas, em linhas gerais, meu ano foi redondo e bem espiritual. Descobri-me cercada de explicações acerca da vida que antes não acreditava ou não pensava. E descobri que, não, as coisas não são por acaso ou por razões meramente materiais.
O que fica de bom:
- morar em dois países completamente diferentes
- namorar um chinês, me comunicar em japonês e, mesmo assim, entender completamente seus sentimentos
- ter mais certeza do futuro
- estar de bem comigo mesma
- desenvolver meu lado espiritual
- aprender japonês e ser tolerante com as mais diversas culturas
- valorizar as pequenas coisas
- viajar muito
O que fica de ruim:
- mudar também gera as suas crises
- não ter tempo para nada e não conseguir me organizar
- sentir que, se não desenvolvidos, os talentos se perdem
- ficar meses sem ouvir música, andar de bicicleta, ir a shows ou a cinemas
- minha vida cultural foi praticamente nula
O que aprendi:
- a amar intensamente
- a ser a pisciana perdida em algum lugar - menos terra e mais água para minha vida
- a partida de alguns parentes deu uma nova guinada em meus pensamentos
- a não estressar por coisas pequenas – a vida é curta
O que quero esquecer:
- não acho bom esquecer nada, pois aprendemos com nossos erros.
E no mundo...
O ano de 2009 vai ficar para a História, por ser um ano de crises mundiais, perigos de guerras, Brasil e China no centro do mundo, EUA para escanteio. Mudanças de paradigmas sobre o que devemos levar a sério ou não. 2009 foi o ano do Brasil e da China. Último a entrar na crise e o primeiro a sair, pré sal, o presidente com 80% de aprovação, "He is the man", não é pra qualquer um.
Metaforicamente, passei pela crise em um dos países que mais sofreu com ela, brasileira namora chinês no Japão, guerra em meu interior me levou a entender o que realmente é prioritário e o que deve ser formatado do HD da minha vida. Não simplesmente deletado: formatado.
Que venha 2010!
Promessinhas básicas:
- fazer uma pós-graduação ou pelo menos passar em uma
- fazer curso de japonês
- entrar no Sampa Bikers
- não planejar tanto as coisas
- profissionalizar este blog e meu outro blog (sem falta!)
Musiquinha: o ano de 2009 foi ao som de Groove Armada, Soundboy Rock. Ouçam essa maravilha viciante abaixo.
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Tatiana Aoki
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10:15
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sexta-feira, outubro 30, 2009
matisse-Henri
Vou postar minhas últimas descobertas destes tempos de marasmo criativo:
Música – NENHUMA
Cinema – NENHUMA
Teatro – NUNCA TEM NENHUMA DESCOBERTA
Livros – SEMPRE. Mas isso não conta porque ler, pra mim, é quase que involuntário. Tem letras, estou lendo.
Um campo eu posso preencher: EXPOSIÇÃO.
Pela primeira vez eu fui a uma exposição de um artista que admiro há um bom tempo. Matisse.
Quando teve a inauguração do francês na Pinacoteca, fiquei morrendo de vontade de ir, mas esperei a “badalação”. Agora, quase acabando a exposição, todo mundo, como eu, “se lembrou” de ir. E eu fui, em um sábado ensolarado, de bicicleta.
Nunca senti uma emoção tão grande diante de um quadro. É bem estranho você ver, ao vivo, uma obra que você leu sobre. Eu já vi outras exposições famosas, como Picasso. Mas Matisse sempre esteve em meu imaginário adolescente, pois me lembro de ter lido varios artigos em inglês sobre ele – quando eu estava empolgadíssima para aprender inglês, há mais ou menos 10 anos.
E, sábado passado, fico cara a cara com a obra. Foi bem emocionante.
Eis meu quadro favorito de Matisse.
Não me cobrem nada mais elaborado, nenhuma resenha crítica, porque acho que nunca senti inércia criativa maior em minha vida.
Esse eu também gosto!
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Tatiana Aoki
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quarta-feira, outubro 21, 2009
Fim do segundo ato do roteiro de minha vida.
Sumi por muito tempo. Acho que, pela primeira vez na vida, fiquei com o cérebro totalmente vazio, sem inspiração e sem assunto, por quase um mês. Isso que continuo lendo livros, jornais e as ditas fontes de informação e inspiração.
Foi muito triste olhar as visitas deste blog caindo, e eu sem coragem inclusive de acessá-lo – justo eu, a dona do blog, o larguei às moscas, não por falta (somente) de inspiração ou preguiça, mas por falta de coragem mesmo de ver o quanto abandonei meu espaço e talvez tenha me abandonado por esse tempo.
Eu parei de escrever e de baixar músicas
O exercício da escrita aparece do nada, normalmente à noite ou quando estou em estado de inércia – no metrô, viajando, antes de dormir, correndo...Mas, quando se está cansada, alienada e preocupada com os pilares trabalho-família-relacionamento (nessa ordem), parece que a gente não se permite parar uns minutos, talvez horas, para se dedicar ao próprio pensamento e ao exercício de pensar. Seja descobrindo músicas novas, escrevendo neste espaço ou no diário pessoal. Não fiz nada disso neste último mês.
Críticas ao paradigma: faça o que eu digo X não faça o que eu faço
Em um mundo capitalista e de interesses, até os mais esclarecidos e críticos se vendem. Segunda feira ia passar um programa imperdível para mim: o Roda Viva ia entrevistar o criador do Linux,. No mesmo horário, me limitei a assistir um programa relacionado a algo que não acredito.
Penso que não devemos parar de pensar um mundo melhor, ainda mais quando estamos jovens. Afinal, ainda veremos as conseqüências de nossos atos egoístas e interesseiros lá na frente, quando estivermos velhos, debilitados, e tentarmos sentar no assento preferencial do ônibus e um jovem de iPod, mascando chiclete e assistindo ao resumo da Malhação na televisão do ônibus pular na sua frente e sentar no assento preferencial em seu lugar. Você pode xingar e espernear – ele não vai te ouvir.
Parece um desabafo idiota, mas fiz exatamente o mesmo hoje de manhã: estava atrasada e vi o ônibus descendo a Augusta – se eu o perdesse, ficaria esperando séculos o próximo passar. Uma velhinha estava no meio da calçada, interrompendo minha corrida rumo ao ponto. Eu, meio que sem querer e sem paciência, esbarrei na velhinha e saí correndo. Estava ouvindo The Gossip no talo e não ouvi a senhora me xingando depois do que fiz a ela, mesmo que sem querer. Foi um alívio não ouvir seus xingamentos, mas ao mesmo tempo me senti uma jovem-estúpida-ouvindo iPod com músicas indies retardadas-de óculos escuros-individualista.
A gente se vende e se corrompe o tempo todo, à medida que ficamos adultos e largamos a faculdade, ou quem sabe, os tempos em que tínhamos tempo para pensar. Eu era pobre, andava de Havaianas, mas pensava e tinha orgulho de minhas atitudes, porque eu agia de acordo com o meu pensamento ético. Ultimamente, nem tanto.
Minha vontade é de correr pelo campo, exorcizar minha vida, sentar em uma máquina de escrever sem MSNs, Gtalks e emails pulando em minha frente. Em uma fazenda nublada ou um porão escuro.
Por que esses devaneios?
Meu tio morreu neste sábado, na semana mais tensa da minha vida.
Explicação do título: o primeiro ato de minha vida acabou quando minha avó morreu, há 14 anos atrás. Meu tio morreu no mesmo dia, marcando o fim do segundo ato.
O unico prazer de minha vida nesses temposdomingo, setembro 27, 2009
Saudades que corrói
Não sei porque eu ainda insisto em conversar com meu namorado chinês. Toda vez que converso com ele via Skype fico deprimida, choro em seguida, e não consigo pensar em mais nada.
O pior é as pessoas falando pra eu “desencanar”, viver a vida, e tal. Concordo com esses conselhos, porque não consigo imaginar uma situação mais difícil do que:
- namorar um chinês que mora no Japão e não fala inglês, nem português.
- E que, para piorar, não tem a menor intenção de vir para o Brasil
O mais razoável é eu viver minha vida aqui, e ele lá.
Há tantas coisas difíceis na vida – trabalhar, dinheiro, família, saúde, relacionamentos – mas a que mais dói, sem sombra de dúvidas, é a dor do amor. Dói, dói muito, faz chorar e perder a fome, faz esquecer do mundo. A dor da saudades também é cruel, parece que corrói por dentro e te aperta em você mesmo.
Quando estou deprimida ajo de duas maneiras: ora travo, fico estática, parada, sem vontade de fazer nada. Ou fico com vontade de sai correndo pelas ruas.
....
Depois de dois meses, estou começando a sentir saudades do Japão. Daquelas pequenas coisas, como:
- Andar de bike de salto alto.
- Dormir no metrô e largar a bolsa sem desconfiar dos outros
- A delicadeza dos japoneses
- Dançar em uma balada de 6 andares
- O silêncio
Saudades é um sentimento que dói muito, nos faz perder o norte das coisas.
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Tatiana Aoki
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21:03
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sexta-feira, setembro 18, 2009
Castrando as mentes poluídas
Cena de Lolita, direção de Stanley Kubrick
O que foi aquela idéia do senador Gerson Camata (PMDB) de castrar os pedófilos?
Parece mentira e coisa da era medieval e, embora seja algo “voluntário”, ou seja, o cara tira a libido se quiser, é algo muito estranho, pois, querendo ou não, fere a integridade física do indivíduo. Sinceramente, é claro que esse lance de pedofilia realmente é nojento e repugnante, porque é uma ferida permanente para quem é molestado. E que às vezes a gente fica com vontade de cortar a mão de quem rouba – como quando aconteceu na Indonésia há um ano atrás,
reflexo de uma reação passional ao erro humano, ao roubo e ao distúrbio, ao bizarro do convívio social.
Mas, como sempre, o problema é mais embaixo. Em uma sociedade em que o culto à juventude eterna é cada vez maior, e que a Internet propicia qualquer tipo de fantasia a preço de banana, ou de graça, não é difícil entender o motivo do aumento de casos de pedofilia digital. Qualquer fantasia, desejo reprimido, é só Googlar e puf! o sonho aparece.
Xuxa - teu passado te condena...
E, outra, antigamente – nem tão antigamente assim, há mais ou menos 20 anos atrás – a relação de criança/pedofilia era bem mais flexível. Quem não se lembra do filme pornô feito pela Xuxa, em que ela seduz um garoto de 12 anos? O filme é de 1982, e se fosse hoje, a “rainha dos baixinhos” (sem trocadilhos) estaria presa.
O mesmo diria do livro e do filme Lolita, de Nabokov e Kubrick respectivamente. Uma garota de 12 anos que tem um caso com um tiozinho? Seria censurado hoje...
Não sou a favor dos pedófilos, longe disso, mas temos que entender que a Internet só piorou uma situação que estava velada e limitada a centros físicos de exploração infantil, e locais privados, como o ambiente familiar. Outra, a pedofilia pode ser controlada mais facilmente se os pais participassem mais ativamente da vida dos filhos e limitassem o acesso destes ao uso indiscriminado de redes sociais e comunicadores instantâneos - atualmente, principais alvos dos pedófilos.
Já perdi a conta da quantidade de vezes que vi adolescentes e crianças se expondo no Orkut de biquíni, decote. Chega a ser pior do que revista Playboy. E os pais, não supervisionam isso? E as escolas, não fazem um programa de educação do uso adequado da internet?
O mundo é mundo e está cada vez pior porque vive de sistemas paliativos – um reformismo permanente em todas as instâncias...
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Tatiana Aoki
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12:27
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sábado, setembro 05, 2009
Algumas metas riscadas

Peguei minha bicicleta, de chinelos de dedo, chapéu e camiseta com a estampa escrito “Curitiba”, adquirida em uma feirinha da capital do Paraná.
Subi a rua de minha casa (uma ladeira imensa) pedalando. Até que foi fácil. Em seguida, cheguei em casa meio resfolegando e vi minhas tarefas do feriado – que incluíam, entre outras coisas, me matricular em uma academia, estudar japonês, pegar a bicicleta da revisão na oficina, comprar um celular, baixar uns 30 cds, entre outras metas. Risquei apenas a da bicicleta, e jurei que começaria a fazer as outras coisas amanhã.
Mas alguma inércia está em mim, e eu tenho preguiça de quase tudo ultimamente. Sair de balada? Fico com vontade, até me lembrar que tenho que ficar acordada até às quatro da madrugada. Viajar no feriado? Talvez eu volte mais cansada do que se ficasse em casa. Encontrar os amigos? Uma boa, se eu não for obrigada a beber cerveja ou ir a lanchonetes terríveis, como o McDonalds. Dormir? Palavrinha pouco aplicada ultimamente.
Desde que voltei, parece que só posto aqui para descarregar minhas baterias da estafa mental. Só agora, depois de um mês, que talvez eu possa planejar um pouco as coisas. Voltarei a estudar japonês, a ver um filme, ler o jornal diariamente. Ainda falta ver algumas pessoas, mas acho que farei isso em breve.
Ps: não me arrependi de não ter ido à praia. Tem alguma coisa mais gostosa do que sampa no feriado?
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Tatiana Aoki
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15:57
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quarta-feira, agosto 19, 2009
Em qualquer lugar do mundo, eu quero fazer isso
Eu estou com saudades de ver pessoas que conheço há mais do que duas semanas. Com saudades de ir ao mercado comprar queijo branco e caminhar de Crocs pelas ruas poluídas de São Paulo.
De ler jornal calmamente pela manhã, após a corrida matinal. De dormir mais de cinco horas por dia. De ver um filme no sábado à tarde, depois do suco de melão com os amigos. De tomar um café com pão de queijo na padaria.
Eu poderia fazer isso em qualquer lugar do mundo do universo. Alguém me libera?
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Tatiana Aoki
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11:31
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sábado, agosto 08, 2009
Minha semaninha calminha de Brasil
Estou com sono, estou no Brasil, meus pés estão com umas bolhas que eu nunca vi na minha vida, eu comi feito uma porca na Pizza Hut, tenho que aceitar o fato de que meu namoro acabou, minhas unhas estão quebradas, minha sobrancelha está por fazer, não comi a comida da minha mãe até agora, comprei uma torta por 10 reais e não lembro se isso é caro ou não, ainda não entendi a dinâmica do trânsito caótico de São Paulo, me surpreendo com a gentileza dos brasileiros .
Minhas olheiras estão passando do limite do tolerável, eu não consegui correr nenhuma vez esta semana, não consegui me matricular no japonês, estou morrendo de medo de esquecer o japonês (idioma), queria ter ido ao show do Tom Zé.
Quero ouvir Groove Armada!
Boa semana! A minha foi ótima.
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Tatiana Aoki
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01:59
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domingo, julho 26, 2009
Algumas pessoas são o lugar
Me preparando para virar um cachorro molhado....
Eu sei que, quando chegar no Brasil, a pergunta que mais vou ouvir será...
“E aí, como foi?!?”
“Mas então, você prefere o Brasil ou o Japão?”
Acho que o título explica as duas perguntar acima, porque, em minha opinião, o que faz um lugar ser interessante, emocionante e legal são as pessoas que vivem esse momento com você, além da personagem principal, você mesmo.
O que me faz pensar em como duas, apenas duas pessoas, fizeram minha vida tornar-se absolutamente mais legal, divertida e feliz nesse período de Japão.
Se não fossem essas duas pessoas chaves, com certeza tudo teria sido diferente: as coisas seriam mais planas, eu teria me divertido menos, aprendido menos e vivido menos.
E você, já pensou no fato de que apenas algumas pessoas, em uma quantidade que cabe em apenas uma mão, são as que fazem diferença em sua vida?
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Tatiana Aoki
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12:21
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segunda-feira, julho 20, 2009
O Fantástico Mundo de Tati
Seguindo a linha do meu post anterior, do fato de minha vida ser um perfeito seriado ou roteiro televisivo, vou confessar a personagem que com certeza é quase uma descrição perfeita de mim:
- Doug Funny. Eu sempre amei o Doug Funny, e nunca soube por quê. Mas hoje sei o motivo: minha vida é praticamente igual à dele, no sentido de que, tudo, absolutamente, tudo, vira algo absolutamente fantástico em minha mente. Assim como o Doug, eu escrevo diário, tenho uma banda favorita, na qual sou alucinada (não, não é os Beets, mas também é uma banda de rock), vivo imaginando situações hilárias que normalmente não seriam.
Comparada às pessoas ditas “normais”, talvez minha imaginação seja fértil demais, e às vezes passa do limite. Não leve pelo duplo sentido porque, juro, imagino coisas totalmente bizarras, assim como o Doug. Apelidos absurdos em pessoas que mal conheço, heróis fantásticos, aventuras em coisas absolutamente cotidianas e tudo o mais. O exemplo a seguir, que descreve o Doug, mostra algo que eu também faria (veio da Wikipédia)
A imaginação de Doug reage a várias situações de sua vida, o ajudando a superar seus medos. Em um episódio, temendo uma visita ao dentista, ele imagina ser um agente secreto ao estilo James Bond, fazendo menção à cena do laser em Goldfinger.
Outro fato comédia é a relação dele com sua irmã, Judy. A minha irmã, Juliana, também possui diversas semelhanças com a irmã do Doug! Não só o nome, mas o comportamento (putz, expus minha irmã também).
Achei que isso fosse coisa de criança (como diria minha mãe, "um dia passa"), mas desde que me conheço por gente eu faço isso.
Já quando era mais nova, eu era idêntica ao Fantástico Mundo de Bob – outro desenho que era viciada.
Minha vida poderia ser chamada de “Fantástica Vida de Tati”.

Cronologicamente falando, posso me descrever da seguinte forma:
Fantástico Mundo de Bob – Doug Funny – Woody Allen
Acho que me expus demais nesse post. Dei uma de Woody Allen, Doug e Bob ao mesmo tempo.

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Tatiana Aoki
às
13:00
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segunda-feira, julho 13, 2009
Mudando de casa...Mudança fase 10
Planta de um apartamento japonês...
Só quem muda muito de casa sabe que o quanto é um inferno se mudar. Largamos um monte de coisas (importantíssimas) no caminho, deixando nossos rastros por todos os lugares que passa.
Só que, se fazer mudanças no Brasil é um saco, no Japão é praticamente dar um abraço no capeta.
Porque, não bastasse ter que embalar as coisas, encaixotar e ver a burocracia de saída de residência, ainda tem uma questão que é a pior de todas: o lixo.
Não se pode jogar lixo de qualquer jeito, como se faz no Brasil, e isso é um ponto bom em termos de reciclagem. Porém, quando se tem que jogar coisas como cadeiras, mesas ou algum objeto de porte grande, se prepare: você tem que pagar para jogar fora.
Além disso, as casas japonesas são, em sua grande maioria, minúsculas. E para arrumar as coisas? Sua casa vira de cabeça pra baixo por pelo menos um mês, sendo quase impossível andar sem tropeçar em uma caixa ou coisa que o valha.
P: Por quê a Fase 10 do Título?
R: Coloquei fase10 porque eu já me mudei de casa dez vezes – sendo nove delas nos últimos cinco anos. É claro que, no lado bom da coisa, a gente dá uma selecionada no que presta ou não em nossas vidas – jogando fora coisas que não deveriam fazer mais parte de nossa identidade.
Fiquei pensando no significado da palavra “lar”, cuja simbologia é diferente da de “casa”.
Não sinto que tenho um lar, contudo sei que o meu lar será sempre o meu canto – o local em que fica meu computador, minha agenda, livros, minha garrafinha de água, meus óculos e meu aparelho. Tendo essa zona perto de mim, estou em casa.
....
A música que resume meu estado atual é “Breath Reprise”, do Pink Floyd:
Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired
Its good to warm my bones beside the fire
domingo, julho 05, 2009
Minha vida é um roteiro de seriado? Descrição fiel de uma balada no Japão
A balada por dentro: suor e gente bêbada
Luiz Augusto (ou Goiaba, para os íntimos) já me falou algumas vezes que minha vida parece um seriado de comédia dramática.
Pouca gente sabe que, embora eu goste bastante de escrever roteiros, sou muito preguiçosa para formatá-los de forma que se torne realmente um roteiro no sentido palpável.
Alguém quer ser o diretor do filme da minha vida?
A entrada com um smile: veja como foi divertido!
Fotos da balada by Fabio Yamashitafuji
...
Eis a descrição de uma balada alternativa que fui no sábado:
Na balada, em Nagoya, estava toda a galera que conheço, dos mais variados países e culturas. Parecia uma festa do filme Albergue Espanhol, mas a real é que eu simplesmente odiei tudo aquilo.
Eu, que estava sóbria, fiquei olhando aquele povo bêbado, suado e com cerveja nas mãos. Em seguida, olhei meus pés (todos tinham que entrar descalços) e senti que estavam grudando no chão sujo de cerveja e tudo o mais que você imaginar; depois vi um monte de gente fingindo que estava a-man-do a música eletrônica de baixa qualidade, fechando os olhos e girando a cabeça como se estivessem abduzidos ou em transe.
Um amigo meu, todo suado e fedido, me abraçou, o que gerou uma cara de nojo em minha expressão facial. No entanto, por estar lá pela sétima garrafinha de cerveja, acho que ele não percebeu. Me desvencilhei dele, olhei para os lados e tinha um loiro de 2 metros que mais parecia uma minhocuçu, de tão magro e alto. Ele rebolava feito uma serpente no cio e não tinha a menor noção de seu tamanho colossal.
Eu, com meus 1,54 metro, ficava fugindo da minhoca loira com pés (passei a chamá-lo, mentalmente, de minhoca loira), só que a balada era um pouco menor do que uma sala de estar, e toda hora o maldito aparecia, rebolando e dançando como um boneco de Olinda.
Fiquei com vontade de dar uma bica na minhoca loira, mas me controlei e encostei na parede, só observando a galera. Uma brasileira, que tinha 1,80m e usava um decote que escondia somente o bico de seus seios imensos, estava totalmente bêbada, e dançava até o chão com todos os caras que ela trombava. Detalhe que ela dançava até o chão, como se fosse funk, músicas estilo trance (ou sei lá o que era aquilo).
A brasileira tinha um copo de vinho na mão e, no mesmo instante, pensei:
A bebum vai derrubar esse copo de vidro em alguém...
Ela sacudia, era vinho pra lá e pra cá, e pimba! Não é que ela derrubou tudo em mim e no meu amigo?
Meus pés, que já estavam grudentos, ficaram mais nojentos ainda. Meu amigo, em uma fala lenta e de bêbado, diz:
- Puuuutaaa que saco, a mina molhou meus pés!
Fiquei quieta, olhei para os lados e vejo uma japonesa liberando geral para um homem do Panamá, que passava a mão por todo seu corpo, enquanto um senhor de 60 anos e de camisa florida, estilo americano que viajou para o Havaí, observava, guloso, a cena.
Abri a porta da balada, para fugir da vertigem que estava vivendo, subi a escadaria e fui respirar um pouco. A polícia, que estava fazendo ronda e pedindo para que todos entrassem na balada, a fim de diminuir o barulho, pediu para eu entrar também. Sentei no meio-fio e não entrei.
Chega meu amigo (amigo?) mexicano, que havia resolvido dar uma volta para fugir do calor e comprar uma cerveja em uma loja de conveniência por perto. Ele pergunta o que eu estava “haciendo”.
- Nada, apenas respirando ar puro. – respondo.
Uma australiana loira e corpulenta, que aparentemente conhece a balada inteira, chega e cumprimenta a todos. Eu, que também a conheço, finjo que não a vi. Mas ela não finge que não me viu e diz:
- Eii (I don’t remember your name), how are you?
- Estou bem – (I don’t remember your name either).
- You look fine – diz ela, tentando ser simpática.
Dou um sorriso mais falso do que o da Nicole Kidman depois de trocentos botox, saio de fininho e pego minha bicicleta, pronta para dar o fora da barca furada. Uma conhecida abre a porta da balada, vê que estou tirando o cadeado da bicicleta e pergunta:
- Ih, já vai?
- Ah, não, só estava mudando minha bike de lugar (mentira 1).
- Ah, pensei que você estava indo. Não vai sem se despedir, hein?
- Claro, claro. (mentira 2)
- Nossa, estou pingando de suor.
- Eu já me refresquei, mas vou ao banheiro no combini (loja de conveniência, em japonês) e já volto. (mentira 3)
Pego minha bike e vou embora de vez.
(gente, esse é o post mais fiel de todos que eu escrevei – escrevi e fiz um ctrl c e ctrl v do meu diário)
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Tatiana Aoki
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23:31
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domingo, junho 28, 2009
Michael Jackson, três dias depois..

Por coincidência, no dia da morte do Michael Jackson eu estava em Tóquio, sem Internet e qualquer contato com o mundo. No entanto, ao caminhar pelas ruas lotadas da capital japonesa, em todas as lojas que eu passava estava rolando alguma música do “Rei do Pop”. E em todas as capas de jornais e revistas japoneses havia uma foto do MJ estampada na manchete. Aí, eu (juro) pensei:
- O Michael vem para o Japão fazer aquela turnê de 50 shows!
E ficou por isso mesmo, afinal, não tenho a menor vontade de ir ao show de uma estrela que era muito boa no passado, mas que hoje é apenas uma chama que se apagou e se tornou memória nostálgica.
No sábado, estava indo para a estação pegar o trem de volta para Nagoya, e vi um jornal em inglês, cuja manchete era “Michael Jackson is dead”.
Eu, no meio da multidão, dei um grito. Foi um baque tão, mas tão grande, que eu me agachei na prateleira de jornais e comprei o último exemplar do (péssimo) Japan Times, cuja foto de um Michael Jackson branco e raquítico estava estampada.
Inegavelmente talentosoTive a fase em que era viciada no Michael Jackson. Lembro que tinha sete anos quando ele veio fazer show no Brasil, em 1993, com a turnê Dangerous. Além do fato de eu não poder ir sozinha ao show, para piorar, meu tio estava com convites para o esse dia histórico, e meus pais não quiseram ir “porque não gostam de multidão”.
Na época fiquei muito triste, e acho que chorei por não estar lá, no meio da galera, cantando Black or White e Bad, minhas músicas favoritas na ocasião.
O jeito era acompanhar o show pela TV, o que eu fiz, freneticamente. Ouvi a fita (!) do “Dangerous”, de 1991, até arrebentar. Nem me lembro das faixas, porém eu ouvia e dançava suas músicas sem apertar o Foward no cassete nenhuma vez.
Duas pontuações:
- nos últimos anos, o rei do pop estava inegavelmente decadente: branco e magro como uma aberração, com fala infantil e aparentemente com ausência de distinção entre sonho e realidade. Vide sua casa em “Neverland”, episódios de pedofilia envolvendo sua pessoa, dívidas e gastos sem noção, abuso de remédios, entre outros.
- No entanto, negar seu talento por conta dos fatos presentes é uma aberração maior ainda, ou melhor, é polemizar sem argumentos contundentes. Michael Jackson é um ícone pop em todos os sentidos: dançava como eu nunca vi em minha vida, cantava e compunha, tinha uma aura e um carisma inegáveis. Por exemplo, a Madonna, considerada a “Rainha do Pop”, não chega nem aos pés dele – ela não é carismática, não dança bem e sua voz não é boa. (Que me perdoe seus fãs, mas ela parece bem arrogante, embora, devo admitir, seja uma mulher muito esperta, do ponto de vista da indústria musical). Já o Michael…não sei, ele realmente não pertencia a esse mundo, pertencia à Nerveland. Não acho que alguém que dance e tenha esse talento absurdo desde menino possa pertencer ao planeta Terra.
Me despeço em ritmo de Moonwalk – andando pela Lua…
Esse post está duplicado neste blog e no meu novo blog – Musicritica.com
O novo blog terá conteúdo exclusivamente relacionado à música pop/nem tão pop assim – embora eu tenha recebido sugestões para escrever sobre outros temas, como cinema e podcasts.
Eu ainda não o lancei oficialmente – mas alguém lance um blog oficialmente? Sei lá, sei que ele já está no ar!
Musicrítica
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Tatiana Aoki
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23:59
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terça-feira, junho 23, 2009
Ao mestre, por tudo
Alice in Chains e professor Alexandre: dois itens que marcaram minha adolescência.
Que bonito que é homenagear nossos tutores. Com certeza o professor que mais me marcou não foi da universidade, nem do Ensino Fundamental, mas do Ensino Médio: professor Alexandre, que dava aulas de Gramática do primeiro ao terceiro ano.
Lembro claramente dele falando da revista Carta Capital (um contraponto à Veja), mostrando que o Google (“Goooo o quê??”, perguntou, com desdenho, o povo da sala) era melhor que o Cadê, e ele falando que não bebia álcool, apenas Fanta, com os amigos.
Além disso, lembro-me do professor Alexandre dizendo que gostava muito de Alice in Chains.
Acho que essas foram as coisas mais marcantes das quais me recordo, mas muito do que ele disse em suas aulas me marca até hoje.
Por quê um professor pode nos deixar tantas marcas? Como uma pessoa pode nos marcar a ponto de, quase dez anos depois, nos lembrarmos de seus trejeitos e suas falas? Sei que, depois de três anos convivendo com o professor Alexandre, muito do que eu pensava e acreditava se modificou. Sempre para melhor, claro.
Por isso que tenho tantas boas lembranças dele – além de sempre me incentivar a fazer algo na área de Humanas, nunca, jamais me decepcionou.
Ao meu mestre favorito.
Leu mesmo?
Tatiana Aoki
às
22:12
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quinta-feira, junho 18, 2009
Diploma de jornalismo e a desilusão de uma geração

A decisão da não obrigatoriedade do diploma de jornalismo, reiterada pelas excelentíssimas palavras do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, me deixou um tanto deprimida ontem, sobretudo pelos comentários na blogosfera.
O problema é, com certeza, mais fundo. Os jornalistas, com seus egos inflados, acham que não precisam se sindicalizar e que, contando com seu individualismo, pensa que “enquanto tenho emprego, estou bem”.
Mas essa visão não é somente de jornalistas. Li um artigo do cientista político japonês-coreano Kang Sang Jung sobre o fato de nossas gerações não mais se unirem porque, em uma sociedade individualista, o problema da precarização das profissões e das condições trabalhistas como um todo não é um problema do sistema que a rege, e sim dos indivíduos que estão na massa precarizada. Baseando-se nisso, se você está subempregado ou desempregado, não é culpa de nada externo, e sim culpa sua mesmo.
A crise econômica mundial, iniciada no segundo semestre de 2008, conseguiu reverter um pouco a situação de colocar o sujeito como culpado por um sistema cuja dimensão é maior, pelo fato de muitos serem demitidos por uma força maior – a crise. Ainda assim, nenhuma mobilização pela mudança dessa estrutura que rege os dias atuais foi realizada.
Por outro lado, as pessoas ditas “privilegiadas”, ou seja, empregadas, com altos salários (ainda que à custa da exploração alheia) e fora desse processo perverso e selvagem, são consideradas melhores e não parte da elite opressora.
Meio complexo para ser explicado em poucos parágrafos, contudo trouxe à tona alguns de nossos conflitos atuais – concretizado pela decadência de uma profissão antes glamourizada pelos holofotes da Globo.
E, para ironizar ainda mais meu dia, assisti um seriado chamado Growing Pains, de 1985, que fala sobre a “família estadunidense perfeita”: todos loiros, saudáveis, apaixonados e sem conflitos profundos. Em um dos episódios, a filha de 13 anos (!) queria ser jornalista, e estava concorrendo a um estágio em um jornal – de verdade. A mãe dela, que também é jornalista, disse apenas para ela ler um livro “Introdução ao Jornalismo”, que a aprendiz entenderia como exercer a profissão. Simples assim.
Nos EUA e em grande parte dos países, sequer existe faculdade de jornalismo – pelo menos todos os estrangeiros que conheço estranham quando eu falo que fiz essa faculdade.
...
Não explicitei minha opinião sobre a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, não é? Pois bem, embora considere que as faculdades de jornalismo não sejam excelência em ensino, acho que todos perdem: a sociedade, por não terem qualquer legitimação sobre o que lêem, e os jornalistas, por motivos claros.
Entretanto, é mais do que natural de que isso acontecesse, em um país cujo presidente do STF diz que ser médico e engenheiro é mais importante do que ser jornalista. E a profissão dele? Que tal se não exigíssemos mais o diploma também? A que profissão ele compararia? Cozinheiro, com certeza não seria.
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Tatiana Aoki
às
22:07
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segunda-feira, junho 15, 2009
Revolução do Blog - O Caso Petrobrás

Sei que muitos leitores não estão interessados no assunto, mas o caso envolvendo os jornalões e o blog da Petrobrás está dando o que falar. Não leio a Folha versão impressa – por razões geograficamente óbvias – mas acompanho o jornal em sua versão online e notei um aumento nas denúncias envolvendo o PT e a estatal Petrobrás.
O mais interessante é ver que o outro lado também está sendo lido e discutido, ou seja, que a Petrobrás está se manifestando em tempo real por meio do seu blog, não precisando enviar explicações via “Painel do Leitor” e ainda esperar que o jornal deixe o outro se manifestar.
O jornal, obviamente do jeito que se encontra, está chegando ao fim. O mesmo não se aplica ao formato revista, porque, querendo ou não, a experiência do usuário é totalmente diferente no caso desta em relação a aquela.
De qualquer forma, considero que o jornal, se não tornar-se analítico e mais aprofundado, simplesmente irá desaparecer. Isso é bem óbvio.
Eu sou macaca velha e amo jornal impresso, sobretudo porque não suporto ler matérias longas no computador.
...
Mas, para não solamente falar mal dos veículos jornalísticos, confesso que, depois de mais de três meses sem ler um jornal de verdade em português, fiquei impressionada com a qualidade dos textos do caderno Aliás, do Estadão.
Um dia, quero escrever como os articulistas daquele caderno.
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Tatiana Aoki
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07:48
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segunda-feira, junho 08, 2009
O que eu como?
O pão japonês é bem diferente do pão de forma do Brasil...
Minha mãe sempre ri quando eu falo de minha alimentação pra ela – para quem não sabe, faz seis anos mais ou menos que não moro com meus pais.
Quando se mora sozinho, tem que deixar de ser enjoado, aprender a cozinhar e, sim aprender errando.
Me lembro, aos 18 anos, fazendo salsicha pela primeira vez. Eu não sabia que tinha que ferver antes – para quem pensa eu sou alienada, juro que na embalagem não há nada escrito sobre “o modo de fazer” salsicha.
Mesmo depois de anos cozinhando por conta, comendo miojo e misto quente e depois evoluindo um pouco, posso dizer que minha comida é tragável, porém com um defeito: eu sempre como a mesma coisa, e não enjôo.
Acho que posso colocar a lista de alimentos que compõem 90% da comida que consumo:
- pão
- arroz
- queijo
- café
- leite
- maçã
- banana
- presunto (ou algo do gênero)
- alface
- tomate
- balas de caramelo
- abóbora
- pepino
- cebola
- chá verde
- peixe
- sopa em pó
Quando eu faço lista de compras, esses itens sempre estão lá. Mas, não me pergunte por quê, eu sempre esqueço as listas em casa, e chego no mercado sem lista. Claro, por preguiça, compro sempre os mesmos itens. De vez em quando me lembro de comprar algo diferente, porém me limito a comprar os mesmos produtos, só mudando a marca.
Eu sei que variedade é importante, que minha dieta, embora relativamente saudável, carece de alimentos como carne, outros vegetais e etc. Mas acho que desde criança eu não ligo muito em comer as mesmas coisas sempre.
E, sim, me importo com o que eu como – pois meu humor, minha disposição e minha pele estão diretamente relacionados aos alimentos.
Acredito no lema “você é o que você come”, porque, se você consome só junk food, com certeza não liga muito para sua saúde – ou melhor, não liga muito para você.
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Tatiana Aoki
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07:54
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domingo, maio 31, 2009
Beleza atrasa a vida

Ontem eu resolvi tirar aqueles dias para me embelezar: fiz a unha, me depilei, tirei a sobrancelha de uma maneira apropriada, me maquiei, enfim. Fez a maior diferença, me senti bela e tal, só que demorei exatas 7 horas para terminar tudo.
Não pude deixar de pensar no tempo que gastei fazendo isso, enquanto eu poderia estar lendo um livro, vendo um filme ou qualquer outra coisa mais útil.
Isso não é justo, é um atentando aos direitos iguais entre homens e mulheres! Por que os homens não são obrigados a fazer nada disso, a não ser se barbear de vez em quando – quanto têm tempo?
Os homens também gastam seu tempo inutilmente - seja jogando videogame ou assistindo futebol duas vezes por semana -, porém eles fazem isso porque gostam, e não por pressão da sociedade. Nisso eles estão em larga vantagem em relação às mulheres.
Vamos fazer uma campanha para que, na próxima moda, o legal seja ser natural: sem maquiagem, depilação, unhas feitas ou hidratação capilar? Parece discurso feminista, mas a verdade é que eu realmente não entendo porque ainda temos que fazer determinados sacrifícios e eles não...
Se bem que, no Japão, está começando a rolar uma igualdade - os homens daqui são bem metrossexuais. Não sei o que é pior - homens que mais parecem vindo das cavernas ou aqueles que demoram mais para se arrumar do que mulher se preparando para a balada.
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Tatiana Aoki
às
09:27
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